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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Quem Deu o Habeas Corpus Para a Bruxa? – O Sexto Não Tem Sentido



Por Talita Vasconcelos
A Mina dos Monstros – Transcrição da peça
ATO I
Interior. Castelo do Drácula, Transilvânia. Noite.

NARRADOR (VOICE-OVER): Numa noite de lua cheia...

Drácula está descendo as escadas com uma mulher vestida de noiva desacordada em seus braços.

NARRADOR (VOICE-OVER): O vampiro traz a linda donzela, raptada a caminho do altar, para dentro de seu castelo. Mas se esta for sua noite de núpcias, erraram o caminho da alcova...

O vampiro a deita num divã no meio da sala empoeirada, e acaricia seu rosto pálido, parecendo muito feliz com o sucesso de sua empreitada.

DRÁCULA: Mina... Doce Mina... Finalmente será minha, Mina...

ALTO-FALANTES:
♪ Minha mina, minha amiga, minha namorada! Minha gata, minha sina do meu condomínio... ♪

NARRADOR (VOICE-OVER): Desculpa aí, pessoal, música errada. Hehe.

Alto-falantes passam a tocar uma trilha sonora de filme de terror antigo.
A noiva de Drácula surge de uma porta aberta ao fundo, vestida com uma camisola de cetim branco.

NOIVA DE DRÁCULA: Que maravilha! Você trouxe o jantar! Estou morrendo de fome. Já ia pedir uma pizza: calabresa sanguinolenta e sem alho.
DRÁCULA: Quieta, tola concubina! Esta donzela não é nossa refeição. É o amor de minha vida.
NOIVA DE DRÁCULA: Essa magrela aí? Aposto que não tem nem quatro litros de sangue...
DRÁCULA: Não importa! Ela será minha. Eternamente minha!
NOIVA DE DRÁCULA: Você não acha que o noivo de quem você roubou essa mulher vai tentar tomá-la de volta?

Drácula se ergue subitamente, cobrindo parte do rosto com a capa.

DRÁCULA: Vão tentar tomá-la de volta. Preciso mantê-la a salvo!

Drácula toca uma sineta. Ouve-se passos pesados ecoando pelo castelo. O monstro de Frankenstein surge por uma porta lateral. Ele ainda traz o algodão preso no nariz.

FRANKENSTEIN (com fala pesada, rouca e lenta): Chamou, mestre?
DRÁCULA: Você guardará a entrada deste castelo. Mate qualquer um que tentar se aproximar de Mina!
FRANKENSTEIN: Mina de diamantes ou mina de carvão?
DRÁCULA (imitando a voz lenta de Frankenstein): A Mina dos meus sonhos, sua besta!

E aponta a donzela adormecida no divã.

FRANKENSTEIN: Sim, mestre!

O Monstro caminha pesadamente para fora da cena.
Ouve-se o uivo de um lobo.

DRÁCULA: Lobisomens na floresta nunca é bom sinal.
NOIVA DE DRÁCULA: Como sabe que era um lobisomem?
DRÁCULA: Por que não seria?
NOIVA DE DRÁCULA: Poderia ser só um lobo comum.
DRÁCULA: Querida, isso é uma história de monstros. Quem você acha que está lá fora? Chapeuzinho Vermelho, fugindo do Lobo Mau?

Uma mulher de sobretudo cor de vinho se aproxima de um lado do cenário.

VALENTINA: Me chamaram?
NARRADOR (VOICE-OVER): Ah, não, querida, ainda não é sua deixa.
VALENTINA: Ops! Eu volto mais tarde, então.
NARRADOR (VOICE-OVER): *ARRAM* Podem prosseguir.

Drácula e a Noiva voltam a focar na cena.

DRÁCULA: Talvez seja hora de consultar o Oráculo.
NOIVA DE DRÁCULA (Com deboche): Não prefere que eu chame uma cartomante?

Drácula toca a sineta. Pela porta ao fundo entra Cruella de Vil empurrando a Múmia numa cadeira de rodas.

CRUELLA: Interrompendo o sono de beleza de duas damas divinas... É melhor que seja por uma boa razão.
DRÁCULA: Duas damas? Pensei que Imhotep fosse um homem...?
CRUELLA: Depois de três mil anos mumificado quem é que vai saber? É possível que o canudo tenha virado do avesso a essa altura.

Um dedo mumificado é erguido em direção à dama de casaco de peles.

DRÁCULA: Ao menos um gesto que não precisa de tradução.
NOIVA DE DRÁCULA: Nem deixa espaço para interpretação.
CRUELLA: Certo... Por que chamou?
DRÁCULA: Quero que me tire uma dúvida, sábia Múmia que tudo sabe. Esta donzela que repousa neste recinto, será minha ao final desta história?

A Múmia emite um grunhido curto e ininteligível.

DRÁCULA: O que isto quer dizer?
CRUELLA: Oh, Tchuin-Tchuin-Tchunclain.
NOIVA DE DRÁCULA: Querida, você só está nesta história para interpretar os grunhidos da Múmia Oráculo. Como é que você não sabe o que ela quer dizer?
CRUELLA: Ora, como você espera que eu interprete uma profecia com a boca tão seca? Ainda nem me ofereceram uma bebida, ou um cãozinho pintadinho de sobremesa...

Drácula serve um copo de uísque.

DRÁCULA: Vou ficar devendo o cãozinho.
CRUELLA: Assim está bem.

Ela sorve um gole, e faz uma careta.

CRUELLA: Agora, sim. O que dizia, amiga Múmia?

A Múmia repete o grunhido.

CRUELLA: Entendo...
DRÁCULA: O que ela disse?

Cruella imita o grunhido da Múmia.

DRÁCULA (furioso): Mas o que isso quer dizer?
CRUELLA: Não é com uma donzela que está preocupado.
Não deve temer aquele que foi transformado.
É com o fantasma que deve se preocupar.
Mais de uma noiva tua ele pode tomar.
A sábia e antiga Múmia assim falou.
DRÁCULA: E o que quer dizer toda essa ladainha?
CRUELLA: Eu só sou paga para traduzir! Interpretar é por sua conta, querido.
DRÁCULA: Não é fácil encontrar bons funcionários hoje em dia.
CRUELLA: Como se ele fosse pagar pelo meu casaco de peles... Mais alguma perguntinha?
DRÁCULA: Por enquanto, não. Podem voltar ao seu sarcófago.

Cruella sai empurrando a cadeira de rodas da Múmia pela mesma porta por onde vieram.

DRÁCULA: Mas afinal, o que esse monstro empoeirado quis dizer com “ter que me preocupar com um fantasma”? Já viu algum fantasma vagando pelo castelo?
NOIVA DE DRÁCULA: Isso é um castelo mal-assombrado. O que você acha?
DRÁCULA: É... Talvez esteja na hora de chamar um dedetizador para cuidar desse problema.
NOIVA DE DRÁCULA: Lamento, os Caça-Fantasmas estão de folga. E se os Winchester aparecerem por aqui, eu janto eles. Mas não esquenta a cabeça. Profecias são sempre enigmáticas, mesmo. Provavelmente ela só estava querendo que colocasse uma pedrinha de gelo a mais naquele uísque.
DRÁCULA: Talvez... Mas acho bom você ter juízo! “Mais de uma noiva tua ele pode tomar...” Não gostei nada dessa parte.
NOIVA DE DRÁCULA: Hum, ciumento... É bom saber que depois de todos esses séculos ainda tem ciúme de mim.
DRÁCULA: Certo... Agora deixe-me sozinho com a minha donzela. Ela terá uma grande surpresa quando acordar.
NOIVA DE DRÁCULA: Está bem. Bom apetite.

A Noiva sobe as escadas, agitando a camisola esvoaçante.
Drácula se senta ao lado de Mina, e começa a matutar com seus botões.

DRÁCULA: O que será que ela quis dizer...?
NARRADOR (VOICE-OVER): A dama desperta.

Mina se ergue no divã, bocejando, e se assusta ao ver o vampiro ao seu lado. Ela dá um grito. Drácula abre sua capa, pairando acima dela.

DRÁCULA: Bem-vinda ao nosso belo lar, minha dama da noite!

O vampiro se inclina para mordê-la, enquanto Mina grita mais uma vez.


 
***




ATO II
Interior. Ainda No Castelo do Drácula, Transilvânia. Mesma Noite.

O divã agora está vazio. A canção de O Fantasma da Ópera ecoa pelo castelo. Uma sombra se aproxima do patamar no alto da escada.

FANTASMA DA ÓPERA: Aquele vampiro ousa raptar minha amada discípula Mina... Por muito tempo eu ensinei a ela todas as árias dos grandes mestres, moldei sua voz pessoalmente para transformá-la um dia na rainha da Ópera de Paris. Muito embora tenha feito tudo isso em Londres... Bem, não importa. Aquele vampiro não arruinará a minha obra prima. Mina será minha!

Ouve-se um ruído exterior.

FANTASMA DA ÓPERA: Quem vem lá? Maldição! Será mais um para disputar o amor da minha talentosa Mina?

O Fantasma ergue a capa à frente do rosto e desaparece por uma porta lateral.
Uma sombra se aproxima da grande janela ao fundo, iluminada por relâmpagos. Ouve-se um grunhido.



VAN HELSING (VOICE-OVER): Shhh!
JONATHAN HARKER (VOICE-OVER): Você pisou no meu pé com o salto dessa bota!
VAN HELSING (VOICE-OVER): Foi mal.
HARKER (VOICE-OVER): Se eu soubesse que atravessar essa floresta causaria tantos problemas, teria me casado com uma das madrinhas, e o Drácula que fosse feliz com a Mina!

A janela se abre. Valentina Van Helsing salta para dentro do salão.

VAN HELSING: Não reclama! Se você não fosse tão mão de vaca, a gente podia ter alugado uma carruagem para nos trazer até aqui, e não precisaríamos ter atravessado o bosque a pé...
HARKER (VOICE-OVER): E que filho de Deus nesse lugar traria dois forasteiros ao castelo de um vampiro?
VAN HELSING: Vai por mim, querido, tem doido para tudo! Principalmente depois de oferecer uns Euros a mais... Agora, dá para parar de chilique e entrar de uma vez?!

Um lobisomem salta para dentro do cômodo.

HARKER: E aí, acha que a Mina vai me achar muito diferente?
VAN HELSING: Se depois de te ver assim, ela ainda quiser casar com você, ela vai ser um prato cheio para o Freud.

Van Helsing começa a avançar pelo cômodo. De repente se detém, abrindo os braços para deter Harker.

HARKER: O que foi?

Van Helsing se abaixa e passa os dedos pelo chão.

VAN HELSING: Sangue!
HARKER: Meu Deus! Mina...
VAN HELSING: Calma, calma que ainda é cedo para o pânico.
HARKER: Já ouvi algo parecido com isso em algum lugar...
VAN HELSING: É, eu tenho um amigo mexicano que gosta de falar isso. Mas não vem ao caso agora...
HARKER: Mina deve estar ferida.
VAN HELSING: É possível. Drácula já deve ter se alimentado dela a essa altura.
HARKER (coçando a testa): Não fala isso nem brincando...
VAN HELSING (revirando os olhos): Não, eu estou falando no sentido gastronômico, ou melhor, vampiresco da coisa.
HARKER: Ainda bem.

Van Helsing avança e espia pela porta lateral aberta.

VAN HELSING: Vamos fazer o seguinte: eu procuro por aqui, e você procura lá em cima.
HARKER: Melhor o contrário.
VAN HELSING: Por quê?
HARKER: Porque, pela lógica, os quartos devem ficar lá em cima. E se eu encontrar a Mina metida num desses quartos com o Drácula, eu não respondo pelos meus atos!
VAN HELSING: Não seja tolo! O Drácula deve dormir lá no porão.
HARKER: E quem falou em dormir?
VAN HELSING: Está bem. Eu procuro lá em cima. Mas abre o olho, porque o Drácula não deve ser o único vampiro nesse castelo, e com certeza não são os únicos monstros.

Van Helsing examina Harker de cima a baixo, sugestivamente.

HARKER: Obrigado pela parte que me toca.
VAN HELSING: Sabe o que eu quis dizer...
HARKER: Ok, mas vamos fazer essa busca depressa. Só espero que não seja tarde demais.

O Lobisomem sai pela porta lateral. Van Helsing sobe as escadas.

VAN HELSING: Já tinha visto rosnando, mas essa é a primeira vez que eu vejo um corno latindo...

O Fantasma da Ópera retorna pela porta aberta ao fundo da cena.

FANTASMA DA ÓPERA: O bom de ser fantasma é que ninguém estranha me ver saindo por uma porta e retornando por outra...

Ele se aproxima da outra porta lateral.

FANTASMA DA ÓPERA: Frank! Meu amigão Frank...

E puxa o monstro de Frankenstein para dentro da cena. Ele ainda tem um tufo de algodão enfiado no nariz.

FANTASMA DA ÓPERA: Onde foi que você se meteu, seu ordinário?
FRANKENSTEIN: Você está querendo me meter em confusão!
FANTASMA DA ÓPERA: Confusão nenhuma, Frank. Você é um sujeito gente boa, bonitão... (O Fantasma vira o rosto e faz uma careta). Não devia ficar assim tão sozinho.
FRANKENSTEIN: Ninguém quer ficar perto de mim. Todos têm medo. Até meu reflexo no espelho tem medo de mim...
FANTASMA DA ÓPERA: Tadinho do Frank... Mas eu já te falei que posso te apresentar uma amiga minha, gente boa, bonitona assim que nem você... Quer dizer, que nem você, não, bonita mesmo! E te garanto que ela não vai ficar com medo.
FRANKENSTEIN: Como é que você sabe?
FANTASMA DA ÓPERA: Ela já namorou até o Monstro da Lagoa Negra, vai ter medo de você, Frank?! Essa garota é tranquila. É só oferecer uma bebidinha, que ela pega gente que até a ressaca teria medo de pegar.
FRANKENSTEIN (com sarcasmo): Obrigado...
FANTASMA DA ÓPERA: É, mas para eu te apresentar essa garota, você vai ter que fazer um favorzinho para mim. Vai ter que distrair o vampirão laqueado para eu tirar aquela moça bonita do castelo.
FRANKENSTEIN (com medo): Ele vai ficar furioso.
FANTASMA DA ÓPERA: Estou contando com isso, Frank...

Ouve-se o ruído de alguma coisa grande caindo.

FANTASMA DA ÓPERA: Droga! Vem vindo alguém.

E empurra o Frankenstein pela porta lateral para se esconder.
Drácula surge no alto da escada.

DRÁCULA (furioso): Que diabo foi isso?

Ele desce depressa as escadas.

DRÁCULA: Invasores em meu castelo?! Vou me banquetear com o sangue dos intrusos!

Ele abre a boca, fazendo um ruído faminto de antecipação, e atravessa a porta lateral.
Um grande baú de madeira se move debaixo da escada e Valentina Van Helsing atravessa o buraco que ele ocultava, retornando ao centro do palco.

VAN HELSING: Quem diria que aquela passagem secreta daria aqui?

O Lobisomem também desce as escadas, e para no meio do caminho olhando para baixo.

HARKER: Que barulho foi aquele?
VAN HELSING: Matei uma armadura metida a besta.
HARKER: Como é que é?
VAN HELSING: Longa história. Como você foi parar aí em cima?
LOBISOMEM (parecendo confuso): Entrei pela porta errada.
VAN HELSING: E então? Encontrou sua Mina?
HARKER: Não. Lá em cima só encontrei um monte de quartos empoeirados e uma coleção de capas coloridas enfeitadas com paetês. Pelo visto esse vampiro morde com os dois lados da presa, se é que me entende...
VAN HELSING: Está na moda vampiro que brilha no escuro.
HARKER: Tem gosto para tudo... Teve sorte?
VAN HELSING: Tive. Não topei com nenhuma assombração ainda. Talvez o Drácula tenha escondido a Mina lá no porão. Quem sabe, no caixão onde ele dorme...?
HARKER: Nesse caso ele vai ver com quantas estacas se prega um vampiro na parede.
VAN HELSING: Vamos. O porão deve ser por ali.

Van Helsing aponta para a porta no fundo do salão, e começa a avançar pelo cômodo.

HARKER: Cuidado! Pode ter armadilhas.
VAN HELSING: É o castelo de um vampiro, não a tumba do Faraó.

A Múmia surge pela porta do fundo, empurrada pela Cruella.

HARKER: Tem certeza disso?
CRUELLA: Ora, ora, ora... Temos visitas!?

A Múmia emite um grunhido.

CRUELLA: Sim, meu bem. São invasores. Que acha? Devemos avisar ao mestre Drácula?
HARKER: A senhora não poderia fazer vista grossa, por obséquio?
CRUELLA: Poderia. Mas por que eu faria? O que você me daria em toca do silêncio? Hein, bonitão?
VAN HELSING: Cuidado, Harker. Não vai querer fazer acordos com esse diabo.

Cruella se aproxima e acaricia o rosto peludo do Lobisomem.

CRUELLA: Nunca tive um casaco de pele de Lobisomem, sabia?

O Lobisomem dá um sorriso desdenhoso e se esquiva, puxando Van Helsing para um canto.

HARKER: Quem é essa mulher?
VAN HELSING: O pior monstro nesse castelo.
HARKER: Sem dúvida, é o mais feio.
CRUELLA: O que disse, rapaz?!

A Múmia emite um ruído que parece uma risada.

CRUELLA: Ah, você deve ser o noivo daquela mocinha bonitinha que o Drácula trouxe para jantar em casa, não é?
HARKER: Não me provoca, que hoje eu tô mordido!
VAN HELSING: Literalmente!
CRUELLA: Bem, só porque eu me sinto muito generosa hoje, vou te dar uma dica para encontrar a sua... bela.

Cruella se aproxima novamente e abraça o Lobisomem pelos ombros.

CRUELLA: Sua noiva dorme no caixão do vampiro, na masmorra mais profunda deste castelo. E é melhor você ser muito rápido, ou acabará por se tornar o jantar da nova noiva de Drácula!
HARKER: Não... Mina!

O Lobisomem corre para a porta aberta ao fundo, seguido por Van Helsing.

CRUELLA: Agora, minha Múmia, vamos dar uma polida nessas faixas, sim? E deixar esses idiotas irem direto para o covil do monstro.

E sai gargalhando assustadoramente, empurrando a cadeira de rodas da Múmia.
***




ATO III
Interior. Ainda No Castelo do Drácula, Transilvânia. Mesma Noite.

Drácula entra pela porta lateral, seguido pelo Frankenstein, já sem o algodão no nariz.

DRÁCULA: Era só o que me faltava, ter que caçar um monstro embaixo da cama do Frankenstein... Um sujeito desse tamanho com medo do bicho-papão.
FRANKENSTEIN: Juro que eu vi, mestre!
DRÁCULA: Tá... Vamos tirá-lo de lá. Traz a vassoura. *ATCHIM*
FRANKENSTEIN: Saúde, mestre.
DRÁCULA: E essa gripe agora... Depois de três séculos morto, o vampiro agora pega gripe... Haja...

Saem pela outra porta lateral, Frankenstein carregando a vassoura da Bruxa do 71. Pelas costas do vampiro, ameaça bater com ela em sua cabeça.
O Fantasma da Ópera vem pela porta dos fundos, carregando Mina desacordada em seus braços.



FANTASMA DA ÓPERA: Esse Frank é uma figura, mesmo... Peço para distrair o vampirão, ele inventa que tem um monstro embaixo da cama. E o pior é que o Drácula acredita! Essa geração está perdida, mesmo... Ninguém raciocina. Ah, deixa eu descansar essa garota um minutinho aqui nesse divã. Essa mocinha é mais pesada do que parece... Ah... Recuperar o fôlego... Um minutinho...

Mina levanta devagar, pelas costas dele, demonstrando que apenas fingia estar desacordada, e bate com um castiçal na cabeça do Fantasma, que cai inconsciente no chão.

MINA: Gorda é a vovozinha, seu Fantasma atrevido!

Ela tenta correr, mas é barrada por Cruella e a Múmia, que surgem da porta dos fundos, iluminadas pelo clarão de um relâmpago na janela ao lado.

CRUELLA: Vai a algum lugar, mocinha?
MINA: Vo-vo-você está viva ou é um fantasma?
CRUELLA: Depende do ângulo da foto.

A Noiva de Drácula surge pela porta lateral ao pé da escada, agarrada ao Lobisomem.

NOIVA DE DRÁCULA: Espera aí, peludão, vai embora, não... Se o Vlad pode jantar aquela magrela, eu também posso me divertir um pouquinho...
HARKER: Sai de mim, assombração! Eu prefiro mulheres vivas. Questão de princípios, sabe?
NOIVA DE DRÁCULA: Besteira, cachorrão. Eu tô morta, mas não tô gelada... Quer dizer...

Harker vê Mina cercada pelas monstras de companhia na sala.

HARKER: Mina!

Ela se volta para ele, e grita ao ver o Lobisomem.

HARKER: Sou eu!
MINA: Jonathan?! O que aconteceu?
HARKER: Fui mordido por um lobisomem na floresta no caminho para cá.
CRUELLA: Então você veio salvá-la de um monstro, transformado em outro...?
HARKER: Olha quem fala de monstro...
CRUELLA: Eu não sou um monstro!
NOIVA DE DRÁCULA: Apesar de se parecer com um. Ela só interpreta as previsões da Múmia, que ninguém consegue entender.
MINA: Bem, isso é muito lógico, afinal, as duas devem ter mais ou menos a mesma idade...

Cruella atira a piteira de cigarro no chão, e puxa as mangas do casaco para cima, caminhando ameaçadoramente em direção a Mina. O Lobisomem se interpõe entre as duas.

HARKER: Não vou permitir que encoste um dedo na minha noiva!
CRUELLA: Um dedo só, não, querido. Eu vou quebrar essa lambisgoia inteira! Porque o que eu tenho de velha, ela tem de donzela!

O Lobisomem se volta para Mina.

HARKER: Que papo é esse, Mina?!
NOIVA DE DRÁCULA: Opa! Se vão derramar o sangue dessa magrela eu quero estar na zona de respingo. Será O negativo? A positivo? Não sei, vamos descobrir!

Se ajoelha com a boca aberta atrás de Mina. A janela se abre e Drácula surge num relâmpago.

DRÁCULA: Ninguém beberá o sangue de Mina! Exceto eu.
MINA: Cadê sua senha? Por que tem prioridade? Ah, é verdade, você é idoso, né? Tá certo...

O Fantasma da Ópera desperta cambaleando, com a mão na cabeça.

FANTASMA DA ÓPERA: Essa... mulher... é minha!
NOIVA DE DRÁCULA: Gente, vamos organizar essa fila?! Porque o vampiro quer a garota, o Lobisomem quer a garota, o Fantasma também quer... Tem cerveja na sua corrente sanguínea, filha?
VAN HELSING (surgindo da porta dos fundos): Quieto, Drácula! E eu prometo te matar bem rapidinho...
DRÁCULA (surpreso): Van Helsing?! Você era muito diferente na última vez que nos encontramos. Mais... homem...
VAN HELSING: Eu bebi do frasco errado no laboratório do Dr. Jekyll... Mas isso não vem ao caso!
DRÁCULA: E se transformou em mulher? (Dá uma gargalhada). E Valentine se transformou em Valentina! (Mais uma gargalhada). Não se preocupe, porque poderia ter sido bem pior... Você podia ter se transformado em algo realmente assustador. Presidente do Brasil, por exemplo...

Van Helsing bate na madeira, fazendo o sinal da cruz três vezes.

VAN HELSING: Cruz, cruz, cruz! Que saia o diabo e venha Jesus! Rogue essa praga em outro... Agora deixa de conversa fiada! Eu vim aqui resgatar uma donzela, e é o que pretendo fazer.
DRÁCULA: Não vejo nenhuma donzela no recinto.
HARKER: Olha aí! Mais um querendo colocar uma pulga atrás da minha orelha...

O Lobisomem começa a se coçar. Mina dá um sorriso amarelo.

VAN HELSING (Sacando uma estaca de madeira): Chega de papo furado, Drácula! Sua hora chegou!

E parte para cima do vampiro. O Lobisomem aproveita a briga para tentar sair de fininho com Mina, mas são barrados pela Múmia e pela Cruella. O Fantasma da Ópera contorna a sala por trás da confusão e agarra a noiva de Drácula.

FANTASMA DA ÓPERA: Você sabe cantar, belezinha?
NOIVA DE DRÁCULA: Como um rouxinol.
FANTASMA DA ÓPERA: Bem, de um jeito ou de outro, sairei daqui com uma noiva.

E a arrasta pela porta lateral.

NARRADOR: Assim se cumpre a profecia da antiga Múmia, e o Fantasma da Ópera toma para si a Noiva de Drácula.
***

E foi a partir daí que a coisa começou a degringolar...
Continua...



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