Depois de uma
quarta temporada complicada, cheia de altos e baixos, com uma deliciosa imersão
no universo Frozen – onde destaco uma Anna perfeita; uma Elsa que poderia ter
sido melhor utilizada, mas que cativou pela forma singela como construiu laços
fraternais com a Salvadora; uma Rainha da Neve inserida para não transformar
Elsa em vilã, o que aliás, foi a grande sacada naquela Mid-Season; e a
lamentável ausência de Olaf –, e depois com uma inexplicável viagem na
maionese, que transformou três das mais icônicas vilãs da Disney de Rainhas da Escuridão a Rainhas do Dramalhão Mexicano – sendo mais vítimas das armações dos
mocinhos do que o contrário –, e com uma Season Finale quase tão incrível
quanto a da temporada anterior, que finalmente revelou onde os roteiristas
queriam chegar com toda a embromação, chegamos ao clímax prometido desde a
metade da temporada passada: Emma Swan, a Salvadora, fruto do amor verdadeiro
de Branca de Neve e Príncipe Encantado, se transformou na Senhora das Trevas.
Não por predestinação natural, como seus pais temiam desde antes de ela nascer,
o que os levou a transferir as Trevas de seu bebê para o filhote de dragão de
Malévola; mas como resultado de um sacrifício, para evitar que Regina
regredisse todo o caminho percorrido para se tornar uma heroína, depois de
terem vencido as artimanhas do Autor, e mais ou menos salvo a vida de
Rumplestiltskin.
Puxa vida! Foi
uma temporada bem agitada, não acham? E nos deixaram um gancho com a
expectativa mais alta desde o início da série – e aqui estou deixando de lado
até as especulações sobre como seria a participação da galera de Frozen –, com
a promessa de uma meia temporada ambientada em Camelot, onde nossos heróis
sairiam em busca de Merlim, o Feiticeiro, o único capaz de aniquilar as Trevas
de uma vez por todas.
Posso adiantar
que a quinta temporada – pelo menos até poucos episódios antes da Season Finale
– foi uma lufada de ar puro nesse roteiro complicado que Once Upon a Time vinha
jogando no ventilador nos últimos anos. Eu disse tempos atrás que a série não
poderia render muitas temporadas, mas, sabe-se lá como, conseguiram sustentá-la
até a sétima! Pena que o roteiro acabou na quinta...
Convenhamos, a
série perdeu o gás na quarta temporada – embora muitos considerem a terceira
como início da derrocada, por causa da Neverland sombria; eu gostei daquela
parte justamente por esse detalhe. Que graça teria transportar os personagens
para uma Terra do Nunca igualzinha a que todo mundo conhece pela versão Disney?
A versão OUAT deu novos ares àquele lugar tão emblemático, a ilha do garoto que
não queria crescer. E fez sentido, já que nessa versão Peter Pan era um vilão.
Já a etapa Oz, apesar da Zelena – por muitos motivos, uma das melhores vilãs, e
por que não dizer, uma das melhores personagens da série –, e do
desenvolvimento do romance de OutlawQueen, me agradou um pouco menos do que
Neverland. Zelena foi extraordinária, mas faltou aos roteiristas serem mais
coerentes com sua motivação e explicarem melhor a estrutura dos ingredientes
que ela precisava reunir para criar sua máquina do tempo. Mas, ao menos, esse
enredo nos rendeu a melhor Season Finale – e na minha humilde opinião, o melhor
episódio – da série, em que Emma e Gancho foram arrastados para a Floresta
Encantada, trinta anos no passado, para viver uma versão de O Mágico de Oz bem
ao estilo OUAT – sem a participação da Bruxa Má do Oeste, que seria
desnecessária naquele contexto, com a Emma se auto sabotando –, e finalmente deu
à Salvadora um conto de fadas para chamar de seu. Memorável!
Mas como ia
dizendo, considero o início da queda de OUAT a quarta temporada. Frozen foi
bonitinho – muito embora tenha forçado a barra para inserir o hype daquele momento na série –, e se
não foi completamente convincente, pelo menos foi divertido. Já a trama das
supostas Rainhas da Escuridão teria ido do nada a lugar nenhum se não tivessem
criado aquela Season Finale – muito boa por sinal –, em que os personagens
aparecem com os papéis invertidos: os vilões vivendo como heróis e vice-versa.
O que não apaga o fato de ter sido uma meia temporada confusa. E ninguém
explicou até agora onde diabo enfiaram a Malévola no episódio final, e nunca
mais ouvimos falar da Lily depois disso.
Normal. Se não fosse
assim, não seria Once Upon a Time, uma série especialista em dar chá de sumiço
nos personagens secundários, sem qualquer explicação.
Finalmente
chegamos à quinta temporada. E esta é a última grande história que OUAT se
dispôs a nos contar. Pela primeira vez em muito tempo, a série nos entregou
duas tramas razoáveis – a primeira muito melhor que a segunda, como sempre, já
que a segunda não soube aproveitar a oportunidade que criou –, mas queimou o
filme bonitinho nos eventos que levaram à derrota do segundo vilão, e
principalmente com a Season Finale. Geralmente é o oposto que acontece, né:
primeiro OUAT nos confunde o máximo que pode, para enfim nos presentear com uma
Finale maravilhosa. Desta vez, escorregaram na batatinha no final, que
prenunciou o desastre que estava por vir na sexta temporada. Mas não vamos nos
adiantar.
Porque o tema de
hoje é a etapa Camelot!


























