De
repente eu reparei numa coisa: eu falo bastante das criações aqui no blog, mas
pouquíssimo sobre os criadores, aqueles que colocam a cabeça para funcionar e dedicam
parte de suas vidas a criar uma história que será para sempre eternizada em
nossos corações. E em nossas estantes.
Sim,
meus amores, estou falando sobre os escritores.
E
como hoje é o Dia do Escritor, vou elencar alguns dos meus autores favoritos,
alguns favoritos de todo mundo, alguns autores clássicos indispensáveis, e
alguns que não são muito conhecidos, mas que, na minha humilde opinião de
leitora voraz, todo mundo deveria conhecer.
Inclusive
uma tal de Talita Vasconcelos, que me disseram que é muito simpática, e olha só
os livros dela que coisa linda:
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Verônica Lira
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
Esse 2020 foi tão louco que eu me
peguei nos últimos dias do ano fazendo um exercício para lá de prazeroso:
relembrar os melhores momentos.
Sim, eles existiram. Pode não ter sido
nas áreas que a gente gostaria (aí, ANVISA, dá para agilizar essa vacina,
querida?), mas no frigir dos ovos, é sempre possível encontrar algo para
apreciar nesse ano turbulento.
Especialmente, em se tratando do nosso
Admirável Mundo Inventado. Se a realidade não está colaborando, o jeito é se
apaixonar cada vez mais pela ficção.
Assim, sem mais delongas, trago aqui duas retrospectivas especiais desse 2020. Começando pela Retrospectiva Literária.
Todo
mundo deve ter pensado pelo menos uma vez na vida como algumas pessoas
simplesmente nascem com muita sorte, enquanto outras parecem ter um incrível
talento para o azar. A roleta da sorte é a distribuição mais desequilibrada da
humanidade. Talvez porque a vida não teria muita graça se todo mundo
conseguisse magicamente tudo o que quisesse. Se bem que, em alguns casos, o
azar realmente abusa.
E
quando se trata de ficção, os personagens azarados são, invariavelmente,
aqueles que mais nos cativam.
Peguem
aí seus pés de coelho, ferraduras, trevos de quatro folhas e demais amuletos,
porque você está prestes a penetrar um território habitado por pessoas para
quem a sorte raramente sorri.
Não
necessariamente nessa ordem, eis os azarados da ficção:
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Verônica Lira
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quarta-feira, 1 de julho de 2020
Hoje
o Admirável Mundo Inventado vai homenagear as pessoas que ralam, que dão duro
para ganhar a vida, que levantam cedo, pegam ônibus lotado, passam mais tempo
no busão do que em casa, e que raramente ganham um salário que compense os
dissabores. Mas fazer o quê, né? Nem todo mundo carrega o sobrenome Abravanel
no RG.
Pensando
em gente trabalhadora, me ocorreu fazer uma pequena homenagem a um dos maiores
trabalhadores da ficção: o Seu Madruga.
É
possível que algumas pessoas olhem para esse artigo e se perguntem “como
assim?”. Seu Madruga era o maior vagabundo, ficava na cama até às dez da
madrugada, sonhando com a senhorita Paraíso... Digo, Céu... Digo, Glória... Sem
sequer se preocupar em achar um jeito de pagar os quatorze meses de aluguel que
devia ao Sr. Barriga...
Mas
a verdade é que ninguém naquela vila ralou tanto quanto ele. Seu Madruga podia
não ter muita sorte, mas ninguém pode dizer que ele não tentava. Até a Dona
Florinda teve que reconhecer isso, no episódio Recordações (1978), quando o cidadão tinha sido finalmente
despejado de casa, e ela contou ao Professor Girafales que em certa ocasião,
Seu Madruga se meteu até a lutar boxe. Mas, como ela própria observou, embora
tente trabalhar, ele fracassa em tudo.
Parte
disso, talvez seja falta de sorte. Parte disso, talvez seja excesso de Chaves.
Minha
comparação com os doze trabalhos de Hércules no título deste artigo foi bem
proposital, pois, como verão a seguir, os trampos do pai da Chiquinha eram
quase tão desafiadores quanto os desafios do herói grego.
Mas,
desta vez, o número está incorreto. Seu Madruga teve muito mais que doze
empregos. Embora nem sempre eles tenham sido remunerados.
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Verônica Lira
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domingo, 12 de agosto de 2018
Para muitos um
herói, para outros um bandido. Vamos relembrar alguns pais na ficção que hoje
mereciam um abração.
Pais Fazem Tudo
Por Seus Filhos...
Vamos começar com
o mais querido de todos. Mesmo sem um centavo no bolso, Seu Madruga não deixa
faltar nada à Chiquinha. Nem mesmo um vestido novo. E não basta ser um paizão
para sua filhota, Seu Madruga também faz o que pode pelo garoto Chaves,
frequentemente convidando-o para comer em sua casa – mesmo que isso implique em
mandá-lo comprar ovos ou pães fiado na Venda da Esquina em nome da Dona
Florinda, só para ter mais um pretexto para apanhar da mãe do Quico mais tarde.
O
elenco de Chespirito reciclou muito figurino ao longo dos oito anos dos
programas Chaves e Chapolin. Reza a lenda que muitas das roupas usadas na série
pertenciam aos próprios atores.
Por
exemplo:
O
vestido que a Bruxa do 71 usou no episódio do Chapolin “A Casa Dada Não Se Contam os Fantasmas”, depois de lavado foi secar
lá no varal da vila do Chaves em “Gente
Sim, Animal Não”, o segundo episódio da saga do Madruguinha.
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Verônica Lira
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quarta-feira, 16 de maio de 2018
Nem sempre o ator que começa
interpretando um personagem segue com ele até o final do programa, série ou novela.
Esse recast é algo muito frequente em
novelas mexicanas, por exemplo, seja por necessidade – quando o ator adoece no
meio da produção e precisa ser afastado, ou morre –, seja por picuinhas ou
conflitos de agenda. Mas também já tivemos vários casos em séries de TV bem
populares, em sagas cinematográficas extensas, e até mesmo na nossa telinha.
Veja alguns rostos que mudaram no
decorrer da produção – em alguns casos, o público mal se deu conta da troca.
O Terceiro
Pateta (Os Três Patetas)
Um dos exemplos mais antigos talvez
seja Os Três Patetas – que, na verdade,
era uma série de filmes curtas-metragens para o cinema, que acabou expandindo
seu sucesso na televisão. É um caso um pouco diferente do restante da lista –
em que atores diferentes deram vida ao mesmo personagem –, mas a verdade é que
a ideia aqui era trocar o rosto e o nome, mas sem alterar a função do
personagem na comédia, então, dá mais ou menos no mesmo.
Esse caso foi comentado mais
detalhadamente aqui no blog no tributo aos mestres da comédia pastelão, mas
vamos relembrar. Ao longo dos quase cinquenta anos da parceria, o terceiro
pateta foi trocado quatro vezes: antes de assinarem seu primeiro contrato com a
Fox, o trio era formado por Moe, Larry e Shemp, mas o terceiro deixou o grupo
por não querer carregar Ted Healy, então empregador dos patetas e líder do
grupo, como contrapeso na nova empreitada, deixando seu posto para o irmão mais
novo, Curly. Mais tarde, quando Curly precisou se afastar dos filmes para
cuidar da saúde, Shemp retornou, e ficou até seu falecimento, quando o terceiro
pateta passou a ser interpretado por Joe Besser, o Joe; mas o público não foi
muito com a cara dele, e sua participação rendeu somente dezesseis curtas,
sendo mais uma vez substituído por Joe DeRita, o Curly-Joe, que permaneceu até
o final da parceria, encerrada definitivamente por causa do falecimento de Moe.
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Verônica Lira
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terça-feira, 10 de abril de 2018
A mensagem essencial das obras da
Disney é que o bem sempre triunfa no final; os malvados são severamente
punidos, ficam completamente ferrados e mal pagos – isso quando saem vivos! Mas
o importante é que todos – os bonzinhos – vivem felizes para sempre.
Tudo bem que o estúdio raramente
mostrou a cena da morte de um vilão, assim, preto no branco, mas só a ideia, já
soa suficientemente maquiavélica.
Verdade seja dita, houve algumas mortes
de personagens bonzinhos que partiram nossos corações nos desenhos da Disney.
Para citar só alguns exemplos: a mãe do Bambi, que foi atingida pelo disparo de
um caçador enquanto corria com seu filhote, e ele só se deu conta ao
encontrar-se a salvo e sozinho na floresta; Mufasa, assassinado a sangue frio
por seu irmão invejoso Scar, e ficamos com o coração em farrapos diante de
Simba, então filhotinho, tentando fazer o pai se levantar, e depois se deitando
desconsolado ao lado do corpo dele em O
Rei Leão; Kocoum, o índio que foi morto pelos colonizadores ingleses em Pocahontas; e num passado mais recente
Ellie, a esposa do Seu Fredericksen em Up!
Altas Aventuras.
Sim, Disney é tão eficiente em nos
levar às lágrimas quanto é em nos deslumbrar. E não raramente, a morte de um
vilão poderia despertar pesadelos em algumas crianças. Algumas vezes os
mocinhos até tiveram que sujar as mãos para tirar os vilões de seus caminhos.
Inocência não é exatamente uma virtude aqui.
Pensando nisso, reuni uma lista com
alguns dos finais mais sombrios e violentos das animações da Disney, e verão
que essas cenas definitivamente não foram feitas para crianças.
Com
a licencinha da nossa querida e estimada Rainha Má, não teria como iniciar este
artigo sem fazer alusão à história da bela princesa odiada pela madrasta.
Afinal, seu conto também faz parte desta mitologia.
A
tradição da maçã como fruto amaldiçoado vem de tempos muito remotos e está em
toda parte.
Há
séculos a maçã é associada ao fruto proibido, provado por Adão e Eva no Jardim
do Éden, da única árvore da qual eles não tinham permissão para comer, e, como
resultado de sua desobediência, o casal foi expulso do jardim, e fadado a
carregar para sempre o peso do pecado original, que trouxe a morte à
humanidade.
Apesar
de tradicionalmente ser associada à maçã, é pouco provável que a árvore do meio
do Jardim do Éden, que prometia a quem dela comesse, o conhecimento do bem e do
mal, desse este fruto. A maçã não era conhecida no Oriente Médio até a
conquista da Pérsia pelos gregos, na época de Alexandre, O Grande, quando diversos
elementos da cultura e agricultura europeia foram introduzidos lá. De fato, o
mito de que seria a maçã o fruto proibido do Éden somente surgiu na Idade
Média, na Europa Ocidental, onde as maçãs cresciam em abundância. Diversas
frutas mais comuns no Oriente Médio já foram apontadas como fruto proibido em
diferentes momentos da história, como o figo – um fruto que chega a lembrar um
coração humano, e foi inclusive o fruto escolhido por Michelangelo ao retratar
a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no teto da Capela Sistina, talvez
inspirado pela sequência do texto, em que Adão e Eva utilizaram folhas de
figueira para cobrir sua nudez –, a pera – tida como pecaminosa ou como símbolo de imortalidade em diversas
culturas –, e a romã – um fruto vermelho e suculento, que, por causa de seu
elevado número de sementes, é tido como um símbolo de fertilidade.
Mas
então, de onde surgiu a ideia de que o fruto proibido seria a maçã?
Talvez,
por se tratar de um fruto belo e apetitoso, que quando bem maduro é muito
vermelho – uma cor geralmente associada ao pecado –, talvez porque seu formato
lembre o desenho de um coração romântico, ou talvez por seu sabor delicioso –
não se conhece muitas pessoas que não goste de maçãs...
O
fato é que a maçã tem sido frequentemente associada à lendas, mitologias e
divindades desde a antiguidade, e em diferentes lugares do mundo.
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Verônica Lira
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quinta-feira, 1 de junho de 2017
Parece
que foi ontem que escrevi a primeira postagem desse blog, e vejam só: o
Admirável Mundo Inventado está completando 5 anos!
Desde
que inaugurei esse espaço, nunca fiz uma postagem de comemoração no aniversário
do blog, mas cinco anos é uma data que não dá para deixar passar em branco.
Afinal, sobrevivemos a meia década na internet! Quantos blogs duram isso hoje
em dia? Quer dizer, fora aqueles que ganham dinheiro com isso...
Enfim...
Passei a semana toda matutando o que eu poderia postar para comemorar essa data
especial. Comecei a revirar as postagens antigas, e percebi quanta coisa boa já
passou por esse meu Admirável Mundo Inventado. A princípio, o blog não tinha
uma identidade definida – nem mesmo um propósito definido. Eu apenas escrevia
resenhas sobre os livros e os filmes que eu gostava, mas depois achei que
precisava torná-lo mais divertido.
E
foi quando meu blog finalmente saiu da zona de dez acessos mensais – sendo que
nove deles provavelmente eram meus –, e finalmente começou a ganhar público.
Então,
acho que a melhor maneira de comemorar esses cinco anos, é contando um
pouquinho dessa trajetória, relembrando os personagens bacanas que já habitaram
esse espaço. Afinal, chama-se Admirável Mundo Inventado por um motivo: este é o
lugar onde todas as boas histórias da ficção – sejam filmes, séries de TV,
livros ou desenhos animados – se encontram.
O
nascimento real do blog só aconteceu em meados de setembro de 2012, quando
postei a review do primeiro filme da saga Crepúsculo. Foi a partir daquela
postagem que o blog ganhou uma identidade. Portanto, não tenham dúvida sobre o
relacionamento profundo que tenho com a saga dos vampiros purpurinados, pois,
se eu não morro de amores por aquele elenco e aqueles filmes – minha relação
com os livros é infinitamente mais feliz –, também não posso negar que eles
tiveram grande relevância na história desse espaço virtual tão amado.
Sim,
a história do Admirável Mundo Inventado começou com essa garota atrapalhada, que
é chegada numa presa afiada, vampiros cintilantes e lobisomens bombados, que
gosta de se colocar na boca dos monstros – literalmente –, e arrumar contusões
extremamente difíceis de explicar, e que, por alguma razão, seu pai, o chefe de
polícia local, não se preocupa muito em verificar.
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Verônica Lira
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quarta-feira, 19 de abril de 2017
Hoje vamos falar sobre um assunto de vital importância para
todos que, como eu, tiveram uma boa infância. Vamos falar de Histórias em
Quadrinhos. Mas não qualquer HQ. Vamos falar de uma turminha em particular que
já nos fez experimentar todos os tipos de sentimentos possíveis – desde pena
pelo protagonista constantemente sacaneado por sua vizinha mal-humorada (mas
secretamente apaixonada por ele, desconfio), até um tipo interessante de
vergonha alheia pelas alucinações de um cachorro chapado de chá de cogumelo ou
daquela água que o passarinho não bebe, misturado com o cigarro que o
passarinho não fuma.
Sim, meus amigos, estou falando da queridíssima Turma do Charlie
Brown.
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Verônica Lira
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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017
A
fantástica história de dois lindos irmãos caçadores de monstros, que
passam a vida na estrada, procurando encrenca onde quer que escutem um boato de
que há atividade sobrenatural, dirigindo um Impala negro que deve impor
respeito até parado no sinal vermelho, invadindo casas assombradas,
exterminando fantasmas, bruxas, anjos, demônios, vampiros, lobisomens, fadas,
duendes, leviatãs, deuses malucos de mitologias pagãs, médiuns, psíquicos,
monstros de mitologias orientais e o diabo a quatro. Literalmente, o diabo a quatro! Já passou tanto
monstro nessas onze temporadas e meia da série que fica difícil relacionar
todos numa lista. Está mais para uma enciclopédia. E apesar de alguns episódios
bizarros, Supernatural segue firme e forte na 12° temporada, sem ameaças de
cancelamento e sem jamais perder o rebolado – algo que não é muito comum em
séries de fantasia, que geralmente perdem qualidade depois de três temporadas.
Tomem como exemplo The Vampire Diaries – que já foi superada em qualidade pelo
spin-off The Originals há muito tempo – e Once Upon a Time, para citar apenas séries
recorrentes aqui no blog.
Mas
qual é o segredo da longevidade do sucesso de Supernatural? Saber dosar a
temporada, incluindo um pouco de cada coisa: tem os episódios mais
“assustadores” – aqueles com nível mais alto de terror –, os monstros de sempre
– anjos e demônios e seus dramas existenciais –, aqui ou ali um fantasma pirado
para dar uma temperada nas coisas, e as comédias sobrenaturais. Porque, afinal
de contas, nem só de criaturas assassinas ou apavorantes vive o mundo
sobrenatural.
A
alta rotatividade de elenco de apoio também pode ser um fator que colabora para
o sucesso da série, pois sempre traz novos rostos e novos personagens à
história, e permite trabalhar o pequeno elenco fixo sem deixar ninguém de lado
ao longo da temporada, e sem colocar ninguém como figurante em cena – entendeu,
Once Upon a Time? Aprendam como é que se faz as coisas!
Por
exemplo: neste momento, o elenco fixo de Supernatural é constituído de cinco
atores: Jensen Ackles (Dean Winchester), Jared Padalecki (Sam Winchester),
Samantha Smith (Mary Winchester), Micha Collins (Castiel Winchester) e
Mark Sheppard (Fergus... Digo, Crowley!). Eventualmente, Ruth Connell também
aparece no papel da bruxa Rowena, que sempre foi mais recorrente do que fixa
nessa história. Sim, eu sei que o personagem Lúcifer também é fixo nessa
temporada, mas vários atores dão rosto ao diabo, então, não entra na conta.
E
claro, contribui muito para o sucesso a consistência dos personagens
principais. Dean com seu sarcasmo e carisma impagáveis; Sam com aquele jeitinho
“santo até que o conheçam”; Castiel com sua moral, sua ingenuidade e seu amor
platônico pelo Dean; Crowley com aquela postura “me respeitem que eu sou o rei
do inferno, mas sou legal demais para administrar aquela bagaça pessoalmente”;
e Rowena, a bruxa que tenta ser má, mas que se passa fácil por uma tia maluca
que faz bolinhos de chuva com sal em vez de açúcar e pimenta no lugar da
canela. Sim, eu a vejo como uma simpática tia meio doida. De mamãe Winchester
não há muito a ser dito, considerando que ela passou pouco tempo fixo na série.
Por enquanto ela está parecendo a mãe da Caroline Forbes, de TVD: a xerifona,
tentando entender como foi que o circo dos horrores invadiu sua cidade, mas
pronta pra briga, caso alguma entidade esquisita ameace suas crias. Ou por
aí...
Enfim,
Supernatural é o tipo de série que não dá para fazer a review de todas as
temporadas. Esporadicamente, pretendo resenhar alguns episódios aleatórios, mas
há alguns acontecimentos de episódios que não estão na minha lista de planos
para o blog, com cenas que valem muito a pena relembrar. Não necessariamente
nessa ordem.
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Verônica Lira
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sábado, 31 de dezembro de 2016
Todos
os anos, desde que comecei a escrever esse blog, eu faço uma listinha (não tão inha assim, na verdade) dos assuntos que
eu gostaria de postar naquele ano que se inicia. Frequentemente, porém, eu não
consigo postar um terço do que eu gostaria. Os motivos são muitos: correria do
dia a dia, contratempos que vão aparecendo ao longo do ano, e minhas postagens
de filmes e séries principalmente despendem muito tempo para serem preparadas,
e há uma lei de Murphy que tem a horrível mania de me perseguir, que diz que
tudo sempre leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível. O
resultado é que boa parte da minha lista de planos para um ano do blog acaba
sobrando para o ano seguinte, e às vezes para o posterior também.
Por
exemplo, esse ano, eu tinha planos de postar reviews de mais seis filmes, dos
quais quatro já estão com as postagens escritas, mas ainda não consegui montar
todas as fotos. Ficam para o ano que vem. Também tinha planejado quatro
episódios natalinos de séries e desenhos animados, que também vão ficar para o
próximo ano. Sem falar nas sequências de Once Upon a Time, nas reviews de The
Vampire Diaries e The Originals que eu venho procrastinando há dois anos, sem
terminar de montar as fotos, e outras séries que continuam nos planos; nas
listas estilo TOP 10 de diversos assuntos; e várias outras coisinhas que não
tive oportunidade de postar esse ano. Ou melhor, não tive tempo de postar esse
ano.
Então,
ao invés de preparar uma nova lista com tudo o que quero postar em 2017 – que
herdará diversas sobras da lista de 2016 –, vou fazer uma retrospectiva de tudo
o que rolou esse ano no Admirável Mundo Inventado. Porque, apesar de todos os
contratempos, 2016 acabou sendo o ano mais movimentado desde que eu comecei a
escrever o blog: teve o maior número de postagens, e também a maior interação
com os leitores.
Preparados
para relembrar o que rolou esse ano no blog? Então, vamos lá:
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Verônica Lira
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quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Senhoras e
Senhores! Ladies & Gentlemen! Meus amigos e minhas amigas dessa imensa blogosfera!
É com muito orgulho e grandessíssima honra que venho anunciar que o Admirável
Mundo Inventado foi indicado ao Prêmio Dardo Bloggers pelo Rafael Rodrigues do
blog Na Companhia de Livros.
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Verônica Lira
em
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Pegando emprestados os versos
da música Equalize, da Pitty, hoje eu
quero falar de gente que amou e que musicou esse amor.
Não é de hoje que o termo musa inspiradora mexe com o imaginário
popular. As musas eram entidades gregas a quem se atribuía a capacidade de
inspirar a criação artística ou científica. Mas já faz tempo que elas deixaram
de existir apenas na mitologia grega, e passaram a assumir forma humana; e,
dessa forma, inspirar lindas obras.
Não que esse talento – de
inspirar os artistas – seja uma exclusividade feminina, como verão nesta lista.
Aqui eu separei apenas dez
músicas, cujas musas e histórias que as inspiraram valem a pena conhecer.
Garota de
Ipanema
Compositor: Vinícius de
Moraes (letra) e Tom Jobim (música)
Musa: Helô Pinheiro
Em 1962, um poetinha maroto,
compositor de diversos sucessos gravados durante sua parceria com Antônio
Carlos Jobim, encantou-se por uma certa “moça
do corpo dourado” que passeava pela praia sob o “sol de Ipanema”, e “seu
balançado” que era “mais que um
poema, a coisa mais linda que ele já viu passar” tornou-se conhecido no
mundo inteiro.
Provavelmente quando passou
balançando diante desse poeta, a jovem Helô Pinheiro – mãe de Ticiane Pinheiro,
ex-mulher de Roberto Justus – nem desconfiava de que seria musa de uma das
canções brasileiras mais conhecidas e traduzidas no mundo todo, praticamente um
símbolo nacional.
A versão em inglês, The Girl From Ipanema, foi escrita por
Norman Gimbel, em 1963, e já foi gravada por artistas como Frank Sinatra
(inclusive num dueto com o próprio Tom Jobim), Ella Fitzgerald e Amy Winehouse.
Outros artistas, que não chegaram a gravar, mas cantaram a canção em seus shows
foram: Madonna, Sepultura, o ator Rick Moranis (em versão rap), e até o
pugilista Mike Tyson, acompanhado por Daniel Jobim, neto de Tom Jobim, no Caldeirão do Huck.
Hoje em dia é quase
impossível mapear todos os idiomas para os quais a canção já foi traduzida, mas
sabe-se que a Garota de Ipanema já se tornou La Fille d’Ipanema, em francês, versão escrita por Eddy Marnay; La Ragazza di Ipanema, em italiano,
gravada por Mina Mazzini; Ipaneman tyttö,
em finlandês, versão gravada por Laila Kinnunen; e ganhou até uma versão em
esperanto (língua artificial mais falada no mundo), chamada Knabino el Ipanema, gravada por Flavio
Fonseca e Alejandro Cossavella.
Sem falar que a canção já
figurou em diversos filmes e séries internacionais: embalou Brad Pitt e
Angelina Jolie numa cena de rara tranquilidade dentro do elevador de uma loja
de departamentos, enquanto aguardavam para sentar chumbo em geral, em Sr. & Sra. Smith; o icônico rebelde
mascarado cozinhou ao som da nossa musa numa das cenas mais tranquilas de V de Vingança; também é a música
ambiente na sala de espera do consultório do dentista australiano em Procurando Nemo; Amy Farrah Fowler
(Mayim Bialik) tocou a canção em sua harpa no segundo episódio da quinta temporada
de The Big Bang Theory; e até o Homer
Simpson já fez uma dancinha engraçadinha ao som da nossa musa a bordo de um
submarino num episódio da décima temporada de Os Simpsons.
Por aí já dá para se ter uma
ideia da popularidade dessa garota, né? Aliás, reza a lenda, que Garota de Ipanema é a segunda música
mais tocada no mundo, atrás somente de Yesterday,
dos Beatles.
Essa musa não é fraca, não!
Garota
De Ipanema
Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela, menina,
Que vem e que passa,
Num doce balanço,
A caminho do mar.
Moça do corpo dourado,
Do sol de Ipanema,
O seu balançado é mais que um poema,
É a coisa mais linda que eu já vi passar.
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe...
A beleza que não é só minha,
Que também passa sozinha.
Ah, se ela soubesse,
Que quando ela passa,
O mundo inteirinho se enche de graça,
E fica mais lindo
Por causa do amor.
Luísa
Compositor: Antônio Carlos
Jobim
Musa: Ana Luíza
Já que começamos com uma
música que ficou famosa na voz do mestre Tom Jobim, embora cantando a musa de
outro poeta, nada mais lógico que dar sequência à lista com uma de suas musas.
Tom Jobim compôs para várias
musas (Lygia, Tereza da Praia, Ana Luíza...), mas houve uma em especial que
inspirou uma das – senão a – mais
belas canções brasileiras: Luíza.
Esta música já figurou outra lista aqui no blog, mas música boa sempre cabe em mais uma playlist.
Em um dia chuvoso, uma moça
alta e bonita correu para a varanda de um bar para se proteger. Seu nome era
Ana Luíza, e sua presença não deixou de ser notada por Tom Jobim, que estava no
bar na companhia de Chico Buarque e Carlinhos Oliveira. Desse encontro casual nasceram
duas canções: “Ana Luíza” e “Luísa”, mas a primeira, embora bonita também, não
teve o mesmo encanto da segunda.
Luísa é uma trova linda, com
versos apaixonados, de beleza sem par; uma intensa declaração de amor,
convertida em, me atrevo a afirmar, uma das canções mais bonitas do mundo.
Curiosamente, em 1986, Tom
Jobim se casou com outra Ana [Beatriz Lontra], e um ano mais tarde nasceu outra
Luíza [Maria Luíza, fruto dessa união]. Por isso o músico chegou a declarar que
havia composto uma canção premonitória.
Da Ana Luíza que se abrigou
da chuva no bar, e em quem Tom realmente se inspirou para escrever a canção,
não foi possível encontrar nenhuma foto.
Luísa
Rua,
Espada nua.
Boia no céu imensa e amarela,
Tão redonda a lua,
Como flutua,
Vem navegando o azul do firmamento.
E no silêncio lento,
Um trovador, cheio de estrelas.
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luísa.
Eu sou apenas um pobre amador,
Apaixonado,
Um aprendiz do teu amor.
Acorda amor,
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração.
Vem cá, Luísa,
Me dá tua mão,
O teu desejo é sempre o meu desejo.
Vem, me exorciza,
Dá-me tua boca,
E a rosa louca,
Vem me dar um beijo.
E um raio de sol,
Nos teus cabelos,
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores,
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luíza.
Luísa...
Anna Julia
Compositor: Marcelo Camelo
Musa: Anna Julia Werneck
Bem, vamos agora a 1998,
quando uma música chiclete estourou, e uma garota caiu – literalmente – na boca
do Brasil inteiro.
O nome dela era Anna Julia
Werneck, estudante da PUC-Rio, por quem o então produtor da banda, Alex Werner,
era apaixonado; porém, tímido demais para se declarar à moça, acabou contando
com a ajudinha de uma canção que tornou sua paixão e a banda Los Hermanos – até
então desconhecida – um sucesso nacional.
Anna Julia foi escrita por
Marcelo Camelo, vocalista da banda. Foi a primeira música de trabalho dos Los
Hermanos, e, convenhamos, a primeira – para não dizer única – que nos vem a
cabeça quando a banda é mencionada. O romance do produtor com a musa da banda
acabou sendo curto, mas o sucesso de Anna Julia, perdura.
Uma curiosidade é que essa
musa também ganhou uma versão em inglês, que foi gravada pelo ex-Beatle George
Harrison. Não é fraca, não!
Anna
Julia
Quem te vê passar assim por
mim,
Não sabe o que é sofrer,
Ter que ver você, assim,
Sempre tão linda.
Contemplar o sol do teu olhar,
Perder você no ar.
Na certeza de um amor.
Me achar um nada,
Pois sem ter teu carinho,
Eu me sinto sozinho,
Eu me afogo em solidão.
Oh, Anna Júlia
Oh, Anna Júlia
Nunca acreditei na ilusão de
ter você pra mim,
Me atormenta a previsão do nosso destino:
Eu passando o dia a te esperar,
Você sem me notar.
Quando tudo tiver fim,
Você vai estar com um cara,
Um alguém sem carinho,
Será sempre um espinho,
Dentro do meu coração.
Oh, Anna Júlia
Oh, Anna Júlia
Sei que você já não quer o
meu amor.
Sei que você já não gosta de mim.
Eu sei que eu não sou quem você sempre sonhou,
Mas vou reconquistar o seu amor todo pra mim.
Oh,
Anna Júlia
Oh, Anna Júlia
Oh, Anna Júlia
Oh, Anna Júlia, Júlia, Júlia
Carla
Compositor: Marcus Menna
Musa: Carla Cappelletti
Uma das minhas bandas
favoritas de todos os tempos, e que, infelizmente, não existe mais, é o LS
Jack. Liderada por Marcus Menna, a banda ganhou o coração do Brasil em 2001,
quando o vocalista escreveu uma música para homenagear sua então esposa Carla.
Curiosamente, Marcus Menna não tinha a intenção de colocar o nome de sua amada
na canção, mas o produtor do grupo insistiu e ele acabou cedendo.
O resultado foi que a canção
acabou sendo a sétima música mais tocada no Brasil naquele ano, e a 28° mais
tocada na década de 2000. Chamar de sucesso é pouco.
Para infelicidade dos fãs,
porém, três anos depois, Marcus sofreu uma parada cardiorrespiratória durante
uma lipoaspiração, que o fez permanecer alguns meses em coma induzido, e as
sequelas o afastaram do cenário musical por um longo tempo. A banda não
conseguiu ir em frente sem o seu vocalista – que se recuperou, mas não retomou
a carreira –, mas deixou um bom catálogo de sucessos para a nossa memória
afetiva.
Carla
Eu cheguei a deixar
Vestígios pra você me achar,
Foi assim que entreguei meu
coração, devagar.
Eu tentei te roubar
Aos poucos pra você notar que
fui eu
Te guardei onde ninguém vai
tirar.
No fundo dos meus olhos,
Pra dentro da memória te
levei.
Amor, você me tentou,
Oh, Carla!
Eu
te amei como jamais
Um
outro alguém vai te amar.
Antes
que o sol pudesse acordar,
Eu
te amei, oh, Carla!
Oh,
Carla!
Eu te amei, oh, Carla!
Eu te amei, oh, Carla!
Debaixo dos
Caracóis dos Seus Cabelos
Compositor: Roberto Carlos e
Erasmo Carlos
Musa: Caetano Veloso
Não, gente! Nem o Rei, nem o
Tremendão foram namorados de Caetano Veloso. Esse buraco não é tão mais embaixo
assim.
Era aquele período tenebroso
da História do nosso país, em que o Brasil era regido pela Ditadura Militar.
Várias pessoas – políticos, artistas, pensadores, jornalistas, ativistas,
enfim, diversos profissionais – foram exilados. O filho de Dona Canô foi um
deles, porque suas músicas protestavam abertamente contra o regime. A
comunicação naquele tempo era escassa e rigorosamente controlada pelos militares. Telefonemas eram grampeados,
cartas eram apreendidas no caminho e seu conteúdo minuciosamente examinado –
violação de correspondência, a gente se vê por aqui! Os militares tinham
imunidade diplomática nesse quesito –, de modo que era difícil receber e
transmitir notícias aos companheiros no exílio. Por isso, alguns artistas da época
passaram a “esconder” mensagens em suas canções.
O Rei Roberto Carlos foi um
deles. A chamada censura também
controlava o conteúdo das obras intelectuais que chegavam às mãos e aos ouvidos
dos brasileiros na época – livros, revistas, jornais, canções –, mas a canção
que Roberto gravou em 1971 acabou passando batida, pois ele soube disfarçar a
crítica à situação política do país e a homenagem ao amigo exilado em Londres
em uma poesia singela e linda.
Os “caracóis dos cabelos” a que se referia na música, eram os cachos
que Caetano ostentava naquele tempo, e a “história”
que ele tinha “pra contar” não era
tão bonita quanto a canção fazia parecer. Mas carregava a esperança de voltar,
quando tudo terminasse. Demorou quase uma década, mas Caetano pôde, enfim,
regressar “pisando a areia branca que é
seu paraíso”, quando os militares deixaram o poder.
Debaixo
dos Caracóis dos Seus Cabelos
Um dia a areia branca
Teus pés irão tocar,
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar.
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar.
E ao se sentir em casa,
Sorrindo vai chorar.
Debaixo dos
caracóis dos seus cabelos,
Uma história pra contar,
De um mundo tão distante.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos,
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante.
As luzes e o colorido
Que você vê agora,
Nas ruas por onde anda,
Na casa onde mora,
Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente.
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente.
Debaixo dos
caracóis dos seus cabelos,
Uma história pra contar,
De um mundo tão distante.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos,
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante.
Você anda pela tarde,
E o seu olhar tristonho,
Deixa sangrar no peito
Uma saudade, um sonho.
Um dia vou ver você
Chegando num sorriso,
Pisando a areia branca
Que é seu paraíso.
Debaixo dos
caracóis dos seus cabelos,
Uma história pra contar,
De um mundo tão distante.
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos,
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante.
Menino do
Rio
Compositor: Caetano Veloso
Musa: José Artur Machado, o
Petit
Falando em Caetano Veloso,
vamos recordar uma canção que ele compôs em 1979, e que ganhou o Brasil na voz
de Baby do Brasil – na época, ainda chamada de Baby Consuelo. Aliás, uma música
linda, que foi tema de abertura da novela Água
Viva, de 1980 – época em que eu ainda não estava nem nos planos dos meus
pais; nunca estive na realidade; e que eles ainda nem se conheciam, só para
ficar registrado.
O doce Menino do Rio, do “dragão tatuado no braço”, do “calção corpo aberto no espaço e coração de
eterno flerte”, foi um surfista, que pegava ondas na praia de Ipanema nos
anos 1970, e que era amigo de diversos artistas, incluindo Caetano Veloso.
Conhecido como Petit, ele era a síntese de uma geração de jovens bronzeados,
com nenhum outro compromisso com a vida, se não viver.
O desfecho de sua história,
porém, não foi tão belo como a canção. Petit não conseguiu superar as sequelas
de um acidente que sofrera em 1987, nem a dependência química, e, em 1989, aos
32 anos de idade, foi encontrado enforcado em seu apartamento com a faixa do
quimono de jiu-jitsu. Foi encontrado da maneira como fora imortalizado nos
versos de Caetano: calção, corpo aberto
no espaço.
Menino
do Rio
Menino do Rio,
Calor que provoca arrepio,
Dragão tatuado no braço,
Calção corpo aberto no espaço,
Coração, de eterno flerte,
Adoro ver-te...
Menino vadio,
Tensão flutuante do Rio,
Eu canto pra Deus,
Proteger-te...
O Hawaí, seja aqui,
Tudo o que sonhares,
Todos os lugares,
As ondas dos mares.
Pois quando eu te vejo,
Eu desejo o teu desejo...
Menino do Rio,
Calor que provoca arrepio,
Toma esta canção
Como um beijo...
Namoradinha
de Um Amigo Meu
Compositor: Roberto Carlos
Musa: supostamente, Maria
Stella Splendore
O estilista Dener Pamplona de
Abreu, um dos pioneiros da moda no Brasil, casou-se em 1965 com Maria Stella
Splendore, uma de suas manequins – como eram chamadas na época as modelos de
passarela. O casamento durou somente quatro anos, e o casal teve dois filhos:
Frederico Augusto e Maria Leopoldina. Todavia, de acordo com declarações
posteriores de Maria Stella Splendore, o pai de sua filha poderia ser, na
verdade, o cantor Roberto Carlos, com quem ela teve um caso enquanto era casada
com Dener.
Bem, se a filha da modelo –
que ganhou um nome de princesa – é mesmo filha do rei, nunca se pôde comprovar,
mas esta não foi a única polêmica levantada por Maria Stella.
Ela também afirmou para a
imprensa que teria sido a musa inspiradora de A Namoradinha de Um Amigo Meu, composta por Roberto em 1966. O rei
nunca confirmou a história.
Mas a música é daquelas que,
provavelmente, todo mundo – ou quase todo mundo – já se identificou alguma vez
na vida.
Namoradinha
de Um Amigo Meu
Estou amando loucamente
A namoradinha de um amigo meu.
Sei que estou errado,
Mas nem mesmo sei como isso aconteceu.
Um dia sem querer olhei em
seu olhar,
E disfarcei até pra ninguém notar.
Não sei mais o que faço
Pra ninguém saber que estou gamado assim.
Se os dois souberem,
Nem mesmo sei o que eles vão pensar de mim.
Eu sei que vou sofrer, mas tenho que esquecer,
O que é dos outros não se deve ter.
Vou procurar alguém que não
tenha ninguém,
Pois comigo aconteceu
Gostar da namorada de um amigo meu.
Esse Amor
Compositor: Dan Torres
Musa: Cídia Luíze
Essa canção não foi nenhum
sucesso monstruoso, mas a história por trás dela é bem interessante. Cídia
Luíze e Dan Torres se conheceram quando participavam da terceira edição do
reality show musical Fama, na Globo,
em 2004, e o músico quase imediatamente se encantou pela bela cantora. Durante
a competição, nada aconteceu – pelo menos, nada que tenha sido exibido –, a não
ser Esse Amor.
Dan Torres foi eliminado na
semifinal, mas Cídia foi até o fim, ao lado de Tiago Silva – não o jogador do
Paris Saint-Germain; o cantor que formou a dupla com Hugo Alves, outro
participante daquela edição do programa – e João Sabiá – que posteriormente fez
uma ponta, como ator, na novela Paraíso.
E na grande final, Cídia se apresentou ao lado de seu admirador com uma canção
inédita, que ele compôs especialmente para ela – disse, na época, que compôs
para ela cantar, mas a história
mostra que sua intenção ia muito mais além.
A canção foi bem recebida
pelo público, o dueto do casal ficou lindo no palco, Cídia foi vice colocada no
programa – o campeão foi Tiago –, gravou alguns CDs ao lado de Dan Torres, e a
relação que começou como um simples affair
de reality show com direito a canção
romântica especial, durou até 2008, quando a dupla e o casal decidiram se
separar.
Cídia abandonou a carreira
musical e hoje em dia se dedica à vida de empresária; Dan recentemente deu voz
à música de abertura da novela Império,
a regravação de Lucy in the Sky With
Diamonds, dos Beatles; e a canção de sua musa – piegas, porém, bonita – não
é mais tão lembrada hoje em dia – uma década depois de seu lançamento –, mas
vale a pena retirar do baú.
ESSE
AMOR
[Cídia]
Essa noite não tem hora,
O sol vai esperar.
Nossos corpos conversando
Sem a gente nem falar.
[Dan]
E agora eu sei, o que é amor:
É tudo que eu vejo em teu olhar.
Eu já entendi,
Eu já sei porque,
Eu tô aqui: pra amar você!
[Refrão]
Esse amor não tem palavras,
Nem explicação,
Mas não é preciso.
Teu sorriso sem querer...
Te amo sem medo.
É se entregar,
É Respirar.
[Dan]
Vou ouvir teu silêncio,
Você perto de mim.
Te beijar sem descanso,
O amor que não tem fim.
[Cídia]
Eu não sei viver se for sem você,
Meu mundo hoje está em suas mãos.
[Dan]
Eu já entendi,
Eu já sei porque,
Eu tô aqui: pra amar você!
[Refrão]
Esse amor não tem palavras,
Nem explicação,
Mas não é preciso.
Teu sorriso sem querer...
Te amo sem medo.
É se entregar,
É Respirar.
Mia Gioconda
Compositor: Vicente Celestino
Musos: Iole e João Pedro Paz
Em junho de 1945, quando o
governo brasileiro realizou uma festa de recepção aos combatentes da Força
Expedicionária Brasileira (FEB) no Cassino da Urca, no Rio, o cantor Vicente
Celestino, que estava entre os convidados, encantou-se com a história de um dos
pracinhas, João Pedro Paz, na época com 23 anos. O relato nada tinha a ver com
sua bravura em combate, mas com o fato de ter deixado o grande amor de sua vida
na Itália.
João conheceu a italiana
Iole, então com 17 anos, em seu dia de folga, num baile vespertino, realizado
no Cinema Garibaldi, na localidade de Pescia, em março de 1945. Ali, ao som de Moonlight Serenade, de Glenn Miller, os
dois se apaixonaram e iniciaram um romance. Porém, sua história de amor tinha
sido interrompida pelo retorno da FEB ao Brasil.
As namoradas não tiveram
permissão para viajar com os pracinhas, mas antes do embarque, João prometera à
sua amada – com quem não se entendia com palavras, mas somente com o olhar –,
que a buscaria para que pudessem se casar.
Três meses após o seu retorno
ao Brasil, João recebeu uma carta de sua amada, informando que estava grávida.
A história de amor do pracinha foi tão tocante, que um jornalista da extinta
Folha da Tarde de Porto Alegre iniciou uma campanha para arrecadar fundos para
bancar a viagem de Iole ao Brasil.
Diferentemente da canção,
porém, o romance teve um final feliz. O casal se casou por procuração – ele, em
Porto Alegre, ela, em Pescia. Meses depois, Iole – que, na verdade, não era bionda (loira), mas morena – chegou ao
Brasil para viver com seu amado, trazendo o filho, Pedrinho, com três meses de
idade. O menino morreu doze anos depois, mas o casal ainda teve outra filha,
Ana Maria. O casal ainda está vivo, e seu casamento já dura sete décadas.
A história inspirou Vicente
Celestino, conhecido à época como Voz
Orgulho do Brasil, a compor Mia
Gioconda, uma das mais belas canções brasileiras – quiçá, uma das mais belas do mundo! –, que ficou famosa na voz de
seu compositor, e mais tarde foi gravada por diversos artistas, chegando a
fazer parte da trilha da novela O Rei do
Gado, nas vozes de Agnaldo Rayol e Christian & Ralf.
Mia
Gioconda
Do dia que nascemos e vivemos
para o mundo,
Nos falta uma costela que
encontramos num segundo.
Às vezes muito perto
desejamos encontrá-la,
No entanto é preciso muito
longe ir buscá-la.
Vejamos o destino dum
pracinha brasileiro,
Partindo para a Itália
transformou-se num guerreiro.
E lá, muito distante,
despontar o amor sentiu,
E disse estas palavras a uma
jovem quando a viu:
Italiana,
La mia vita oggi sei tu. (A minha vida
hoje é você)
Io te voglio tanto bene, (Eu
te quero muito bem)
Partiremo due insieme, (Partiremos
os dois juntos)
Ti lasciar non posso più.(Te deixar não posso mais)
Italiana,
Voglio a ti piccola bionda. (Eu te quero
pequena loira)
Hai il viso degli amore, (Tens o rosto dos amores)
Le tue labbra son due fiore, (Os
teus lábios são duas flores)
Tu sarai mia Gioconda. (Tu serás minha Gioconda)
Vencido o inimigo que antes
fora varonil,
Recebeu a FEB ordem de
embarcar para o Brasil.
Dizia a mesma ordem: “Quem
casou, não poderá,
Levar consigo a esposa, a
esposa ficará”.
Prometeu, então, o bravo, ao
dar baixa e ser civil:
“Embarcarás, amada, para os
céus do meu Brasil”.
E enquanto ela esperava lá no
cais napolitano,
Repetia estas palavras no
idioma italiano:
Brasiliano, (Brasileiro)
La mia vita oggi sei tu. (A minha vida
hoje é você)
Io te voglio tanto bene, (Eu
te quero muito bem)
Chiedo a Dio que tu venga,
(Peço a Deus que você volte)
Ti scordar non posso più.(Te esquecer não posso mais)
Brasiliano, (Brasileiro)
Sono ancora la tua bionda. (Sou ainda a
tua loira)
Mio sposo hai lasciato (Meu esposo deixaste)
Questo cuore abandonato, (Este
coração abandonado)
Che chiamasti di Gioconda. (Que chamaste de Gioconda)
Di Gioconda!
Di Gioconda!
Lucy In The Sky With Diamonds
Compositor: John Lennon
Musa: Lucy O’Donnell
Musas e musos não são
exclusividade dos compositores brasileiros – óbvio! –, e algumas canções
internacionais também têm histórias interessantes relacionadas à pessoa que as
inspirou. Esta, em particular, merece menção, porque a história por trás dela –
ao menos, parte da história – é bem fofa.
Numa tarde de 1967, Julian
Lennon, filho de John e Cynthia Lennon, na época com apenas quatro anos de
idade, mostrou ao pai um desenho que fizera de uma coleguinha do jardim de
infância: a menina rodeada por estrelas de formas variadas. Quando John
perguntou ao filho o que significava, ele respondeu: “It’s Lucy in the Sky with Diamonds” (Esta é Lucy no céu com
diamantes). Ali nascia uma das canções de maior sucesso – e polêmica – dos
Beatles.
O desenho que inspirou a música:
Não
sei onde exatamente Julian colocou a menina neste desenho, mas esta é Lucy no
céu com diamantes.
Durante muito tempo, John
precisou negar exaustivamente que a música fizesse referência a drogas. A
canção gerava controvérsia desde o título, pois as iniciais dos substantivos
formavam – não se sabe se intencionalmente – a sigla “LSD”, referência que
Lennon negou veementemente. Colaborava, ainda, para a polêmica, o fato de que a
letra parecia descrever uma viagem alucinógena. Mais tarde, porém, Lennon
explicou que outro foco de inspiração da canção foi o livro Alice Através do Espelho, de Lewis
Carroll. É fato conhecido que Alice No País das Maravilhase Alice Através
do Espelho foram os dois livros favoritos de John Lennon na infância.
Também é fato conhecido que ambos os livros parecem descrever um sonho
extremamente maluco – e que algumas das maluquices descritas na música parecem
realmente ter sido inspiradas em partes do livro.
Seja lá como for, a garota com olhos de caleidoscópio acabou
ganhando o mundo, e recentemente – como mencionei alguns parágrafos atrás – foi
tema de abertura da novela Império,
na voz de Dan Torres.
Lucy In The Sky With Diamonds
Picture yourself in a boat on a river
With tangerine trees and marmalade skies
Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes
Cellophane flowers of yellow and green
Towering over your head
Look for the girl with the sun in her eyes
And she's gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Follow her down to a bridge by a fountain
Where rocking horse people eat marshmallow pies
Everyone smiles as you drift past the flowers
That grow so incredibly high
Newspaper taxis appear on the shore
Waiting to take you away
Climb in the back with your head in the clouds
And you're gone
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Lucy in the sky with diamonds
Picture yourself on a train in a station
With plasticine porters with looking glass ties
Suddenly someone is there at the turnstile
The girl with kaleidoscope eyes
Lucy in the sky with diamonds
Lucy No Céu Com Diamantes
Imagine-se em um barco num
rio
Com árvores de tangerina e céus de marmelada
Alguém te chama, você responde lentamente
Uma garota com olhos de caleidoscópio
Flores de celofane amarelas e verdes
Elevando-se sobre sua cabeça
Procure pela garota com o sol em seus olhos
E ela se foi
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Siga-a até a ponte perto da fonte
Onde pessoas com cavalos de pau comem tortas de marshmallow
Todos sorriem enquanto você é levado através das flores
Que crescem tão inacreditavelmente alto
Táxis de jornais aparecem à margem do rio
Esperando para levá-lo embora
Suba na traseira com sua cabeça nas nuvens
E você se foi
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Imagine-se em um trem na estação
Com carregadores de massa-de-modelar com gravatas espelhadas
De repente, alguém está lá na catraca
A garota com olhos de caleidoscópio