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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Quando o Fantasma é Pirata, Pode Ser Um Fantasma Falsificado



O que nunca pode faltar no Admirável Mundo Inventado? O mais admirável dos mundos inventados na televisão: Chespirito!
A ideia era que o Halloween Animado deste ano tivesse dez postagens, como no ano passado, mas infelizmente, não será possível. Esse especial terá só a metade das postagens planejadas. Em compensação, esse está sendo um mês de outubro bastante movimentado por aqui, com postagens quase todos os dias.
Mas para os meus episódios favoritos das criações do mestre Roberto Gomez Bolaños eu sempre arrumo um tempinho.
O escolhido da vez é um episódio pouco conhecido aqui no Brasil. Só foi exibido uma vez pelo SBT, na primeira vez em que a emissora de Silvio Santos decidiu colocar o Clube do Chaves no ar, entre 2001 e 2002. Fora isso, só foi exibido aqui pela TLN – aquele canal da Televisa que 101 em cada 100 pessoas nunca tiveram, porque só chegou a ser incorporado por pequenas operadoras de TV a cabo, que ainda não pegam em boa parte do Brasil, tipo a Oi TV, que só funciona direito – até onde fui informada – no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul.
Bem, o episódio de hoje faz parte da temporada de 1990 do Programa Chespirito – aquela em que Bolaños já estava mais velhinho e começando a xingar a balança –, e é um remake de O Tesouro do Pirata Fantasma, de 1975. Embora muita gente critique negativamente essas últimas temporadas, eu gosto demais de vários episódios. Principalmente das séries que nunca tiveram muito destaque na programação do SBT, como Dom Caveira, Cidadão Gomez e Chaveco. Quanto ao Chapolin, sim, os episódios de 1973 a 1979 são maravilhosos – temporadas de 1975 e 1978, minhas eternas favoritas! –, mas muitos episódios inéditos e alguns remakes do Chapolin gravados entre 1990 e 1992 – última temporada do personagem – figuram entre os meus favoritos.
Como é o caso do episódio escolhido para esta review. Em muitos aspectos eu o considero melhor que o original de 1975. Ok, não temos Carlos Villagran bancando o tonto, nem o saudosíssimo Ramón Valdés vestindo a pele do Pirata Alma Negra, mas esta versão teve um elenco maior, personagens diferentes da primeira versão, Edgar Vivar mais maluco do que nunca, o episódio é mais longo, o cenário bacana, várias piadas verbais e visuais diferentes da primeira versão, e um final bem diferente, também. Sem falar que, desta vez, Florinda Meza deixou a peruca de palhaço no camarim, e desfilou com suas madeixas naturais – a peruca foi tingida e dividida entre Edgar Vivar e Angelines Fernandez.
Sem mais delongas, vamos nos divertir agora com




Numa noite tempestuosa, Florinda e seu pai, Raul Padilha – também conhecido como Jaiminho, o Carteiro –, estão na estrada a caminho de algum lugar não mencionado – Tangamandápio, talvez –, quando acaba a gasolina de seu carro. E como não tem nenhum Posto Ipiranga nas redondezas, o jeito foi se abrigarem numa taverna que parece estar abandonada.
Dá um trabalho danado para a coitada da Florinda abrir a porta, que está pesadíssima, e depois de entrarem, ela decide fechá-la, pois está entrando muito vento frio. Mas, como já foi mencionado, a porta era extremamente pesada, de modo que a moça não conseguiu movê-la novamente. Talvez a porta tenha sofrido um piripaque e ficado paralisada ao perceber que a Bruxa do 71 se aproximava do recinto.



Pelo visto a Dona Clotilde anda colocando um fermento bem vitaminado nos bolos agora, porque fechou a porta com a maior facilidade do mundo. E também andou provando o refresco que o passarinho não bebe, porque, logo depois de fechar a porta ela começou a perguntar se seus novos amigos são deste século ou do século dezessete. Aparentemente esta é uma questão válida na região, pois alguns habitantes estão lá desde mil seiscentos e qualquer coisinha...
O que a Bruxa garante que não é o seu caso; ela e seu filho são deste século – embora não pareça. A propósito, ela está procurando seu filho, pois está na hora do papá, mas os visitantes não o viram.
Então a velha levanta um barril que estava cobrindo um buraco na parede e coloca-o sobre o balcão, para poder entregar a “marmitinha” que trouxe para o seu rebento.



O detalhe é que o barril é tão pesado quanto a porta, e de novo, a Dona Clotilde deu uma demonstração de que, pelos poderes de Grayskull, a velhinha tem a força!
Como a chuva só esperou eles encontrarem abrigo para estiar, Florinda e seu pai, pensando que essa maluquice pode ser contagiosa, decidem ir embora... Mas se lembram de que continuam sem gasolina.



Mas é melhor ficarem na estrada, e pedir ajuda a qualquer um que passar, do que se arriscar a dar de cara com alguma outra assombração. O problema é que, empurrando pelo lado de fora, com muito esforço Florinda conseguiu abrir a porta; mas puxando pelo lado de dentro, são outros quinhentos...
Então a Bruxa retorna, coloca o barril de volta em seu lugar e abre a porta com facilidade para ir embora; se despede dos forasteiros, mas eles não conseguem impedir que a porta seja fechada novamente. E como desgraça pouca é bobagem, todas as janelas daquele salão estão trancadas com grossos cadeados, e, apesar de alguns vidros quebrados, eles não passam pelos buracos. Então Raul sobe para o primeiro andar para procurar alguma saída alternativa, deixando Florinda sozinha lá embaixo.
Mas não por muito tempo, pois o filho da mãe logo aparece para dar um susto na mocinha. E se ela está achando esse gorducho assustador, espere até ver o seu tata-tata-tata-tata-tata-tata-tataravô, que ele carinhosamente chama apenas de tataravô para economizar quatorze tatas.
Mas essa novela vocês já conhecem de outros carnavais. É claro que seu tataravô, o Pirata Alma Negra morreu em 1690, mas seu espírito continua assombrando a taverna.
E neste ponto temos outra cena icônica do episódio original.



Não que o figurino do Almôndega tenha qualquer coisa a ver com esse cachecol...
E então ele também faz as vezes de estalajadeiro, perguntando se ela quer um quarto ou se está só de passagem – outro diálogo que já conhecemos do episódio original. Se bem que, neste caso, antes de explicar que só estão ali de passagem forçada porque acabou a gasolina de seu carro, ela se espanta ao saber que há quartos para alugar naquele lugar, embora seja comum tavernas como aquela ficarem à beira das estradas.



Se foi Barba Negra seu último hóspede, Botijão, eu conheço um cara que conhece um feitiço porreta para invocar esse fantasma. Mas é melhor esconder o rum antes de chamá-lo...



Isso acaba deixando a mocinha curiosa para saber qual o trabalho que o sujeito desempenha naquele lugar, e é quando ele conta que está procurando o dinheiro que o Pirata Alma Negra enterrou por ali, e, se seus cálculos não estiverem errados, a coisa deve andar entre muitos centos mil e outros centos milhões.
Aqui entre nós, quem é que, em sã consciência, fica tagarelando a respeito de um tesouro enterrado em seu muquifo... digo, em seu lar? Ainda mais para uma completa estranha! Será que não passou pela cabeça do sujeito que aquela mocinha podia decepar sua cabeça com a picareta que ele usa para procurar o tesouro, e depois enterrá-lo em seu lugar?
Já que o Chapolin não deu o recado, deixo o alerta: crianças, nunca falem sobre suas caças ao tesouro com estranhos!
Retomando... Como seu intérprete anterior, esse maluco também não tem um mapa que indique onde está o tesouro. Ele começa a escava a esmo, e seu tataravô vai dizendo se está frio, morno ou quente. E como agora a pouco ele lhe disse que estava morno, com a licencinha da amiguinha, ele precisa voltar ao trabalho!
Assim que ele desaparece pelo mesmo buraco de onde veio, Florinda vai para o pé da escada e começa a chamar seu pai, mas quem lhe responde é uma gargalhada fantasmagórica. E sabem o que isso significa, não é?
É hora de chamar o Chapolin Colorado!



Que ri da cara dela quando ela conta sobre o fantasma do Pirata Alma Negra e todas as outras maluquices que o filho da mãe fofocou. Acha que tudo isso pode ser fruto da imaginação dela, talvez inspirada pelo ambiente.



Claro que ela se referia ao estado de limpeza da taverna. Tudo ali está coberto de poeira e teias de aranha, tem sujeira para todos os lados, e os móveis parecem estar a ponto de desmontar.



E ela não estranharia se o piso e as paredes estivessem nas mesmas condições. Pena que a porta está muito longe desse estado... E como Chapolin continua disposto a gozar com a cara dela em vez de  ajudar, ela recomenda que ele saia pelo mesmo lugar por onde entrou, que, a propósito foi pela porta, mas ele tornou a fechá-la assim que entrou.



Bem, mas se não tem outro remédio, o jeito é começar logo a procurar. O difícil vai ser encontrar alguma coisa no meio de tanta poeira.



Parece que, quem quer que seja, está vindo pelo buraco do filho da mãe... Quero dizer, pelo buraco que costumava ficar tapado pelo barril, por onde o filho da mãe entrou e saiu de cena! Chapolin suspeitou desde o princípio que poderia ser ele o inimigo, mas Florinda desconfia que o Seu Barriga não passa de um sujeito com muita pança e pouco parafuso na cabeça...
Seja lá como for, não é ele quem está para sair pelo buraco. Para surpresa de todos, quem se apresenta é o pai dela, e é imediatamente recebido com uma marretada na cabeça.
Vamos dar um desconto para o Chapolin, afinal, a moça não explicou qual era a aparência exata do filho da mãe! Cara de maluco por cara de buldogue, realmente dá para confundir...
Tudo bem que ela também não tinha como imaginar que seu pai fosse sair por aquele buraco, se tinha subido pelas escadas. O caso é que a taverna está cheia de subidas, descidas e passagens secretas, e numa dessas bifurcações, ele pegou uma curva errada, entrou pelo cano e acabou saindo pelo buraco do maluco...
Na certa  foi isso que fez a moça imaginar fantasmas ali, porque Chapolin continua não acreditando neles.



É que não tinha nenhum porco em cena, para ele dizer que os porcos podiam voar. O jeito foi injetarem o extrato de energia volátil do Professor Baratinho no barril e vai pela sombra, querido.
Como não há provas de que havia de fato um barril sobre o balcão – embora Chapolin o tenha mencionado em sua exclamação de incredulidade –, ele continua achando que os dois forasteiros estão imaginando coisas.



Enquanto eles discutem sobre o barril que o Chapolin, aparentemente, não é inteligente o bastante para ver, o filho da mãe continua cavando sob a vigilância do fantasma do seu tata-tata-tata-tata-tata-tata-tataravô. E como agora ele está finalmente cavando no lugar certo, o fantasma o deixa sem supervisão um momentinho enquanto ele vai lá no salão dar um susto nas visitas.



Só que o grupo de forasteiros não está mais completo lá no salão, pois o Chapolin decidiu ir pessoalmente ao andar de cima procurar uma saída. Aparentemente todas as portas e janelas foram lacradas com paredes de tijolos. Só o que encontra lá em cima é mais poeira, teias de aranha, camas com dosséis esfarrapados, um baú meio suspeito, e um barril que num momento está ali, no outro não está mais.



E lá embaixo a situação não está menos esquisita. Primeiro, o pai da moça sente uma presença ao seu lado; depois alguém empurra seu braço quando ele vai dar um gole no café, fazendo-o derramar todo o conteúdo da xícara.



De fato, mas ele conta suas descobertas interessantes, sobre as paredes de tijolos fechando portas e janelas, que o pai dela também já tinha visto lá em cima. E continua cético quando lhe contam sobre o fantasma que não quer deixar Raul Padilha tomar o café da Dona Florinda. Afinal, o novo fantasma do Pirata Alma Negra é o Professor Girafales, e era sempre ele quem bebia o café dela; não é porque está morto há trezentos anos que ele está disposto a dividir o cafezinho... E NÃO IMPORTA QUE NÃO TENHA BISCOITO!
Enquanto Chapolin e Jaiminho iniciam uma guerrinha de café na cara, o barril retorna ao seu lugar em cima do balcão. Chapolin comenta que ele é idêntico ao barril que apareceu e depois desapareceu de um dos quartos, mas o velho afirma não ter visto nenhum barril lá em cima.



Diante da aparição do tata-tata-tata-tata-tata-tata-tataravô do maluco, Florinda e Jaiminho fogem para Tangamandápio, deixando Chapolin sozinho com o fantasma, para colocar trezentos anos de fofoca em dia.



Pois é... O fantasma do Pirata Alma Negra, supostamente assombrando aquela taverna há trezentos anos, conseguiu perder pro Chapolin em inteligência... Avalia qual seria a nota dele no ENEM...
Com a saída do fantasma, chegou a hora de o Chapolin conhecer a outra assombração do lugar: o filho da mãe.



Processem o Chapolin, a fala é dele!
Botijão explica que está procurando seu tata-tata-tata-tata-tata-tata-tata-tata-ta... Eita, pega, exagerei nos tatas. Espera aí, vamos começar de novo...



Enfim, como ia dizendo, Botijão estava procurando seu tata-perdi-a-conta-dos-tatas-ravô, quando de repente eles ouvem um grito da moça que estava por ali. E como é o único herói no recinto, Chapolin decide subir para ver qual foi a assombração que a assustou dessa vez.



Não é difícil, não, Chapolin. Aliás, se fosse isso, eu entenderia o susto. Muito mais do que o motivo real...
Mas não vamos nos adiantar. Porque o Chapolin esqueceu de levar em consideração que aquela taverna existe há trezentos anos, e sabe Deus quando foi a última vez que fizeram alguma manutenção naquele lugar – muito tempo, provavelmente, considerando que nem o buraco na parede se deram o trabalho de arrumar; acharam mais fácil cobrir com um barril... De modo que a escada começa a se quebrar assim que Chapolin coloca o pé nos primeiros degraus. Aparentemente aquela escada perdeu o prazo para pedir a aposentadoria por tempo de serviço, e foi direto para a fase caindo aos pedaços.
Relaxa, gente, professor Barriga tem a explicação para isso.



Como sempre, Chapolin não entendeu patachongas do que ele disse, e achou melhor não perder tempo com os cálculos malucos do Professor Pardal. Mas ao que tudo indica sua loucura tinha um fundo de razão, porque três ou quatro degraus vão pra cucuia assim que o Chapolin tenta pisar neles. E é quando ele se lembra que pode subir pelo buraco.



Agora o motivo de a mulher estar gritando: ela encontrou um esqueleto vestido de pirata dormindo num dos quartos. Primeiro, Chapolin pensa que é a moça quem está naquela cama, depois de ter seguido uma dieta porreta! Depois imagina que o fantasma tenha envelhecido rápido demais. Só que agora, com a companhia do pai e do Chapolin, a moça cria coragem para examinar mais de perto o esqueleto, e percebe que os ossos estão unidos com arames e parafusos, ou seja, que ele foi montado ali para assustar as pessoas.



Florinda aperta Botijão contra a parede, revelando sua descoberta do esqueleto falsificado, e o homem se faz de besta, dando a entender que não sabia das armações de seu tataravô. Até mostra uma foto que tirou com ele lá embaixo no salão da taverna, e é quando Florinda finalmente reconhece no fantasma um famoso mágico e ilusionista que ela e seu pai já viram no teatro.
Ou seja, tudo o que viram até aquele momento foi pura ilusão. Quanto às portas e janelas concretadas e o túnel que sai de dentro do baú e termina lá no buraco do barril foi o filho da mãe quem construiu, por instrução desse cara que se dizia seu tataravô.



E pensar que ele passou todos esses anos cavando para encontrar o tesouro que o sujeito supostamente escondeu naquela taverna, quando na verdade era o contrário, ele cavava não para desenterrar, mas para enterrar o tesouro.
Nesse momento o fantasma aparece apontando uma arma para eles, e parabenizando-os por suas brilhantes deduções, mas garante que não sairão dali vivos para alardear a descoberta.
Lembram que eu disse que o filho da mãe estava se fazendo de besta? Acontece que ele sabia desde o princípio que era tudo armação, pois ele era cúmplice do fantasma nessa empreitada, e também o autor de todos os truques eletrônicos que tanto os impressionaram.
Aí vocês podem até perguntar: mas porque o engenheiro civil realizava todos os trabalhos manuais, se o mágico e ilusionista era o outro. Acontece que o Professor Linguiça sofre de um terrível reumatismo que o atrapalha.



Resumindo: os dois malandros criaram aquela farsa para espantar possíveis curiosos, e, prevendo que pudessem chegar outros mais impertinentes como eles, Botijão acabou cavando um buraco maior, que servisse de cova para curiosos. E já que o preço era o mesmo, cavou uma cova bem grandona para poder enterrar também o seu tataravô, para não ter que dividir o dinheiro que esconderam.
É como dissemos – Florinda e eu – desde o início do episódio: filho da mãe!
Falando nela, a velha chega bem nesse momento – e pela porta! Não pelo baú! Sinal de que a escada não estava tão ruim quanto Botijão fez o povo acreditar.



E assim foram presos os discos-voadores, quando o Detetive Dona Clotilde chamou reforços armados para arrancar as perucas e descer o Botijão e o Professor Linguiça por alguma passagem menos interditada no interior da taverna.



O que não é o caso do Chapolin, que não consegue abrir de novo a porta que os policiais fecharam ao passar.



Torçam para alguém voltar em busca do tesouro, porque, como a polícia já levou o que queria, vai ser difícil alguém abrir essa porta de novo...
Enfim... Esse foi o nosso episódio especial de hoje. Na última review desta série acompanharemos as peripécias de outro personagem de Chespirito que anda vendo defuntos para todo lado.
Então, nos vemos na próxima semana, nessa mesma hora, nesse mesmo blogspot!
Até lá! *-*



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