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sábado, 1 de setembro de 2018

Vale a Pena Ver de Novo Bem Rápido – Parte 2: Sonhos Viram Realidade... E Pesadelos Também...

No capítulo anterior, vimos o Príncipe Afonso abdicar do trono de Montemor por amor à Amália, uma plebeia de Artena, depois de ela ter percebido que o povo nunca a aceitaria como esposa do Rei. Consequentemente, a coroa passou para a cabeça desmiolada de seu irmão Rodolfo, que não tardou em se casar com uma Princesa tão birutinha quanto ele; e mais tarde acabou sendo manipulado por Catarina a anular seu casamento com Lucrécia e se casar com a maquiavélica Princesa de Artena.
Mas quando o reinado de Rodolfo ameaçou levar Montemor à falência, Afonso decidiu tomar as rédeas da situação e recuperar o trono.
E é deste ponto que partimos hoje.


Deposto, Rodolfo é preso em seus aposentos até que Afonso decida sobre o seu destino. Reconhecendo que não teria escapado da Pedreira sem a ajuda de Catarina, Afonso se compromete a reconstruir Artena, e é quando a Princesa o informa de que Otávio, Rei da Lastrilha se aproveitou dos problemas internos de Montemor para invadir seu território e tomar posse do Vale de Laios, uma das regiões mais férteis da Cália e do acesso de Artena ao mar, para expandir as rotas comerciais da Lastrilha.
Catarina já tinha convocado o Conselho da Cália quando Rodolfo concordou em ceder aqueles territórios a Otávio em troca de uma aliança contra Afonso, e o Conselho vetou a transação. Mas Otávio não respeitou esta oposição, traiu todo mundo e se apoderou do território por conta própria.
Então Afonso leva seu exército a Artena para expulsar as guarnições da Lastrilha, o que acaba acrescentando uma inimizade mortal com o Rei Otávio aos muitos problemas herdados do Reinado desmiolado de Rodolfo.
Enquanto isso, Catarina tomou suas providências para evitar que Constantino desse  com a língua nos dentes sobre seu passado sórdido. Ela pediu a Diana que entregasse um anel ao Duque na masmorra do castelo de Montemor, onde ele estava preso, depois de ter sido capturado pelos guardas fugindo da Pedreira com os outros, supostamente como pagamento por sua ajuda na libertação de Afonso. Mas a criada não sabia que o anel estava envenenado, e foi só colocá-lo no dedo, para Constantino começar a agonizar e cair morto na sua frente.
Para piorar a tragédia, Diana foi vista por Delano entregando o anel ao Duque. Ou seja, se ele abrir a boca, Diana pode acabar na forca.
Como sempre, a corda arrebenta pelo lado mais fraco. E Catarina não gosta de pontas soltas.
Quando Constantino é encontrado morto na cela, Lupércio suspeita de envenenamento, pois algumas substâncias não deixam rastros, e o cadáver demora vários dias para apresentar evidências.
Por isso, Afonso pede que ele conserve o corpo do Duque até que algum traço do veneno apareça. O que inevitavelmente acontece, deixando Afonso preocupado por saber que há um assassino à solta no Reino.
Quanto aos outros prisioneiros, Selena, Ulisses e Tiago, são todos libertados por ordem de Sua Majestade, o Rei Afonso de Monferrato.
Bem, todos, menos Rodolfo, que continua trancado em seus aposentos, recebendo visitas frequentes da Matriarca da Fé, Lucrécia.
Ah, é, esqueci de comentar essa parte. Depois de ter sido escorraçada do castelo por ter transferido os chifres de seu cabelo para a testa de Rodolfo, e de ter seu casamento anulado, e a coroa arrancada de sua cabeça para adornar a cuca daquela demônia da Catarina, e como o Reino de Alcaluz estava falido e abandonado às traças, Lucrécia foi se refugiar num convento, onde se tornou a noviça do cérebro de minhoca, amante de jejum, do colchão de tábua dura, e do jardineiro bem esculpido do convento. Mas quando as freiras decidiram organizar uma Quermesse em Montemor, ela deu um jeitinho de reencontrar Rodolfo, e por uma dessas maluquices que os dois adoram aprontar, Orlando acabou demitido do cargo de Patriarca da Fé – o que muito o agradou, pois agora ele pode tirar o atraso do celibato por aí –, e Lucrécia acabou sendo escolhida como sua substituta. Até porque, a nova religião foi uma invenção de Rodolfo, então pouco importa se seu líder será homem, mulher ou animal de pequeno porte.
E como agora Rodolfo já se deu conta da víbora que é Catarina, a única coisa que impede a reconciliação do casal é a insistência da maluca em permanecer como Matriarca da Fé.
Pelo menos ela está dando bons conselhos ao Rodolfo, principalmente sobre revelar os podres de Catarina a Afonso.
Mas Catarina não nasceu ontem, e já havia tratado da transferência do pai para outra prisão, e mandou subornar os guardas com um anel caríssimo para que ficassem com a boca fechada. De modo que, quando Afonso mandou Romero averiguar, o Rei não estava lá, e ninguém se lembrava de tê-lo visto.
Catarina pode até ter parecido inocente aos olhos de Afonso, mas não de Amália, que já desconfiava daquela bisca de outros carnavais.
E como Afonso continua irredutível sobre a intenção de se casar com a plebeia, mesmo com a anulação do casamento de Catarina com Rodolfo, ela começa a arquitetar outra maneira de se livrar de Amália.
Aproveitando a chegada da peste a Montemor, Catarina manda sua dama de companhia, Lucíola, espalhar o boato de que a doença foi trazida por uma bruxa, e iniciar as suspeitas de que essa bruxa seria Amália.
Na verdade quem trouxe a peste para Montemor foi Saulo, um dos alunos da Academia Militar de Romero. Supostamente, a parteira que ajudou sua mãe quando ele nasceu era uma bruxa, e teria sido culpa dela a mãe dele morrer no parto; por isso ele nutre um ódio mortal por elas. Quando começou a suspeitar do estranho dom de Agnes de ler os pensamentos das pessoas, ele decidiu ir até a aldeia onde a menina cresceu para investigar, e voltou contaminado com a peste.
Ele também foi o primeiro a morrer com a doença, logo depois de ter a confirmação de que Agnes e Selena eram bruxas, e de se convencer de que isso não as tornava pessoas más, já que Selena salvou sua vida inúmeras vezes, e Agnes só usava seu dom para ajudar as pessoas.
Mas com a chegada da peste a Montemor, Catarina teve a oportunidade perfeita para incitar o povo contra Amália e se livrar dela sem sujar as mãos.
O povo deveria ter desconfiado das acusações que Lucíola induziu uma plebeia chamada Ísis a espalhar contra Amália, já que uma das primeiras vítimas fatais da peste foi Martinho, pai da mocinha.
Além disso, Amália estava se esforçado, ajudando o Dr. Lupércio a visitar os doentes, e a preparar as infusões de ervas que podiam aliviar os sintomas. Ela também mandou distribuir cobertores e roupas aos mais necessitados durante o surto, e queimou os incensos que o médico disse que poderiam afastar a doença pelas ruas da cidade.
Não que Lupércio fosse um especialista em peste. A verdade é que, na Idade Média, pouco se sabia sobre essa doença misteriosa, e em alguns lugares da Europa, pessoas mais supersticiosas pensavam mesmo que a doença era obra de bruxaria, já que ninguém sabia como ela escolhia suas vítimas. A peste chegava a uma região de repente, e do mesmo modo repentino ia embora, e passavam-se décadas até que outra pessoa a contraísse. E ninguém sabia de onde ela vinha, nem porque algumas pessoas morriam e outras não, enquanto outras pareciam ser imunes a ela.
Hoje se sabe que ela é transmitida pela pulga dos ratos. A doença ainda existe, é rara, mas considerada grave. Pelo menos, hoje se sabe que ela pode ser tratada com antibióticos de amplo espectro, algo que ainda nem tinha sido inventado na época da novela.
Quanto à invulnerabilidade de algumas pessoas, não se sabe o motivo exato, mas alguns indivíduos simplesmente não pegam a peste, e depois que ela se apresenta numa região, sua simples presença estimula a criação de anticorpos naturais em boa parte da população. Por isso era comum a doença desaparecer repentinamente e ficar décadas sem atacar ninguém, pois toda aquela geração se tornava imune a ela.
Admirável Mundo Inventado também é cultura!
Ironia das ironias, a própria Catarina acabou contraindo a peste, quando tentou bancar a boa samaritana, ajudando a colher as ervas para as infusões.
Mas a bicha é tão ruim, que nem a peste quis ficar com ela para sempre!
Todavia foi o suficiente para ela escrever uma carta ao pai pedindo seu perdão, confessar seu amor ao Rei Afonso durante um suposto delírio, e mandar Lucíola intensificar as acusações contra Amália.
Eu juro que tentei, em diversos momentos, encontrar um atenuante para redimir Catarina, mas essa mulher não tem jeito, não. Vai ser malvada assim lá longe!
Quando finalmente se recupera, Catarina vai secretamente ao Reino de Brúnis, para convocar Dom Bartolomeu, o Inquisidor da Cália para expurgar as bruxas de Montemor.
A primeira providência do Inquisidor, obcecado por caçar bruxas, é enviar uma turba à casa da Mandingueira – que era um amor de pessoa, uma curandeira que não fazia mal a uma mosca, a menos que isso servisse para curar alguém de alguma moléstia –, para jogá-la na fogueira, acusada de bruxaria.
Depois, atentando para os rumores sobre a futura Rainha Amália ser uma bruxa, o Inquisidor começa a investigá-la, com base em evidências frágeis: fofocas, o fato do cabelo de Amália ser ruivo – sendo a cor vermelha associada ao mal –, e a descoberta de um livro de bruxaria plantado por Catarina na casa abandonada onde a família de Amália havia morado antes de se mudar para o castelo com Afonso, para incriminá-la.
Ao saber das acusações, Afonso correu para pedir ajuda ao Conselho da Cália para expulsar Dom Bartolomeu de Montemor, pois o Inquisidor não pode se meter onde não foi chamado, e o Rei não o convocou. O Conselho apoia o Rei, mas o Inquisidor argumenta que Afonso pode ter sido enfeitiçado pela plebeia, e por isso não está de acordo com sua caçada no Reino.
Com o incentivo do povo, Amália é levada a julgamento público, e o Inquisidor a desafia a recitar uma passagem da Bíblia para provar que não é uma bruxa, pois, de acordo com sua crença, feiticeiras não conhecem as Escrituras Sagradas. Por um lado, o desafio é uma boa notícia, pois a mãe de Amália a alfabetizou com a Bíblia. Mas o Livro, como todos sabem, é meio grande, de modo que seria difícil a plebeia se lembrar de um capítulo inteiro de cor, mesmo sendo o clássico Salmo 23 – o mais conhecido de todos.
Eles não contavam com a astúcia de Agnes, que conseguiu uma Bíblia emprestada, e usou seu dom para soprar o texto nos ouvidos de Amália, do outro lado da praça.
O que, é claro, acabou por revelar à futura Rainha que a menina é uma bruxa. Mas depois de tudo o que passou, e de comprovar pessoalmente que Agnes só usa seu poder para ajudar pessoas, Amália desenvolveu um profundo respeito por essas mulheres, que não escolheram nascer com um dom.
Depois de se ver obrigado a libertar Amália, Dom Bartolomeu é finalmente expulso de Montemor, mas no caminho, sua comitiva é abordada pela Bruxa Brice, que aproveita o ensejo para se vingar do velho por quase tê-la jogado na fogueira uma vez. Também foi por culpa de Dom Bartolomeu que a mãe de Selena foi capturada e queimada.
Uma pena, pois assim Afonso e Amália não têm como confirmar a suspeita de que foi Catarina quem convocou o Inquisidor.
Passado esse perigo, e também a peste, que já foi embora de Montemor enquanto o barraco acontecia, Afonso já pode preparar um banquete para os outros Reis da Cália, para poder pedir um empréstimo ao Conselho, colocar as finanças do Reino em ordem e reconstruir Artena.
Ah, sim, e Rodolfo, depois de ter sido desmascarado por Afonso, por fingir estar com a peste – a doença, não a Catarina – para adiar o exílio, é finalmente expulso do castelo, e se refugia com Lucrécia, seu tio Beiçola... Digo, Heráclito, os conselheiros Tico e Teco e uma criada chamada Latrine, na casa de um cidadão chamado Timóteo, nos arredores de Montemor, para planejar um novo golpe para reaver o trono.
O plano, logicamente, não dá certo, e Lucrécia acaba decidindo deixá-lo a ver navios e voltar para Alcaluz. Principalmente depois de descobrir que ele andava ciscando no terreiro da nova Duquesa, Glória, filha de Naná, uma das cozinheiras do castelo.
Glória foi noiva de Osiel – aquele mesmo que teve um trelelê com Lucrécia quando estava lhe ensinando a pintar o sete –, mas naquela época, ela era gorda e desengonçada. Um belo dia, cansada de sua autoestima baixa, Glória foi pedir um milagre, uma bruxaria, ou uma macumba à Mandingueira, que lhe recomendou um fruto encantado que cresce na floresta de Montemor. Basta comê-lo para perder oitenta quilos de gordura inútil num estalar de dedos. Provavelmente o mesmo argumento que a serpente usou com Eva no Paraíso. Mas a bruxa alertou que o efeito seria temporário, e que Glória teria que voltar a comer o fruto para manter a forma. Só que cada fruto que ela comesse, lhe roubaria um ano de vida.
Quem gosta de soluções “miraculosas”, melhor passar longe de um troço desse! Mas Glória estava pouco se lixando se morreria na flor da idade, contanto que estivesse linda, magra e deusa em seu caixão.
Mas o feitiço acabou lhe custando também o noivado com o pintor, que não gostou de sua nova versão. Não por estar magra, mas porque Glória começou a se sentir a rainha da cocada diet depois que emagreceu, e começou a viver de suspiros. Mais precisamente daqueles que conseguia arrancar dos homens da região.
E um que suspirou bastante por essa donzela foi o Rei deposto Rodolfo, que se aproveitou do fato de que Glória não se recordava de sua fuça – porque além de anos de vida a frutinha provavelmente roubava seus neurônios também, já que Glória em sua versão gorda esteve bem ao lado de Osiel quando ele entregou a estátua que Rodolfo encomendara, e que algum engraçadinho decidiu pichar “Rei Boiola” no tórax.
Ok, não foi Rei Boiola. O caso é que eu não lembro qual foi a ofensa exata; traidor, ou covarde ou algo do tipo. Mas vamos lembrar que ele andou preparando jantares à luz de velas para o seu conselheiro Tico – ou terá sido o Teco? – quando estava enfeitiçado pela Brice, então, vamos considerar a hipótese...
Quem ficou muito satisfeita ao descobrir que a moça estava sendo cortejada pelo Príncipe foi Naná, que era doida para ver sua filha casada com um nobre, fosse ele quem fosse, e independentemente de ser bem-vindo ou não em sua corte.
Não fazia muito tempo, Naná tinha realizado parte desse sonho, transformando sua filha numa Duquesa, fazendo-a casar com o moribundo Duque Istvan – lembram dele? O ex-noivo de Catarina? Na época que cortejava a Princesa ele era um reles Marquês, mas depois que Rodolfo começou a vender títulos de nobreza numa barraquinha na feira de Montemor, Istvan juntou suas últimas economias para pagar o upgrade em seu título.
Istvan acabou morrendo com a peste – de novo, não estou falando da Catarina –, tendo se unido à Glória em sagrado matrimônio em seu leito de morte, pela então Matriarca da Fé, Lucrécia – sei nem se esse casamento é válido! –, deixando a filha da cozinheira viúva e ainda pobre, já que ele tinha sido deserdado pela família por ser esquisito – algo que Catarina também notara quando ele pretendia sua mão –, e a única herança que lhe deixou foi um camafeu sem muito valor.
Pelo menos o título de Duquesa, não é mesmo?! Isto é, considerando que ninguém conteste o casamento por ter sido oficiado pela Noviça Rebelde, quando era líder de uma religião que só existia na imaginação de Rodolfo...
Mas como ninguém nunca questionou, vamos chamá-la de Duquesa.
O rolo dela com Rodolfo também não vai muito longe, pois ela logo descobre que ele é o Rei deposto – não?! Jura, moça! Jura que você não tinha reparado na semelhança?! – E depois de dar guarida a ele quando todos o abandonaram sem nem as roupas do corpo – sem brincadeira! –, ela rompe o namoro, e permite que os guardas o escoltem para a fronteira do Reino com um dos vestidos de Naná.
Não tá fácil para ninguém, hein, Alteza...
Também não vai ser fácil o Rei Afonso convencer o Conselho a conceder um empréstimo a Montemor, mesmo dando a produção da mina de ferro como garantia. O problema é que os Reis se sentem pessoalmente ofendidos por sua insistência em se casar com uma plebeia. Mesmo que eles eventualmente tenham um filho, o garoto seria considerado um bastardo, e não poderia herdar o trono. Ou seja, a coroa voltaria para a cabeça desmiolada de Rodolfo.
E nesse meio tempo, Otávio encontra Virgílio, vivinho da Silva, na estrada, depois de ter sido expulso de Artena pelo exército de Montemor; e ao saber que o comerciante também é inimigo declarado de Afonso e Catarina, o Rei da Lastrilha decide recrutá-lo como conselheiro, para que lhe dê informações valiosas para derrotar os dois.
É através de Virgílio que Otávio fica sabendo que Catarina manteve o Rei Augusto preso na Torre de Zéria, mas, assim como o Capitão Romero, ao chegar ao local são informados de que o Rei nunca esteve lá. Mas Virgílio é mais atento que o Comandante do Exército de Montemor, e percebe que o guarda da Torre usa um anel caro demais para o seu posto. Eis que, interrogando “delicadamente” o sujeito, eles conseguem descobrir que Catarina remanejou o pai para outra prisão quando pressentiu que Rodolfo a denunciaria, e levam o Rei Augusto prisioneiro para Lastrilha.
Assim, Otávio chantageia Catarina, para que se case com ele, em troca de não denunciá-la pelo golpe em Artena, e por ter mantido o pai encarcerado. Não que Otávio estivesse particularmente interessado na Princesa, mas nas terras de Artena; mais precisamente no Vale de Laios e no acesso ao mar.
Então, durante o banquete que Afonso ofereceu aos demais Reis da Cália, onde Amália teve a chance de mostrar que aprendeu direitinho a História do Reino, e o status atual de todos os territórios da Cália nas aulas particulares que teve com o novo Conselheiro de Afonso, Gregório, e também teve a chance de perceber que as outras Rainhas preferiam ver Catarina casada com Afonso do que ela, a Princesa de Artena tentou envenenar Otávio para se livrar do compromisso e da chantagem, mas quem quase bebeu da taça envenenada foi Afonso, o que forçou Catarina a entornar o vinho no vestido glorioso que Amália estava usando.
Mas agora Amália tem vestidos de gala para escolher no guarda-roupa, e se apressa em se trocar, sem perder o rebolado.
Sem saída, Catarina é obrigada a anunciar seu noivado com o Rei Otávio durante o banquete.
E surpreendentemente, quem acaba tendo um ataque histérico com a notícia é Afonso, que sabe que Otávio só está interessado em pôr as mãos nas terras de Artena. Só esqueceram de um detalhezinho: Artena agora pertence a Montemor, e Afonso pode decidir não cumprir o acordo de restaurar o Reino e devolvê-lo à Catarina.
Mas depois que o Conselho da Cália nega o empréstimo solicitado, por não reconhecerem o casamento do Rei com uma plebeia, e impor como condição que ele se case com uma Princesa – tipo Catarina – para obter o empréstimo, Afonso fica com as mãos atadas.
Ele não pretende ceder às pressões, e começa a pensar em outra maneira de conseguir o dinheiro.
Por fim, a Rainha da Lúngria concorda em dar um adiantamento a Montemor por uma encomenda de minério de ferro.
Ninguém esperava que uma tragédia fosse pôr fim a esse acordo.
Catarina agora tinha pressa que Afonso declarasse a independência de Artena e a coroasse Rainha de lá, para que, supostamente, ela pudesse se casar com Otávio e unificar os Reinos. Mas a verdade é que Catarina não pretendia casar com o Rei da Lastrilha.
Dado o tempo que o Rei Augusto estava desaparecido, o Conselho da Cália concordou em declará-lo oficialmente morto, de modo que Catarina poderia ser coroada. Mas justamente no dia de sua coroação, a mina de ferro de Montemor desmoronou, matando dezenas de trabalhadores, e deixando diversas famílias desabrigadas nos arredores.
Supostamente, os mineiros teriam batido em alguma substância inflamável enquanto extraíam o ferro, e o impacto ocasionou uma explosão.
Mas esse buraco é sempre mais embaixo. Foi Catarina...
... quem mandou Delano comprar uma substância explosiva, para provocar o desmoronamento da mina. Assim, Afonso não poderia entregar a encomenda à Rainha da Lúngria, Montemor teria que devolver o dinheiro que recebeu como adiantamento, a situação financeira ficaria ainda pior, e o Rei não teria outra saída senão casar com ela para conseguir o empréstimo do Conselho.
Mas Catarina não estava noiva de Otávio?
E desde quando isso é impedimento para a malvada conseguir o que quer? Costume ela já tem; não teria dificuldade em dar um teco no noivo.
Quer dizer, tirando o fato de o Rei da Lastrilha ser duro na queda...
Enquanto Afonso lutava para sanar os problemas de Montemor, Virgílio seguia instruções de Catarina para libertar o Rei Augusto do Castelo em Lastrilha. Não que fosse do interesse de Virgílio ajudar a cobra, mas o Rei Augusto não tinha nada com isso, e secretamente o Marquês esperava que alguém visse Augusto desfilando pelas ruas da Cália, o reconhecesse, percebesse que ele não estava morto coisíssima nenhuma, e com isso derrubassem Catarina da vassoura.
Virgílio aproveitou a ausência dos monarcas na Lastrilha, quando eles foram a Montemor para a coroação de Catarina como Rainha de Artena, para sair em busca de Héber, um funcionário da última prisão em que Augusto foi colocado, que se tornou seu aliado, e o homem facilmente concordou em ajudar na fuga.
Quando Catarina e Otávio regressaram, ela preparou um sonífero para o noivo, pretendendo seduzi-lo, induzi-lo a beber o vinho e dormir com os anjos – ou com os demônios – a noite toda, enquanto ela retirava seu pai do castelo, e fugia em seguida. Ela só não contava que o desejo de Otávio por ela fosse maior que sua sede, e que ele preferisse “concluir o serviço” antes de encher a cara.
Por que não um veneninho, já que a bisca tinha tentado isso em Montemor? Porque uma coisa é envenená-lo durante um banquete, com serviçais de sobra para levar a culpa; outra bem diferente é envenená-lo em seus aposentos, com todo mundo na Lastrilha de olho nela.
E foi assim que Catarina deu um créu no Rei da Lastrilha. Ou tomou, no caso. E quando ele finalmente dormiu, a Rainha de Artena deu sinal verde para Virgílio retirar Augusto do castelo. Mas o Marquês não quis nem saber para onde Héber o levaria, pois já previa que se a coisa fedesse, era melhor que não houvesse nenhuma informação a ser arrancada dele.
E Virgílio ainda teve a chance de se livrar de uma vez por todas do Capitão Delano, cúmplice de Catarina, mas esqueceu aquela regra básica, de sempre verificar se seu inimigo está realmente morto, antes de dar no pé. Delano conseguiu sobreviver, para continuar atormentando os mocinhos por ordem da megera.
Que teve a oportunidade de pagar os pecados naquele mesmo dia, pois Otávio, ao despertar e se dar conta do sumiço do Rei Augusto e da fuga de Catarina, saiu em seu encalço, e conseguiu capturá-la no caminho, levou-a de volta ao castelo e exigiu que fossem casados imediatamente.
Por exemplo: tinha que ser o Afonso para interromper o casório, descer o cacete no Rei Otávio e levar a maldita de volta à Montemor.
Claro que Amália não gostou nadinha dessa história. Ainda mais com o risco de Afonso não ter alternativa senão se casar com uma Princesa da Cália para conseguir o dinheiro para reerguer o Reino.
Para evitar que Afonso se casasse com Catarina, Amália estava disposta até a consentir no casamento dele com outra mulher, Beatriz, Princesa da Lúngria. Além do fato de essa Princesa não ser Catarina, a moça ainda tinha o bônus de já vir com pãozinho no forno, pois ela se apaixonou por um guarda de seu castelo e engravidou dele. Se ela não casar logo com um nobre, seu filho será considerado um bastardo, e a linhagem da Família Real de Lúngria terminará, pois a Rainha não tem outros filhos. Casando com Afonso, ninguém precisa saber que o filho dela é de um guarda; a criança será herdeira de Lúngria e Montemor, e Afonso não precisará encostar um dedinho sequer na Paula Fernandes para produzir o herdeiro que se espera de um Casamento Real.
Sim, o acordo era perfeito. Pena que a Catarina estava no castelo, para envenenar os ouvidos da Princesa Beatriz, com a historinha de que o amado dela, Marcel seria enviado para longe e ela nunca mais o veria, e que a tramoia só beneficiaria Afonso e Amália. A ardilosa se aproveitou da nobreza de Beatriz para convencê-la a juntar suas joias e fugir no meio da noite com Marcel. Uma vez no oriente, os dois poderiam se casar e recomeçar a vida.
E assim o caminho da bisca ficou livre para Afonso, que, desesperado com a situação financeira de Montemor, e por ver seu povo sofrendo, não teve alternativa senão concordar em se casar com Catarina, e dar as terras de Artena como garantia do empréstimo ao Conselho da Cália.
Essa, sim, foi a gota d’água. Amália podia suportar tudo, menos assistir de camarote seu amado Afonso se casando com sua maior inimiga, mesmo com ele garantindo que não tocaria na víbora. A plebeia decidiu deixar o castelo e romper seu relacionamento com o Rei.
Mas, passado o choque e a raiva, depois que o casamento é realizado, e Afonso manda Brumela, governanta do castelo desde que ele retomou o trono, organizar um encontro com Amália, para ele passar a lua de mel com ela numa casa humilde, em vez de passar no castelo com Catarina, a ruiva o perdoa e os dois voltam às boas.
Isso, até Catarina descobrir que está grávida de Otávio. Agora ela tem toda a pressa do mundo em seduzir Afonso e convencê-lo de que o filho que espera é dele. O que ela só consegue com a ajuda de Brice, que enfeitiça Afonso para que confunda Catarina com Amália. Só que Brice já está velha demais – embora não pareça – e fraca demais para manter o feitiço por muito tempo.
Acaba que Afonso desmaia tão logo Catarina entra no quarto. Mas é o suficiente para ela armar a arapuca, e fazê-lo acreditar que dormiu com ela – o que ele fez literalmente, no sentido ZZZZZZZZZ da palavra, e não do jeito que ela queria.
Então quando ela anuncia a gravidez, ele se desespera, pensando que realmente aconteceu alguma coisa entre os dois. E isso acaba por separá-lo de Amália mais uma vez.
Xiii, crise no castelo! Será que Amália um dia conseguirá perdoar a suposta traição de Afonso? Conseguirá ele descobrir a verdade sobre a gravidez de Catarina? E a megera, se dará bem, ou alguém provará que ela não vale uma infusão contra a peste?
Não percam, no próximo post, a conclusão desta história!

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