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quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Rouxinol e a Rosa


“Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas vermelhas – exclamou o Estudante – mas não vejo nenhuma rosa vermelha no jardim.”
A primeira frase do conto “O Rouxinol e a Rosa”, de Oscar Wilde, não diz muito, fora do contexto da história, mas enuncia o drama do Estudante, que tocou o coração do Rouxinol.


O pequeno pássaro ouviu toda a lamentação do rapaz e, compadecido, voou pelo jardim à procura da rosa vermelha que acalmaria o coração desesperado do Estudante, mas as roseiras que tinham flor eram brancas e amarelas. A roseira que dava rosas vermelhas estava danificada pelo frio do inverno, por isso não tinha nenhuma rosa.
O Rouxinol, aflito por conceder a dádiva que alegraria o coração do apaixonado Estudante, fez um acordo terrível com a roseira. Ela faria para ele uma única rosa vermelha ao luar, mas para tal, era necessário o sacrifício do Rouxinol, pois a rosa seria tingida com o sangue do coração do pássaro, arrebatado dele por um espinho, enquanto ele cantava.
Por acreditar na supremacia do amor em relação à vida, o Rouxinol decidiu sacrificar-se para que o Estudante tivesse a rosa que sua amada lhe exigiu. Quando a lua brilhou no céu, ele apoiou o peito no espinho da roseira e se pôs a cantar.
Ao abrir a janela de seu quarto no dia seguinte, o Estudante se maravilhou ao ver a rosa e correu a levá-la a sua amada, para cobrar-lhe a promessa de que dançaria com ele no baile daquela noite. A moça, porém, desprezou o presente singelo do Estudante, pois outro rapaz tinha lhe dado joias em troca da dança.
Então o Estudante, desgostoso com a ingratidão da moça ao seu presente – e ao seu amor –, desprezou o sentimento e voltou sua atenção para os livros e os estudos. E a rosa, pela qual o Rouxinol sacrificou a própria vida, acabou atirada à sarjeta e esmagada por um carro.
O conto O Rouxinol e a Rosa, embora antigo e cheio de detalhes estéticos que hoje não se usa com tanta importância na narrativa, traz uma mensagem atual: a posição dos valores e do interesse material.
O Estudante não sabia como aquela rosa havia sido feita, mas enquanto confiava na promessa de sua amada, de que dançaria com ele se a desse, não havia nada mais valioso no mundo. No entanto, no momento em que a promessa foi quebrada, ela deixou de ter importância, e foi facilmente descartada.
Esta história é um espelho do mundo real, onde muitas vezes o materialismo importa mais que os sentimentos, sejam eles românticos ou de amizade. A verdade é que vivemos num mundo onde até o respeito, muitas vezes, é comercializado.
Quase toda a obra de Wilde é uma crítica à sociedade hipócrita e superficial de sua época. Ele próprio foi alvo de preconceitos e acusações por causa de sua homossexualidade, e aproveitava seu prestígio literário para criticar de forma ao mesmo tempo explícita e sutil o conceito de moralidade que as pessoas pregavam, em contraste com o que viviam, e foi alvo de críticas e punições por esbofetear artisticamente o ego dos irlandeses e britânicos.    
O fato é que a sociedade irlandesa e britânica da época – assim como no mundo todo, inclusive nos dias atuais – contradizem com suas atitudes os conceitos que pregam.
Muitas pessoas quiseram ridicularizá-lo e desacreditá-lo, mas sua literatura genial sobrevive até hoje inspirando as novas gerações, e suas críticas continuam preservadas, mas já não incomodam tanto quanto em sua época, apesar de algumas máscaras ainda serem usadas, e das aparências, muitas vezes, importarem mais que os valores.
A sociedade atual aprendeu a conviver e aceitar suas imperfeições e suas diferenças. O que na época do autor seria considerado um escândalo, hoje em dia é comum. Alguns preconceitos foram quebrados e, embora o materialismo ainda impere, a sociedade atual goza de uma liberdade para sentir e demonstrar suas paixões que nenhuma outra geração conquistou.
É o triunfo da sociedade contemporânea!

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