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domingo, 21 de abril de 2019

Quem Poderá Ajudar o Alma Negra?

Hoje vamos relembrar uma das sagas mais queridas – e infelizmente incompleta – do Chapolin Colorado: Os Piratas, de 1975. Além da história divertidíssima, essa saga carrega um dos maiores mistérios do programa: seu episódio final é totalmente desconhecido.
Juro que eu pretendia fazer essa postagem em fevereiro, mas aconteceram uma série de coisinhas, e o meu cronograma de postagens acabou totalmente comprometido e atrasado.
Mas, como diz o ditado: “antes tarde do que nunca”.
O termo “Perdido Mundial” foi criado para designar episódios que a Televisa não mais possui para distribuição. Isso não significa necessariamente que o episódio não possa ser “encontrado”. Como o programa foi distribuído para um sem-número de países ao redor do globo, é possível que algumas emissoras possuam cópias deles em seus arquivos. O SBT, por exemplo, possui e ainda exibe alguns episódios que não são mais distribuídos pela Televisa, sendo portanto considerados “Perdidos Mundiais”, como “Ser Pintor é Uma Questão de Talento (1976)” – o Multishow, por exemplo, somente exibiu a continuação “Pintando o Sete” –; a primeira parte da saga mais conhecida das Novas Vizinhas “Errar é Humano – Parte 1 (1978)” – que, dizem por aí, o Multishow conseguiu que fosse liberado pela emissora de Silvio Santos –, e “Com Essas Pulgas Não Se Brinca de Pula-Pula (1978)”, do Chapolin.
Em alguns casos, Perdidos Mundiais que já foram exibidos pelo SBT em algum momento nos últimos 35 anos, cujas cópias nem a emissora de Silvio Santos possui atualmente – qualquer que seja o motivo: incêndio, enchente, mofo, descaso, foi roubado pelo Duende das Meias, ou Tchuim Tchuim Tchum Claim –, podem ser encontrados no YouTube – com qualidade de imagem da Idade da Pedra –, postado por fãs que os tinham gravados em VHS. É o caso de “O Planeta Vênus (1973)”, que é a primeira versão de “Planeta Selvagem (1975)”, que por algum tempo também figurou a lista dos Episódios Perdidos que o SBT engavetou, e depois retornou à programação, sem o estardalhaço que passaram a fazer nos últimos dez anos em cima disso – porque não é de hoje que episódios desaparecem e reaparecem na emissora de Silvio Santos sem qualquer razão aparente, mas só depois que o fã clube descobriu que a internet era um bom veículo para reclamar, a emissora começou a tratar o retorno desses episódios à programação como um evento cinematográfico –, “Quem Não Tem Cão Caça Com Rato – Parte 2 (1977)”, que é a segunda parte da segunda versão da saga do Madruguinha – que não é exibida pelo SBT desde 1900 e guaraná de rolha –, e “Os Toureiros (1973)”, que é a primeira versão de “Os Toureadores”.
Mas de todos os episódios Perdidos Mundiais, nenhum desperta tanta curiosidade quanto a conclusão da saga “Os Piratas”, do Chapolin. Eu tenho uma vaga lembrança de o SBT ter exibido ao menos uma vez o segundo capítulo com a cena em que Florinda Meza faz a chamada da terceira e última parte. Tenho praticamente certeza disso, porque, embora muito se diga na internet que só se tem conhecimento da existência de um terceiro capítulo porque a cena da chamada acompanhou o desfecho do segundo episódio quando a saga foi lançada em VHS, eu estou certa de nunca ter tido contato com essa fita, e mesmo assim, me lembro de ter assistido à chamada quando era pequena.
Mas não importa. Tendo o SBT exibido isso ou não, o fato é que hoje a Televisa distribui o segundo episódio sem a chamada, e com créditos que não pertencem àquele capítulo. Alguém postou um vídeo no Youtube, comentando esse mistério, e mostrando que os créditos que acompanhavam a chamada de Florinda eram diferentes dos atuais. Considerando que a cena mostrada nos créditos geralmente tem a ver com a trama exibida no episódio, e a atual não pertence ao primeiro capítulo, tudo leva a crer que os créditos atuais do segundo capítulo pertenciam originalmente ao capítulo final. Nela, vemos uma caveira – muito semelhante àquela que apareceu em “O Tesouro do Pirata Fantasma (1975)”, que foi gravado no mesmo ano, e mais ou menos no mesmo cenário – usando o chapéu do Pirata Alma Negra. A partir disso, podemos deduzir que o pirata morreu ou foi morto no final da saga.
Podemos deduzir... Mas não temos 100% de certeza.
Em certa ocasião, Edgar Vivar comentou em entrevista a um programa de TV, como resposta ao misterioso desaparecimento de episódios de Chaves e Chapolin, que às vezes episódios eram gravados por cima de outros que já haviam sido transmitidos.
Todos sabemos que no início do programa, a Televisa disponibilizava praticamente nenhuma verba para a produção de Chaves e Chapolin – reza a lenda que Bolaños colocou dinheiro do próprio bolso para construir os cenários; talvez um dos motivos de muita coisa ter sido feita com isopor, além da praticidade nas cenas de luta e quebra-quebra; e temos como fato de conhecimento público que a maior parte dos figurinos foram trazidos pelos próprios atores; e corre uma lenda urbana que Chespirito às vezes tomava emprestados cenários e objetos de cena de outras produções da emissora, como novelas –, de modo que é realmente possível que tenham reaproveitado algumas fitas de episódios que já tivessem sido exibidos. Todavia, isso justificaria o sumiço de episódios da primeira temporada – para quem gosta de números, foram identificados ao menos doze episódios perdidos mundiais gravados ou reprisados em 1973; quando o programa se tornou independente, fora do antigo programa Chespirito, alguns episódios de 1972 foram reprisados –, e talvez da segunda – da qual são conhecidos oito episódios desaparecidos. Mas 1975 foi o terceiro ano do programa; a qualidade dos cenários e figurinos, muito superior às anteriores, dá a entender que a verba investida nas séries havia melhorado consideravelmente, e os programas já haviam se tornado relativamente conhecidos em outros países da América Latina, o que inviabilizaria a destruição de episódios já exibidos – especialmente em se tratando de continuações de sagas. Portanto, a explicação fornecida pelo ator é, neste caso, no mínimo improvável.
Outras explicações já foram especuladas por aí, como por exemplo, que a fita tenha se estragado – por descuido, armazenamento inadequado, incêndio, enchente, abdução alienígena, foi embora para Pasárgada, ou à Disneylândia com o Polegar Vermelho... Que se perdeu, sumiu, evaporou, virou fumaça, etc., etc., etc.
O mais provável é... Quem sabe...?
O fato é que nunca se localizou uma gravação caseira sequer desse episódio, nem com áudio original, ou dublado em japonês, alemão, russo, swahili, búlgaro, atlante, jupiteriano... Nada. É como se o episódio nunca tivesse sido gravado. E os atores parecem ter sido acometidos de amnésia coletiva a respeito do que pode ter sido contado no capítulo final.
Mas se o episódio nunca tivesse sido gravado, então por que Florinda fez a chamada?
E, considerando o número exorbitante de remakes produzidos em ambas as séries (Chaves e Chapolin), é pouco provável que Bolaños tenha jogado fora o roteiro do capítulo final.
Uma última hipótese que já foi levantada a respeito desse misterioso final da saga dos Piratas, é que o episódio possa ter sido censurado. Isso já aconteceu com o Chaves aqui no Brasil: durante muito tempo, o episódio “O Atropelamento (1975)” foi considerado inadequado, por causa da cena em que Chiquinha despeja esmalte de unha no rosto do Quico para fingir que ele havia sido atropelado. Na época, algum órgão responsável pela classificação indicativa do conteúdo exibido na televisão argumentou que a cena poderia incentivar crianças a brincarem com os esmaltes das mães, o que poderia ser perigoso, caso derramado próximo aos olhos de alguém. Depois que o Cartoon Network passou a exibir o episódio em 2011, o assunto parece ter sido descartado, e o próprio SBT voltou a exibi-lo, sem qualquer problema.
No caso do episódio dos Piratas, a hipótese é de que a morte de Alma Negra possa ter ocorrido de forma violenta demais para os padrões da série na época da exibição original na Televisa, e ele tenha se tornado, de algum modo, proibido. Essa hipótese levanta questões a respeito da possibilidade de a terceira parte sequer ter ido ao ar – a exibição original deveria ter ocorrido no dia 10 de Abril de 1975, mas isto é apenas um supositório (como diria o Chaves), pois, de duas uma: ou o Tele-Guía daquela semana, que poderia talvez elucidar o mistério acerca da existência ou não do episódio, ainda não foi localizado; ou ele não continha a sinopse do episódio que seria exibido no programa Chapolin Colorado daquela semana. Caso o episódio não tenha realmente ido ao ar, é possível que a emissora tenha exibido uma reprise naquele dia.
Considerando que Chapolin Colorado já exibiu diversas cenas violentas, esta hipótese parece improvável. Mas em se tratando de televisão, tudo é possível. Às vezes um mínimo detalhe – como um esmalte de unha derramado na cara – pode ter vetado a exibição do programa. “Mas, neste caso, não seria mais fácil cortar a cena e exibir o restante do capítulo?” Seria. A menos que a tal cena vetada fosse de vital importância para a compreensão da história, como o final. É claro que essa hipótese se torna controversa quando lembramos que no episódio “O Cofre do Pirata (1976)” um personagem morre – embora não cheguemos a ver a cena fatal – ao cair em sua própria armadilha. E isso também não explicaria por que Bolãnos não escreveu uma nova cena que pudesse substituir a suposta parte censurada do episódio, para que ele pudesse ser exibido em outro momento. Mas se levarmos em conta que o clima nos bastidores da série nunca foi dos melhores – já vieram à tona diversas rusgas entre os atores, e não sabemos como era o relacionamento entre os demais membros da produção –, é sempre possível que Chespirito tenha considerado mais fácil descartar o capítulo do que mexer na história.
Seja lá como for, qualquer possível explicação que alguém tente dar ao sumiço deste episódio em particular provavelmente virá cercada de controvérsias.
Foi pensando nisso, para tentar responder a essa questão intrigante, que eu fiz um levantamento hipotético da trama do capítulo final da saga dos Piratas, e acredito ter chegado bem perto da verdade.
Hoje, o Admirável Mundo Inventado trará a vocês, provavelmente, a resolução deste grande mistério: o final da saga “Os Piratas”, do Chapolin Colorado.
Mas antes de contar o fim, é preciso relembrar o começo.
Então, sigam-me os bons!



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