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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Uma Encrenca Milenar


Anos atrás, numa das minhas séries de postagens especiais de Halloween, eu resenhei o clássico filme A Múmia, de 1932, provavelmente o primeiro filme de terror com esta temática na história do cinema. O filme de hoje pode ser considerado um remake daquele clássico, embora conte uma história relativamente diferente, e não seja um filme de terror.

Inicialmente, o plano da Universal Studios era produzir um filme de terror de baixo orçamento; no entanto, inúmeras modificações durante a criação e produção do filme acabaram por transformá-lo numa aventura ao estilo Indiana Jones ambientada no Egito, e carregada de efeitos especiais “assustadoramente” reais.

Particularmente, não consigo decidir qual das duas versões é a minha preferida. O filme clássico hoje em dia não assusta mais ninguém; costumo me referir a ele como um filme de amor e morte. Este aqui pegou os melhores elementos daquele primeiro filme, e ampliou numa trama de aventura ágil, sem perder aquela nuance do Romeu e Julieta subvertido.

E mesmo não sendo um filme de terror – como a maioria dos que resenhei nos meses de outubro até hoje – teria lugar no especial de Halloween – se tivesse dado tempo –, já que é protagonizado por um dos monstros clássicos do cinema.

O fato de ser protagonizado por um dos meus atores favoritos é só um detalhe.



Egito, 1290 a.C. O sumo sacerdote Imhotep vive um romance proibido com Anck-su-Namon, a esposa favorita do Faraó Seti I. Conhecendo as punições que o Faraó pode promover caso descubra a traição, o casal planeja uma fuga no mínimo inusitada: a morte de Anck-su-Namun, e mais tarde, sua ressurreição pelas mãos de Imhotep, através de um ritual. Todavia, o romance e a traição foram descobertos antes do previsto, o que resultou no assassinato do Faraó pelo casal de amantes, e no suicídio apressado de Anck-su-Namun, para não ser capturada pelos guardas do palácio.


Pouco tempo depois, Imhotep e seus sacerdotes roubaram o cadáver da moça, e o levaram para Hamunaptra, a Cidade dos Mortos, onde Imhotep realizaria a cerimônia de ressurreição, que não chegou a ser concluída, pois o sacerdote foi capturado pelos guardas do Faraó. A alma de Anck-su-Namun foi enviada de volta ao Submundo, os sacerdotes de Imhotep foram mumificados vivos, e Imhotep sofreu uma punição sem pretendentes: condenado ao Hom Dai, o mais severo castigo egípcio, que basicamente consistia em ter sua língua cortada, ser enfaixado e enterrado vivo com escaravelhos comedores de carne dentro de seu sarcófago.

Para garantir que seu túmulo jamais seria profanado, os guardas selaram o sarcófago e o sepultaram aos pés da estátua do deus Anúbis. A localização de sua tumba foi guardada sob rigorosa vigilância por guerreiros conhecidos como Medjai por mais de três mil anos, pois, segundo a lenda, caso ele ressurgisse, toda a humanidade estaria condenada.

A história então dá um salto para 1923, e é quando conhecemos Rick O’Connell, um aventureiro americano, que liderou uma expedição da Legião Estrangeira Francesa pelo Egito, onde descobriram a localização da Cidade dos Mortos, mas seu grupo foi atacado pelos Medjai, em sua missão de proteger a tumba do sacerdote, e evitar que ele fosse despertado. Parte dos membros de sua expedição desertou no confronto, e O’Connell acabou capturado, ficando preso pelos três anos seguintes.

Mas sua sorte em breve vai mudar, e muito graças a um sujeitinho atrapalhado chamado Jonathan Carnahan, basicamente um oportunista, que conseguiu se apossar de uma das relíquias que O’Connell havia encontrado em Hamunaptra, uma intrincada caixinha de metal. Jonathan não é um especialista em antiguidades, mas sabe que sua irmã, Evelyn, uma bibliotecária do Cairo e aspirante a egiptóloga saberá reconhecer se a peça tem algum valor. Especialmente, se tem algum valor secreto, tipo um mapa para um tesouro.

Hamunaptra é uma lenda bem conhecida no Egito, mas até então era desconhecido se ela realmente havia existido, ou se era meramente parte do folclore local. Supostamente, a Cidade fora projetada de modo que desaparecesse nas areias do deserto ao primeiro comando do Faraó. Todavia, se fosse real, de acordo com a lenda, a Cidade também guardaria a maior parte das riquezas do Antigo Egito. E foi esta possibilidade que levou Jonathan a procurar os conhecimentos da irmã para descobrir se a caixinha poderia ser parte de um quebra-cabeças muito maior.

Aliás, vamos apresentar devidamente esta moça, que será uma das personagens centrais desta história. Com vocês, Evelyn Carnahan, uma mulher intrépida, inteligente, muito bem resolvida, poliglota, uma exímia conhecedora da História do Egito...


... e só um tantinho desastrada.


Calma, Seu Terrence Bay, não precisa exagerar. A moça só derrubou todas as estantes da biblioteca, embaralhou todos os livros no chão e promoveu em dez segundos uma bagunça que vocês levarão meses para arrumar...

E, verdade seja dita, essa moça é a única pessoa num raio de mil e seiscentos quilômetros capaz de catalogar organizadamente esta biblioteca. Ainda que a organização neste exato minuto esteja muito longe da ideal...

Seja lá como for, Evelyn, a Srta. Catástrofe já andou se candidatando a uma vaga para trabalhar como egiptóloga numa Universidade, mas os Doutores de Bembridge aparentemente não estão convencidos de sua capacidade ou de seus conhecimentos no assunto. Azar o deles, como ela provará ao longo do filme.

Foi enquanto ela tomava esporro por ter causado aquele efeito dominó nas estantes da biblioteca que Jonathan apareceu para lhe mostrar a caixinha.


Ao ter a confirmação de que a caixinha pode realmente fazer parte de um mapa para Hamunaptra, Jonathan revela que a roubou de um aventureiro americano que atualmente encontra-se na prisão. Os dois se apressam em visitar o sujeito, para que ele conte a localização da Cidade, mas o homem tem outras prioridades no momento.


Porque afinal de contas, ele não leva vantagem nenhuma contando tudo timtim por timtim para os dois estranhos minutos antes de ser enforcado. E como reconheceu que a moça “dá pro gasto”, partiu logo para uma apresentação mais marcante, e a sugestão de que salvem sua vida para que os guie pelo deserto pessoalmente.

E como estamos falando dos anos 1920, quando era raro um homem tomar esse tipo de liberdade com uma moça – pelo menos em público –, Evelyn ficou toda mexida com a bitoca do bonitão, e correu para tentar comprar sua liberdade com o mercador de escravos Gad Hassan, um sujeitinho ligeiramente burro que aparentemente não presta muita atenção nos números.


E tudo isso enquanto O’Connell estava pendurado pelo pescoço, a segundos de morrer sufocado, já que o pescoço não quebrou quando baixaram o alçapão do patíbulo.

Por sorte, a negociação foi concluída a tempo de salvar o bonitão, que logo depois de ter sido libertado foi ao barbeiro, cortou o cabelo, fez a barba, tomou um belo de um banho e compareceu belo e apresentável ao porto de Gizé, no Cairo de onde partiria o barco que os levaria através do Rio Nilo pelas terras do Egito até os arredores da Cidade dos Mortos.

No caminho, Evelyn mal consegue se concentrar nos estudos, pensando naquele beijo. Pelo menos até o barco ser atacado e incendiado por beduínos.

Porque o grupo formado por O’Connell, Evy, Jonathan e Hassan não era o único a caminho de Hamunaptra. A bordo do barco, eles também se depararam com uma expedição americana, liderada pelo famoso egiptólogo britânico Dr. Allen Chamberlain e guiada por Beni Gabor, um covarde que desertou assim que a coisa ficou preta para o lado de O’Connell em sua primeira expedição – isso, um minuto depois de ter dito que não fugiria por nada no mundo. Um sujeitinho bem filho da mãe esse Beni.

Durante esse segundo ataque, O’Connell salvou Evy quando um dos beduínos invadiu a cabine dela, ela o salvou de tomar um tiro, e ele retribuiu jogando-a no rio.


Resumo da ópera: todo mundo abandonou o barco, e decidiu nadar até a margem do rio, com o pouco que conseguiram resgatar da bagagem enquanto o barco era atacado, e meia dúzia de cavalos. Mas nenhum deles ficou com o grupo de O’Connell.


De algum modo os dois grupos acabaram encontrando o caminho para Hamunaptra, mas O’Connell teve algumas horas de vantagem, que lhe permitiu comprar camelos, enquanto Evy comprava uma roupa, já que ela foi lançada ao mar – ou melhor, ao rio – de camisola.

Também foi ela quem posicionou os espelhos antigos acima da entrada da caverna, para capturar o sol, e iluminar o lugar.


A primeira câmara que eles conhecem é a sala preparatória para a outra vida, onde os egípcios mumificavam os mortos. Ou seja, esse local não interessa em nada aos caçadores de tesouros. Mas ao tentar ir mais fundo no templo, nossos amigos acabam esbarrando no grupo de Beni, que conseguiu dar a volta e chegar a Hamunaptra pouco depois deles. E como estão em maior número, os americanos tentam expulsar nossos heróis da Cidade dos Mortos. Nada que uma mulher determinada – que acaba de perceber que há lugares mais interessantes para explorar – não possa resolver no diálogo.


Assim resolvidos, nossos heróis descem à câmara inferior, onde descobrem um sarcófago enterrado aos pés da estátua de Anúbis.


Você não tem ideia de como chutou perto, Rick.

Não sei vocês, mas eu deixaria os mortos descansarem em paz. Já os nossos amigos preferiram abrir o sarcófago para descobrir o que havia dentro.


O curioso é que a Múmia tinha mais de três mil anos, e parecia ainda estar se decompondo. Isso acabou levando nossos heróis a examinarem mais atentamente o sarcófago, e descobrir marcas de arranhões no lado de dentro da tampa, o que indica que o nosso amigo foi enterrado vivo.


Como não havia nada de valor dentro do caixão, e nossos heróis estavam em busca do Livro de Ouro de Amon-Rá, eles rapidamente deixaram a múmia de lado e partiram para outra escavação.
Enquanto eles brincavam com o defunto, o mercador de escravos que os acompanhava nessa expedição decidiu explorar sozinho o templo em busca de  alguma coisa valiosa, e não demorou a encontrar escaravelhos que pareciam ter sido esculpidos em alguma pedra meio preciosa, mas quando começou a recolhê-los em sua bolsa, um deles caiu no chão, ganhou vida, entrou pelo sapato e foi subindo pelo corpo para comer seus miolos.


Para se livrar da agonia, Hassan saiu correndo pelo templo, até bater a cabeça numa parede. Que nem galinha degolada. E ele foi apenas o primeiro de uma longa lista de mortos nessa expedição.
E já que o sujeito fez a passagem, Jonathan não viu problema em se apropriar da bolsa dele, e espoliar seus pertences.


 

E ele está bebendo no gargalo de uma garrafa quebrada. Não tem medo de engolir caco de vidro, pelo visto.
Aliás, todo mundo decidiu encher a cara com aquele uísque. Evelyn ficou tão bêbada que nem conseguia organizar uma frase.


Valeu pelo esclarecimento, moça. E sabemos que, se Evelyn não for exatamente intrépida, ainda assim ela se orgulha de ser a melhor bibliotecária da região. E só não tomou a iniciativa de reprisar o beijo com O’Connell, porque o uísque pesou legal em sua cabeça, fazendo-a cair no sono nos braços do bonitão.


Os americanos também tiveram baixas naquele dia. Os três escavadores que abriram a tampa de uma grande arca na base de Anúbis literalmente derreteram, graças ao sal ácido pressurizado, uma armadilha antiga que os egípcios plantaram na arca para evitar saqueadores.
Pelo menos ninguém botou a mão nos escaravelhos que Hassan tinha recolhido naquela bolsinha. Mas Evy encontrou alguns mortos no caixão do “seu amigo”. Escaravelhos carnívoros que foram colocados no sarcófago para comer a carne do cadáver bem lentamente. Infelizmente, o condenado ainda estava vivo quando começaram a comê-lo. Essa informação levou nossa aspirante a egiptóloga a fazer importantes deduções a respeito de seu novo amigo. Segundo ela, aparentemente o fulano sofreu o Hom Dai, o mais severo castigo egípcio, reservado apenas aos piores hereges. Em sua pesquisa ela nunca soube da realização desse castigo, pois os egípcios tinham muito medo, porque, segundo a lenda, se a vítima do Hom Dai algum dia ressuscitasse, traria consigo as dez pragas do Egito.
Como não acredita em maldições, Evy aproveita a distração dos americanos para roubar o Livro Negro que eles resgataram de outra arca enterrada na base de Anúbis – uma que não tinha armadilha, mas apenas um aviso a respeito do homem que foi sepultado naquele local, que, caso ressuscitasse, levaria a morte a quem abrisse aquela arca. Curiosamente, foi nessa arca que encontraram as únicas peças aparentemente valiosas do templo até aquele momento: um conjunto de vasos contendo os órgãos preservados de Anck-su-Namun. E claro, o Livro, a única peça que o egiptólogo Chamberlain quis para si.
Naturalmente, aquele não era o Livro de Amon-Rá, feito de ouro maciço, mas o Livro dos Mortos, que Evy estava doida para ler desde que o viu na mão do egiptólogo. E já que estava de posse da chave para abrir o Livro – a caixinha que Jonathan tinha afanado de O’Connell no começo do filme, e que eles descobriram que se abre em lâminas de metal que se encaixam perfeitamente em todas as trancas do templo e também do Livro –, ela o afanou na calada da noite para dar uma espiada.


Exceto...


Ou seja: lascou! Acordaram a Múmia que pode trazer o fim do mundo. E agora, quem poderá defende-los?
Desta vez, o Chapolin está fora da área de cobertura. Vão ter que se virar com esse monstro sozinhos.


Estão lembrados da profecia sobre as dez pragas? Primeiro vêm os gafanhotos, para espantar todo mundo do acampamento. Daí eles entram no templo para se esconder dos insetos, e acabam perseguidos por milhares de escaravelhos. O’Connell e Jonathan pulam numa espécie de altar de sacrifício para sair do caminho dos bichos, e não veem quando Evelyn se encosta com força demais numa parede, sem saber que ali havia uma passagem secreta, e acaba se perdendo dos outros. Felizmente, ela logo se depara com o Sr. Burns, um dos americanos do outro grupo. O problema é que o homem está um pouquinho diferente do que ela se lembrava.


Esse cidadão, coitado, tropicou na corrida, perdeu os óculos, aí veio o Beni desembestado, e pisou neles para acabar de quebrar. E como o sujeito é cego que nem um morcego – se não me engano, a expressão é equivocada, porque os morcegos enxergam bem à beça –, não conseguiu sair do lugar, e acabou sendo atacado pela Múmia morta-viva, que arrancou seus dois olhos e sua língua para começar a se regenerar.
E o pior é que a dita-cuja continuava na área, pronta para demonstrar que a regeneração não melhorava em nada a miopia do cara que foi sugado, porque foi bater os olhos na Evy, ele a confundiu com sua amada Anck-su-Namun.


Mas que pretendente que foram arrumar para essa moça, hein! E isso lá é concorrência pro Brendan Fraser?!
Aliás, ao ver sua garota sendo paquerada pelo bicho feio, o bonitão meteu uma bala no meio das tripas do cidadão.
E aí perna pra quem tem!
Claro que ele não matou a Múmia. Segundo os Medjai, nenhuma arma mortal podia matá-la. Ou seja, precisam encontrar uma arma imortal.
Só que O’Connell não quer se envolver nessa história, afinal de contas, se Evy quis bancar a curiosa e acabou acidentalmente despertando um mal ancestral, não é problema seu, e seu contrato dizia que ele devia levá-la a Hamunaptra e trazê-la de volta ao Cairo em segurança, o que ele já fez; salvar o mundo não estava no programa.
Mas ela se sente culpada, e está determinada a resolver essa encrenca.
Para garantir que ela não fará nenhuma bobagem, O’Connell a tranca no quarto de hotel, e deixa os dois paspalhos que estão sendo caçados pelo monstro montando guarda. Muito esperto, Rick...


E mais pragas vão se manifestando: naquela noite as águas do Egito se tornam sangue, começa a chover fogo do céu, e a lua se interpõe diante do sol, cobrindo as terras do Egito de trevas.
Isso, porque a Múmia está apenas começando a se regenerar. Até o momento, dos quatro azarados que abriram a arca com o aviso, e saquearam os jarros de vísceras, ele só absorveu os fluidos de um: o Sr. Burns, que depois de ter os olhos e a língua arrancados, teve a infelicidade de hospedar o “Príncipe” em sua toca. Uma tramoia do safado do Beni.


Antes de deixarem a Cidade dos Mortos, Beni foi encurralado pela Múmia, e começou a rezar para todos os santos e deuses de todas as partes do mundo. O safado é um tipo raro de puxa-saco, que carrega talismãs de todas as religiões da Terra pendurados no pescoço, para o caso de alguma necessidade. O santo que estiver de plantão que atenda, seja ele qual for. Ao se deparar com aquele perigo mortal, ele começou a rezar primeiro com um crucifixo cristão, depois com uma Espada Islâmica unida a uma Lua Crescente, um medalhão hindu de Brahma, uma pequena estátua de Bodhisattva budista, e depois com uma estrela de Davi, símbolo judaico, e para sua sorte, Imhotep reconheceu a língua dos escravos e percebeu que aquele cidadão podia ser muito mais útil como seu servo do que como refeição.
Não que Beni tenha corrido algum perigo nesse sentido, pois ele foi o primeiro a correr, assim que o egiptólogo começou a traduzir o aviso inscrito na tampa da arca proibida.


E depois de se aliar à Múmia, o filho da mãe o levou direto às vítimas que ele precisava, para que terminasse de se regenerar e cumprisse seu propósito sombrio, que consistia basicamente em terminar o que começou três mil anos atrás: realizar o ritual para ressuscitar sua amada Anck-su-Namun.
E para este feito ele já havia escolhido a vítima para ser sacrificada: Evy, a quem ele acordou com um beijo no quarto de hotel.


Por que Imhotep tem medo de gatos? Essa pergunta é respondida pelo nosso já conhecido Terrence Bay, para quem Evy trabalha, e que agora descobrimos ser um dos líderes dos Medjai. Os gatos são guardiões do Submundo, mas Imhotep só os temerá enquanto se regenera; depois não temerá mais nada.
Por hora, precisam garantir a segurança dos homens que abriram a arca, pois são os fluidos deles que poderão ser absorvidos pela Múmia. Mas como já era de se imaginar, nenhum deles conseguirá escapar.
Depois que os três exploradores americanos e o egiptólogo foram sugados pela Criatura, que recuperou os jarros com os órgãos de sua amada, Imhotep promoveu uma espécie de apocalipse zumbi, hipnotizando os cidadãos do Cairo para que perseguissem nossos amigos, enquanto Evelyn tentava decifrar os hieróglifos no Museu do Cairo, para entender o que levou os Doutores de Bembridge a trocarem as bolas, pois, segundo eles, o Livro de Ouro de Amon-Rá deveria estar enterrado na estátua de Anúbis, onde eles encontraram o Livro Negro dos Mortos. E é importante encontrar o outro Livro agora, pois, além de ser feito de ouro maciço, e portanto valer um dinheirão, ele provavelmente contém a inscrição do feitiço que poderá enviar o sumo-sacerdote Imhotep de volta ao Reino dos Mortos.


Pergunta: porque não sepultaram o Livro de Amon-Rá no templo de Amon ou de Rá? Faria muito mais sentido...
Mas, pelo bom andamento do roteiro, vamos deixar essa questão de lado.
Porque depois de terem conseguido sair do prédio, e de Jonathan ter se fingido de zumbi para não levar tapa, nossos heróis protagonizaram uma corrida pelas ruas do Cairo, num carro conversível abarrotado com cinco pessoas, quatrocentos zumbis e novecentas armas em cima.
Finalmente, foram todos cercados na rua, facilitando a captura de Evelyn, que acabou concordando em ir para Hamunaptra com a Criatura, em troca de que a vida de seus amigos fosse poupada; mas Imhotep voltou atrás em sua palavra assim que virou as costas levando a moça, permitindo que a turba de zumbis desse cabo dos nossos heróis, que só escaparam porque O’Connell descobriu uma passagem para os esgotos, e Terrence Bay se sacrificou para lhes dar fuga.


Dada a pressa de retornarem à Hamunaptra, O’Connell freta o avião do Capitão Winston Havlock, membro da Força Aérea Britânica, que infelizmente não possui assentos suficientes para todos, de modo que Jonathan e Ardeth Bay acabam tendo que viajar agarrados às asas – uma acomodação nada confortável, principalmente quando a Múmia levanta as areias do deserto para engoli-los. E só não conseguiu porque nossa mocinha já tinha perdido o medo do monstro, e não viu problema nenhum em tascar um beijo em Imhotep, para interromper sua concentração.


A propósito de viagens desconfortáveis, Evy está toda descabelada, porque Imhotep a carregou com Beni através do deserto numa espécie de tempestade de areia.
A manobra do beijo salvou a vida de seus amigos, mas infelizmente, o avião se estabacou na areia, provocando a morte do piloto, que ainda foi engolido com avião e tudo pela areia movediça. Pelo menos, não precisaram se preocupar com o enterro.
Resta agora aos nossos heróis apostarem corrida com a Múmia para retornar à Cidade dos Mortos – corrida esta que Imhotep vence com folga. E enquanto ele prende a mocinha na mesa de sacrifício ao lado da Múmia de Anck-su-Namun, e convoca seus sacerdotes mumificados para ajudá-lo no ritual que trará sua amada princesa de volta do Submundo, e para limpar a área dos intrusos, e Evy se queixa de que os Doutores de Bembridge nunca lhe falaram sobre nada disso, nossos heróis encontram a câmara do tesouro, e desenterram o Livro de Ouro de Amon-Rá, que estava exatamente onde Evy disse que estaria, embaixo da estátua de Hórus. Mas bem nesse momento, as múmias brotam do chão para atacá-los.
Daí, perna para quem tem!
De novo!
Ardeth fica para trás, lutando com as múmias, para que O’Connell e Jonathan possam salvar Evy e matar a Criatura.
E enquanto isso, Beni abastece os camelos com os tesouros roubados de Hamunaptra.
Mas falaremos dele daqui a pouco. Porque Imhotep já iniciou o ritual, e a alma de Anck-su-Namun já emergiu do Rio dos Mortos e encontrou o corpo mumificado da Princesa. Mas sua ressurreição só estará completa quando Evy for sacrificada. O que, lógico, não será tarefa fácil de realizar, porque os salvadores dela já chegaram ao recinto, para arrancar a adaga da mão de Imhotep na porrada.
É agora que o pau vai comer!
Rick invade a câmara sagrada virado no Jiraya, brandindo uma espada para cima do monstro. Evy consegue se livrar das amarras, mas a múmia mais ou menos ressuscitada de Anck-su-Namun parte para cima dela na maior violência. Enquanto isso, ela consegue informar seu irmão de que a chave para abrir o Livro de Ouro está na túnica de Imhotep.


Num primeiro momento, a única coisa que Jonathan pôde fazer foi ler a inscrição na capa do Livro, que trouxe à vida um novo exército de sacerdotes mumificados, que mal ressuscitaram, também partiram para cima de Rick.


Mas até que ele conseguisse entender todos os hieróglifos, Rick já tinha sentado porrada em meia dúzia de múmias, usado a mão cortada de uma delas para recuperar a espada de ouro com a qual estava lutando, cortado os pés de uma múmia que tinha apanhado uma pedra enorme para tacar em cima dele, fazendo-a tombar e ser esmagada pela própria armadilha.
Então, finalmente, depois de muita pancadaria, Jonathan só não estava conseguindo entender o último símbolo, uma espécie de ave ou cegonha, que Evy teve que traduzir enquanto tentava não ser esfaqueada pela múmia revoltada da Anck-su-Namun.


Na verdade, não faz, não, Jonathan. Amenófis era o nome grego do Faraó Amenhotep, portanto é no mínimo esquisito que essa tradução sirva para conjurar um feitiço egípcio.
Mas enfim, facilita a pronúncia, cabe no roteiro, e evita confusão no entendimento do público entre a múmia de Imhotep e o nome de Amenhotep aparecendo num feitiço na reta final do filme.
Finalmente, Jonathan consegue recitar o feitiço, e controlar as múmias para que parem de atacar seu futuro cunhado, e passem a faca na Anck-su-Namun, que mal terminou de ressuscitar, e já foi mais uma vez assassinada pelas múmias.
Mas a batalha ainda não acabou. Enquanto Imhotep lamenta e depois tenta matar Rick, Jonathan usa suas habilidades de trombadinha, e consegue recuperar a chave para abrir o Livro, permitindo que Evy procure o encantamento que poderá enviar Imhotep de volta ao Reino dos Mortos.


A respeito da transcrição do feitiço, porque eu fiz aqui e não lá atrás, quando Evy ressuscitou a Criatura: eu consegui encontrar o script original do filme na internet, e lá havia a transcrição deste feitiço, mas do outro não. E como eu não falo egípcio nem copta – aliás, se algum leitor do blog for fluente numa dessas línguas e quiser nos brindar com a inscrição correta do feitiço, sua contribuição será muito bem vinda, e seu nome ficará para sempre imortalizado nos anais do blog –, achei melhor não aderir ao chutômetro. Creio que tem algo a ver com Akh (alma), Ib (coração), Thoth (a deidade egípcia que supostamente escreveu o Livro dos Mortos), ou algo do gênero.
Retomando...
A partir daí é tranquilo: Imhotep mortalmente ferido pela espada de Rick se atira no Rio dos Mortos e volta a se transformar em poeira. O drama começa quando Beni, que estava aproveitando a confusão para saquear o templo – na verdade, pegando a montanha de ouro prometida por Imhotep em troca de seus serviços –, aciona sem querer querendo uma armadilha, que começa a fechar todas as passagens. Então, mais uma vez – e eu já perdi a conta de quantas foram nesse filme –, perna pra quem tem!

 

Acontece que Beni, mesmo deixando o saco de joias para trás, não conseguiu sair a tempo. E para piorar, ele ainda foi cercado por escaravelhos carnívoros. Nem sei o que o matou primeiro, os bichos ou a falta de oxigênio, já que o fogo de sua tocha consumiu tudo rapidamente, deixando-o para morrer devorado ou asfixiado no escuro.
Nossos heróis, por outro lado, conseguiram sair do templo antes que a Cidade dos Mortos fosse tragada pela areia do deserto – mesmo que no caminho, Jonathan tenha tropeçado e deixado o Livro de Ouro cair no Rio dos Mortos, para desespero de Evy. E ainda receberam os cumprimentos de Ardeth Bay, o líder dos Medjai, que lhes agradeceu por terem resolvido a encrenca que eles mesmos começaram, e por salvarem o mundo da maldição da Múmia.


Carinha simpático, né?
Pelo menos nossos amigos ficaram com um par de camelos, e Rick ganhou o coração de sua bela donzela em perigo. Afinal, não saíram sem lucro desta aventura.


Realmente, não saíram de mãos abanando. E sabemos que eles ainda viverão outras aventuras pelas terras do Egito. Mas disso falaremos em outra oportunidade.

Algumas curiosidades sobre o filme:
Historicamente, o filme faz uma salada com personagens do Egito Antigo. Por exemplo:
* Seti I era o pai de Ramsés II, ambos faraós da 19° Dinastia (século XIII a.C.).
* Anck-su-Namun, a amada de Imhotep foi inspirada em Anchesenamon, terceira das seis filhas do faraó herege Aquenáton, da 18° Dinastia (século XIV a.C.), e Grande Esposa Real do faraó Tutancâmon, seu irmão – ou meio-irmão, segundo alguns egiptólogos.
Na sequência deste filme, O Retorno da Múmia, foi revelado que Evelyn era a reencarnação de Nefertiti, que nesta versão era filha de Seti I. Na realidade, Nefertiti foi a Grande Esposa Real de Aquenáton, e mãe de Anchesenamon.
* Imhotep também foi o nome de uma figura real do Antigo Egito, esta ainda mais antiga do que as já mencionadas. Imhotep teria sido vizir do faraó Djoser, que governou o Egito durante a 3° Dinastia (século XXVII a.C.), e sumo-sacerdote do deus-sol Rá. Imhotep é considerado o primeiro arquiteto, engenheiro e médico da História Antiga, embora a História registre outros dois médicos egípcios que foram seus contemporâneos. A ele é atribuído o projeto de construção da primeira pirâmide egípcia, a pirâmide de Sacara.
Apesar destas coincidências, todos os personagens do filme, naturalmente, são figuras meramente ficcionais.
E ainda:
* Hamunaptra, a cidade fictícia onde acontece a maior parte das aventuras do filme, nunca existiu. No entanto, o nome apareceu em outro filme alguns anos antes: O Enigma da Pirâmide, de 1985, em que o, então, estudante Sherlock Holmes investiga o trabalho de uma seita com este nome, encabeçada por Moriarty – que viria a se tornar arqui-inimigo do detetive –, que tem assassinado pessoas através de dardos alucinógenos, criados a partir de uma toxina egípcia, e tem como objetivo a dominação do mundo.
* Quando Imhotep reconheceu a língua dos escravos na oração de Beni, ele claramente se referia aos Hebreus, que foram escravos no Egito até meados do século XV a. C.. Considerando a salada feita com os personagens no filme, a escravidão dos Hebreus teria ocorrido cerca de onze séculos após a morte do Imhotep real, e terminado um século antes de Anchesenamon e dois séculos antes de Seti I. Como Imhotep reconheceu a língua, ou mesmo tomou conhecimento da existência desse povo, só o roteirista saberia responder. Isso, se estivéssemos falando da figura [Imhotep] real.
E antes que alguém comente a respeito: sim, Seti I foi o pai de Ramsés II, que na novela da Record – e no filme de Cecil B. DeMille – foi apontado como Faraó do Êxodo; mas historicamente, a saída dos Hebreus do Egito ocorreu cerca de cento e cinquenta anos antes do nascimento de Ramsés II. O cinema atribuiu ao reinado dele a história bíblica simplesmente porque ele é, nos dias atuais, um dos Faraós mais conhecidos do Antigo Egito, e talvez o que teve a história e o reinado mais bem documentados – algo raro no Egito Antigo.
Sim, Admirável Mundo Inventado também é cultura! (Ainda que inútil).
* E um fato bastante curioso: o papel de Rick O’Connell chegou a ser oferecido ao Tom Cruise, que protagonizou o remake mais recente de A Múmia, em 2017 – um fracasso de bilheteria, mas o filme não chega a ser ruim.



21 comentários:

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