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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vamos Dar Tempo Ao Tempo

E aqui chegamos ao que realmente interessa: o capítulo da história de Alice Kingsleigh que me inspirou a resenhar a reinvenção de sua história inteira.
Ao contrário do que se poderia imaginar, Alice Através do Espelho não é a adaptação do livro de mesmo nome. Tim Burton – que produziu o filme, mas passou a cadeira do diretor para James Bobin, de Os Muppets – e a roteirista Linda Woolverton, de A Bela e a Fera e Malévola, criaram toda a história do filme, desde o início, e ela nada tem a ver com qualquer dos livros de Lewis Carroll, a não ser pelo espelho e algumas vagas referências aqui e ali – a maioria retirada do primeiro livro, e não do segundo. Sinal de que o espelho realmente inverteu as coisas nesse roteiro.
Aliás, é curioso: o primeiro filme teve muito mais elementos do segundo livro que do primeiro, ao passo que o segundo filme teve mais do primeiro livro. Pelo visto, Tim Burton atravessou o espelho antes de filmar Alice No País das Maravilhas e inverteu as bolas geral, desde o começo! E se no primeiro filme ele utilizou como pano de fundo um simples poema de 28 versos, em Alice Através do Espelho ele pega meia dúzia de referências aleatórias para criar uma aventura inédita para sua protagonista. E é por isso que é tão mais interessante falar dele.
O roteiro é 100% original? Não. Vai mudar a vida de alguém? Não. Mas gosto de partir do princípio de que a primeira função de um filme é entreter, divertir, distrair a cabeça da rotina. E essa função Alice Através do Espelho cumpre maravilhosamente.
Pegaram o trocadilho?
Maravilhosamente...
Lá no País das Maravilhas!
Não?
Enfim...
Alice Através do Espelho, na minha opinião, é um desses casos raríssimos em que a continuação supera o filme inicial. Não me entendam mal; amei Alice No País das Maravilhas. Porém, sua continuação, é de tirar – ou talvez de colocar – o chapéu.
O filme conserva aquela aparência psicodélica tradicional dos filmes de Tim Burton e do universo de Alice No País das Maravilhas de modo geral, mas, enquanto na primeira empreitada Burton optou por tornar o Mundo Subterrâneo sombrio, com um forte aspecto de pesadelo – já que estavam enfrentando um período de guerra civil –, desta vez ele optou por cores fortes e vibrantes para iluminar os sonhos de Alice.
É de encher os olhos, como já era de se esperar de uma produção assinada por Tim Burton. O visual do filme é impecável – e também supera o original nesse quesito.
Então, sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Ou eu deveria dizer Alice Contra o Tempo?

Nossa aventura começa três anos depois dos eventos do primeiro filme. Alice, agora capitã do navio Maravilha, que fora de seu pai, enfrenta uma tempestade em seu retorno à Inglaterra. Lá chegando, descobre que sua mãe enfrentou sérias dificuldades financeiras no último ano, a ponto de vender as ações da Companhia de Exportação que herdara do pai de Alice ao seu ex-noivo, Hamish, o novo Lord Ascot – o pai dele morrera durante a ausência de Alice –, e hipotecar a casa onde vive. Hamish, todavia, num suposto gesto de generosidade, oferece cancelar a hipoteca em troca do navio de Alice.
A Sra. Kingsleigh anda muito preocupada com o destino da filha, que ainda não se tocou que o tempo está contra ela. Afinal, três anos se passaram desde que ela deu um pé na bunda de Hamish, e ele já refez a vida, casando com uma sujeitinha viciada em chupar limão, enquanto Alice permanece solteira, brincando de capitanear o navio de seu pai, sem se preocupar com seu futuro. Por isso, Hamish, “solidariamente” oferece um emprego à Alice no escritório da Companhia cujas ações a mãe dela vendeu.
A propósito, se no primeiro filme, a Sra. Kingsleigh resmungou até umas horas só porque Alice decidiu não usar um corpete por baixo do vestido azul quando foi à festa no jardim de Hamish, avalia o quanto ela deve ter enchido as orelhas da moça por ela ter escolhido vestir essa roupa de palhaço.
Prosseguindo... Chateada, decepcionada e ultrajada, Alice sai andando desnorteada pela casa de Hamish, até perceber uma borboleta azul, muito parecida com seu amigo Absolem, que a conduz a uma sala fechada da mansão, onde atravessa um espelho. Ela ouve os guardas se aproximando – porque ninguém sabe dar sossego a uma mocinha que só quer xingar o ex-noivo de nome feio na santa paz –, e eles tentam destrancar a porta desta sala, deixando-a sem tempo para decidir se é seguro ou não atravessar o espelho atrás da borboleta azul.
Assim Alice atravessa o espelho, e se depara com uma sala muito parecida com aquela da qual saiu, com a diferença de que agora ela está outra vez pequenina, caminhando sobre o console da lareira, diante de um tapete de tigre meio dorminhoco estendido no chão, das peças animadas de um jogo de xadrez – um dos poucos elos desse filme com o livro original –, e de Humpty-Dumpty, um ovo tagarela que Alice teria encontrado no segundo livro num contexto completamente diferente. Para começar, ela não teria esbarrado nele, fazendo-o rolar lareira abaixo e se estatelar no chão, depois de ter sido afugentada do tabuleiro por um cavalo. Ela tenta se desculpar com um dos pedaços sobreviventes de Humpty-Dumpty, mas acaba sendo interrompida por Absolem, que desde o final do filme anterior é uma borboleta, e avisa que seus amigos precisam dela mais uma vez, indicando-lhe a pequena portinha que a conduzirá de volta ao País das Maravilhas.
Assim Alice literalmente cai do céu para ajudar seus antigos amigos encantados, que estão com um grave problema: o Chapeleiro Maluco... Enlouqueceu!
O caso é que o sujeito agora parece estar mais pirado que de costume, e seus amigos esperam que a visita de Alice possa ajudá-lo a reorganizar alguns de seus parafusos.
Literalmente na casa do chapéu! Ou melhor, na casa em formato de cartola. A princípio, Tarrant, o Chapeleiro não parece convencido de que Alice é Alice, mas quando finalmente acredita que aquela é sua velha amiga Alice, ele a recebe calorosamente e conta o que anda perturbando sua velha cachola bagunçada.
Acontece que ele está vivendo um momento nostálgico, relembrando o que aconteceu com o clã dos Cartolas, e sentindo muita falta de sua família, que morreu há muitos anos, no Dia de Horunvindictum. Gente, eu juro que não caí de cabeça no teclado do computador. Sério! O palavrão é esse mesmo! E verão vários parecidos com esse ao longo da história, porque cada dia importante no País das Maravilhas ganha um nome simpático como esse.
Essa crise de nostalgia do Chapeleiro não aconteceu assim do nada. Ele encontrou recentemente o primeiro chapéu que confeccionou – e que provavelmente só serviria na cabeça de uma boneca, ou talvez de um alfinete –, que ele achava que tinha se perdido para sempre. No entanto, se o chapéu sobreviveu, ele só pode concluir que sua família também sobreviveu.
Como ele chegou a essa conclusão? O que o chapéu tem a ver com as calças? Descobriremos ao longo da resenha.
Por hora, basta saber que Alice acredita que isso é impossível, que se a família do Chapeleiro morreu, é impossível que tenham sobrevivido só porque o chapeuzinho resolveu aparecer. Mas o Chapeleiro está convencido, e quer porque quer que ela o ajude, ao que Alice concorda para não perder a amizade.
Mais tarde, conversando com seus outros amigos, ela pergunta se alguém viu os parafusos do Chapeleiro por aí, e é quando Mirana tem uma ideia maluca para tentar descobrir se a nova loucura do Chapeleiro tem um fundo de verdade.
Ela se lembra da CronoEsfera, um objeto mágico, guardado no Castelo do Tempo, que é capaz de fazer uma pessoa retornar ao passado. Ninguém no País das Maravilhas pode utilizá-la, pois se qualquer um daqueles personagens vir a si mesmo no passado... Bem, não há registros do que acontece, mas deve ser algo terrível para inspirar tanto medo sem que ninguém nunca tenha tentado. Mas como Alice não pertence àquele mundo, a menos que ela retorne ao Gloriandei, onde matou o Jaguadarte, não há perigo de que ela provoque esse Apocalipse, o que faz dela a única pessoa capaz de utilizar a esfera.
Então Mirana abre um portal num grande relógio de pêndulo, indica o caminho à Alice e deseja boa sorte.
Assim, nossa mocinha se aventura ao inexplorado Castelo do Tempo, que fica numa dimensão dentro do relógio. Bem no centro desse Castelo há um imenso relógio suíço que controla todo o tempo naquele mundo. Eles o chamam de "O Magnífico Grande Relógio de Todo o Tempo". Bem, controla com o auxílio dele: o Tempo, em pessoa!
Que é um sujeito bastante esquisito, se querem saber. E que se parece demais com o Sacha Baron Cohen...
Enfim, Alice o observa caminhando pelo Castelo, reclamando daquele dia interminável, ou de suas calças suadas, dando ordens espalhafatosas aos seus pequeninos servos, os Segundos – pequenas engenhocas que se parecem com azeiteiras de latão, pequenas latas de lixo, robozinhos de casaca e óculos redondos, e outras bugigangas semelhantes.
Mas seu trabalho parece importante. Ele é capaz de perceber quando um relógio, dentre milhares de relógios pendurados na varanda faz seu último tique sem completar com o taque. Este é um momento muito solene, quando o Tempo, que não é amigo de ninguém, que é Infinito, Eterno, Imortal, Invencível, Imutável e Imensurável – a menos que você tenha um relógio –, recolhe o relógio parado, lê o nome que ele contém e o fecha, determinando àquele que o relógio representava que seu tempo acabou.
Ele retira o relógio da varanda dos Vivos do Mundo Subterrâneo e o leva para a varanda dos Mortos do Mundo Subterrâneo, onde os relógios são pendurados em ordem alfabética pelo sobrenome de cada família. Guardem essa informação, porque será importante mais à frente.
É nesse momento que ele percebe a presença de Alice em seu Castelo e ela pede – quem diria – um minuto de seu tempo.
Ele logo percebe que ela carrega um soldado abatido, o antigo relógio de bolso do pai dela, que está parado, mas ela não quer se livrar dele. O que não é um fato muito relevante para o enredo, mas pelo menos essa conversa consegue uma audiência de um minuto extremamente acelerado para dizer ao Tempo o que a trouxe ao seu Castelo.
Então é claro que o Tempo dá um chilique, porque a CronoEsfera é o que dá energia ao Grande Relógio, e sem ela, toda a história se desintegraria, portanto ele não pode emprestá-la e fim de papo! Chama seu mordomo Wilkins para conduzi-la à porta – ou talvez ao relógio de pêndulo – da frente, e ela agradece por ele ter lhe cedido um pouquinho do seu temp... Bem, dele.
O mordomo até tenta mostrar a saída à Alice, mas ela ouve uma coisa interessante quando está saindo do Castelo do Tempo, e decide espionar para ver onde a fofoca vai dar. Acontece que o Tempo tem uma hóspede muito estimada, a quem ele tenta agradar com presentinhos musicais representando cenas de decapitações e tortura explícitas nada condicentes com um conto de fadas infantil, e essa hóspede que ele tanto adula, e que permanece constantemente insatisfeita, porque também deseja a tão concorrida CronoEsfera para poder alterar o próprio passado é, ninguém mais, ninguém menos, que Ronald McDonald... Digo, a Rainha Vermelha – deposta! – Iracebeth de Carmesim!
E o que diabos essa megera cabeçuda está fazendo no Castelo do Tempo?, vocês me perguntam. Bem, acontece que esse cidadão tem um mau gosto terrível, e ao que tudo indica, ele se apaixonou por essa encrenca... Quero dizer... Sua Majestade, o Cabeção arrumou uma maneira de seduzir o Tempo, esperando que ele lhe cedesse a CronoEsfera, para que ela pudesse alterar uma coisa em seu passado. Teremos mais detalhes sobre isso logo, logo.
Porque os planos da Cassandra vão por água abaixo – mais ou menos literalmente – quando Alice aproveita que o Tempo, e cada Segundo de seu reino estão muito ocupados tentando pajear a megera sem coração – exceto aquele que desenha com batom por cima da boca –, para roubar a CronoEsfera, e fugir correndo.
Mas é claro que o Tempo, estando conectado ao seu imenso relógio, percebe imediatamente que a bateria foi retirada e vai verificar o problema, o que resulta numa grande perseguição à garota de cabelo amarelado, onde descobrimos que os robozinhos que representam os Segundos são na verdade peças de um quebra-cabeça muito bizarro que, montado corretamente, transforma os Segundos em Minutos – muito maiores do que aquele que o Tempo cedeu à mocinha para contar a triste maluquice do Chapeleiro.
No meio dessa confusão, Alice descobre que a CronoEsfera, quando arremessada a certa distância transforma-se numa espécie de transporte esférico, que pode conduzi-la através do Oceano do Tempo, como se fosse um navio, onde ela vê cenas do Passado, Presente e Futuro, e pode escolher o dia que deseja visitar.
Sua travessura é sentida em todo o País das Maravilhas, pois, com a CronoEsfera fora do mecanismo do Grande Relógio, e a transformação dos Segundos em Minutos, o dia e a noite passam extremamente rápido no Mundo Subterrâneo, assustando momentaneamente a Rainha Branca Mirana e seus amigos Tweedledee, Tweedledum, a Lebre de Março, o Coelho Branco, a ratinha mal-humorada que deveria ser mais sonolenta, o cachorro Bayard, e o Gato de Cheshire.
Alice até consegue sintonizar o Dia de Horunvindictum em sua geringonça esférica cronológica, mas uma manobra violenta do Tempo, que está pilotando uma versão adaptada da balsa de Huckleberry Finn acaba por desviá-la do curso.
Assim Alice vai parar acidentalmente no Dia de Toomalie, um dia muitos anos antes de Alice visitar pela primeira vez o País das Maravilhas, e a primeira pessoa que ela encontra nessa época é precisamente o Chapeleiro, mas ele ainda não a conhece. O que não os impede de socializar.
Felizmente para Alice, ela retornou a um dia muito revelador sobre a história do Chapeleiro: o dia da coroação da nova Rainha Iracebeth.
O clã dos Cartolas ficou responsável por confeccionar uma coroa para a nova Majestade, mas, aparentemente, não havia ouro e rubis suficientes para fazer uma coroa que coubesse naquele cabeção em forma de coração, então, quando o Sr. Cartola, pai do Chapeleiro tentou espremer a coroa na fenda do penteado de Iracebeth, a coroa se quebrou, fazendo a multidão explodir em gargalhadas e deixando a megera extremamente furiosa.
Acabou que Iracebeth fez o maior barraco, e seu pai, que pretendia lhe passar a coroa em vida, percebeu que ela era esquentadinha demais para governar, e decidiu que sua sucessora dali em diante seria a filha mais nova, Mirana. O que claro, deixou Iracebeth com a cabeça mais quente, e como diria a Chiquinha, sua cabeça foi ficando mais grande, e mais grande, e mais grande... E era uma cabeça horrível!
A dama do cabeção gigante saiu soltando fogo pelas ventas, jurando vingança ao clã da Cartola, e deu uma banana para o pedido de desculpas de sua irmã, revelando que já havia muita tensão em seu relacionamento desde muito antes desse dia.
Aqui entre nós, queria comentar um detalhezinho: o nome do Reino que seria herdado pela irmã Vermelha de cabeça grande ou pela irmã Branca de parafuso solto e sapatos flutuantes era Espertal! Só queria saber quem foi o ESPERTALhão que teve essa ideia...
Como eu também tenho uma dificuldade extrema para inventar bons nomes para os meus reinos fictícios – dificuldade esta que eu geralmente supero dependendo do conteúdo alcoólico do meu copo –, não vou zoar essa escolha. Afinal, é claro que foi Alice quem, talvez por não ter sido informada previamente sobre o nome do Reino onde se encontrava, decidiu chamar aquele lugar de País das Maravilhas. Mas ela também chamou de Maravilha o navio do pai, então, é possível que ela tenha fixação pela palavra.
Voltando à trama do filme, depois que a quase Rainha Iracebeth soltou os cachorros na família e no reino inteiro, o Sr. Cartola deu um esporro no filho por ter começado com as risadinhas que tanto irritaram a Princesa Vermelha, e legou a ele a vergonha da família, o que deixou o Chapeleiro profundamente magoado, levando-o a recolher seu chapéu e se retirar do clã dos Cartolas.
Naturalmente, Alice tentou fazê-lo reconsiderar, porque sabe que Tarrant se arrependerá profundamente de ter deixado a casa dos Cartolas quando eles forem mortos no Dia do Horunvindictum, mas ele continua achando que ela é maluca, e decide não lhe dar ouvidos. Mas será bem-vinda em seu jardim, caso queira tomar chá.
Alice tenta comovê-lo, contando a ele como sente falta de seu pai, que morreu há muitos anos, mas o futuro Chapeleiro continua irredutível. Então Alice decide ir pessoalmente alertar os Cartolas sobre o perigo que correm, mas é interrompida por Mirana, que se apressou para se desculpar com aquela família pelo incidente, que eles, lógico, compreendem, afinal, todos sabem da doença de Iracebeth e lamentam muito o acidente que ela sofreu no Dia de Fell (Dia do Tombo), quando o relógio marcava seis horas. A noite em que Iracebeth bateu a cabeça na praça. Aquele momento mudou tudo. O que dá a Alice uma ideia diabólica.
Vai por mim, Mirana, um dia você vai gostar e ter muito o que agradecer a essa menina estranha!
Mas não será nesse momento. Porque agora Alice está muito ocupada acionando novamente a CronoEsfera, rumo a outro capítulo do passado dos personagens do País das Maravilhas.
Enquanto essas revelações acontecem, nosso amigo Tempo faz uma visitinha ao Chapeleiro Maluco, que está, como já era de se imaginar, prestes a tomar chá em seu jardim com seus amiguinhos pirados.
Lembram que no primeiro filme o Chapeleiro comentou com Alice que o Tempo, que é muito temperamental naquele mundo, os prendeu na hora do chá até ela aparecer, porque se sentiu ofendido com algumas piadinhas que eles fizeram? Então, finalmente conheceremos essa cena agora.
Enquanto aguardam que a mocinha apareça, os piradinhos se divertem fazendo piadas com o Tempo, perguntando se ele cura mesmo todas as feridas, ou porque ele passa voando, e outros comentários semelhantes.
Alguém precisava ensinar a esses malucos sobre os perigos de mexer com o Tempo – literalmente –, porque ele pode fazer você ficar preso naquele minuto antes da hora do chá por mais ou menos uma eternidade. Agora imaginem tentar comer um pedaço daquele bolo lindo que está à sua frente na mesa, e vê-lo retornar ao lugar, intacto, só porque o minuto passou... Só que não passou; simplesmente foi e voltou. Confuso? Também acho. E colocaram essa confusão justamente na cabeça dos seres mais confusos daquele Reino.
A cena, como mencionei na review passada, foi inspirada numa passagem do primeiro livro – pois o Chapeleiro e seus amigos não foram convidados para a aventura posterior de Alice –, quando a menina aparece para tomar chá e eles ficam pulando para o próximo lugar à mesa porque estão parados no tempo, e não têm como lavar a louça. Nesse arranjo, só o Chapeleiro, que está à cabeceira da mesa, se beneficia com uma xícara limpa.
Mas como o tempo não para... Quer dizer... Enquanto os amigos lutam contra o Tempo – ou contra aquele minuto parados no tempo –, Alice retorna ao Dia de Fell, um lamentável dia, quando as duas princesas ainda eram crianças, e sua mãe assou uma travessa cheia de tortas. Iracebeth, que sempre foi mandona e egoísta, comeu a maior parte delas, ao passo que sua irmã, a doce Mirana, reclamou, pedindo que deixasse algumas para ela. Iracebeth, irritada, disse que ela podia ficar com as migalhas, as duas quase se pegaram de tapa, e sua mãe, para apartar a briga, mandou as duas saírem da cozinha, e proibiu-as de comer mais tortas.
Mirana ficou indignada, porque ela quase não tinha comido, então ela roubou a última torta da travessa, e foi comer em seu quarto, deixando as migalhas caírem embaixo da cama da irmã mais velha. E quando a mãe as interrogou sobre quem comeu a torta, e Iracebeth acusou Mirana de ter colocado as migalhas embaixo de sua cama, Mirana negou, deixando a irmã malvada furiosa por levar a culpa da travessura da irmã boazinha.
Essa história foi inspirada em outro poema do primeiro livro, sobre uma Coruja e uma Pantera que dividiam uma torta: a Pantera, bem gulosa, comia a massa e o recheio, e para a Coruja sobravam apenas os caroços do meio. Já deu para entender quem é quem nessa história, né?
Iracebeth correu para fora do castelo, e Alice, ao vê-la indo em direção à praça, deduziu que o relógio de pêndulo que alguns criados-sapos estavam carregando iria bater na cabeça dela, e os deteve; porém suas ações distraíram a menina, que acabou tropeçando e batendo a cabeça na fonte no meio da praça. E nesse momento descobrimos porque a Rainha de Copas – que a Rainha Vermelha também representou no primeiro filme – não gosta de rosas brancas: havia muitas delas ao redor da fonte, mas não serviram para suavizar a pancada.
Alice fica desnorteada ao perceber que não pode mudar o passado, mas se lembra do que o Tempo lhe disse: pode aprender com ele.
Porque outro fato importante também aconteceu naquele dia. O Chapeleiro ainda era um garotinho, assim como seus outros amigos, os Tweedles, o Gato de Cheshire e o Bayard – aparentemente, os animais têm extraordinária longevidade no País das Maravilhas –, e o Chapeleiro, cheio de simpatia, convidara Alice para ir até sua casa, onde seu pai confeccionaria um belo chapéu para sua bela cabeça. O garoto estava todo animado por ter conseguido uma cliente, e mostrou para o pai o pequeno chapéu de papel que confeccionara, mas o Sr. Cartola não foi receptivo. Ele acreditava que o chapéu era meramente um código de vestimenta da sociedade, não um acessório que servisse para divertir, como Tarrant parecia acreditar. Assim, ele rapidamente descartou o chapéu todo enfeitado que o garoto fizera, prometendo ensiná-lo a fazer chapéus mais tradicionais.
O menino ficou profundamente magoado ao ver os pedaços de seu chapeuzinho serem jogados no lixo, mas o que ele não viu foi que, depois de Alice ter ido embora para tentar salvar Iracebeth de sofrer o acidente que fez sua cabeça inchar feito um balão, o Sr. Cartola recolhera os pedaços do chapeuzinho do filho e o guardou com todo o carinho no bolso de seu paletó, reconhecendo que Tarrant saíra aos seus.
E nesse momento Alice se lembra de outro fato importante que presenciara no início de sua aventura, e que ainda não havia se apercebido: quando o Tempo foi pendurar o relógio parado de Brilliam Hinkle na varanda dos Mortos do Mundo Subterrâneo, ele passou por uma fileira toda destinada a uma família que ainda tinha todos os seus membros vivos. Os relógios eram pendurados ali em ordem alfabética, portanto aquela coluna vazia destinada aos Hightopps (Cartolas, em inglês) só podia significar que a família do Chapeleiro ainda estava viva.
Sua loucura tinha um fundo de razão, afinal.
O caso é que esta descoberta se deu justamente no momento em que o Tempo finalmente a encontrou para lhe dar um esporro e exigir a CronoEsfera de volta, enquanto seus Segundos lutavam para manter o Grande Relógio funcionando, chapando seu mecanismo de óleo para evitar um colapso, já que aparentemente ninguém sabe onde foi que enfiaram a droga do manual.
Alice promete usar a CronoEsfera só mais uma vez, para ir até o Dia de Horunvindictum descobrir o que houve com a família do Chapeleiro. E quando o Tempo tenta detê-la, ela atravessa o espelho ao seu lado, segurando a CronoEsfera. O problema é que a bugiganga erra o caminho desta vez – ou vai ver, havia alguma restrição sobre usá-la através do espelho, algo que certamente deveria constar no manual que ninguém sabe onde entrou –, levando-a de volta para o mundo real, onde ela acabou sendo capturada pelos amigos de seu ex-noivo e internada num hospital psiquiátrico, onde acreditam que ela teve uma crise histérica e ficou birutinha da Silva, pois foi surpreendida tentando se enfiar debaixo dos móveis, balbuciando alguma coisa sobre a atmosfera.
Ainda bem que não a colocaram numa camisa de força, ou ficaria mais difícil escapar dali.
Ela aproveita uma confusão entre sua mãe e Hamish para se escafeder. Agora imaginem uma doida correndo para o telhado do sanatório, amarrando uma corda na cintura para poder descer e roubar uma carruagem, enquanto a equipe médica inteira tenta alcançá-la. E se alguém perguntar, ela alega insanidade.
Alice retorna à mansão de Hamish, resgata a CronoEsfera que tinha rolado para debaixo de um móvel, atravessa o espelho outra vez, e finalmente chega ao Dia de Horunvindictum, quando o Jaguadarte literalmente tocou fogo na aldeia onde morava o clã dos Cartolas. Tínhamos visto um pedaço dessa cena no primeiro filme, quando o Chapeleiro se lembrou do dia em que a Rainha Vermelha deu o golpe que depôs a Rainha Branca e assumiu o controle do Mundo Subterrâneo, transformando aquele lugar num deserto sombrio. Mas o Jaguadarte não fez isso simplesmente porque era divertido. Ele estava cumprindo as ordens de Iracebeth de Carmesim, que mandara incendiar a aldeia para que sua irmã fosse forçada a se isolar em Marmoreal e ela pudesse roubar seu trono, mas também para que ninguém visse quando seus soldados cartas-de-baralho-do-naipe-de-Copas cercassem os Cartolas e os levassem presos como vingança por sua coroa perdida.
Foi assim que o chapeuzinho de Tarrant, que ele achava que tinha se perdido, mas que o pai guardara por anos, ficou jogado no campo, até ser encontrado por ele no início do filme.
Alice então retorna ao tempo normal, e vai à casa do Chapeleiro contar suas descobertas, mas o encontra doente, quase morrendo, assistido pelos amigos, incluindo Mirana, que afirma que Alice chegou tarde demais.
Alice conta ao Chapeleiro adormecido que descobriu o que o chapéu significa: que ele o fez quando era pequeno, e pensava que o pai tivesse jogado fora, mas ele guardou todos esses anos; confirma que o clã dos Cartolas está vivo, e pede desculpas por não ter acreditado nele antes, mas agora acredita. E então como mágica, o Chapeleiro desperta do coma, emocionado porque ela acredita nele.
Pois é, Tim Burton errou de livro, e consultou Peter Pan para escrever essa parte do roteiro: sempre que uma criança não acredita em fadas, uma fada cai morta; sempre que uma Alice – seja ela certa ou errada – não acredita no Chapeleiro, ele ameaça ter um piripaque, mas se ela volta a acreditar nele, viva! Senhor maquiado voltou!
E voltou disposto a esvaziar o cabeção de balão da Rainha Vermelha para libertar sua família.
Aliás, Sua Majestade o Cabeção vive atualmente num castelo vermelho construído numa árvore bizarra, com o formato de seu coração de cabeção inflado... Ou seria o contrário: seu cabeção inflado em formato de coração...? Esqueçam a semântica! O caso é que a megera vive num castelo bizarro cercado de insetos mais bizarros ainda – sinal que não há faxineira na casa desde o Dia de Nuncvindictum –, mais bagunçado que gaveta de meia, tendo como única companhia um formigueiro de vidro que ela chacoalha só para se divertir vendo as formiguinhas se agitarem com o “terremoto”.
Mas não está tão solitária quanto parece, pois, ao que tudo indica, ela recebe visitas regulares do Sr. Tempo, que manobra muito mal sua geringonça – sua habilitação está vencida há quanto tempo, moço? –, e não tem boas notícias sobre a CronoEsfera, depois de ter visto Alice atravessar o espelho com ela.
Afinal, a quem causa mais prejuízo a ausência da CronoEsfera, Sr. Tempo? A você, que pode literalmente se desintegrar sem ela, ou ao cabeção de balão, que só quer esfregar a cara da irmã nas migalhas de torta debaixo da cama?
Cabeção dá um senhor esporro no Tempo, porque ele é simplesmente incapaz de atender aos seus caprichos, e manda seus guardas prendê-lo.
Estão lembrados daquele buldogue monstruoso simpático que arranhou o braço de Alice no primeiro filme, e depois o curou com uma lambidinha? Aquele a quem chamam de Capturandam?! Finalmente temos notícias dele, quando Alice e o Chapeleiro o usam como montaria para atravessar o reino e invadir o castelo da megera com Mirana e as outras criaturas aliadas.
Como o castelo é grande demais para ser vasculhado em tão pouco tempo – juro que não é de propósito que estou fazendo esses trocadilhos, mas a história não colabora... Ou melhor, colabora demais –, os heróis se separam para vasculhar cada uma de suas alas um pouco mais depressa.
Enfim, depois de procurarem na árvore inteira, e de serem pegos por um sem-número de armadilhas e criaturas bizarras, restam somente Alice e o Chapeleiro para procurar nos aposentos da Rainha, mas ficam decepcionados ao constatarem que não há ninguém trancado ali.
Pelo menos, até o Chapeleiro perceber que as formiguinhas de estimação da megera estão fazendo um curioso desenho na areia do formigueiro.
Como a Rainha Vermelha já previa a invasão, ela permitiu este comovente reencontro apenas para trancá-los em seguida, e arrancar de Alice a CronoEsfera, o dispositivo mais poderoso do universo.
Alice, o Chapeleiro, Tweedledee, Tweedledum, o Coelho Branco, a Lebre de Março, a ratinha desbocada, o cachorro, o gato invisível... Enfim, todos são trancafiados numa jaula gigante de vegetal, enquanto os soldados leguminosos da Rainha seguram Mirana sem muita delicadeza. O Tempo também é seu prisioneiro, mas como ele é uma espécie de sumidade, ela decidiu não trancá-lo com reles mortais, mas amarrá-lo num trono, ao lado do esqueleto que restou do Valete de Copas, que ainda tem a espada atravessada no coração – provando que essa briga conjugal terminou num divórcio não muito amigável. Mas, como ele foi condenado a permanecer ao lado dela até o fim do Mundo Subterrâneo, seu corpo não pôde ser enterrado.
Iracebeth planeja arrancar a cabeça de Alice e seus amigos quando voltar. Por hora, ela tem algo mais importante para fazer no Dia de Fell com sua irmã Mirana. Enquanto o Cabeção aciona a CronoEsfera, o Tempo pede que Mirana não permita que Iracebeth veja a si mesma, ou destruirá tudo. O problema é que a Rainha Vermelha tem uma cabeça enorme, mas as orelhas são pequenininhas. Então, é claro que ela não lhe dará ouvidos.
E ainda tem mais um probleminha: enquanto os heróis enumeram o que não gostam na Rainha Vermelha, o dia e a noite começam a passar numa velocidade vertiginosa daquele lado do reino, ameaçando dar um tchutchu no Tempo – literalmente!
Parece que Wilkins finalmente descobriu onde tinha enfiado o manual de instruções, e depois de consultá-lo e constatar que sem a CronoEsfera o mecanismo do Grande Relógio está mesmo indo pra cucuia, em vez do salve-se quem puder, ele junta todos os Segundos e os Minutos que estão de plantão no Castelo do Tempo e manda eles se acoplarem aos quebra-cabeças uns dos outros para formar a Hora, porque é claro que um monstro maior terá mais força nos braços para continuar sustentando os ponteiros por mais um tempinho, e poder dar tempo aos nossos heróis para impedir que Iracebeth cause um colapso fulminante no Tempo, depois de ter voltado no tempo...
Ok, eu enrolei tudo, mas vocês entenderam! O tempo está acabando, porque esse povo mexeu demais com o Tempo num curto espaço de tempo, e agora não dá mais tempo para ficar esperando as duas irmãs voltarem do passado. Alguém precisa botar ordem nesse galinheiro e ajudar a Alice a roubar a CronoEsfera de novo.
Felizmente para os nossos heróis, os guardas vegetais da Rainha Vermelha estão muito cansados da mania dela de ficar beliscando-os entre as refeições, e decidem abrir a cela dos prisioneiros, e a megera que se lasque!
Como não têm mais tempo a perder – piadinha torpe –, Alice manda os Tweedles e os bichinhos levarem o Tempo de volta ao Castelo dele enquanto ela e o Chapeleiro vão atrás da CronoEsfera para restaurar a ordem do Universo.
E é melhor correr, porque Iracebeth e Mirana já estão na porta do quarto, ouvindo a Rainha Branca negar diante da mãe que colocou as migalhas da torta debaixo da cama da irmã. E como reviver a fúria nunca leva a boa coisa, Iracebeth abre intempestivamente a porta do quarto para acusar a pequena Mirana de ser uma mentirosa, e ao colocar os olhos sobre si mesma mais jovem, as duas se transformam numa estátua de... Juro que eu tentei identificar que diabo é essa coisa cor de beterraba misturado com cenoura, ou catchup estragado, mas só consegui concluir, pelo contexto da história, que seja ferrugem. Enquanto Tim Burton não se manifestar para esclarecer, vamos continuar encarando assim e deixar por ferrugem mesmo.
Aqui entre nós, concordo com a Dona Florinda:
E enquanto todo o resto do País das Maravilhas e seus habitantes enferrujam, Alice e o Chapeleiro invadem o castelo de Espertal naquele transporte extremamente difícil de manobrar que o Tempo lhes emprestou, pegam a CronoEsfera de volta, e levam as duas Rainhas – incluindo a enferrujada – de volta ao Castelo do Tempo.
Então, perna para quem tem! Ou melhor, força nos motores da Esfera do Tempo! Finge que é o Lewis Hamilton e acelera essa bagaça aí!
Vamos resumir o Apocalipse: o cerco de ferrugem vai se fechando até eles entrarem no Castelo do Tempo. Deve ter algum dispositivo conectado a essa CronoEsfera, que faz o modo transporte desarmar sempre que atravessa uma janela, porque é quebrar a vidraça e cair no corredor, a coisa regurgita os passageiros, encolhe, e aí sim, perna para quem tem, para chegar ao centro da engenhoca e colocar a Esfera de volta antes que a ferrugem os alcance!
O que inevitavelmente acontece com todos os nossos queridos personagens. Mirana se recusa a deixar a irmã enferrujada para trás, e decide arrastá-la pelo Castelo, o que acaba por tornar sua marcha muito lenta, provocando sua paralisação; o Chapeleiro enferruja heroicamente sem largar o formigueiro; Tweedledee, Tweedledum e a trupe dos piradinhos acaba encurralada num cruzamento dos corredores, despedem-se, e são bravamente paralisados pela ferrugem.
Mas apesar de seus esforços, parece que sua máquina invencível é, na verdade, vencível, e apesar da tentativa do Tempo de dar mais tempo à Alice, não houve tempo suficiente para que ela depositasse a CronoEsfera em seu lugar, e ela acabou enferrujada a menos de cinco centímetros de seu objetivo.
Felizmente a coisinha era mais poderosa do que se imaginava. A CronoEsfera conseguiu se manter viva apesar da camada de ferrugem que a envolvia, a ponto de disparar um pequeno raiozinho, suficiente para fazer contato com a outra extremidade do dispositivo enferrujado e religar as engrenagens do Grande Relógio, dissolvendo a ferrugem do reino todo, e trazendo os personagens de volta à vida.
E ainda dá tempo de promover uma reconciliação entre as duas irmãs amantes de torta. Quando a ferrugem se dissolve, Iracebeth volta a reclamar de tudo o que deu errado em sua vida, e culpa Mirana pelo seu cabeção de balão, e a Rainha boazinha aproveita a deixa para se desculpar e confessar o quanto se arrependeu de ter mentido para a mãe sobre não ter comido as tortas, pois se tivesse dito a verdade, nada disso teria acontecido.
Tudo bem quando termina bem. Mas, na dúvida, façam o que Mirana disse: retirem todas as tortas do reino, para evitar mais confusão.
O Chapeleiro aproveita esse lindo momento família para pedir à Rainha Branca uma ajudinha para restaurar o tamanho da sua, e ela lhe dá um Altestrudel que tinha no bolso – aqueles bolinhos que fazem as crianças crescerem.

O engraçado é que o Johnny Depp deve ter mais ou menos a mesma idade que o seu pai da ficção... E provavelmente é mais velho que sua mãe, mas vamos deixar isso para lá...
Alice também aproveita esse momento das reconciliações para fazer as pazes com o Tempo, que tinha ido verificar em sua varanda ensolarada se estavam todos vivos no País das Maravilhas. Alice confessa que pensou que o Tempo fosse um ladrão, que roubava tudo o que ela amava, mas agora que o conhece, percebeu que estava errada, que ele dá antes de tomar e que cada dia, hora, minuto e segundo é um presente. Então ela entrega a ele o relógio de bolso de seu pai.
Assim resolvidos, Alice se despede do Chapeleiro – talvez para sempre; a menos que Tim Burton garimpe outro roteiro maluco da manga –, e atravessa o espelho de volta ao mundo real, com a promessa do Chapeleiro de que tornarão a se encontrar nos jardins da memória e no palácio dos sonhos.
Eu diria até loguinho, Alice. Afinal de contas, nunca se sabe...
Enfim, no mundo real, a mãe de Alice está prestes a assinar o documento que cederá o navio Maravilha para Hamish Ascot, em troca do resgate da hipoteca da casa, e Alice escolhe bem esse momento para fazer sua entrada triunfal.
Alice se lembra dos ensinamentos de seu mais novo amigo, de que não se pode mudar o passado, mas pode aprender com ele, e incentiva a mãe a assinar os papéis, afinal, o Maravilha é só um navio, e ela pode arrumar outro. Mas Helen é a única mãe que Alice tem, e não quer perdê-la.
E é quando Hamish resolve colocar seus negócios a perder tirando sarro de Alice, deduzindo que ela decidira ceder à sua pressão e trabalhar no escritório – aquela proposta indecen... digo, generosa que ele fez no início do filme. Então a Sra. Kingsleigh, ultrajada, dá graças a Deus que Alice não tenha se casado com aquele sujeitinho, rasga o documento e manda ele enfiar... na lata de lixo.
E o que Alice decide é passar a tesoura no cabelo, abrir sua própria Companhia de Exportação, e, com sorte, arruinar os Ascots em um ano. Acompanhada da mãe e do advogado desertor dos Ascots  que decidiu investir em sua empreitada, cansado da arrogância daquele sujeitinho constipado , ela aborda novamente o seu navio como capitã e parte numa nova aventura.



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