Mostrando postagens com marcador As Noivas de Robert Griplen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador As Noivas de Robert Griplen. Mostrar todas as postagens

A Temporada de Premiações Continua!

em quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Meu livro As Noivas de Robert Griplen foi 3° lugar na categoria Sobrenatural do Concurso Mystic Queen 2020, no Wattpad!!!




LEIA MAIS

PRÊMIO À VISTA!

em domingo, 13 de setembro de 2020

Meu livro As Noivas de Robert Griplen foi 3° lugar na categoria Sobrenatural do Projeto Pândora, no Wattpad!!!




LEIA MAIS

Mais Uma Realização Talita Vasconcelos

em segunda-feira, 10 de junho de 2019


Dez anos atrás, eu tive um sonho. Nele, um homem misterioso atraía duas mulheres para dentro de sua mansão submersa, que era guardada por um bando de sereias. Mas o que parecia a promessa de um romance um tanto incomum, revelou-se um pesadelo, pois, o preço de se conquistar o amor desse homem era a prisão eterna em seu palácio submerso.
Assim nasceu “As Noivas de Robert Griplen”, um romance sobrenatural inspirado nesse sonho. O livro é, essencialmente, um romance histórico, mas ao longo da narrativa, além de uma história de amor cheia de mistérios e escolhas difíceis, vocês também encontrarão um contexto de hipocrisia religiosa e supersticiosa, que era atual na época em que foi ambientado o livro, e continua atual nos dias de hoje.
Em 2015, esse sonho começou a tomar forma, quando da publicação do e-book do livro, e agora, ele finalmente ganhou edição física.
Esse livro é especial para mim por muitos motivos, mas principalmente, porque ele marca a minha estreia como editora.
Na tarde deste último sábado, 08 de junho, foi realizado o evento de lançamento na cidade de Atibaia, interior de São Paulo. Foi uma festa linda, onde recebi inúmeros amigos, familiares e autoridades do município que vêm apoiando o meu trabalho nos últimos anos.
O evento foi realizado com o apoio da Secretaria de Cultura da Estância de Atibaia.
Aqui estão apenas algumas fotos do evento,  mas vocês poderão ver muitas outras na minha página no Facebook:
LEIA MAIS

Vem Aí: As Noivas de Robert Griplen!

em sexta-feira, 10 de maio de 2019

Senhoras e Senhores, é com grande alegria que venho anunciar que a edição física do livro As Noivas de Robert Griplen já está pronta!
E já tem data para ser lançado.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] *BÔNUS* Capítulo 15 - Fogueira

em sexta-feira, 4 de maio de 2018

*Capítulo que abre As Noivas de Robert Griplen – Parte 2 – Expiação.*

Salem, Massachusetts, 1692
– Ele vem como um fantasma de noite, vagando pela cidade, em busca de uma mulher para amar – disse Tituba, a escrava, em tom de mistério, a três meninas reunidas em volta da fogueira. – Ninguém o vê; ninguém percebe sua presença, exceto suas escolhidas. E durante um ano ele as seduz, como o noivo perfeito cortejando suas noivas. Até a noite das núpcias. Pois para se tornarem esposas dele, as escolhidas precisam abrir mão de suas vidas, e isso não é uma metáfora. O amor desse homem é mortal. Pois assim como aconteceu com a mulher que ele amou em vida, deve acontecer com todas as mulheres que ele amar depois dela: o casamento com Robert Griplen é oficiado pela morte.
As meninas a encaravam a um só tempo fascinadas e horrorizadas.
– Mas vocês, minhas queridas, não precisam se preocupar com isso – prosseguiu a escrava. – Pois vocês ainda são jovens demais para se tornarem noivas dele.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 14 - A Última Noite

em sexta-feira, 27 de abril de 2018

Susan se apressou para casa, com o coração apertado no peito. Embora não devesse sequer estar pensando nisso, ela se perguntava se a paixão que sentira por Bellingham fora real, ou se era somente o fascínio que Robert Griplen usava para seduzir suas noivas.
Havia uma carruagem parada em frente ao jardim de sua casa quando retornou. A madeira era escura, de um tipo comum, mas Susan reconheceu imediatamente os cavalos do Dr. Prynne.
Apressou-se para dentro. A sala estava deserta, mas da entrada ela conseguiu ouvir os gritos desesperados de Anne no quarto, e correu em seu socorro. O Reverendo Bichop e a Sra. Garber estavam lá em cima, tentando convencê-la de que faziam isso para o seu bem, mas Anne se debatia violentamente, tentando se livrar dos braços de dois enfermeiros. A governanta chorava muito, amparada pelo braço do Reverendo, enquanto o Dr. Prynne preparava o medicamento para sedar a garota.
– Susan... – Bichop começou a dizer, estendendo a mão para impedir que ela protestasse.
– Eu sei... – interrompeu Susan. – Eu confio no senhor.
Ela passou rapidamente por seus tutores, assistida por um olhar espantado da Sra. Garber, e correu até a cama, onde a irmã se debatia e gritava para tentar escapar.
– Por favor, Susan! – implorou Anne, aflita. – Não deixe que eles me levem! Eu não quero acabar como a Sra. Sofer... Eu não estou louca! Por favor, me ajude!...
Mas Susan emoldurou o rosto da irmã entre as mãos, e sussurrou, olhando-a com veemência:
– Você vai ficar bem. Agora, acalme-se!
– Não deixe que eles me levem, Susan... – suplicou Anne.
Mas Susan baixou mais a voz, e abraçou-a para sussurrar em seu ouvido:
– Eu o vi! Ele é um demônio e está completamente louco!
– Por favor, Susan... – insistiu Anne.
– Mas eu não vou permitir que ele leve você!
Então, Susan se afastou do abraço, e tornou a emoldurar o rosto da irmã.
– O Dr. Prynne vai cuidar de você – ela disse, suavemente, olhando-a com a mesma ternura que sua mãe costumava usar quando eram pequenas, para convencê-las a tomar um remédio muito amargo, prometendo que isso as faria melhorar, e que quando melhorassem, ela faria uma gostosa torta de pêssego para compensar o gosto ruim do medicamento.
Mas os olhos de Anne se encheram de pavor, e ela começou a gritar ainda mais alto, e a debater-se com mais força, ao perceber que a única pessoa que ela esperava que argumentasse contra sua internação, estava de acordo com esta medida.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 13 - Uma Alma Atormentada

em sexta-feira, 20 de abril de 2018

Susan despertou assustada. A janela do quarto estava aberta, e uma brisa morna soprava em seu rosto, carregada de um agora asqueroso odor de jasmim. Aquilo não fora meramente um sonho, e esta certeza fizera seu coração em cacos.
Bateu o olho no relógio: passava um pouco das sete da noite. Uma incontrolável inquietação fez Susan pedir à Sra. Garber que continuasse vigiando Anne em seu quarto, e correr à casa alfandegária, mas Roger não estava lá.
Um pressentimento fez o olhar de Susan se virar em direção ao penhasco. Havia um vulto parado lá em cima. Era evidente que não se tratava de Anne, mas por alguma razão, Susan sentiu que o vulto a encarava, e se pudesse enxergar tão longe na escuridão, se atreveria a dizer que a pessoa a encarava com cintilantes olhos azuis.
Então, Susan correu até o penhasco. Roger fitava distraidamente o mar, mas sua postura indicava que ele estava esperando alguém.
– É você! – acusou Susan. Sua voz saiu rouca e entrecortada, mas apesar disso, ela conseguiu transmitir todo o ódio que pretendia. – Era você o tempo todo.
Roger se voltou para Susan, mas não tinha intenção de responder.
Você atrai as moças para este penhasco todos os anos... – insistiu Susan, e fez uma careta enojada antes de cuspir as últimas palavras de sua acusação. – Robert Griplen!
– Sim... – admitiu ele, por fim. – Eu sou Robert Griplen!
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 12 - Sem Máscara

em sexta-feira, 13 de abril de 2018

Do mesmo modo que a conduziu até a igreja, Roger Bellingham acompanhou Susan até sua casa, caminhando ao lado dela, sem se atrever a lhe oferecer o braço. Não disseram uma única palavra o caminho todo, mas Susan sentia, mais do que percebia, o olhar dele deslizando para ela a cada poucos segundos, e estava certa de ter feito o mesmo algumas vezes. E naquele momento a partida anunciada de Roger fazia aumentar a dor em sua alma. Pois se ele não podia ficar por ela, e talvez não fosse mais regressar à cidade, então porque lhe dar um pequeno momento de esperança, para, em seguida, abandoná-la? Era melhor que ele nunca tivesse demonstrado nenhum afeto, do que deixá-la pensar que o pouco que havia não era suficiente para fazê-lo ficar.
Ao parar em frente ao jardim de sua casa, Roger Bellingham se virou e segurou a mão de Susan. Ela esperou que ele erguesse sua mão e a beijasse, mas ele se deteve no meio do caminho, encarando-a com o olhar angustiado.
– Agradeço muito sua ajuda, Sr. Bellingham – disse Susan, finalmente rompendo o silêncio.
Ele assentiu, acanhado.
– Gostaria de poder levar Anne amanhã para lhe agradecer também pessoalmente... – Susan começou a dizer, e para seu desespero, ouviu o tremor em sua voz, apesar de todo o esforço que estava fazendo para se controlar, e evitar que ele percebesse sua angústia.
– Infelizmente, isso não vai ser possível – respondeu Roger suavemente, parecendo sofrer infinitamente ao dizer estas palavras.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 11 - As Noivas

em sexta-feira, 6 de abril de 2018

Sem pensar muito bem no que estava fazendo, Susan correu de volta à casa alfandegária, e bateu à porta, gritando o nome de Roger Bellingham. Outro sujeito a atendeu e ela disse, muito apressadamente, com quem queria falar.
O sujeito pareceu confuso.
– Roger Bellingham! – insistiu ela, pensando que o homem não lhe havia entendido. Sua expressão estava aflita, e sua voz saía atropelada, mas ela tinha certeza de que ele podia entendê-la agora. – Ele trabalha aqui.
Antes, porém, que ele pudesse responder, ela teve o vislumbre de um homem de cabelos negros passando por uma porta dentro da alfândega, então ela se desviou do homem que a atendia e entrou sem pedir licença, indo na direção onde viu Bellingham entrar.
Susan o encontrou sentado a uma mesa de marfim numa sala pequena. Quando a viu chegar ofegante e com a expressão assombrada, ele franziu a testa, preocupado.
– O que houve com a senhorita? – indagou Bellingham.
– Você sabe o que há lá embaixo... – A voz de Susan era quase um sibilar, e ela não quis passar a entonação de uma pergunta. – Na mansão...
Roger Bellingham assentiu brevemente, sem esboçar qualquer emoção.
– Diga-me o que sabe! – exigiu ela, percebendo de repente, com certo constrangimento, a intimidade com que se dirigira a ele, mas ignorou em seguida. – Por favor, eu preciso saber...
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 10 - O Diário de Robert Griplen

em sexta-feira, 30 de março de 2018

Ao passarem pelas grandes portas da entrada da igreja, as irmãs Dawson ouviram uma voz rouca e velha grasnar de longe:
– Ela foi tocada! Ela foi tocada!
Susan olhou na direção da voz, e viu Norma Sofer, a louca, caída sobre os quadris na calçada do outro lado da praça, com a mão estendida, apontando para Anne.
Que destino horrível tivera a Sra. Sofer, Susan pensou várias vezes ao longo dos anos. Não tinha muitas lembranças de quando a filha dela era viva, mas lembrava vagamente de que a beleza de Norma era invejável, como a de Lizbet também fora. No entanto, agora, sua aparência era absolutamente repugnante: usava sempre as mesmas vestes esgarçadas e sebosas, o cabelo grisalho e desgrenhado caía ao redor de seus ombros como fios de palha, o rosto estava sempre coberto de fuligem, e os dentes que lhe restavam estavam completamente podres. Era difícil não sentir pena ao olhar para aquela mulher, outrora tão rica, vivendo pelas ruas como uma mendiga.
Não era incomum o aspecto daquela mulher causar medo. Susan imaginou algumas vezes que aquela bem poderia ser a aparência exata das bruxas que a cidade inteira caçou cento e cinquenta anos atrás.
Mas além da aparência, a louca também era uma mulher hostil: sempre apontando o dedo para alguém, fazendo acusações ou predições agourentas. E ela ficava particularmente insuportável no mês de março, quando repetia exaustivamente as palavras que Lizbet deixara de herança. Todavia agora, depois de tudo o que havia presenciado e descoberto nos últimos dias, Susan começava a suspeitar que, talvez, bem lá no fundo, a loucura da Sra. Sofer tivesse alguma sensatez.
Mesmo assim, Susan escudou a irmã com o próprio corpo, e encarou a mulher, enquanto tentava tirar Anne dali, para evitar que a louca a deixasse mais perturbada do que já estava.
– Ela foi tocada pelo demônio! – grasnou a mulher, ainda mais alto, chamando a atenção das pessoas que passavam pela praça. – Ela é a próxima!
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 9 - A Tragédia da Mansão Griplen

em sexta-feira, 23 de março de 2018

O Reverendo Arthur Bichop residia numa pequena casa a poucos metros da igreja, e naquela mesma tarde elas bateram em sua porta. Ao ver as duas sozinhas, e não achando prudente recebê-las em sua própria casa, mesmo sendo seu tutor, ele as conduziu até a igreja.
Ao entrarem no templo, as duas sentiram um arrepio desconfortável varrer seus corpos. Parecia um sacrilégio entrarem naquele lugar santo depois de terem estado sob o efeito de magia. Sobretudo, sendo a razão de estarem ali justamente o desejo de desvendar o mistério sobre a magia das noites anteriores.
O Reverendo Bichop as conduziu por uma porta atrás do altar a uma pequena secretaria, e se sentou atrás de uma mesa de cedro, apontando as cadeiras à sua frente para as duas irmãs. Susan foi a primeira a se aproximar, receosa. Julgou que seria menos constrangedor ser ela a dirigir as perguntas ao pastor, uma vez que ele não sabia que ela também estivera acometida pelas mesmas perturbações que Anne vinha apresentando desde o início de março.
– Em primeiro lugar – começou Susan –, gostaria de lhe pedir encarecidamente que esta conversa seja mantida em absoluto sigilo.
O Reverendo analisou a expressão no rosto da garota, com alguma confusão no olhar. Talvez estivesse se perguntando se ela havia revelado à irmã seus planos de trancá-la no sanatório até que os sintomas da peste desaparecessem. Era evidente na expressão de Bichop que ele já se sentia culpado por uma traição que ainda sequer havia cometido. Mas como Susan se mostrou muito decidida no que estava pedindo, ele aquiesceu brevemente.
Ela fez uma pausa para organizar as palavras no pensamento, e então prosseguiu:
– Eu queria lhe perguntar o que o senhor sabe a respeito da mansão que jaz nas profundezas do mar que banha esta cidade?
O Reverendo suspirou e estendeu o silêncio por um instante.
– Por que está me perguntando isso, minha filha? – quis saber o religioso.
– Minha irmã e eu estivemos na mansão noite passada, e também na anterior – revelou Susan, hesitante, e com a voz trêmula.
Arthur Bichop franziu o cenho e cobriu o rosto com uma das mãos, preocupado. Susan se sentiu constrangida por continuar a encará-lo, temendo permitir que seu olhar pousasse por muito tempo sobre a horrível queimadura que havia na mão do Reverendo. Era uma marca estranha, que fazia lembrar um S ou um N, como se em algum momento no passado, alguém tivesse tentado marcá-lo com um ferro em brasa. Ela sabia que ele se envergonhava daquela marca, e normalmente tentava mantê-la longe da vista das pessoas, mas a gravidade do assunto pareceu despi-lo momentaneamente dessas reservas.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 8 - Perguntas Sem Respostas

em sexta-feira, 16 de março de 2018

23 de março de 1846
A Sra. Garber dormia profundamente quando Susan e Anne retornaram de sua excursão à mansão submersa, e pela manhã, ela sequer suspeitaria que as duas irmãs haviam saído de casa. Apesar de todo cuidado e dedicação que a governanta demonstrava com as duas, especialmente nas últimas semanas, desde que Anne começara a apresentar os sintomas da peste, ao contrário de Susan, ela não havia perdido o sono uma noite sequer. E na verdade, Susan não a recriminava por isso. Na primeira noite em que Susan havia encontrado a cama da irmã vazia, ela tentara acordar a Sra. Garber, para que ajudasse a procurá-la, no entanto, por mais que a chamasse e sacudisse, Susan não fora capaz de despertá-la. Se não tivesse sentido sua respiração, ela poderia ter pensado que a governanta estava morta.
Todavia Susan não tinha sossego. Parecia sentir cada vez que a irmã despertava no meio da noite, e saía no sereno para caminhar pela praia. Quando eram pequenas, sua mãe costumava dizer que havia um cordão umbilical invisível unindo Susan e Anne desde o ventre, e que nada no mundo seria capaz de parti-lo. No entanto, agora Susan não conseguia ter tanta convicção nisto, pois desde que Anne adoecera – se é que estava, de fato, doente –, ela sentia que esse cordão se equilibrava fragilmente sobre uma navalha, e o coração de Susan se apertava e doía simplesmente por pensar que a qualquer momento ele poderia se partir.
Como na noite anterior, as duas irmãs trocaram de roupa e se enfiaram na cama de Anne, exaustas. Susan se certificou de ter trancado a porta e a janela do quarto da irmã, antes de se deitar ao seu lado na cama, e por algum tempo lutou contra o cansaço para vigiar seu sono.
Anne adormecera quase imediatamente após se deitar. Os delírios, e certamente, o mergulho no mar, exauriram completamente suas forças. Seu sono desta vez parecia muito tranquilo, ao contrário da sesta que tirara durante a tarde. E logo, a própria Susan não resistiu e adormeceu também ao seu lado.
Como na noite anterior, não se passou muito tempo até que a brisa invadiu o quarto, carregada do sobrenatural odor de jasmim. Em seu sonho, Susan teve a súbita lembrança das jardineiras que tinha visto nas janelas da mansão submersa, carregadas com belos e vistosos jasmins. Mas ao mesmo tempo ela estava consciente de estarem muito longe da mansão submersa naquele momento.
Então ela sentiu as cobertas se moverem, e no minuto seguinte, estava novamente aconchegada ao peito do mascarado. Embora não conseguisse abrir os olhos, a presença dele era tão forte que ela quase podia vê-lo. A voz suave e aveludada sussurrava em seu ouvido que ela seria sua para sempre, e mais uma vez ela não foi capaz de contestá-lo.
Com um sussurro melodioso ele embalou o sono de Susan, fazendo-a mergulhar num absoluto e poderoso torpor. Talvez só tenha durado um minuto; ou talvez ela tenha realmente dormido por horas, até ser novamente despertada pelo mascarado, mas desta vez, além de sua presença, eram seus beijos que a tiravam dos braços de Morfeu.
Susan não conseguiu abrir os olhos, mas sentia os braços do mascarado ao seu redor, e seus beijos eram tão inebriantes quanto os do pesadelo na noite anterior. Ao seu lado, Anne ressonava baixinho, e Susan mal estava consciente da presença dela, na verdade. Estava a uma só vez assustada e apaixonada. Se a presença deste homem era real, então ela estava completamente perdida agora, pois era inadmissível para qualquer moça solteira se permitir ser tocada tão intimamente por um homem.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 7 - Uma Noite de Paixão e Morte

em sexta-feira, 9 de março de 2018

A lua cheia ascendia no céu quando o barco de Robert ancorou na ilha Griplen. Como para cumprir o que ele havia dito à Lucy, não se via uma única estrela no céu naquela noite. Mas a lua estava manchada de sangue, o que somado ao corvo que caiu morto aos seus pés, só podia significar que algo terrível estava a caminho.
Levado pelo instinto, Robert deu a volta por trás da mansão, e se esgueirou silenciosamente até a porta do galpão. As janelas daquela construção ficavam altas demais para que qualquer pessoa pudesse espiar através delas, mas deixavam escapar uma luz baixa e fraca que certamente vinha das velas acesas. Deduzindo que o pai ainda podia estar lá dentro, Robert caminhou até a porta, e muito calmamente, abriu uma fresta para espiar lá dentro, cuidando não fazer nenhum ruído.
Como havia percebido antes mesmo de se aproximar, as velas simetricamente espalhadas pelo galpão estavam acesas. Havia um círculo de cal desenhado bem no meio do salão, e dentro dele, desenhados com terra, os vinte e quatro símbolos rúnicos: uma das últimas conexões com seus ancestrais. Acompanhando o contorno do círculo, também pelo lado de dentro, jaziam doze carcaças sanguinolentas de doze corvos mortos. O corvo, em sua comunidade mística era reconhecido como o espectro da morte, um arauto que vinha à sua frente para escolher a alma a ser levada por ela. Quando um corvo era usado em um ritual, a intenção não podia ser outra, senão invocar a morte.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 6 - O Pacto de Sangue

em sexta-feira, 2 de março de 2018

23 de março de 1646
O crepúsculo manchava o céu de Salem com cores vibrantes, quando Robert terminou a subida ao penhasco, onde costumava encontrar-se com sua amada Lucy. Tinha lhe enviado uma mensagem mais cedo, por um moleque que ele sabia que era analfabeto, pedindo que ela fosse encontrá-lo no fim da tarde. Não podia realmente ter escolhido paisagem mais bela para emoldurar sua amada: de um lado do céu, o laranja brilhante do sol baixando no horizonte; do outro, um violeta profundo se aproximava mansamente, arrastando em sua calda o escuro véu da noite.
Lucy o aguardava, sentada numa pedra perto da beira do penhasco. Usava um vestido azul celeste, com um xale de crochê extremamente delicado. Brincava com uma mecha de seus cabelos negros quando Robert chegou, e sua postura e beleza lhe fazia compará-la a uma sereia.
Como ele gostaria de ter uma tela à mão neste momento, para pintá-la exatamente como a encontrara: sua beleza de bronze emoldurada pelas cores exuberantes do crepúsculo.
Lembrou-se, desgraçadamente, de uma discussão que tivera com o pai naquele dia mais cedo – a última, Robert havia decidido –, em que George jurara que o filho jamais seria feliz ao lado de Lucy. Em qualquer outra família, um juramento dessa natureza não passaria de um punhado de palavras amargas, proferidas com rancor; mas o juramento de um Griplen jamais deve ser subestimado.
Lucy olhou para ele e sorriu. E então o coração de Robert se perdeu completamente sob o encanto dela.
– Esta noite não haverá uma só estrela no céu de Salem – anunciou Robert, sorrindo de volta.
Lucy ficou de pé, ergueu os olhos para o lado escuro do horizonte, e franziu o cenho.
– Como pode saber disso? – ela perguntou, confusa, procurando no céu em quê ele se baseava para dizer isso.
– Elas estão intimidadas com sua beleza – declarou Robert, olhando intensamente no rosto dela.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 5 - A Mansão Submersa

em sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Assim que entrou em casa, Susan ouviu Anne gemendo no quarto. A Sra. Garber estava aflita ao lado dela. Sentiu-se sonolenta após o almoço, e desde que adormecera, não parava de se agitar, gemer e choramingar. Toda a sua expressão estava torcida em aflição, mas apesar de todos os esforços, a Sra. Garber não fora capaz de acordá-la.
– Não, por favor... – choramingava Anne, quando Susan entrou no quarto. – Não vá...
– Querida, acorde! – suplicava a Sra. Garber, apertando sua mão.
A testa de Anne estava úmida, mas não tinha febre. A Sra. Garber a enxugava a todo instante com um lenço, e ela virava a cabeça no travesseiro cada vez que era tocada.
– Não me deixe... – insistia Anne.
– Eu estou aqui, querida – dizia a governanta, acariciando o rosto dela. – Por favor, Anne, abra os olhos!
– Está delirando de novo – observou Susan.
– Às vezes eu penso se ela está sonhando com os seus pais – sibilou a Sra. Garber.
Susan deu um suspiro pesaroso.
– É possível – assentiu.
Anne começou a tossir. A Sra. Garber ajeitou as cobertas sobre os ombros da garota, e tornou a afastar os cabelos de seu rosto. Susan descobriu seus pés por um momento, e verificou debaixo das cobertas que Anne vestira novamente a camisola cor de pêssego com que mergulhara do penhasco na noite anterior, e que Susan havia jogado com a sua no encosto de uma cadeira ao retornarem da praia. O tecido havia secado, mas ainda estava frio. Um arrepio percorreu a espinha de Susan. Aquilo poderia mesmo ter sido real?
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 4 - Coração Apertado

em sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Durante todo o dia, Susan não disse uma palavra à Anne. Em parte, porque ainda se sentia estonteada pelos acontecimentos daquela madrugada: o mergulho do penhasco, a descoberta das sereias e da mansão submersa, e o quanto de tudo isso pode ou não ter sido real; e em parte porque temia acabar delatando o plano sórdido de seu tutor para trancá-la no sanatório.
Sua consciência clamava para que contasse tudo à Anne, e lhe desse a oportunidade de lutar, de bater o pé, ou mesmo de fugir antes que o Dr. Prynne viesse com os enfermeiros para buscá-la. Mas a preocupação que ela viu nos olhos do Reverendo Bichop naquela manhã calou fundo em sua alma.
Ele estava devastado. Aquela não era uma decisão impensada, tomada por um tutor relapso, que só queria se livrar de um aborrecimento. Não. Bichop estava sofrendo tanto quanto ela própria com a situação de Anne. Quando a olhou nos olhos naquela manhã, e disse que aquela era a única maneira de salvá-la, ele estava sendo sincero. E embora não tivesse esclarecido exatamente de quê precisava salvá-la, Susan vira nos olhos dele que não estava exagerando.
Desde que os pais morreram, as irmãs Dawson só tinham o Reverendo Bichop e a Sra. Garber para cuidar delas, e confiavam plenamente nos dois. Como a governanta que as tinha criado desde pequenas, Bichop amava as duas como se fossem suas filhas, e Susan não tinha porque duvidar de seus cuidados. E ver o tormento legítimo nos olhos dele ao anunciar que talvez precisasse tomar medidas severas para tratar da saúde de Anne, fez com que o coração de Susan se estilhaçasse no peito.
Ele tinha lhe negado algumas respostas. Obviamente havia algo grave por trás da súbita perturbação de Anne; algo que nem ele nem a Sra. Garber pretendiam lhe contar. E foi somente a certeza de que nenhum dos dois tomaria qualquer atitude extrema, a menos que fosse estritamente necessário, o que a convenceu a se calar.
Ainda assim, Susan tinha a horrível sensação de estar traindo a irmã com seu silêncio.
Logo depois do almoço, quando o silêncio naquela casa se tornou insuportável, Susan decidiu sair para tentar acalmar os nervos. Tinha muito em que pensar, e não podia conversar com ninguém a respeito. Ao menos, com nenhuma alma viva.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 3 - Sua Para Sempre

em sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Salem, Massachusetts, 22 de março de 1646
Robert Griplen se apressou pela escada ao ouvir os passos do criado no vestíbulo. Se havia algo desagradável em sua propriedade era a impossibilidade de ouvir uma carruagem se aproximando do jardim, uma vez que as carruagens não tinham como rodar até o seu jardim.
A mansão de sua família havia sido construída numa espécie de ilha particular, a alguns quilômetros da baía de Salem. Isso lhes concedia um jardim imenso, e os poupava de vizinhos inconvenientes.
Sua família chegou à Nova Inglaterra junto com os primeiros colonos, em 1620. A princípio, eles se alojaram numa casa pequena e precária, de tábuas estreitas, que não cumpriam seu papel em protegê-los do frio. Robert ainda se lembrava com horror do primeiro inverno que passaram na região de Plymouth, no extremo oriente do estado. O abrigo precário e o rigoroso inverno foram os principais incentivadores para que George Griplen, pai de Robert, apressasse a construção de uma boa casa para a família. Com a mão de obra dos escravos que trouxera desde a Inglaterra, a mansão ficou pronta antes do inverno seguinte.
A ilha, em si, não era muito grande. Uma ilhota, muito menor, talvez, que a menor ilha do Caribe, mas era inteiramente de sua família. A mansão possuía seis quartos no primeiro andar, cada um deles com tamanho suficiente para acomodar o Rei James com todos os seus privilégios. Três deles, na verdade, não eram ocupados por ninguém, pois seus pais lamentavelmente só tiveram dois filhos; e Emily, a caçula, foi praticamente um milagre: quase morreu e matou sua mãe ao nascer.
A residência dos criados foi construída separada da mansão por vários metros de terreno; e mais ao norte, foi erguido um galpão reservado a práticas religiosas, como o pai de Robert costumava dizer, o que era deveras um comentário jocoso, considerando que os Griplen não eram religiosos. Mas embora não convivessem verdadeiramente com o resto das pessoas da cidade, nem tivessem amigos particularmente próximos, era bom manter uma construção qualquer com uma cruz no telhado em sua propriedade, ainda que fosse somente para afastar os curiosos.
O fato de serem reservados, na verdade, contribuía inversamente para inibir o interesse das pessoas. Sobretudo porque a sociedade da Nova Inglaterra era quase completamente constituída por famílias pouco abastadas que imigraram do velho continente, ao contrário dos Griplen, que desde muito antes da mudança ostentavam imensa fortuna. Era natural que tivessem interesse em integrá-los o mais breve possível à comunidade. Os Griplen, no entanto, não tinham qualquer intenção de estreitar relações com aqueles puritanos.
Mas aquela noite era uma exceção. Os Griplen esperavam convidados para o jantar, mas não era uma recepção social. Os Croft não eram a parte da comunidade que eles preferiam evitar; ao menos, não mais. Dali a dois dias Robert se casaria com a única filha deles, Lucy, de modo que este jantar era o último encontro protocolar entre as famílias dos noivos.
LEIA MAIS

[As Noivas de Robert Griplen] Capítulo 2 - Pesadelos e Traições

em sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Pela primeira vez em muitos dias, Anne parecia serena ao repousar sobre a cama. Susan se deitou ao seu lado, após trocarem as camisolas molhadas, não querendo deixar a irmã sozinha, e quando despertou, todas as lembranças da noite anterior dançaram em sua mente, deixando-a ligeiramente tonta. Anne ainda dormia profundamente, e Susan achou melhor não perturbá-la.
A janela do quarto de Anne amanheceu aberta novamente, embora a própria Susan a tivesse trancado quando retornaram da praia.
Aquela foi uma noite estranha. Adormecera depressa ao lado da irmã, e não muito tempo depois, sentiu o sopro do vento em seu rosto, e um forte e inexplicável perfume de jasmim preencher o quarto. Queria saber de onde ele vinha, o que era, e principalmente, por onde ele entrara, porém, não teve forças para abrir os olhos. Era como se um torpor tivesse dominado sua mente, tornando-a incapaz de despertar, apesar de sua vontade.
Talvez tenha sido apenas um sonho, mas Susan teve a sensação nítida de que alguém levantara as cobertas e se deitara silenciosamente entre as duas irmãs no meio da noite. Tremia só de pensar na possibilidade. Tinha que ser um sonho, para o seu próprio bem e de sua reputação; pois de outro modo, ela teria que aceitar a hipótese perturbadora de ter dormido a noite toda aconchegada com a irmã no peito de um homem.
LEIA MAIS

As Noivas de Robert Griplen – Parte 1 - Maldição

em sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Prólogo
“Se alguém está lendo estas palavras, significa que estou perdida num limbo do qual é impossível escapar. Ele me pegou! E talvez seja tarde demais para mim, mas pode não ser tarde demais para suas filhas, netas, irmãs e amigas...
Talvez você não acredite em mim, mas aceite um conselho sincero: na primavera, afaste todas as moças de dezessete anos da cidade. Quem sabe, assim possam salvá-las. Pois a cada primavera, no aniversário de sua morte, ele precisa se casar.
Então, mesmo que você não acredite em mim, proteja as moças. Não deixe que se tornem suas noivas...”.

(Provavelmente as últimas palavras escritas por Lizbet Sofer, antes de desaparecer em 24 de março de 1836, num diário deixado por ela sobre a mesa de estudos).


Capítulo 1 – Perturbação

LEIA MAIS

As Noivas de Robert Griplen – Capítulo Bônus – A Lenda de Robert Griplen e as Bruxas de Salem

em sábado, 25 de novembro de 2017


Capítulo Bônus de As Noivas de Robert Griplen já está no Wattpad:
A segunda parte do livro "Expiação" começa revelando a conexão entre a maldição da Família Griplen e o episódio de perseguição às bruxas em Salem, quando uma escrava decidiu contar a algumas meninas da cidade a trágica história de amor daquele rapaz e o destino de suas noivas...


LEIA MAIS


Apoie o Blog Comprando Pelo Nosso Link




Topo