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quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Uma Paquera do Outro Mundo


Estamos de volta com mais um episódio de um dos meus desenhos favoritos da infância, Beetlejuice – aquele, da garota gótica e solitária, cujo melhor amigo era um habitante da terra dos pés juntos. E como se a vida social de Lydia já não fosse uma desgraça, neste episódio descobriremos que seu primeiro namorado também foi um fantasma.
Mas, verdade seja dita, era um fantasma de respeito. O rapaz era um Príncipe! Só não sei se ele teve o título em vida, ou se só o adquiriu depois de morto...
Bem, não importa. Nossa sessão nostalgia de hoje será



Para os novos habitantes do nosso Admirável Mundo Inventado, Neitherworld era o nome oficial do Mundo dos Mortos nesse desenho, também conhecido como Nenhuma Terra ou Lugar Nenhum, dependendo da dublagem. Aliás, este foi um dos poucos episódios, dentre os que eu me lembro bem, que foram ambientados inteiramente naquele mundo, sem qualquer cena no mundo humano normal.
O episódio começa com Lydia e Beetlejuice aproveitando o sol – sim, faz sol no mundo dos mortos. Não se atrevam a questionar a lógica de um desenho animado! – para fazer um piquenique. O cardápio é de engolir com doses cavalares de antiácidos, sais de fruta, água benta e álcool 70% direto da garrafa.


Sério que você come esse troço, Lydia?! Previsão do tempo para hoje: a sobremesa será uma indigestão.
Bem, se Lydia chegou mesmo a provar a gororoba, nunca saberemos, porque logo depois de Beetlejuice mostrar o cardápio caiu o maior toró, embora a meteorologia tenha garantido que faria sol o dia todo na terra dos pés juntos. O problema é que a Maju Coutinho do Além não tinha como saber que o Príncipe resolveria dar um passeio justamente naquele dia.


Aliás, esse é o único episódio em que somos informados de que existe uma monarquia em Neitherworld. Se eu me lembro bem, outros episódios mencionam que a cidade é comandada por um prefeito. Vai ver o título de nobreza desse Príncipe era como o da Família Imperial Brasileira hoje em dia, meramente ilustrativo.
E esse filho perdido do Bóris Karloff aparentemente foi alfabetizado com a literatura de Edgar Allan Poe.


Isso é o que eu chamo de sofrer com classe! A pessoa está deprimida, recitando o poema O Corvo. Preciso apresentar esse carinha para alguns dos meus vizinhos, que têm a mania de ouvir sofrência no último volume.
Enfim, além do bom gosto para poesia, esse Príncipe também tem o poder de conjurar chuvas torrenciais com raios e trovões à sua volta, e tudo isso usando como combustível sua muito bem desenvolvida melancolia.
À primeira vista, Lydia supõe que ele tenha poderes obscuros e misteriosos, e um nome assustador, como Vladimir Karamazov, ou Severo Voldemort, Freddy Krueger, ou Michel Temer... Mas Beetlejuice imediatamente quebra o encanto de seu conto de fadas imaginário.


Mas há uma notícia que talvez possa interessar ao Beetlejuice: o Príncipe está entrevistando candidatos para o cargo de novo Bobo da Corte. Aliás, a julgar pela urgência em arrancar alguma risada do Karloffzinho deprimido, o salário deve ser sensacional.


Ainda mais que os candidatos que já apareceram – um palhaço mímico, uma testemunha de Jeová, e um militante do PSDB –, só conseguiram deixar o Príncipe mais deprimido do que nunca. E essa tristeza toda está fazendo um mal danado aos súditos Reais, que vivem constantemente resfriados por causa da chuva que o Príncipe provoca até no interior do castelo.


Tanto que eles estão até dispostos a engrossar o salário do próximo Bobo da Corte com uma parcela de seus próprios ordenados se ele conseguir fazer parar de chover. A única pessoa que não vai gostar se o Príncipe sair da depressão é o dono da barraquinha de guarda-chuva do outro lado da rua, mas ele que vá vender churros.
Doze candidatos depois, e nada de o Príncipe esboçar um sorrisinho sequer. Se não encontrarem logo uma solução para esse monstrengo, vão acabar pegando uma pneumonia. E isso seria extremamente perigoso; vai que um dos defuntos morre de novo? Na primeira passagem caíram em Nenhuma Terra, mas na próxima, podem não ter tanta sorte, e acabarem num reality show da MTV...


Eis que o Beetlejuice se apresenta para dar um show diante de Sua Baixeza, mas de novo, ele não se impressiona com as maluquices do fantasma, que chega a se desmontar em pedaços, fazer malabarismo com as pernas, rodopiar a cabeça como se fosse um carrossel em alta velocidade, se vestir com as roupas da avó do Longbotton... Ah, não, peraí, esse foi o Snape. Ah, sim, mas sabemos que Beetlejuice pode encarnar uma versão bizarra de vendedor de enciclopédias, para que o pai drogadão da Lydia não perceba que tem um defunto brincando com sua filha. Mas o Príncipe tampouco se impressiona com a piada tosca sobre o homem que foi serrado ao meio, e demorou uma eternidade para entender como foi que conseguiu soltar um pum do outro lado da rua. Nem os monstros que Beetlejuice ameaçou botar nas calças de todo mundo na corte conseguiu fazer o Príncipe parar de choramingar. A única coisa que foi capaz de chamar a atenção dele... foi Lydia.


Só por curiosidade, Lydia: está falando do filme, ou da Monstra em pessoa?
Em se tratando de um programinha em Neitherworld, qualquer das duas opções é possível.


Mas como já está ficando tarde, e os mortos precisam dormir cedo para descansar a cútis, e a mocinha gótica viva tem hora para voltar para casa... Peraí, na verdade, não tem, não. É bem comum nesse desenho a Lydia passar a noite inteira em Neitherworld brincando com a fantasmada, e só voltar para casa na hora de acordar para ir à escola, ostentando olheiras de defunto que dariam inveja em muito monstrengo por aí. Aliás, depois desse comentário, saber que as notas dela nunca despencaram perigosamente mesmo com tão poucos minutos de sono e menos ainda de estudo em casa, é algo que eu nunca vou entender.
Enfim, depois dessa divagação a respeito da inacreditável falta de controle dos pais da Lydia sobre seus horários, como eu ia dizendo, a mocinha e seu amigo maluco precisam ir andando. Mas sua partida faz o Príncipe começar a chover de novo.


Oh-oh! Parece que alguém se apaixonou.
Espero não termos um repeteco do filme, com um fantasma tresloucado, querendo desposar a mocinha viva.
Aliás, o melhor papel da carreira da Winona Ryder. Num dos piores filmes do Tim Burton.
Piores, no bom sentido. Mesmo seus filmes ruins, conseguem ser melhores do que muito filme “bom” de outros diretores.
Naquela noite, assim que se deitou para descansar em paz em seu caixão, Beetlejuice recebeu a visita dos guardas do Príncipe, com ordens para levá-lo ao seu palácio imediatamente.


Claro que Beetlejuice não fazia ideia de qual travessura havia irritado o Príncipe Vince, a ponto de mandar tirá-lo da cama no meio da noite. Talvez tenha sido a maçaneta monstruosa que ele vendeu ao porteiro Real, que tranca a porta quando deve abrir, e abre a porta quando deve trancar. Ou quem sabe ele tenha se enfurecido por ter arremessado um elefante em cima do cozinheiro Real, porque isso deve ter causado um atraso gigantesco no jantar. Ou vai ver ele não gostou foi do monstro fedorento que ele soltou embaixo da cama do Príncipe...


Não sei vocês, mas essa história me lembrou a vez em que a Chiquinha ficou tentando adivinhar por qual travessura a Dona Florinda foi reclamar com o Seu Madruga, e saiu confessando os pecados, sem saber que ela só queria convidá-la para a festa de aniversário do Quico...
Enfim, aqui também o Príncipe não estava nem um pouco interessado no fato de Beetlejuice ter trapaceado e possivelmente ferido metade dos funcionários do castelo com suas palhaçadas. O caso é que ele estava interessado em conhecer melhor a amiga de Beetlejuice, e, quem sabe, conquistar o coração dela.


Assim combinados, Beetlejuice começa a ensinar ao Príncipe os três passos para conquistar uma garota viva que gosta de lugares mortos. Primeiro, ele deve comprar um presente bizarro, algo que combine com sua fantasia de Bruxa para o Halloween, tipo aquele colar de morcego que está na vitrine.


Daí quando ela vier agradecer o presente, ele terá um bom pretexto para convidá-la para ver o mais recente lançamento em filmes de monstros de Neitherworld: A Língua do Monstro Que Comeu Chicago. Ouvi dizer que o livro foi o bicho. Então, quando estiverem no cinema, ele poderá testar algumas cantadas infalíveis inventadas por Beetlejuice, como comparar o cabelo dela com uma frigideira queimada, ou seus olhos com piscinas de água suja infestada de mosquitos, e também pode experimentar o clássico “meu coração por ti gela como sorvete na ruela...”.


No dia seguinte, Beetlejuice convida Lydia para dar uma passadinha em seu muquifo, onde o Príncipe a espera com um presentinho.


Aliás, considerando o outro episódio que resenhei, todo mundo só sabe dar joias bizarras para Lydia nesse desenho. No seu aniversário de amizade com Beetlejuice ela ganhou um broche de aranha – uma dica bem sutil para ela jogar seu antigo broche de barata fora.
Assim, depois de quebrar o gelo, ela aceita o convite do Príncipe para uma sessão de cinema assustador esta noite. E a menina fica toda eufórica ao saber que Beetlejuice conseguiu o emprego como Bobo da Corte.



Aqui entre nós, amiga: é mais fácil conseguir que o Seu Madruga pague o aluguel!
Então, naquela noite, Lydia tem seu primeiro encontro com um carinha da terra dos pés juntos. Primeiro um jantarzinho – provavelmente com um cardápio tão “apetitoso” quanto o que Beetlejuice preparou para o piquenique, e tão digestivo quanto –, com direito a uma apresentação especial do novo Bobo da Corte, transformando o Músico Real na nova edição do Drácula violinista.
Em seguida, os dois vão ao cinema drive-in para uma sessão dupla de filmes. Primeiro, assistirão a um épico de quatro horas chamado O Palhaço Chorão – porque o Príncipe aparentemente não entendeu que Lydia prefere o palhaço assassino de It, A Coisa do que um dramalhão mexicano –, e depois o novo clássico do horror que todos estão loucos para assistir, A Língua do Monstro Que Comeu Chicago.


Ao que tudo indica, o filme foi baseado numa obra do Stephen King. Todo mundo adorou o livro.
A propósito, onde estão seus bons modos, Príncipe? Ofereça um lanchinho para sua amiga durante o filme.


Falando em coisas bizarras, Beetlejuice decidiu colocar seus dedinhos na sopa que o cozinheiro Real está preparando para quando o Príncipe regressar com sua convidada.


No fim da noite, o Príncipe, como um bom cavalheiro, levou Lydia até a porta para o seu mundo – que, diferentemente do primeiro episódio de que já falamos, agora fica suspensa no ar, e não mais no alto da escada da casa de Beetlejuice –, e aproveitou para lhe fazer os elogios que o Bobo da Corte aconselhou. E como Lydia gosta de coisas estranhas, ela acredita que o Príncipe tenha um grande senso de humor.


Este é o início de uma grande e estranha amizade. O Príncipe corre de volta para o seu castelo, para escrever no diário o nome da futura Sra. Karloff Jr., com muitos coraçõezinhos nos pingos dos “is”, e já começa a ensaiar seu pedido de casamento, crente de que conquistou o coração da mocinha. Enquanto isso, Lydia compartilha com Beetlejuice as primeiras impressões sobre seu novo amigo Vince.
Sim, AMIGO. Foi mal, carinha, mas parece que você conquistou cadeira cativa na Friendzone na Lydia.
A propósito, ela está ligada que Beetlejuice andou dando umas aulinhas ao Príncipe sobre como ser engraçado – porque é óbvio que ela reconheceria as cantadas malucas de seu melhor amigo a quilômetros de distância –, e embora ele ainda não seja exatamente um Jerry Lewis, está melhorando.
Quem não gosta nada dessa historinha é o Beetlejuice, que sente que o Príncipe está querendo substituí-lo como melhor amigo de Lydia.


Caso alguém não tenha pegado a referência, esse é o nome da atriz que interpretou A Noiva de Frankenstein no filme de 1935. Já falei um pouquinho dele aqui, e tenho planos de escrever uma review em breve – o que, no meu calendário, pode significar em algum momento nos próximos dez ou quinze anos.
Retomando... Por puro recalque, Beetlejuice decidiu transformar os balões em forma de coração que o Príncipe mandou soltar para Lydia durante o próximo encontro em fogos de artifício. Só que esse tiro acabou saindo pela culatra, pois Lydia gostou muito mais dos balões depois de vê-los explodir.


E o relacionamento dos dois está ficando cada vez mais sério. Tanto que ela achou que já era hora de apresentar o Príncipe aos seus velhos amigos, Jacques, Ginger e o Monstro do Outro Lado da Rua, que ficam muito animados ao serem convidados para se divertir no castelo dele.


Enquanto isso, o Bobo da Corte N°1 de Neitherworld está deprimido e sem vontade de brincar. Sobretudo porque agora, sim, o Príncipe resolveu declarar seus sentimentos à Lydia, e pedir oficialmente que ela seja sua Princesa.


Saber que Lydia o quer somente como amigo, faz o Príncipe mergulhar novamente na depressão. Daí já viu, né? Chuva e trovões tudo de novo...


Avisem a galera da faxina: deu alagamento na sala do trono!
Mas Lydia o consola, pedindo que ele pense em como se divertiram juntos, e nos novos amigos que ele fez, e blá-blá-blá... Porque todos sabemos que é fácil assim curar um coração partido. Mas como isso é um desenho, e precisa ter um final feliz, o discurso funciona, e ele finalmente se dá conta de que já não se sentia tão melancólico desde que começaram a sair juntos. E não há razão para isso terminar.
Nesse momento, um criado abre a porta, sem saber que o salão está inundado por causa da tempestade causada pelo chororô do Príncipe, fazendo toda a água correr para fora, carregando os novos amigos do Karloff Jr., e também Beetlejuice, que tinha aproveitado a enchente para dar uma nadadinha.
Pelo menos agora o Príncipe já se acalmou do siricutico, e até decidiu convidar seus novos amigos para tomar um refri na lanchonete da esquina.


É, mas não pense que você vai se safar assim tão fácil desta vez, Beetlejuice. Os súditos do Príncipe estão furiosos com as suas pegadinhas, e fizeram um abaixo assinado para que o Príncipe mande atirá-lo aos vermes ou o pendure pelo rabo no lustre da sala do trono.


E olha só: o Príncipe Vince caiu na gargalhada com essa travessura do Beetlejuice!


Pelo visto, as coisas nunca mais serão as mesmas para o Príncipe Frankenstein de Neitherworld.
No próximo post, um terapeuta de fantasmas fará tudo ao seu alcance para que um bando de fantasmas camaradas abandonem uma mansão no Maine. Até lá! *-*


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