Meu livro As Noivas de Robert Griplen foi 3° lugar na categoria Sobrenatural do Concurso Mystic Queen 2020, no Wattpad!!!
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A Temporada de Premiações Continua!
Publicado por
Verônica Lira
em
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
PRÊMIO À VISTA!
Publicado por
Verônica Lira
em
domingo, 13 de setembro de 2020
Meu livro As Noivas de Robert Griplen foi 3° lugar na categoria Sobrenatural do Projeto Pândora, no Wattpad!!!
Mais Uma Realização Talita Vasconcelos
Publicado por
Verônica Lira
em
segunda-feira, 10 de junho de 2019
Dez anos atrás, eu tive um sonho. Nele, um homem misterioso atraía duas mulheres
para dentro de sua mansão submersa, que era guardada por um bando de sereias.
Mas o que parecia a promessa de um romance um tanto incomum, revelou-se um
pesadelo, pois, o preço de se conquistar o amor desse homem era a prisão eterna
em seu palácio submerso.
Assim
nasceu “As Noivas de Robert Griplen”, um romance sobrenatural inspirado nesse
sonho. O livro é, essencialmente, um romance histórico, mas ao longo da
narrativa, além de uma história de amor cheia de mistérios e escolhas difíceis,
vocês também encontrarão um contexto de hipocrisia religiosa e supersticiosa,
que era atual na época em que foi ambientado o livro, e continua atual nos dias
de hoje.
Em
2015, esse sonho começou a tomar forma, quando da publicação do e-book do livro,
e agora, ele finalmente ganhou edição física.
Esse
livro é especial para mim por muitos motivos, mas principalmente, porque ele
marca a minha estreia como editora.
Na
tarde deste último sábado, 08 de junho, foi realizado o evento de lançamento na
cidade de Atibaia, interior de São Paulo. Foi uma festa linda, onde recebi
inúmeros amigos, familiares e autoridades do município que vêm apoiando o meu
trabalho nos últimos anos.
O
evento foi realizado com o apoio da Secretaria de Cultura da Estância de Atibaia.
Aqui
estão apenas algumas fotos do evento, mas
vocês poderão ver muitas outras na minha página no Facebook:
Vem Aí: As Noivas de Robert Griplen!
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 10 de maio de 2019
Senhoras e
Senhores, é com grande alegria que venho anunciar que a edição física do livro
As Noivas de Robert Griplen já está pronta!
E já tem data para
ser lançado.
[As Noivas de Robert Griplen] *BÔNUS* Capítulo 15 - Fogueira
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 4 de maio de 2018
*Capítulo que abre
As Noivas de Robert Griplen – Parte 2 – Expiação.*
Salem, Massachusetts, 1692
–
Ele vem como um fantasma de noite, vagando pela cidade, em busca de uma mulher
para amar – disse Tituba, a escrava, em tom de mistério, a três meninas
reunidas em volta da fogueira. – Ninguém o vê; ninguém percebe sua presença,
exceto suas escolhidas. E durante um ano ele as seduz, como o noivo perfeito
cortejando suas noivas. Até a noite das núpcias. Pois para se tornarem esposas
dele, as escolhidas precisam abrir mão de suas vidas, e isso não é uma
metáfora. O amor desse homem é mortal. Pois assim como aconteceu com a mulher
que ele amou em vida, deve acontecer com todas as mulheres que ele amar depois
dela: o casamento com Robert Griplen é oficiado pela morte.
As
meninas a encaravam a um só tempo fascinadas e horrorizadas.
–
Mas vocês, minhas queridas, não precisam se preocupar com isso – prosseguiu a
escrava. – Pois vocês ainda são jovens demais para se tornarem noivas dele.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 14 - A Última Noite
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 27 de abril de 2018
Susan
se apressou para casa, com o coração apertado no peito. Embora não devesse
sequer estar pensando nisso, ela se perguntava se a paixão que sentira por
Bellingham fora real, ou se era somente o fascínio que Robert Griplen usava
para seduzir suas noivas.
Havia
uma carruagem parada em frente ao jardim de sua casa quando retornou. A madeira
era escura, de um tipo comum, mas Susan reconheceu imediatamente os cavalos do
Dr. Prynne.
Apressou-se
para dentro. A sala estava deserta, mas da entrada ela conseguiu ouvir os
gritos desesperados de Anne no quarto, e correu em seu socorro. O Reverendo
Bichop e a Sra. Garber estavam lá em cima, tentando convencê-la de que faziam
isso para o seu bem, mas Anne se debatia violentamente, tentando se livrar dos
braços de dois enfermeiros. A governanta chorava muito, amparada pelo braço do
Reverendo, enquanto o Dr. Prynne preparava o medicamento para sedar a garota.
–
Susan... – Bichop começou a dizer, estendendo a mão para impedir que ela
protestasse.
–
Eu sei... – interrompeu Susan. – Eu confio no senhor.
Ela
passou rapidamente por seus tutores, assistida por um olhar espantado da Sra.
Garber, e correu até a cama, onde a irmã se debatia e gritava para tentar
escapar.
–
Por favor, Susan! – implorou Anne, aflita. – Não deixe que eles me levem! Eu
não quero acabar como a Sra. Sofer... Eu não estou louca! Por favor, me
ajude!...
Mas
Susan emoldurou o rosto da irmã entre as mãos, e sussurrou, olhando-a com
veemência:
–
Você vai ficar bem. Agora, acalme-se!
–
Não deixe que eles me levem, Susan... – suplicou Anne.
Mas
Susan baixou mais a voz, e abraçou-a para sussurrar em seu ouvido:
–
Eu o vi! Ele é um demônio e está completamente louco!
–
Por favor, Susan... – insistiu Anne.
–
Mas eu não vou permitir que ele leve você!
Então,
Susan se afastou do abraço, e tornou a emoldurar o rosto da irmã.
–
O Dr. Prynne vai cuidar de você – ela disse, suavemente, olhando-a com a mesma
ternura que sua mãe costumava usar quando eram pequenas, para convencê-las a
tomar um remédio muito amargo, prometendo que isso as faria melhorar, e que
quando melhorassem, ela faria uma gostosa torta de pêssego para compensar o
gosto ruim do medicamento.
Mas
os olhos de Anne se encheram de pavor, e ela começou a gritar ainda mais alto,
e a debater-se com mais força, ao perceber que a única pessoa que ela esperava
que argumentasse contra sua internação, estava de acordo com esta medida.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 13 - Uma Alma Atormentada
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 20 de abril de 2018
Susan
despertou assustada. A janela do quarto estava aberta, e uma brisa morna
soprava em seu rosto, carregada de um agora asqueroso odor de jasmim. Aquilo
não fora meramente um sonho, e esta certeza fizera seu coração em cacos.
Bateu
o olho no relógio: passava um pouco das sete da noite. Uma incontrolável
inquietação fez Susan pedir à Sra. Garber que continuasse vigiando Anne em seu
quarto, e correr à casa alfandegária, mas Roger não estava lá.
Um
pressentimento fez o olhar de Susan se virar em direção ao penhasco. Havia um
vulto parado lá em cima. Era evidente que não se tratava de Anne, mas por
alguma razão, Susan sentiu que o vulto a encarava, e se pudesse enxergar tão
longe na escuridão, se atreveria a dizer que a pessoa a encarava com
cintilantes olhos azuis.
Então,
Susan correu até o penhasco. Roger fitava distraidamente o mar, mas sua postura
indicava que ele estava esperando alguém.
–
É você! – acusou Susan. Sua voz saiu rouca e entrecortada, mas apesar disso,
ela conseguiu transmitir todo o ódio que pretendia. – Era você o tempo todo.
Roger
se voltou para Susan, mas não tinha intenção de responder.
–
Você atrai as moças para este
penhasco todos os anos... – insistiu Susan, e fez uma careta enojada antes de
cuspir as últimas palavras de sua acusação. – Robert Griplen!
–
Sim... – admitiu ele, por fim. – Eu sou Robert Griplen!
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 12 - Sem Máscara
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 13 de abril de 2018
Do
mesmo modo que a conduziu até a igreja, Roger Bellingham acompanhou Susan até
sua casa, caminhando ao lado dela, sem se atrever a lhe oferecer o braço. Não
disseram uma única palavra o caminho todo, mas Susan sentia, mais do que
percebia, o olhar dele deslizando para ela a cada poucos segundos, e estava
certa de ter feito o mesmo algumas vezes. E naquele momento a partida anunciada
de Roger fazia aumentar a dor em sua alma. Pois se ele não podia ficar por ela,
e talvez não fosse mais regressar à cidade, então porque lhe dar um pequeno
momento de esperança, para, em seguida, abandoná-la? Era melhor que ele nunca
tivesse demonstrado nenhum afeto, do que deixá-la pensar que o pouco que havia
não era suficiente para fazê-lo ficar.
Ao
parar em frente ao jardim de sua casa, Roger Bellingham se virou e segurou a
mão de Susan. Ela esperou que ele erguesse sua mão e a beijasse, mas ele se
deteve no meio do caminho, encarando-a com o olhar angustiado.
–
Agradeço muito sua ajuda, Sr. Bellingham – disse Susan, finalmente rompendo o
silêncio.
Ele
assentiu, acanhado.
–
Gostaria de poder levar Anne amanhã para lhe agradecer também pessoalmente... –
Susan começou a dizer, e para seu desespero, ouviu o tremor em sua voz, apesar
de todo o esforço que estava fazendo para se controlar, e evitar que ele percebesse
sua angústia.
–
Infelizmente, isso não vai ser possível – respondeu Roger suavemente, parecendo
sofrer infinitamente ao dizer estas palavras.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 11 - As Noivas
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 6 de abril de 2018
Sem
pensar muito bem no que estava fazendo, Susan correu de volta à casa
alfandegária, e bateu à porta, gritando o nome de Roger Bellingham. Outro
sujeito a atendeu e ela disse, muito apressadamente, com quem queria falar.
O
sujeito pareceu confuso.
–
Roger Bellingham! – insistiu ela, pensando que o homem não lhe havia entendido.
Sua expressão estava aflita, e sua voz saía atropelada, mas ela tinha certeza
de que ele podia entendê-la agora. – Ele trabalha aqui.
Antes,
porém, que ele pudesse responder, ela teve o vislumbre de um homem de cabelos
negros passando por uma porta dentro da alfândega, então ela se desviou do
homem que a atendia e entrou sem pedir licença, indo na direção onde viu
Bellingham entrar.
Susan
o encontrou sentado a uma mesa de marfim numa sala pequena. Quando a viu chegar
ofegante e com a expressão assombrada, ele franziu a testa, preocupado.
–
O que houve com a senhorita? – indagou Bellingham.
–
Você sabe o que há lá embaixo... – A voz de Susan era quase um sibilar, e ela
não quis passar a entonação de uma pergunta. – Na mansão...
Roger
Bellingham assentiu brevemente, sem esboçar qualquer emoção.
–
Diga-me o que sabe! – exigiu ela, percebendo de repente, com certo
constrangimento, a intimidade com que se dirigira a ele, mas ignorou em
seguida. – Por favor, eu preciso saber...
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 10 - O Diário de Robert Griplen
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 30 de março de 2018
Ao
passarem pelas grandes portas da entrada da igreja, as irmãs Dawson ouviram uma
voz rouca e velha grasnar de longe:
–
Ela foi tocada! Ela foi tocada!
Susan
olhou na direção da voz, e viu Norma Sofer, a louca, caída sobre os quadris na
calçada do outro lado da praça, com a mão estendida, apontando para Anne.
Que destino horrível tivera a
Sra. Sofer, Susan pensou várias vezes ao longo dos anos.
Não tinha muitas lembranças de quando a filha dela era viva, mas lembrava
vagamente de que a beleza de Norma era invejável, como a de Lizbet também fora.
No entanto, agora, sua aparência era absolutamente repugnante: usava sempre as
mesmas vestes esgarçadas e sebosas, o cabelo grisalho e desgrenhado caía ao
redor de seus ombros como fios de palha, o rosto estava sempre coberto de
fuligem, e os dentes que lhe restavam estavam completamente podres. Era difícil
não sentir pena ao olhar para aquela mulher, outrora tão rica, vivendo pelas
ruas como uma mendiga.
Não
era incomum o aspecto daquela mulher causar medo. Susan imaginou algumas vezes
que aquela bem poderia ser a aparência exata das bruxas que a cidade inteira
caçou cento e cinquenta anos atrás.
Mas
além da aparência, a louca também era uma mulher hostil: sempre apontando o
dedo para alguém, fazendo acusações ou predições agourentas. E ela ficava
particularmente insuportável no mês de março, quando repetia exaustivamente as
palavras que Lizbet deixara de herança. Todavia agora, depois de tudo o que
havia presenciado e descoberto nos últimos dias, Susan começava a suspeitar
que, talvez, bem lá no fundo, a loucura da Sra. Sofer tivesse alguma sensatez.
Mesmo
assim, Susan escudou a irmã com o próprio corpo, e encarou a mulher, enquanto
tentava tirar Anne dali, para evitar que a louca a deixasse mais perturbada do
que já estava.
–
Ela foi tocada pelo demônio! – grasnou a mulher, ainda mais alto, chamando a
atenção das pessoas que passavam pela praça. – Ela é a próxima!
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 9 - A Tragédia da Mansão Griplen
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 23 de março de 2018
O
Reverendo Arthur Bichop residia numa pequena casa a poucos metros da igreja, e
naquela mesma tarde elas bateram em sua porta. Ao ver as duas sozinhas, e não
achando prudente recebê-las em sua própria casa, mesmo sendo seu tutor, ele as
conduziu até a igreja.
Ao
entrarem no templo, as duas sentiram um arrepio desconfortável varrer seus
corpos. Parecia um sacrilégio entrarem naquele lugar santo depois de terem
estado sob o efeito de magia. Sobretudo, sendo a razão de estarem ali
justamente o desejo de desvendar o mistério sobre a magia das noites
anteriores.
O
Reverendo Bichop as conduziu por uma porta atrás do altar a uma pequena
secretaria, e se sentou atrás de uma mesa de cedro, apontando as cadeiras à sua
frente para as duas irmãs. Susan foi a primeira a se aproximar, receosa. Julgou
que seria menos constrangedor ser ela a dirigir as perguntas ao pastor, uma vez
que ele não sabia que ela também estivera acometida pelas mesmas perturbações
que Anne vinha apresentando desde o início de março.
–
Em primeiro lugar – começou Susan –, gostaria de lhe pedir encarecidamente que
esta conversa seja mantida em absoluto sigilo.
O
Reverendo analisou a expressão no rosto da garota, com alguma confusão no
olhar. Talvez estivesse se perguntando se ela havia revelado à irmã seus planos
de trancá-la no sanatório até que os sintomas da peste desaparecessem. Era
evidente na expressão de Bichop que ele já se sentia culpado por uma traição
que ainda sequer havia cometido. Mas como Susan se mostrou muito decidida no
que estava pedindo, ele aquiesceu brevemente.
Ela
fez uma pausa para organizar as palavras no pensamento, e então prosseguiu:
–
Eu queria lhe perguntar o que o senhor sabe a respeito da mansão que jaz nas
profundezas do mar que banha esta cidade?
O
Reverendo suspirou e estendeu o silêncio por um instante.
–
Por que está me perguntando isso, minha filha? – quis saber o religioso.
–
Minha irmã e eu estivemos na mansão noite passada, e também na anterior –
revelou Susan, hesitante, e com a voz trêmula.
Arthur
Bichop franziu o cenho e cobriu o rosto com uma das mãos, preocupado. Susan se
sentiu constrangida por continuar a encará-lo, temendo permitir que seu olhar
pousasse por muito tempo sobre a horrível queimadura que havia na mão do
Reverendo. Era uma marca estranha, que fazia lembrar um S ou um N, como se em
algum momento no passado, alguém tivesse tentado marcá-lo com um ferro em
brasa. Ela sabia que ele se envergonhava daquela marca, e normalmente tentava
mantê-la longe da vista das pessoas, mas a gravidade do assunto pareceu despi-lo
momentaneamente dessas reservas.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 8 - Perguntas Sem Respostas
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 16 de março de 2018
23 de março de 1846
A
Sra. Garber dormia profundamente quando Susan e Anne retornaram de sua excursão
à mansão submersa, e pela manhã, ela sequer suspeitaria que as duas irmãs
haviam saído de casa. Apesar de todo cuidado e dedicação que a governanta
demonstrava com as duas, especialmente nas últimas semanas, desde que Anne
começara a apresentar os sintomas da peste, ao contrário de Susan, ela não
havia perdido o sono uma noite sequer. E na verdade, Susan não a recriminava
por isso. Na primeira noite em que Susan havia encontrado a cama da irmã vazia,
ela tentara acordar a Sra. Garber, para que ajudasse a procurá-la, no entanto,
por mais que a chamasse e sacudisse, Susan não fora capaz de despertá-la. Se
não tivesse sentido sua respiração, ela poderia ter pensado que a governanta
estava morta.
Todavia
Susan não tinha sossego. Parecia sentir cada vez que a irmã despertava no meio
da noite, e saía no sereno para caminhar pela praia. Quando eram pequenas, sua
mãe costumava dizer que havia um cordão umbilical invisível unindo Susan e Anne
desde o ventre, e que nada no mundo seria capaz de parti-lo. No entanto, agora
Susan não conseguia ter tanta convicção nisto, pois desde que Anne adoecera –
se é que estava, de fato, doente –, ela sentia que esse cordão se equilibrava
fragilmente sobre uma navalha, e o coração de Susan se apertava e doía
simplesmente por pensar que a qualquer momento ele poderia se partir.
Como
na noite anterior, as duas irmãs trocaram de roupa e se enfiaram na cama de
Anne, exaustas. Susan se certificou de ter trancado a porta e a janela do
quarto da irmã, antes de se deitar ao seu lado na cama, e por algum tempo lutou
contra o cansaço para vigiar seu sono.
Anne
adormecera quase imediatamente após se deitar. Os delírios, e certamente, o
mergulho no mar, exauriram completamente suas forças. Seu sono desta vez
parecia muito tranquilo, ao contrário da sesta que tirara durante a tarde. E
logo, a própria Susan não resistiu e adormeceu também ao seu lado.
Como
na noite anterior, não se passou muito tempo até que a brisa invadiu o quarto,
carregada do sobrenatural odor de jasmim. Em seu sonho, Susan teve a súbita
lembrança das jardineiras que tinha visto nas janelas da mansão submersa,
carregadas com belos e vistosos jasmins. Mas ao mesmo tempo ela estava
consciente de estarem muito longe da mansão submersa naquele momento.
Então
ela sentiu as cobertas se moverem, e no minuto seguinte, estava novamente
aconchegada ao peito do mascarado. Embora não conseguisse abrir os olhos, a
presença dele era tão forte que ela quase podia vê-lo. A voz suave e aveludada
sussurrava em seu ouvido que ela seria sua para sempre, e mais uma vez ela não
foi capaz de contestá-lo.
Com
um sussurro melodioso ele embalou o sono de Susan, fazendo-a mergulhar num
absoluto e poderoso torpor. Talvez só tenha durado um minuto; ou talvez ela
tenha realmente dormido por horas, até ser novamente despertada pelo mascarado,
mas desta vez, além de sua presença, eram seus beijos que a tiravam dos braços
de Morfeu.
Susan
não conseguiu abrir os olhos, mas sentia os braços do mascarado ao seu redor, e
seus beijos eram tão inebriantes quanto os do pesadelo na noite anterior. Ao
seu lado, Anne ressonava baixinho, e Susan mal estava consciente da presença dela,
na verdade. Estava a uma só vez assustada e apaixonada. Se a presença deste
homem era real, então ela estava completamente perdida agora, pois era
inadmissível para qualquer moça solteira se permitir ser tocada tão intimamente
por um homem.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 7 - Uma Noite de Paixão e Morte
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 9 de março de 2018
A
lua cheia ascendia no céu quando o barco de Robert ancorou na ilha Griplen.
Como para cumprir o que ele havia dito à Lucy, não se via uma única estrela no
céu naquela noite. Mas a lua estava manchada de sangue, o que somado ao corvo
que caiu morto aos seus pés, só podia significar que algo terrível estava a
caminho.
Levado
pelo instinto, Robert deu a volta por trás da mansão, e se esgueirou
silenciosamente até a porta do galpão. As janelas daquela construção ficavam
altas demais para que qualquer pessoa pudesse espiar através delas, mas
deixavam escapar uma luz baixa e fraca que certamente vinha das velas acesas.
Deduzindo que o pai ainda podia estar lá dentro, Robert caminhou até a porta, e
muito calmamente, abriu uma fresta para espiar lá dentro, cuidando não fazer
nenhum ruído.
Como
havia percebido antes mesmo de se aproximar, as velas simetricamente espalhadas
pelo galpão estavam acesas. Havia um círculo de cal desenhado bem no meio do
salão, e dentro dele, desenhados com terra, os vinte e quatro símbolos rúnicos:
uma das últimas conexões com seus ancestrais. Acompanhando o contorno do
círculo, também pelo lado de dentro, jaziam doze carcaças sanguinolentas de
doze corvos mortos. O corvo, em sua comunidade mística era reconhecido como o
espectro da morte, um arauto que vinha à sua frente para escolher a alma a ser
levada por ela. Quando um corvo era usado em um ritual, a intenção não podia
ser outra, senão invocar a morte.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 6 - O Pacto de Sangue
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 2 de março de 2018
23 de março de 1646
O
crepúsculo manchava o céu de Salem com cores vibrantes, quando Robert terminou
a subida ao penhasco, onde costumava encontrar-se com sua amada Lucy. Tinha lhe
enviado uma mensagem mais cedo, por um moleque que ele sabia que era
analfabeto, pedindo que ela fosse encontrá-lo no fim da tarde. Não podia
realmente ter escolhido paisagem mais bela para emoldurar sua amada: de um lado
do céu, o laranja brilhante do sol baixando no horizonte; do outro, um violeta
profundo se aproximava mansamente, arrastando em sua calda o escuro véu da
noite.
Lucy
o aguardava, sentada numa pedra perto da beira do penhasco. Usava um vestido
azul celeste, com um xale de crochê extremamente delicado. Brincava com uma
mecha de seus cabelos negros quando Robert chegou, e sua postura e beleza lhe
fazia compará-la a uma sereia.
Como
ele gostaria de ter uma tela à mão neste momento, para pintá-la exatamente como
a encontrara: sua beleza de bronze emoldurada pelas cores exuberantes do
crepúsculo.
Lembrou-se,
desgraçadamente, de uma discussão que tivera com o pai naquele dia mais cedo –
a última, Robert havia decidido –, em que George jurara que o filho jamais
seria feliz ao lado de Lucy. Em qualquer outra família, um juramento dessa
natureza não passaria de um punhado de palavras amargas, proferidas com rancor;
mas o juramento de um Griplen jamais deve ser subestimado.
Lucy
olhou para ele e sorriu. E então o coração de Robert se perdeu completamente
sob o encanto dela.
–
Esta noite não haverá uma só estrela no céu de Salem – anunciou Robert,
sorrindo de volta.
Lucy
ficou de pé, ergueu os olhos para o lado escuro do horizonte, e franziu o
cenho.
–
Como pode saber disso? – ela perguntou, confusa, procurando no céu em quê ele
se baseava para dizer isso.
–
Elas estão intimidadas com sua beleza – declarou Robert, olhando intensamente
no rosto dela.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 5 - A Mansão Submersa
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Assim
que entrou em casa, Susan ouviu Anne gemendo no quarto. A Sra. Garber estava
aflita ao lado dela. Sentiu-se sonolenta após o almoço, e desde que adormecera,
não parava de se agitar, gemer e choramingar. Toda a sua expressão estava
torcida em aflição, mas apesar de todos os esforços, a Sra. Garber não fora
capaz de acordá-la.
–
Não, por favor... – choramingava Anne, quando Susan entrou no quarto. – Não
vá...
–
Querida, acorde! – suplicava a Sra. Garber, apertando sua mão.
A
testa de Anne estava úmida, mas não tinha febre. A Sra. Garber a enxugava a
todo instante com um lenço, e ela virava a cabeça no travesseiro cada vez que
era tocada.
–
Não me deixe... – insistia Anne.
–
Eu estou aqui, querida – dizia a governanta, acariciando o rosto dela. – Por
favor, Anne, abra os olhos!
–
Está delirando de novo – observou Susan.
–
Às vezes eu penso se ela está sonhando com os seus pais – sibilou a Sra.
Garber.
Susan
deu um suspiro pesaroso.
–
É possível – assentiu.
Anne
começou a tossir. A Sra. Garber ajeitou as cobertas sobre os ombros da garota,
e tornou a afastar os cabelos de seu rosto. Susan descobriu seus pés por um
momento, e verificou debaixo das cobertas que Anne vestira novamente a camisola
cor de pêssego com que mergulhara do penhasco na noite anterior, e que Susan
havia jogado com a sua no encosto de uma cadeira ao retornarem da praia. O
tecido havia secado, mas ainda estava frio. Um arrepio percorreu a espinha de
Susan. Aquilo poderia mesmo ter sido real?
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 4 - Coração Apertado
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Durante
todo o dia, Susan não disse uma palavra à Anne. Em parte, porque ainda se
sentia estonteada pelos acontecimentos daquela madrugada: o mergulho do
penhasco, a descoberta das sereias e da mansão submersa, e o quanto de tudo
isso pode ou não ter sido real; e em parte porque temia acabar delatando o
plano sórdido de seu tutor para trancá-la no sanatório.
Sua
consciência clamava para que contasse tudo à Anne, e lhe desse a oportunidade
de lutar, de bater o pé, ou mesmo de fugir antes que o Dr. Prynne viesse com os
enfermeiros para buscá-la. Mas a preocupação que ela viu nos olhos do Reverendo
Bichop naquela manhã calou fundo em sua alma.
Ele
estava devastado. Aquela não era uma decisão impensada, tomada por um tutor
relapso, que só queria se livrar de um aborrecimento. Não. Bichop estava
sofrendo tanto quanto ela própria com a situação de Anne. Quando a olhou nos
olhos naquela manhã, e disse que aquela era a única maneira de salvá-la, ele
estava sendo sincero. E embora não tivesse esclarecido exatamente de quê
precisava salvá-la, Susan vira nos olhos dele que não estava exagerando.
Desde
que os pais morreram, as irmãs Dawson só tinham o Reverendo Bichop e a Sra.
Garber para cuidar delas, e confiavam plenamente nos dois. Como a governanta
que as tinha criado desde pequenas, Bichop amava as duas como se fossem suas
filhas, e Susan não tinha porque duvidar de seus cuidados. E ver o tormento
legítimo nos olhos dele ao anunciar que talvez precisasse tomar medidas severas
para tratar da saúde de Anne, fez com que o coração de Susan se estilhaçasse no
peito.
Ele
tinha lhe negado algumas respostas. Obviamente havia algo grave por trás da
súbita perturbação de Anne; algo que nem ele nem a Sra. Garber pretendiam lhe
contar. E foi somente a certeza de que nenhum dos dois tomaria qualquer atitude
extrema, a menos que fosse estritamente necessário, o que a convenceu a se
calar.
Ainda
assim, Susan tinha a horrível sensação de estar traindo a irmã com seu
silêncio.
Logo
depois do almoço, quando o silêncio naquela casa se tornou insuportável, Susan
decidiu sair para tentar acalmar os nervos. Tinha muito em que pensar, e não
podia conversar com ninguém a respeito. Ao menos, com nenhuma alma viva.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 3 - Sua Para Sempre
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018
Salem,
Massachusetts, 22 de março de 1646
Robert Griplen se apressou pela escada ao ouvir
os passos do criado no vestíbulo. Se havia algo desagradável em sua propriedade
era a impossibilidade de ouvir uma carruagem se aproximando do jardim, uma vez
que as carruagens não tinham como rodar até o seu jardim.
A mansão de sua família havia sido construída
numa espécie de ilha particular, a alguns quilômetros da baía de Salem. Isso
lhes concedia um jardim imenso, e os poupava de vizinhos inconvenientes.
Sua família chegou à Nova Inglaterra junto com
os primeiros colonos, em 1620. A princípio, eles se alojaram numa casa pequena
e precária, de tábuas estreitas, que não cumpriam seu papel em protegê-los do
frio. Robert ainda se lembrava com horror do primeiro inverno que passaram na
região de Plymouth, no extremo oriente do estado. O abrigo precário e o
rigoroso inverno foram os principais incentivadores para que George Griplen,
pai de Robert, apressasse a construção de uma boa casa para a família. Com a
mão de obra dos escravos que trouxera desde a Inglaterra, a mansão ficou pronta
antes do inverno seguinte.
A ilha, em si, não era muito grande. Uma ilhota,
muito menor, talvez, que a menor ilha do Caribe, mas era inteiramente de sua
família. A mansão possuía seis quartos no primeiro andar, cada um deles com
tamanho suficiente para acomodar o Rei James com todos os seus privilégios.
Três deles, na verdade, não eram ocupados por ninguém, pois seus pais
lamentavelmente só tiveram dois filhos; e Emily, a caçula, foi praticamente um
milagre: quase morreu e matou sua mãe ao nascer.
A residência dos criados foi construída separada
da mansão por vários metros de terreno; e mais ao norte, foi erguido um galpão
reservado a práticas religiosas, como
o pai de Robert costumava dizer, o que era deveras um comentário jocoso,
considerando que os Griplen não eram religiosos. Mas embora não convivessem
verdadeiramente com o resto das pessoas da cidade, nem tivessem amigos
particularmente próximos, era bom manter uma construção qualquer com uma cruz
no telhado em sua propriedade, ainda que fosse somente para afastar os
curiosos.
O fato de serem reservados, na verdade,
contribuía inversamente para inibir o interesse das pessoas. Sobretudo porque a
sociedade da Nova Inglaterra era quase completamente constituída por famílias
pouco abastadas que imigraram do velho continente, ao contrário dos Griplen,
que desde muito antes da mudança ostentavam imensa fortuna. Era natural que
tivessem interesse em integrá-los o mais breve possível à comunidade. Os
Griplen, no entanto, não tinham qualquer intenção de estreitar relações com
aqueles puritanos.
Mas aquela noite era uma exceção. Os Griplen
esperavam convidados para o jantar, mas não era uma recepção social. Os Croft
não eram a parte da comunidade que eles preferiam evitar; ao menos, não mais.
Dali a dois dias Robert se casaria com a única filha deles, Lucy, de modo que
este jantar era o último encontro protocolar entre as famílias dos noivos.
[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 2 - Pesadelos e Traições
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
Pela
primeira vez em muitos dias, Anne parecia serena ao repousar sobre a cama.
Susan se deitou ao seu lado, após trocarem as camisolas molhadas, não querendo
deixar a irmã sozinha, e quando despertou, todas as lembranças da noite anterior
dançaram em sua mente, deixando-a ligeiramente tonta. Anne ainda dormia
profundamente, e Susan achou melhor não perturbá-la.
A
janela do quarto de Anne amanheceu aberta novamente, embora a própria Susan a
tivesse trancado quando retornaram da praia.
Aquela
foi uma noite estranha. Adormecera depressa ao lado da irmã, e não muito tempo
depois, sentiu o sopro do vento em seu rosto, e um forte e inexplicável perfume
de jasmim preencher o quarto. Queria saber de onde ele vinha, o que era, e
principalmente, por onde ele entrara, porém, não teve forças para abrir os
olhos. Era como se um torpor tivesse dominado sua mente, tornando-a incapaz de
despertar, apesar de sua vontade.
Talvez
tenha sido apenas um sonho, mas Susan teve a sensação nítida de que alguém levantara
as cobertas e se deitara silenciosamente entre as duas irmãs no meio da noite.
Tremia só de pensar na possibilidade. Tinha que ser um sonho, para o seu
próprio bem e de sua reputação; pois de outro modo, ela teria que aceitar a
hipótese perturbadora de ter dormido a noite toda aconchegada com a irmã no
peito de um homem.
As Noivas de Robert Griplen – Parte 1 - Maldição
Publicado por
Verônica Lira
em
sexta-feira, 26 de janeiro de 2018
Prólogo
“Se alguém está lendo estas
palavras, significa que estou perdida num limbo do qual é impossível escapar.
Ele me pegou! E talvez seja tarde demais para mim, mas pode não ser tarde
demais para suas filhas, netas, irmãs e amigas...
Talvez você não acredite em
mim, mas aceite um conselho sincero: na primavera, afaste todas as moças de
dezessete anos da cidade. Quem sabe, assim possam salvá-las. Pois a cada
primavera, no aniversário de sua morte, ele precisa se casar.
Então, mesmo que você não
acredite em mim, proteja as moças. Não deixe que se tornem suas noivas...”.
(Provavelmente as últimas palavras escritas por
Lizbet Sofer, antes de desaparecer em 24 de março de 1836, num diário deixado
por ela sobre a mesa de estudos).
Capítulo
1 – Perturbação
As Noivas de Robert Griplen – Capítulo Bônus – A Lenda de Robert Griplen e as Bruxas de Salem
Publicado por
Verônica Lira
em
sábado, 25 de novembro de 2017
Capítulo Bônus de As Noivas de Robert Griplen já
está no Wattpad:
A segunda parte do livro "Expiação" começa revelando a conexão entre a maldição da Família Griplen e o episódio de perseguição às bruxas em Salem, quando uma escrava decidiu contar a algumas meninas da cidade a trágica história de amor daquele rapaz e o destino de suas noivas...
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