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sábado, 10 de março de 2018

Vampiros, Vampiros... Diabinhos a Parte



Desde que a história voltou à moda, pegando carona no sucesso da saga Crepúsculo e no crescente interesse do público por romances adolescentes com vampiros, desenvolvi uma relação de amor e ódio com Diários do Vampiro.
Originalmente, a saga foi publicada em 1991, e tinha somente quatro livros. É bem provável que sua autora, L. J. Smith tenha deixado uma segunda saga engatilhada e talvez até escrita para o caso de os vampiros voltarem à moda, o que aconteceu em 2006, com a publicação de Crepúsculo. Em 2009 a autora começou a publicar a trilogia Diários do Vampiro – O Retorno. No mesmo ano estreou a série de TV vagamente – e apenas vagamente – baseada em seus livros, finalizada ano passado após oito temporadas.
Meu relacionamento com a série de TV é bastante controverso. Não foi amor ao primeiro episódio, como costuma acontecer – não que eu tenha visto o primeiro episódio, é modo de falar; o primeiro que eu vi foi o dezoito da primeira temporada, e não achei grande coisa; anos depois, quando decidi dar outra chance à série, peguei o bonde andando de novo, mas desta vez pelo episódio sete, o da Casa Assombrada da escola, onde a Vickie é assassinada por um dos mocinhos, e foi aí que eu passei a gostar da série. Depois disso, acompanhei assiduamente até o último episódio, mesmo depois que a qualidade caiu na quarta temporada. Enfim, outro dia falaremos disso, quando eu finalmente concluir a interminável série de reviews e começar a postar. Tenham fé. E paciência.
Enquanto as reviews da série não ficam prontas – estou preparando essas postagens desde que a série estava na quinta temporada, mas por uma série de motivos complicados demais para relacionar aqui, não ficou pronta ainda –, vamos falar dos livros.
Dá para resumir a saga Diários do Vampiro da seguinte forma:




1- O Despertar: Elena conhece Stefan. Elena o quer. Elena o tem. Mesmo ele tendo feito doce no início.
2- O Confronto: Damon quer Elena. Elena quer mandá-lo para o inferno. Elena não resiste ao charme de Damon.
3- A Fúria: Elena, agora vampira, convence Stefan e Damon a se aliarem contra um inimigo misterioso que está atacando a cidade. Aliás, que bom que a série de TV recriou o personagem da Katherine, porque a vampira do livro não chega aos pés daquela diva do mal.
4- Reunião Sombria: Quem estava faltando nessa história? Quem é o vampiro Original mais perversamente charmoso do mundo? Pois é... Não é o Klaus dos livros, onde ele praticamente só aparece em uma cena. Outro personagem que a série recriou muito melhor.

Como veem, não acontece muita coisa na quadrilogia inicial de Diários do Vampiro. Tem seus pontos positivos, como já mencionei na resenha do primeiro livro: o cadáver verdadeiro na mesa de sacrifício druida na Casa Assombrada da escola; a ceia dos tolos, onde Elena “convida” a presença espectral de seu futuro marido para jantar na casa de Bonnie... E falando dos outros três livros: o jantar de Ação de Graças na casa de Elena, com o futuro tio Robert, um amigo simpático, uma amiga paranormal e um lindo vampiro passando as batatas; o mistério da cripta sob a tumba de Honória Fell; Elena descendo o sarrafo no Stefan depois de acordar vampira (sem brincadeira!); a cena de terror durante a festa do pijama na casa da Caroline, que começou com um tabuleiro de Ouija e terminou com uma das meninas sendo arremessada da janela do segundo andar; Stefan ameaçando fatiar Tyler com um machado (e antes que alguém me chame de sádica, a cena foi hilária!); ah, sim, e Damon aparecendo na última hora para salvar a pátria; e os espíritos revoltados de Fell’s Church se levantando da terra para transformar um Vampiro Original no prato do dia... Ou algo semelhante.
Não se enganem pelo meu sarcasmo; gostei dos livros. Mas acho que alguns personagens ficaram melhores na série. Por exemplo, os já mencionados Katherine e Klaus, que praticamente só deram uma passadinha pelos livros e não fizeram grande coisa – ou melhor, fizeram, mas quando ninguém estava olhando para eles –; Bonnie, que era extremamente chorona e superprotegida nos livros, e tratada como criança por praticamente todos os outros personagens; Caroline, que era só uma vadia com raiva da Elena, caça macho, e a partir da segunda trilogia, aprendiz de árvore réptil possuída por um demônio japonês (não perguntem!); Tyler, que era só um lobisomem sem-vergonha brincando de lobo mau, perseguindo meninas desavisadas no cemitério, fazendo pactos com malvados e brincando de fazer lobinhos com a Caroline; e o Alaric... Não tenho nenhuma queixa, exatamente, contra ele, só acho que ele desapareceu da saga por tempo demais.
Por outro lado, alguns personagens até soaram melhor nos livros do que na série, como Matt, que na minha opinião era um Zé Ruela na série, mas que era um cara super bacana nos livros – e, desconfio, apaixonado pela Bonnie. E uma personagem que acabou sendo cortada da série, mas que era bacana nos livros é a Meredith Sulez – até teve uma Meredith na série, mas era Meredith Fell, e ela era uma médica sem graça que deu uns pegas no Alaric na terceira temporada, o que, aliás, foi seu único vínculo com a Meredith dos livros, que era a melhor amiga da Elena, uma garota equilibrada, com nervos inabaláveis, que estava sempre pronta e sabia lidar com qualquer situação. Problema na mão da Meredith era caso resolvido! Mais prática que a Caroline da série.
Quanto ao trio principal... Nenhuma queixa, exatamente. Elena é determinada, mais ou menos carismática – quando não está se achando demais, ou invocando asas (de novo, não perguntem) –, e mostra seu melhor lado sempre que se deixa seduzir por Damon. Aliás, a única outra vez em que Elena mostra um lado legal é no conto Matt & Elena: Primeiro Encontro, quando ela demonstra não ser a garota fútil e vazia que parecia no primeiro livro da saga. Um conto que, sem dúvida, vale a pena ler. Stefan lembra (de longe) o personagem da série, com toda aquela moral, aquela culpa, aquela vontade de se torturar e se punir por tudo de ruim que acontece no mundo. Nunca vou entender o que a Elena viu nele. Apesar de que, quando está embriagado de Poder, e resolve chamar o Damon pra briga, quase dá para simpatizar com ele. De qualquer ângulo, Stefan foi melhor desenvolvido na série do que nos livros. E Damon... Bem, Damon é o Damon! É o cara que faz as milhares de páginas dessa saga valerem a pena. Sem ele, essa história não seria nada. E, por incrível que pareça, ele é um sujeito até decente nos livros – exceto quando está possuído por outro diabinho japonês...




Quem não leu a segunda trilogia Diários do Vampiro – O Retorno, provavelmente não entendeu esse papo de demônios japoneses. Vou explicar: nessa trilogia, os vampiros de Fell’s Church (sim, Fell’s Church! Nada de Mystic Falls) enfrentam uma nova ameaça, atraída à cidade pelas linhas de Poder, e principalmente, por uma grande explosão de Poder que ocorreu no antigo bosque quando Elena foi trazida de volta dos mortos (longa história), e agora estão tocando o terror, fazendo meninas adolescentes enlouquecerem a ponto de se auto-mutilar e se jogar para cima de qualquer ser humano do sexo masculino, mesmo que seja um parente muito próximo – tipo pai e irmão; sim, polêmico! –, transformando as árvores em criaturas animadas, que gostam de espremer pessoas dentro e fora de seus carros, e infestando a floresta com insetos gigantes capazes de engolir braços inteiros. Esses diabinhos são os kitsune*, personagens do folclore japonês, que já foram considerados tanto deuses quanto demônios, também conhecidos como espíritos de raposa, pois frequentemente aparecem nessa forma.
A parte legal nessa história é que os kitsune transformaram parte da floresta de Fell’s Church numa espécie de dimensão mágica, onde tudo era possível, inclusive estender a mão para o espaço vazio e, literalmente, pegar uma taça de vinho de Magia Negra, feito especialmente por vampiros e para vampiros, e que é capaz até de substituir o sangue por algum tempo; e, tendo a chave certa, pode-se abrir portas para qualquer lugar que a pessoa queira ir, e criar cômodos com tudo o que a pessoa precisar numa casa encantada construída pela kitsune.
E creio que isso foi tudo com que eu simpatizei no primeiro livro dessa trilogia, Anoitecer. Bem, isso, e a grande batalha contra as kitsune no quintal da pensão no final do livro, quando Elena finalmente conseguiu controlar seus novos poderes de espírito enviado de volta dos mortos. Pelo menos, até perder o controle sobre eles de novo...
Aliás, uma parte meio debiloide dessa história foi quando Elena ainda era uma espécie de criança grande, sem gravidade, sem saber falar ou escrever, com a comunicação limitada a imagens telepáticas compartilhadas com Stefan e reconhecimento dos outros personagens através de beijos na boca. Não me espanta a Caroline ter surtado...
Entendo que a ideia era transmitir a nova pureza da Elena ao retornar da morte chapada de Magia Branca, mas perdeu um pouco o sentido a certa altura. De mais a mais, essa parte foi meio besta.
Agora o que não foi besta, de modo algum, foi a continuação dessa aventura bizarra em Almas Sombrias, segundo livro da trilogia, onde Elena, Damon, Bonnie e Meredith se aventuram na Dimensão das Trevas – uma espécie de antessala do inferno – para resgatar Stefan da prisão onde as kitsune o colocaram – muito por culpa do Damon, diga-se de passagem. E eles precisam fazer isso rápido, porque do jeito que o coitado está sendo tratado, ele pode morrer a qualquer momento.
O interessante é que a Dimensão das Trevas foi descrita como uma espécie de cidade feudal, com castelos e aldeias, e povoados que parecem favelas, mas também grandes mansões, onde vivem humanos, vampiros, demônios, bruxas, guardiões, kitsune, escravos e certa pessoa feita inteiramente de flores. Agora imaginem Damon, literalmente, descendo o chicote em Elena – e isso não tem nada a ver com Cinquenta Tons de Cinza! Diários do Vampiro é uma saga de família! Quer dizer... Enfim, agora imaginem que nessa espécie de limbo infernal, as pessoas ofereçam bailes quase  todas as noites. E, só para arrematar, imaginem Elena jurando amor eterno ao Stefan desaparecido enquanto se derrete nos braços do Damon...
L. J. Smith foi certeira ao dosar o relacionamento desse casal na saga, e conduzir isso sem parecer ter acontecido de repente – como o amor de Elena por Stefan. A relação dela com Damon floresceu aos poucos, e foi acontecendo... e acontecendo... e, sejamos realistas, ela não fez muito esforço – nenhum, na verdade – para resistir a ele.
Almas Sombrias é, definitivamente, o melhor livro da saga – contando apenas as duas primeiras séries de livros; ainda não tive oportunidade de ler a trilogia Caçadores.
E então chegamos a Meia-Noite, o livro que fecha a trilogia O Retorno, onde Damon, acidentalmente curado do vampirismo no lugar de Stefan, decide voltar à Dimensão das Trevas, em busca de uma vampira tão poderosa quanto ele costumava ser para transformá-lo de volta, pois nos livros os vampiros absorvem a força daqueles que os criaram, e Damon gosta de ser o todo poderoso.
O problema é que ele acaba acidentalmente arrastando Bonnie consigo em sua expedição, o que faz com que os outros personagens acabem se dividindo entre os que irão à Dimensão das Trevas verificar se Damon está cuidando direitinho da mascote da turma, e os que ficarão em Fell’s Church para lutar contra as kitsune, suas diabruras e as crianças encapetadas, que estão apenas à espera da ordem de uma entidade maior para executar “A Última Meia-Noite”, uma espécie de Apocalipse Kitsune, que destruirá Fell’s Church, do mesmo jeito que no passado esses monstros destruíram algumas cidades japonesas.
Nem é preciso dizer que a cidade está um caos, e que tem muita gente batendo em retirada para tentar se proteger dos monstros. Mas nossos heróis contam com a ajuda de uma poderosa bruxa, e uma ajuda inadvertida dos amigos que foram à Dimensão das Trevas em busca dos foragidos, e que acabaram descobrindo lá a solução definitiva para os seus problemas. Que... acabaram criando mais alguns, mas isso é assunto para a próxima trilogia...

*Sim: as Kitsune, e não as kitsunes! A língua japonesa tem um jeito engraçado de expressar o plural. Ou melhor, de não expressá-lo...




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2 comentários:

  1. Achei interessante a maneira de narrar os acontecimentos!

    www.sramaia.blogspot.com

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    1. Obrigada, Beatriz :) Fico feliz que tenha gostado da resenha *-*

      Beijos

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