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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Bicha Não Morre! Bicha Vira Um Fantasma Muito Alegre!



A diversão nunca para no Halloween do Admirável Mundo Inventado. Hoje vamos relembrar uma série produzida pelo SBT entre 1999 e 2000, protagonizada por uma típica caipira de Pau Grande (interior de Minas Gerais). A personagem, vivida por Gorete Milagres, muito nos divertiu com sua inocência nas duas temporadas do humorístico “Ô Coitado!”.
Esse episódio provavelmente foi produzido para divulgar o espetáculo “Acredite! Um Espírito Baixou Em Mim”, mas, sabe-se lá porque razão, quando foi reprisado pelo SBT em 2014, teve o título alterado para “O Fantasma Alegre”. Algum problema com os royalties, imagino.
Aqui vamos manter o título original da peça. Assim sendo...



Quer dizer, nele...

Bem, tudo começou no quartinho de empregada que Filó ocupava na casa de Steve Formoso, um cantor brega (interpretado por Moacyr Franco) que estava desaparecido àquela altura do seriado. Chovia à cântaros naquela noite, e Filó não estava conseguindo dormir, com medo da tempestade. Por isso decidiu rezar um pouco para ver se conseguia se acalmar. Principalmente depois de ouvir o som horrível de um acidente de carro na rua em frente à casa.



Olha o perigo de se ficar invocando anjo no meio de uma tempestade, principalmente perto do local onde alguém “fez a passagem” – ou melhor não fez a passagem. Não demora muito, e um fantasma simpático, todo trabalhado na purpurina aparece ao lado dela no quartinho. E quem é o primeiro a se assustar com uma assombração?



Pois é... O coitado do fantasma, desavisado de sua nova condição, acabou se assustando com a Filó! Ok, ela não é bonita, mas não exagere, Lolô! Não exagere...
Acontece que Lolô, o são-paulin... digo, o fantasma, estava vindo de uma festa de arromba, provavelmente bebeu algo que o bafômetro não aprovaria, errou o pé no acelerador, derrapou numa curva e acabou perdendo a cabeça... Literalmente!
E foi esse momento que o Anjo que Filó estava chamando em sua oração escolheu para aparecer em cena.



Hum... Pelo visto, essa festa já começou – ou terminou – com um bafão! E as notícias ainda vão piorar. Melhor você se sentar, Lolô...

 


Eu falei que era melhor você sentar, Lolô... Oh, seu Anjo, esse tipo de notícia, você tem que dar aos poucos, querido! Se bem que não deve ter um jeito adequado de dar uma notícia dessas para uma criatura tão cheia de vida como a Lolô, coitada! Morrer assim, na flor da idade, cheia de sonhos, com tantos bofes para paquerar... Digo, tanta vida para viver...
E depois de absorver a novidade, sem querer ouvir o livro de regras que prevê que ficar na Terra como alma penada ou como encosto é ilegal, e pode lhe custar vinte pontos na carteira de fantasma, uma multa de 35 asinhas de anjo e umas quatro encarnações presa na solitária do além, ou numa gaiola de passarinho, Lolô decide que não vai sair da casa da Filó nem morta! E deixa o Anjo falando sozinho.
Quer dizer, falando sozinho, não, porque a Filó ainda está no recinto, e o Chefe tem pressa de receber seu relatório sobre a encomenda que veio buscar aqui na Terra.



Já repararam que a Filó é uma mulher bem educada, né? O pessoal chega invadindo sua casa no meio da noite, não toca a campainha, não pede nem licença para entrar, e mesmo assim ela faz sala, oferece um cafezinho, um biscoito, uma pamonha...
E, no caso específico, fica no vácuo.
Bem, passado o susto de ter duas entidades em seu quarto, Filó aproveita que a chuva estiou para ir até a cozinha tomar um copo de água com açúcar. E é quando ela se dá conta de que não está tão sozinha quanto pensava.



Olha, até já me aconteceu uma vez de estar meio distraída – ou ligeiramente alcoolizada – e guardar o controle remoto e até um par de chinelo Havaianas novinho no congelador; agora, guardar fantasma na geladeira, é a primeira vez que eu vejo. Será que conserva mais?
Lolô pareceu gostar das acomodações, e como Filó é uma criaturinha simpática demais da conta, o fantasma tenta convencê-la a deixá-lo ficar na casa. Mas Filó não tem tempo de pensar nos gastos extras que uma boca fantasmagórica a mais causará em seu orçamento – ainda mais com seu patrão foragido e seu salário mais atrasado que o aluguel do Seu Madruga –, porque bem nesse momento a campainha começa a tocar.
Porém Lolô não a deixa abrir a porta para suas amigas Andreia e Brigitte, e fica magoada porque elas sequer puderam ver seu fantasma pela janela.
Como é uma pessoa boa, Filó serve um cafezinho para seu amigo fantasma para acalmá-lo. E como não se tem sossego numa noite tempestuosa, chegam outras visitas para tumultuar a casa da Filó.



Agora vê se pode: o povo inventar de ver casa mais de dez horas da noite, e debaixo de chuva! Que falta que faz uma espingarda, hein, Filó?!
E não basta vir tão fora de hora, ainda tem que esperar a boa vontade do cunhado chegar para ver a casa também.
A princípio, o fantasma fica mais indignado que a Filó com essa falta de noção, principalmente quando Filó vai buscar um copo d’água pra perua, enquanto o casal discute a orientação sexual do noivo lá na sala.
A propósito, esqueci de apresentá-los: Vicente e Normanda. Sim, Normanda, como quem nasce na Normandia. Mais perua que isso, impossível!
Agora, porque eles estavam discutindo sobre o “ser ou não ser viado” do Vicente? Bem, começou com ele elogiando a beleza de um decorador conhecido seu... E ao longo do episódio, Normanda ainda terá muitos motivos para questionar a preferência de seu noivo. Tudo porque o fantasma não demorou a perceber que o bofe era capaz de receber o seu espírito, e passou a usá-lo para se comunicar, já que ninguém consegue vê-lo além da Filó.
O cunhado de Vicente acaba demorando mais do que o combinado, e Filó, a gentileza em pessoa, pega todo o milho de seu galo Marco do Gerso para fazer uma sopa de milho para as visitas indesejadas. Mas isso não significa que ela esteja conformada com essa falta de bom senso do casal...



Imaginem essa perua ciumenta vendo o Vicente conversando cheio de dengo com a Gisele Bündchen. Imaginou? Agora dá uma boa olhada na Filó, e vê com o quê essa criatura vai dar ataque!



“Pelas referências conhecereis a concorrência”. (São Ciumentus 17:1)
Como para acabar com a discussão, eis que chega quem estava faltando: Lucas, irmão de Normanda, para deixar nossa fantasma ainda mais assanhada.



Então... Vamos acabar logo com isso, né, gente, que a Filó quer dormir! Já viram a sala, já viram a cozinha, falta só conhecer o quarto do Steve Formoso. Não reparem no mosquiteiro que o fantasma está usando como véu de noiva...



Lolô... Querida... Esse povo chegou sem avisar, para atrapalhar a cidadã de dormir com as galinhas... Melhor dizendo, com o galo... Ainda estão aí embaçando para ir embora... Você acha mesmo que ela vai convidar esse pessoal para dormir na casa? No mínimo, essa tal de Normanda vai tocar a sineta a noite inteira pedindo coisa...
Bem, independentemente da hospitalidade da empregada, o bofe dos sonhos do fantasma gostou da casa, e aprova que o cunhado a compre.



Normanda começa a dar piti, porque acha que Vicente está dando em cima de seu irmão – ela não sabe que é o fantasma usando seu noivo como cavalo para paquerar o Lucas –, e Filó, percebendo que essa história vai começar a feder, leva a perua para a cozinha para acalmá-la com um chá, enquanto os bofes discutem a sexualidade de Vicente na sala.
E nessa hora, o fantasma também não alivia...



Aí, danou-se! Os bofes começam a trocar socos na sala, enquanto o fantasma saltitante grita por ajuda, mas Filó está muito ocupada na cozinha com Normanda para se preocupar com essa encrenca.



Com toda a paciência do mundo, o fantasma explica para Filó que ela precisa, de novo, colocar ordem no galinheiro lá na sala. E agora o circo vai pegar fogo de vez, porque Normanda aproveitou o siricutico de Filó para ir ver que diabos estava acontecendo entre seu noivo e seu irmão.



Eu tenho minhas dúvidas a respeito desse zelador do armário de vassouras dessa série. Para mim ele foi o vencedor do campeonato de esconde-esconde de 1917, cuja medalha está empoeirando no museu da cidade de Bom Jesus de Pirapora, porque ninguém nunca encontrou o cidadão, ou alguém esqueceu de procurar...
Seja lá como for, essa aparição acabou distraindo o fantasma da briga dos bofes e de sua paixonite aguda pelo irmão da Normanda, e lembrando-o de que ainda não convenceu sua anfitriã a deixá-lo ficar na casa. Quando ela dá o sinal verde, ele esquece de vez da confusão e passa os minutos seguintes na cozinha, ensinando sua nova amiga a desmunhecar.



Bonitinhos... E quem é que tá apartando a briga lá na sala?
Ninguém! A treta acabou e eles nem viram o placar.
Agora, enquanto essa viadagem acontece na cozinha, Vicente e Normanda estão discutindo outra vez lá na sala.
A lista de queixas da perua continua aumentando: agora ela não quer mais casar porque acha que seu noivo é gay. Quando ele garante que não, e diz que eles devem dar chance para sua felicidade, ela supõe que ele está dizendo que ela não o faz feliz. Daí ele ressuscita uma gravata que ela deu para ele, que ele supostamente adorou, mas ela nunca o viu usando, ao que ele supõe que ela não tenha reparado. Mas aí ele está insinuando que ela não repara nele... Puxa, deve ser difícil conviver com essa mulher, hein?! Se esse Vicente chegar a casar com ela, será beatificado! Isso é, se ele não pedir o divórcio ou estrangulá-la “acidentalmente” com o fio do carregador de celular em menos de vinte e quatro horas...



Nota mental: nunca almoçar na casa da mãe da Normanda.
E pensa que a discussão parou por aí? Ela ainda jogou na cara do Vicente que o viu se insinuando para o seu irmão – e nesse ponto eu tenho que concordar com a preocupação da perua, afinal, o Lucas é muito menos chato do que ela –, e depois comenta que o viu olhando para a Filó.
E aqui entre nós, querida: quem tem que ter medo de canhão é adversário de guerra!
Aliás, falando nela, Filó aproveita que esse povo não dá o menor sinal de que irá embora nas próximas duas encarnações, para empanturrá-los com tudo o que encontra na geladeira. Fez até um docinho para esse povo feio que invadiu sua casa sem avisar, e que ainda não se tocou que é muito tarde para ficar incomodando na casa dos outros. Olha que simpática!



Sabe o que está faltando nessa casa assombrada? Luzes piscando! E uivos fantasmagóricos, é claro. Mas pode deixar que o fantasma já vai providenciar esses fenômenos para assustar a perua, e impedir que ela atrapalhe seu flerte com o bofe adormecido.



Mas como paquerar um bofe que não pode vê-lo, ouvi-lo, nem senti-lo está difícil, Lolô bola um plano maluco para apressar as coisas: põe uma fantasia de vidente na Filó, e faz uma consulta ao globo de luz – porque aparentemente era o que tinha para hoje; na falta de uma bola de cristal... – com as visitas.
Mas antes que a vidente possa se apresentar lá na sala, chega mais alguém para complicar a noite mais um pouquinho.



Lolô vai correndo avisar Filó que o Anjo voltou para buscá-lo, e implorar que ela o expulse da casa, e não permita que o leve.
Essa bagunça toda acaba acordando o Lucas, e ele desce para ver o que está acontecendo, bem a tempo de ver Filó fazer sua entrada triunfal, fantasiada de Walter Mercado. Bem, no caso, deve ser Filó Feira...



Olha, pessoal, eu sei que essa casa parece mais um hospício, e ainda por cima assombrado... Mas vocês chegaram sem avisar, estão atrasando o sono da coitada... O mínimo que vocês podem fazer é participar do circo até o fim e ouvir as previsões que o fantasma da Lolô vai ditar!
Assim, todos se reúnem em volta da mesa da cozinha, para ouvir a “vidente”.



Xiiii!!! Acho que não era bem essa a revelação que a Normanda esperava ouvir naquela mesa. E enquanto o bicho pega... Ou melhor, enquanto a bicha tenta pegar o Lucas... Ou melhor, enquanto a bicha tenta impedir que Lucas quebre a cara de seu cavalo... Enfim, enquanto o circo pega fogo, o Anjo agarra o fantasma, para garantir que ele não vai escapar, Normanda desmaia, e Filó decide botar ordem nessa baderna.



Esse é o título do episódio, cara! Achei que tinha deixado isso claro...
Agora que tudo ficou esclarecido, o fantasma concorda em acompanhar o Anjo, com a condição de que Lucas permita que ele lhe dê um beijo de despedida. E Vicente se prontifica a permitir que Lolô use seu corpo pela última vez.



Claro que o episódio foi gravado há mais de quinze anos, quando a Globo só espalhava o boato de que teria um beijo gay no último capítulo da novela, mas na hora H desistia de mostrar. Então, naturalmente, tudo ficou num casto beijinho na bochecha. Apenas o suficiente para deixar Lucas desconcertado, fazer o fantasma voltar suspirando para o além com o Anjo, e deixar Normanda ainda mais cismada e decidida a tirar seu noivo de perto de seu irmão o mais rápido possível. Vai que ele gosta da brincadeira...



Pelo menos a Filó finalmente pode ir dormir sossegada, agora que a gentalha foi embora. Isto é, se não acontecer mais nenhum acidente lá fora, e ninguém mais tocar a campainha...



Afinal, Lolô, aquela fantasminha simpática até vai... Agora abrigar Mona Cruella e Mona Gugu é pedir demais. Queridas, o Cruzeiro das Loucas Fantasmas é noutra freguesia. Beijocas!

E assim chegamos ao fim do episódio de hoje.
Próxima parada será num porto em Massachusetts, onde os irmãos Winchester terão um encontro muito molhado com uma ladra, uma velha no cio, um marinheiro enforcado vingativo e um navio fantasma.
Até lá! *-*


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