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Desafio #30: Ele Se Chama Poesia

em sábado, 30 de junho de 2018

De todos os gêneros literários, o único que me dá certa preguiça é poesia. Nada contra o gênero, propriamente. Eu gosto de poesia, mas isso para mim é como cerveja: tenho que consumir com moderação. Ler um livro inteiro só com poemas nunca fez a minha cabeça.
Tudo bem que poesia não precisa necessariamente ser romântica. Já até mencionei aqui que meus poemas favoritos são A Árvore Envenenada, de William Blake – que está muito longe de falar de amor – e O Corvo, de Edgar Allan Poe – que é meio triste, na verdade. Ok, vamos incluir aí na conta Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes, uma lírica de Camões que teve um trecho citado por Selton Mello no filme Lisbela e o Prisioneiro – e que não tem título, exatamente –, outra de Camões que traz uma bonita definição sobre o amor (“Amor é fogo que arde sem se ver | É ferida que dói, e não se sente...”), e O Amor, de Fernando Pessoa. Para citar alguns poemas de amor que eu realmente gosto. Mas ler um livro inteiro recheado de versos melosos de uma vez só, são outros quinhentos.
Pelo menos, até eu esbarrar totalmente por acaso com Eu Me Chamo Antonio, de Pedro Gabriel.
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A Mitologia da Maçã

em sábado, 26 de agosto de 2017


Com a licencinha da nossa querida e estimada Rainha Má, não teria como iniciar este artigo sem fazer alusão à história da bela princesa odiada pela madrasta. Afinal, seu conto também faz parte desta mitologia.
A tradição da maçã como fruto amaldiçoado vem de tempos muito remotos e está em toda parte.
Há séculos a maçã é associada ao fruto proibido, provado por Adão e Eva no Jardim do Éden, da única árvore da qual eles não tinham permissão para comer, e, como resultado de sua desobediência, o casal foi expulso do jardim, e fadado a carregar para sempre o peso do pecado original, que trouxe a morte à humanidade.
Apesar de tradicionalmente ser associada à maçã, é pouco provável que a árvore do meio do Jardim do Éden, que prometia a quem dela comesse, o conhecimento do bem e do mal, desse este fruto. A maçã não era conhecida no Oriente Médio até a conquista da Pérsia pelos gregos, na época de Alexandre, O Grande, quando diversos elementos da cultura e agricultura europeia foram introduzidos lá. De fato, o mito de que seria a maçã o fruto proibido do Éden somente surgiu na Idade Média, na Europa Ocidental, onde as maçãs cresciam em abundância. Diversas frutas mais comuns no Oriente Médio já foram apontadas como fruto proibido em diferentes momentos da história, como o figo – um fruto que chega a lembrar um coração humano, e foi inclusive o fruto escolhido por Michelangelo ao retratar a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal no teto da Capela Sistina, talvez inspirado pela sequência do texto, em que Adão e Eva utilizaram folhas de figueira para cobrir sua nudez –, a pera – tida como pecaminosa ou como símbolo de imortalidade em diversas culturas –, e a romã – um fruto vermelho e suculento, que, por causa de seu elevado número de sementes, é tido como um símbolo de fertilidade.
Mas então, de onde surgiu a ideia de que o fruto proibido seria a maçã?
Talvez, por se tratar de um fruto belo e apetitoso, que quando bem maduro é muito vermelho – uma cor geralmente associada ao pecado –, talvez porque seu formato lembre o desenho de um coração romântico, ou talvez por seu sabor delicioso – não se conhece muitas pessoas que não goste de maçãs...
O fato é que a maçã tem sido frequentemente associada à lendas, mitologias e divindades desde a antiguidade, e em diferentes lugares do mundo.
Vejamos algumas dessas histórias:
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ConVersando Sobre Amor

em segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ah, o amor... Não há nada mais belo no mundo, nenhum sentimento mais nobre. O amor que inspira os poetas, faz suspirar as donzelas, apanha corações desprevenidos, e faz a vida, de repente, mudar de foco.
O amor foi sempre o tema favorito da literatura, desde os tempos mais remotos, mesmo quando este não era o motivo principal dos enlaces. Mas nenhum gênero literário explorou tanto este sentimento tão nobre e tão traiçoeiro quanto a poesia.
E como hoje é dia dos namorados, nada mais apropriado que nos deliciar com cinco belos poemas de amor. Porque, de vez em quando, vale a pena ser piegas.

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Ode à Primavera

em quinta-feira, 22 de setembro de 2016



A chegada da primavera remete tantos sentimentos bons, tanta beleza, tanta poesia... E em se tratando de poesia, ninguém jamais retratou a primavera com tanta delicadeza quanto ela: Cecília Meireles.

“Aprendi com a primavera a me deixar cortar e a voltar sempre inteira”.

Uma frase que me encantou ao primeiro contato, e que traz uma reflexão profunda sobre a maneira como devemos encarar os dissabores da vida.

Bem, o poema que trago a vocês hoje não é o que contém esta frase; mas é uma ode à primavera, que sempre me encanta.


Com vocês, Cecília Meireles:



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Não Toque o Fruto Desta Árvore!

em quinta-feira, 15 de maio de 2014



São raríssimos os poemas que me agradam, confesso. Os românticos, principalmente, são os que mais me custam ler (e sobretudo escrever!), com exceção de dois ou três de Vinícius de Moraes, Luís de Camões e Cecília Meireles.

Mas às vezes algum poema de outro tema acaba me chamando atenção.

Tenho visto muitas publicações de novos poetas espalhados pela web que fariam cair o queixo dos renomados, mas o que vou citar agora é um clássico.

Publicado em 1794, na antologia “Canções da Inocência e da Experiência”, o trabalho mais conhecido de William Blake, que revela dois estados contrários da alma humana, este poema é a metáfora perfeita ao veneno que pode ser cultivado na alma do homem:


A ÁRVORE ENVENENADA
[William Blake]

Sentia raiva de um companheiro
Confessei o ódio, o ódio se foi inteiro.
Sentia raiva de um inimigo
Fiquei calado, o ódio vi crescido.
E o reguei de alma sombria
Com meu pranto noite e dia
E escondido sob sorrisos gentis
E com corteses, enganosos ardis.
E cresceu noite e manhã
Até florescer luzente maçã
Ao ver o brilho que ela tinha
O inimigo sabia que era minha

E foi ao meu jardim roubar
Quando a noite velou o pomar
Bem cedo vi, com agrado
O inimigo sob a árvore estirado

(Traduzido por: Talita Vasconcelos)

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NEVERMORE

em sexta-feira, 4 de outubro de 2013



Para abrir o tradicional mês de Halloween aqui no blog escolhi falar sobre, talvez o mais magnífico trabalho deste mestre do macabro, de quem já falei anteriormente, com seu conto igualmente fascinante e assombroso O Coração Delator. Desta vez falarei do poema que é ícone do próprio autor, tendo sido escolhido inclusive para intitular o filme mais recente, embora ficcional, sobre a história deste escritor.




O Corvo, o consagrado poema de Edgar Allan Poe, por vezes aceito como alcunha do próprio escritor.

Em versos e estrofes longas, Edgar Allan Poe conta a história de um homem atormentado pela dor da perda de sua amada, referida no poema simplesmente como “Lenora”. Enquanto busca distrair-se de seu pesar estudando textos antigos, o homem recebe a visita de um Corvo no meio da noite. A ave invade sua casa e pousa sobre um busto de Minerva (a deusa romana, também identificada como a Atena grega), e ali fica, repetindo seu refrão – ou epitáfio, como sugere o poeta, em sinal de uma sentença irrevogável para si mesmo – “nunca mais”.

Estas palavras tornaram-se a marca da história, sendo repetidas ao final de cada estrofe, como uma assinatura funesta à sentença a qual o próprio poeta condenou sua alma.

O Corvo representa a alma daquele homem, uma sombra fúnebre e agourenta, mortalmente atrelada à saudade e ao luto por Lenora.

Em resposta às perguntas do poeta – se dirigidas propriamente à ave ou à sua própria alma machucada, não importa, admitindo que ambas são provavelmente a mesma coisa –, o Corvo afirma que a saudade e a dor não lhe abandonarão “nunca mais”. E nem mesmo a esperança de reencontrar Lenora no Paraíso ele deve alimentar, pois a tristeza que o tortura também não achará alívio “nunca mais”.

Na última estrofe o autor afirma que o Corvo permaneceu para sempre inerte em seus umbrais; e que na sombra projetada pela ave no tapete está presa a sua própria alma, de onde não se erguerá “nunca mais”. Os umbrais a que se refere o poeta são os umbrais de seu coração, para sempre sombreados pela dor da ausência de Lenora. Nesta última estrofe ele atesta sua amargura, e sua desesperança de que um dia possa se recuperar da morte da amada.



Famoso por suas obras que envolvem o leitor num terror psicológico, com personagens que oscilam na linha tênue entre loucura e lucidez, Edgar Allan Poe nos dá um retrato ao mesmo tempo belo e grotesco da dor mais profunda e desumana que atormenta a alma do homem: o luto.

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