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sábado, 25 de agosto de 2018

Vale a Pena Ver de Novo Bem Rápido – Parte 1: Há Mais Tramoias Entre Artena e Montemor do Que Uma Única Review Pode Comportar...

Excepcionalmente hoje a review será sobre algo que brasileiro adora: novela.
Normalmente, eu não tenho paciência para acompanhar. Consigo contar nos dedos as novelas que eu tenha assistido inteiras, do início ao fim. Eventualmente, pego o bonde andando, lá pela metade, assisto um capítulo e perco oito – Novo Mundo agradece a referência –, e digo que assisti.
São poucas as tramas que realmente me atraem. Se for para explanar o assunto, é mais fácil uma novela antiga reprisada no Viva prender minha atenção, do que as novas.
Mas quando a novela vem com uma temática “diferente”, fica mais fácil ter vontade de assistir.
Aqui no blog já falei sobre Zorro – A Espada e a Rosa, um excelente exemplo de uma novela estilo mexicana, produzida por uma emissora colombiana, que não saiu completamente clichê; e, convenhamos, contou a história do Zorro de uma maneira encantadora, mais com cara de série do que de novela.
Mas quando o Brasil produz uma novela realmente boa, tenho um espacinho reservado para ela aqui no Admirável Mundo Inventado também.
Acabou outro dia, e já estou com abstinência dela.
Pegando carona na moda das tramas medievais – curiosamente, lançada quase ao mesmo tempo em que a Record também produzia uma trama no mesmo seguimento –, Daniel Adjafre nos contou uma história linda, em que dois reinos que viveram em paz por muito tempo, viram de cabeça para baixo, graças a uma herdeira inescrupulosa e maquiavélica.
Como a história é longa, faremos aqui uma minissérie em três capítulos, para que nenhuma review fique longa demais.
Pegue sua pipoca e vamos relembrar a trama de



Essa música de abertura chega a dar um arrepio, né?!
Por muitos anos os reinos de Artena e Montemor conviveram em perfeita harmonia, durante os reinados da Rainha Crisélia em Montemor e do Rei Augusto em Artena. Dois monarcas viúvos que, eu suspeitei desde o princípio que nutriam uma antiga paixão um pelo outro.
Pena que Crisélia tenha morrido logo nos primeiros capítulos. E essa é precisamente a primeira vez que vemos as duas famílias reais em cena ao mesmo tempo, no funeral da Rainha.
Montemor enfrentava um problema de falta de água. Seus poços, rios e lagos estavam secos, e a Rainha Crisélia havia estabelecido um acordo com o Rei Augusto, oferecendo o minério de ferro produzido em Montemor, em troca do abastecimento de água, recurso abundante em Artena. Um grande aqueduto foi construído, interligando os dois reinos. Mas a obra demorou tanto tempo para ficar pronta, que quando foi inaugurada, o lago de onde eles planejavam extrair água também havia secado.
Probleminhas à parte, Artena e Montemor estavam prestes a se encontrar no centro de um escândalo. Quando a comitiva do Príncipe herdeiro de Montemor, Afonso de Monferrato é atacada por assaltantes durante as buscas por outra fonte de água, o Príncipe é ferido com uma flechada, e encontrado na floresta por uma plebeia de Artena, Amália Giordano, que o levou para sua humilde casa, e cuidou dele até que se recuperasse. E os bonitinhos acabaram se apaixonando.
Mas, problema um: ele não contou que era um Príncipe. Por qualquer motivo, ele disse a ela que trabalhava como ferreiro em Montemor. E problema dois: a moça estava noiva de Virgílio, um comerciante de tecidos de Artena.
Não que ela fosse loucamente apaixonada por ele. Amália na verdade nem se lembrava do motivo de ter se comprometido com aquele homem, já que ela claramente não sentia nada por ele. E não dá nem para dizer que era medo de ficar sozinha, porque, além de ser muito jovem, Amália é uma mulher independente, dona de uma barraca de caldos na feira de Artena, e sabe se virar muito bem. Além disso, ela estava cansada de ver seus pais brigando incessantemente, porque depois de tantos anos de casamento, um claramente não suportava mais o outro.
Aliás, essa rusga meio que ficou perdida na trama ao longo da história, e só tivemos a explicação sobre ela lá no final.
Claro que Virgílio ficou possesso ao descobrir que Amália estava prestes a trocá-lo por um forasteiro, que podia perfeitamente ser um bandido, já que ninguém o conhecia em Artena, mas quando o amor fala, o mundo inteiro deixa de ter argumentos.
Isso, até a notícia da morte da Rainha Crisélia chegar a Artena. Então Afonso decide dar um pulinho em Montemor para ver como andam as coisas por lá, prometendo retornar depois para buscar Amália.
Nesse momento parece estar se tecendo aquele velho enredo de novela mexicana em que o mocinho rico some no mundo, a mocinha ingênua fica esperando por ele que nem boba, até que um belo dia, por um acaso do destino eles se reencontram, e ele está casado com uma cretina qualquer, e a coitada da mocinha fica a ver navios, chupando dedo, e não raramente com um filho do sujeito escondido em casa.
Mas nesse ponto, o autor nos surpreendeu, ao não transformar a história desse casal numa novela vulgar.
Afonso era o Príncipe herdeiro de Montemor. Ele foi preparado desde pequeno para assumir o trono um dia. Mas agora, sua primeira batalha como novo Rei, será convencer o povo e o Conselho do Reino da Cália, do qual o território de Montemor faz parte, a aceitar seu casamento com uma plebeia.
E para piorar o que já seria muito complicado, Amália enviou um mensageiro a Montemor para entregar uma carta a Afonso, e o moleque voltou com a notícia de que não existe nenhum ferreiro lá com esse nome.
Mas Afonso não estava abandonando a mocinha. Ele apenas tinha obrigações a cumprir antes de retornar a Artena para buscá-la. Como enterrar sua avó, assumir o trono, e dar instruções bem específicas ao seu irmão desmiolado, o Príncipe Rodolfo, para tomar conta do Reino durante a sua ausência.
Só então, Afonso retornou a Artena, e foi recebido por Amália com a frigideira na mão, querendo saber porque ele mentiu. Sem saída, ele a convida a ir a Montemor, onde ela poderá ver o motivo com seus próprios olhos.
Seria de se imaginar que uma mocinha do século, sei lá, quatorze, teria lá seus receios em viajar sozinha com um homem que acabou de conhecer, para saber porque ele mentiu sobre sua identidade. Mas Amália, como já comentei, não é uma mocinha comum.
E é só ao chegar lá que ela se vê diante da verdade impactante: Afonso, seu amado supostamente ferreiro, é na verdade, o Rei de Montemor. E como ele não está disposto a ceder às pressões de se casar com qualquer Princesa da Cália, pelo andar da carruagem, ela será a Rainha.
Isto é, se os fofoqueiros de plantão permitirem, né...
Porque o que tem de língua comprida chapada de maledicência para cima da nova favorita do Rei... Porque ela é uma plebeia, e não saberá se comportar como uma Rainha; porque os filhos que ela tiver com o Rei serão bastardos, e não poderão herdar o trono; porque aquele casamento vai indispor Montemor com o resto da Cália; porque Amália trará um monte de desgraças ao Reino; porque o Saci Pererê foi visto sambando na sala do trono...
Era tanto comentário absurdo, que isso não seria tão estranho.
Percebendo toda a hostilidade com que o povo estava disposto a recebê-la, Amália decidiu que sua paixão pelo Rei não valia os dissabores, e, assustada, preferiu romper com ele e voltar para Artena.
Então Afonso fez o inesperado: se Maomé não quer ficar na montanha, a montanha seguirá Maomé aonde quer que ele vá. O Rei abdicou do trono e foi buscar sua felicidade na feira de Artena.
Não que Amália estivesse disposta a aceitá-lo imediatamente. Porque ela não nasceu ontem, e sabe que a vida na plebe é bem diferente da vida na corte, e Afonso pode não se acostumar.
Assim, sem perda de tempo, Afonso leva sua plebeia favorita ao altar.
O amor é lindo, não acham?
À margem dos dramas da corte de Montemor, estava a corte de Artena, que até então nem estava sabendo dos dramas envolvendo a vida pessoal do Rei Afonso. Até porque eles tinham seus próprios problemas. Aliás, um problema, com nome, sobrenome e a fuça da Bruna Marquezine.
Calma, Lucrécia, que ela não te fez nada. Ainda!
Naquele momento Catarina de Lurton, Princesa de Artena estava muito ocupada tentando se livrar de um casamento arranjado com Istvan Labarca, o inconveniente Marquês de Cordona, um sujeitinho metido a menestrel e poeta que vive enchendo os ouvidos da... vou chamar de coitada, por enquanto, porque ela ainda não tinha cometido nenhuma atrocidade... com poesias saídas de um copo de Toddynho. Porque nem para ser indecente o sujeito prestava. Era chato, irritante, meloso... Mas ninguém pode acusá-lo de ter sequer tentado faltar com respeito à moça.
Não, ele não consegue.
E talvez isso tenha inspirado Catarina a colocar um belo par de chifres no coitado com Constantino de Artanza, o – espetáculo de homem! – Duque de Vicenza.
Naturalmente, qualquer Rei com um mínimo de juízo preferiria casar sua Princesa com um Duque, ao invés de um Marquês, ainda mais com a dita Princesa demonstrando uma predileção natural pelo Duque; o problema é que o relógio da igreja fofocou que o Constantino estava ligeiramente atrasado quando veio se refugiar – ou se esconder – em Artena, pois Catarina tinha acabado de ficar noiva do Marquês.
Por isso os dois tiveram que se encontrar às escondidas para colocar chifres no poeta Real nas lagoas do Reino.
E nem o ferimento da flechada que Istvan tomou – dele mesmo, aliás! – quando quase a pegou no flagra bancando a sereia no lago com o Duque, e que quase fez o coitado do Marquês passar dessa para melhor, foi capaz de compadecer o coração da Princesa. Nem foi capaz de impedi-la de arquitetar um plano com o Duque para se livrar de seu noivado sem tirar a vida do Marquês – já que Demétrio, Conselheiro de seu pai, estava de olho nas más intenções dela com o ferimento de Istvan.
Catarina se aproveitou da visita inconveniente de sua prima Mirtes ao castelo para convencer Constantino a seduzi-la e deixá-la na cama do Marquês.
Provavelmente houve alguma substância proibida envolvida no plano, mas não vamos nos pegar em detalhes.
Então Catarina fez a cena da pobre noiva traída para comover seu pai e forçá-lo a expulsar o Marquês traíra e a prima piranha do castelo.
A prima piranha ainda tinha o agravante de ter se tornado, de fato, amante do Duque. Então é melhor mesmo mandar essa mulher para bem longe, ou a rivalidade com a Princesa pode fazer muito mal à sua saúde.
Na época, ninguém sabia ainda, mas uma víbora é menos perigosa que Catarina.
Só que o relacionamento dela com Constantino também não vai muito longe. Além de não contarem com total aprovação do Rei Augusto, o passado do Duque volta para assombrá-lo, quando seu amigo Hermes decide fazer uma visitinha à Artena, e por pouco não conta seus podres ao Rei.
Tipo, que ele está reunindo um exército de mercenários para atacar Vicenza e depor o Rei – aliás, um dos motivos porque Catarina ficou tão interessada no Duque, além de ele ser cheio de borogodó, é sua afinidade de pensamentos a respeito das vantagens de uma guerra por poder. No caso, Catarina quer fortalecer o exército de Artena para, eventualmente atacar Montemor, se nenhum dos soberanos, nem seu pai, nem quem quer que esteja ocupando o trono do outro Reino, concordar em rever o acordo a respeito da troca de minério de ferro pelo fornecimento de água, por condições mais vantajosas para Artena.
No entanto, Hermes acaba não tendo tempo suficiente para alertar o Rei Augusto a respeito da cobra criada que ele estava abrigando em seu castelo – Constantino, no caso; em Catarina o Rei já estava de olho –, pois Constantino deu um jeito de levá-lo para a floresta e silenciá-lo para sempre.
Para seu azar, porém, Hermes ficou com um suvenir seu, que ainda estava em sua mão quando os soldados de Artena encontraram seu corpo enterrado numa cova rasa na floresta: o medalhão do Duque Constantino.
O que acabou revelando seu crime, fez Augusto cancelar seu casamento com Catarina, e aí de vingancinha o Duque decidiu raptá-la e enviar seu exército de mercenários contra Artena.
Quem acabou salvando a Princesa foi Afonso, que havia sido escolhido por Augusto como novo comandante do exército de Artena, justamente após a expulsão de Constantino, que havia ocupado o posto por um curto período.
Afonso já estava morando em Artena há algum tempo, casado com Amália, e tinha decidido se tornar oficialmente um cidadão do Reino, conseguindo até um emprego na ferraria, e aprendendo o ofício com que se apresentara à Amália quando se conheceram. Mas pouco tempo depois de seu casamento, Afonso foi preso, por quase matar um homem na feira, defendendo a honra da plebeia. Na época, o Rei Augusto estava viajando como mediador de uma disputa entre dois Reinos vizinhos, e Catarina negara julgar rapidamente o seu caso.
Algo que ela pretendia marcar para o Dia de São Nunca. Felizmente, Augusto retornou depressa, e decidiu libertar Afonso, comendo o rabo da filha em seguida por tê-lo mantido preso.
Passado esse problema, Afonso e Amália voltaram às boas, ela ficou grávida, mas Virgílio pagou à Bruxa Brice para apagar Afonso das memórias da mocinha, e fazê-la acreditar que estava apaixonada pelo comerciante de tecidos.
O que ocasionou a anulação do casamento dos mocinhos, o aborto do filho que Amália esperava, e uma dor de cabeça sem fim para Afonso, que foi obrigado a vê-la aos beijos com Virgílio pelas ruas de Artena, doida para apressar seu casamento com o crápula.
Foi durante essa separação que Afonso se integrou ao exército de Artena, e resgatou Catarina das garras do Duque de Vicenza.
Felizmente, Amália recuperou a memória durante o torneio da Cália, onde soldados de todos os reinos disputaram justas e tiro com arco e flecha. Aliás, o irmão de Amália, Tiago foi o vencedor desse torneio, vencendo ninguém menos que Selena, a única mulher admitida na Academia Militar de Montemor, depois de ter trocado seu emprego na cozinha do castelo com Ulisses, filho do instrutor da academia, que era chegado numa panela, enquanto ela preferia a espada.
Paralelamente a esses acontecimentos em Artena, Rodolfo assumiu o trono de Montemor – mas não sem antes dar o maior piti, recusando-se a sair do quarto no dia da coroação...
Como única alternativa para ter seu reinado aceito pelo povo – já que a ideia estapafúrdia de propor inundar uma aldeia vizinha para desviar o curso de uma fonte de água para Montemor quase provocou uma guerra –, Rodolfo decide se casar com Lucrécia de Vilarosso, Princesa de Alcaluz – a doidinha da Tatá Werneck –, cuja aparência ele não gostou muito na hora, mas simpatizou com o fato de ela ser uma mulher engraçada.
Pouco tempo depois do casamento, porém, Rodolfo foi seduzido e manipulado por Catarina, que o convenceu de que um casamento entre eles seria benéfico para ambos os Reinos. Na verdade, ela já tinha plantado essa ideia antes de o Rei Augusto conceder sua mão a Constantino, logo depois de Afonso ter abdicado do trono, mas na época, Augusto foi contra o casamento, respeitando a vontade da Rainha Crisélia, de nunca unir seus Reinos dessa forma, pois já tinham visto tais alianças terminarem em desgraça.
Agora que Constantino não estava mais no páreo, Catarina estava em busca de uma alternativa vantajosa para si mesma.
Ela aproveitou que Artena sediaria o torneio da Cália para seduzir Rodolfo e convencê-lo a declarar guerra ao seu Reino. Assim os dois poderiam tirar o Rei Augusto do caminho sem que ninguém suspeitasse de nada, e se casar na santa paz.
Tinha só um obstáculo no caminho para a consumação de seu plano naquele momento: Lucrécia, então esposa de Rodolfo e Rainha de Montemor.
Seguindo o exemplo de Jack, o Estripador, os dois conspiradores foram por partes.
Primeiro, tinham que provocar um motivo para a guerra.
Catarina descobriu que seu pai, o Rei Augusto, andava se disfarçando para participar de espetáculos com uma trupe teatral que estava em Artena naqueles dias, e encomendou um ataque, que quase mandou seu pai para a terra dos pés juntos.
Depois, convenceu todo mundo de que o ataque foi ordenado por Rodolfo. E com isso, mandou cortar o fornecimento de água à Montemor. O que, é claro, deu a Rodolfo o motivo perfeito para iniciar a guerra, onde morreram muitos inocentes, incluindo Samara, uma camponesa que havia sido ajudada por Amália e Afonso, que, por um desses acasos gerados pelo autor, dividiu a cela com o marido dela em Artena, quando este estava à beira da morte, e prometeu encontrar e cuidar do filho dele, Levi. Agora, com a morte de Samara, Afonso e Amália assumem a tutela do garoto.
Para resumir o conflito: com a ajuda estratégica de Catarina, o exército de Montemor conseguiu vencer e subjugar Artena. Catarina tinha ordenado que seu pai fosse retirado do castelo, permanecendo no local, para comandar o Reino e trazê-lo de volta quando a guerra acabasse. O que, é claro, não aconteceria. Catarina pagou um soldado de sua confiança para levar o Rei Augusto à Torre de Zéria, onde ele foi mantido preso por um bom tempo. Enquanto isso, ela foi levada “prisioneira” para Montemor. Rodolfo ordenou a normalização do abastecimento de água de seu Reino, e deixou Artena em ruínas.
Sem ter o que fazer naquela terra devastada, o povo de Artena acabou se mudando para Montemor, onde rapidamente se integraram à sociedade local, alugando casas e reabrindo seus estabelecimentos comerciais dentro daquele novo território.
Afonso tinha liderado o exercito de Artena na guerra, e como resultado, acabou sendo preso como traidor, foi levado a julgamento público, e como Rodolfo não é mau caráter como Catarina, e não queria ver o irmão morto, arrumou um jeito de inocentá-lo e libertá-lo.
Mas depois de tudo isso, restava ainda Lucrécia no caminho dos dois. Então Rodolfo pediu aos seus conselheiros de confiança, Tico e Teco – também conhecidos como Orlando e Petrônio – que trouxessem ao castelo um homem capaz de fazer Lucrécia cometer adultério.
Mal sabia ele, que a Rainha já tinha ido às forras com Osiel, o pintor que estava ensinando sua arte a ela, e que, antes do casamento de Rodolfo, tinha sido convocado ao castelo por Tico e Teco para livrá-los da presença incômoda de uma Bruxa. Bruxa, aliás, que o próprio Rodolfo trouxe para dentro do castelo.
Ele era solteiro e festeiro ainda na época, e depois de esgotar as plebeias do Reino em suas farras – numa dessas, quase sendo açoitado por uma lei anti-adultério que ele mesmo criou –, ele viu Brice andando pelas ruas de Montemor. Encantado com sua beleza, Rodolfo a convidou para experimentar a hospitalidade do castelo. De seus aposentos, para ser mais exata. Foi só depois dos devidos “conhecimentos” que chegou ao conhecimento de Rodolfo que Brice é uma bruxa da linhagem Orzáti, que do alto de seus 117 anos, está muito bem conservada graças à magia negra e cremes da Jequiti – porque essa mocinha passou recentemente pelo SBT na pele da freirinha Cecília, de Carinha de Anjo –, e que ela tira a força vital de seus amantes e de quem quer que consiga seduzir para manter a cútis.
Ao saber disso, Rodolfo tentou expulsá-la do castelo, mas ela decidiu ficar mais um pouquinho. Então, aconselhado pela Mandingueira, uma figura misteriosa que vários personagens consultam como se fosse um oráculo, ele mandou seus conselheiros encontrarem um homem de coração puro, que não cederia aos encantos da Bruxa, para expulsá-la do castelo. E quem poderia ser esse homem? Osiel, o pintor.
O plano funcionou: Brice foi expulsa do castelo, mas não sem antes enfeitiçar Rodolfo para que se apaixonasse por Petrônio – feitiço que ela retirou em troca de escapar da fogueira.
Depois disso, o pintor ficou tão traumatizado, que pelo visto mandou os pudores para o quinto dos infernos. Brice pode até não ter feito seu tipo, mas Tatá Werneck fez.
A propósito, só queria comentar que Brice é a Bruxa, mas é Lucrécia quem ostenta os chifres do capiroto no penteado...
Não entendi o motivo! A não ser que sirva como referência ao seu casamento com Rodolfo.
Verdade seja dita, que depois de ter se dado ao desfrute com o pintor, Lucrécia até tentou se comportar. A mulher até se colocou num cinto de castidade – cuja chave ela perdeu quase em seguida e a bugiganga teve que ser serrada para sair daquele corpo ao qual não pertencia.
E logo agora que Rodolfo estava doido para ser corno, a moça estava numa fidelidade...
Mas aí veio o Orlando atentar... E sabem como é... A carne é fraca...
Por seus serviços prestados à coroa, o conselheiro Orlando recebeu o título de Grão-Duque de Montemor, e todas as honrarias Reais, um retrato seu para decorar a sala do trono do castelo, seu peso em ouro diretamente dos cofres Reais... Mas como Rodolfo foi imediatamente informado de que a lei previa que o amante da Rainha fosse enforcado, castrado e esfolado – não necessariamente nessa ordem –, ele não deu nada disso pro coitado; ao invés disso, deu um pontapé santo no Patriarca da Fé de Montemor, rompeu laços com a Igreja Católica – igual ao Henrique VIII, quando decidiu trocar a Rainha Catarina de Aragão para se casar com Ana Bolena –, e nomeou Orlando a nova autoridade religiosa da nova religião instituída no Reino. E tal como a história do Rei Britânico, temos um spoiler gigantesco de que a tramoia de Rodolfo para se casar com Catarina também não acabará bem.
Me senti Tatá Werneck escrevendo o parágrafo acima! Sai desse corpo que não te pertence, xará!
Bem, depois de anular seu casamento com Lucrécia, graças ao flagrante do adultério, e de ordenar o celibato do amante dela, Rodolfo pôde enfim cumprir a trama diabólica da Princesa de Artena e se casar com a demônia.
De novo, é Lucrécia falando.
Mas é claro que o povo de Montemor não estava disposto a engolir essa história assim tão fácil. E foi por isso que Catarina, antes mesmo de se casar com Rodolfo, começou a bancar a caridosa. Primeiro, ela distribuiu baús e mais baús de moedas de ouro para ajudar os refugiados de Artena a reconstruírem suas vidas; mais tarde, quando Rodolfo mandou racionar a distribuição de água, Catarina distribuiu água das reservas do castelo aos cidadãos; também mandou o médico da corte, Lupércio, atender de graça os mais necessitados; e com tais demonstrações de “bondade”, Catarina acabou facilmente conquistando a simpatia do povo.
Quando finalmente se casou com Rodolfo, a diaba já era a queridinha do Reino.
A biscate só não enganava Amália e Afonso, que conheciam bem sua índole. E quando as extravagâncias de Rodolfo ameaçaram levar Montemor à falência, Afonso decidiu, incentivado por boa parte do povo, que era hora de agir e depor o irmão.
De um lado, estava Rodolfo se virando nos trinta: aumentando os impostos, cobrando taxas exorbitantes dos comerciantes para continuarem com seus negócios abertos no Reino, vendendo títulos de nobreza a bons preços, e cortando custos em tudo o que fosse supérfluo – ou seja, qualquer coisa que não incluísse os luxos e prazeres de Sua Majestade. Enquanto isso, o povo só não passou fome porque também deram um jeito de se virar nos trinta ao quadrado.
Mas o problema acabou abrindo os olhos de todo mundo para o fato de a coroa cair muito mal em Rodolfo. Tão mal, que já estavam desejando que ela caísse da cabeça dele.
Afonso e Amália começaram a liderar reuniões na taverna, com os cidadãos insatisfeitos. A princípio, Afonso se propôs somente a listar as reivindicações dos comerciantes para apresentá-las ao Rei. Mas depois de terem suas solicitações encaminhadas para a caixa de mensagens, que ainda estará sujeita a cobrança de impostos extras, e de Rodolfo proibir as reuniões, já prevendo que começariam a tramar contra o seu Reinado, o povo decidiu fazer uma greve, até que ele atendesse suas reivindicações. E como nada parecia funcionar, começaram a arquitetar um plano para sequestrar Rodolfo, e forçá-lo a abdicar em favor de Afonso.
O plano só não deu certo, porque Virgílio, a essa altura informante e amante de Catarina, foi correndo fofocar tudo o que descobriu subornando rebeldes não muito convictos com a causa, de modo que Afonso acabou capturado quando tentava invadir o castelo por uma passagem secreta.
Mas ele consegue fugir, lutando com os guardas, e se refugia com Amália e Levi na floresta.
Só para esclarecer, não foram bem os olhos azuis de Virgílio que seduziram Catarina, nem mesmo o caráter dúbio – como acontecera com Constantino. Catarina se envolveu com o ex-noivo de Amália porque tinha pressa de engravidar, e colocar um filho seu na linha de sucessão ao trono de Montemor. Porque é claro, a vilã não pretendia ficar muito tempo casada com o palerma do Rodolfo. Quanto antes tivesse um filho, mais cedo poderia dar um fim no Rei e governar sozinha.
E como Rodolfo andava sem muita inspiração naqueles tempos... O jeito foi tentar resolver a vida com o comerciante de tecidos, que logo depois da revelação do plano de golpe de Afonso, foi promovido a Marquês.
Afonso e Amália se refugiaram com Levi na casa de Brumela, outrora chefe da cozinha do castelo, que havia se demitido recentemente para não enfrentar a concorrência de Ulisses, o novo mestre-cuca do Reino; mas graças à falta de cuidado de Diana, amiga de Amália, Catarina não demorou a descobrir o esconderijo, e enviar soldados para capturá-los. Sorte deles que Selena, agora membro oficial do exército de Montemor, descobriu a tramoia e conseguiu avisá-los a tempo.
Mas só adiou o inevitável. Pois Afonso acabou sendo capturado e condenado à servidão perpétua na Pedreira de Angór, um local onde a maioria dos condenados não resiste muito tempo.
Junto com Afonso, foram levados Cássio, outrora comandante do exército de Montemor e conselheiro Real de Afonso, e Tiago, irmão de Amália. E é onde temos novamente notícias de Constantino, que havia sido mandado para a Pedreira depois do sequestro de Catarina.
A princípio, esse encontro é bem tenso: os dois trocam hostilidades, e se enfrentam num embate corporal com cara de vingança pessoal na arena de combate, em que os feitores costumam organizar lutas entre os presos, por pura diversão. Constantino sempre ganha, por isso tem tantos privilégios na Pedreira. Mas quando um feitor decide incluir uma faca para tornar a luta mais interessante, o clima esquenta geral.
Afonso acaba vencendo a luta, e decide poupar a vida de Constantino. Pouco tempo depois, o Príncipe recebe a visita sorrateira de Catarina, com um saco de dinheiro para que ele consiga subornar alguém e fugir da prisão.
E por que essa megera decidiu ajudar Afonso agora, depois de ter ferrado tanto com a vida do coitado? Porque o novo plano de Catarina era engravidar de quem quer que fosse – sendo Virgílio o primeiro da fila –, jogar a culpa em Rodolfo, provocar qualquer acidente fatal para tirar o Rei biruta de seu caminho, e se casar com Afonso.
Isto, claro, depois de garantir a morte de Amália.
Para isso ela já estava tomando suas providências. Desde que Afonso foi capturado, Amália e Levi estavam desaparecidos. Rodolfo havia prometido ao irmão que sua plebeia seria anistiada, mas ela não retornou a Montemor. Diana, a essa altura camareira de Catarina, avisou Virgílio sobre os planos da Rainha, caso Amália voltasse, na esperança de que ele a protegesse. Afinal, por mais doentio que fosse, Virgílio amava Amália. Mas ele não a escondeu numa cabana no meio da floresta para protegê-la. Ele a manteve presa com Levi, para tentar convencê-la a ficar com ele.
Mas uma bruxinha chamada Agnes, suposta prima de Selena, refugiada há pouco tempo em Montemor, conseguiu entrar no sonho de Levi e avisá-lo de que eles não deviam fazer nada para escapar de Virgílio, porque Afonso logo fugiria da pedreira, e iria até lá resgatá-los.
O recado veio em boa hora, porque Amália já estava esculpindo uma faca para matar Virgílio!
Não que Amália e Levi soubessem, na época, como diabos Agnes conseguiu fazer aquilo...
Afonso conseguiu se aliar a Constantino – de novo, por influência de Catarina – para conseguir uma faca com o cozinheiro da Pedreira, e uma mistura de ervas que faria Afonso parecer morto – aquela mesma substância ingerida por Julieta, e que não terminou em final feliz. Depois foi só simularem uma briga, de que Afonso supostamente saiu morto, e teve seu corpo atirado numa vala. Passado o efeito do troço, ele pôde nocautear um guarda, libertar Constantino, Cássio e Tiago e dar no pé.
O problema é que Cássio andava numa revolta tão grande, que escolheu o dia da fuga para chamar um fulaninho pra briga, o que quase mandou o plano todo pelo ralo – porque Afonso se recusou a deixar o amigo para trás –, e custou mais caro ainda ao próprio Cássio, que tomou uma flechada que estava destinada a Afonso no momento da fuga.
A carroça que usaram para escapar não demoraria a ser alcançada pelos soldados na estrada, de modo que a melhor chance do grupo era se separar e se embrenhar na floresta, deixando Cássio ferido para trás com a carroça, para levá-la por outro caminho, atraindo os guardas em seu encalço, enquanto os outros escapavam.
É de arrepiar, né, gente?
Sei lá se foram essas as palavras originais; não anotei, não, mas me pareceram apropriadas às ações desse camarada.
E como perdido por um é perdido por mil, e o comandante do exército continuava leal como um cão ao Rei Rodolfo, Selena e Ulisses decidiram agir por conta própria para atrasar os guardas da Pedreira, e avisar Afonso sobre a localização do cativeiro de Amália. Tiago ficou com eles, para ajudar a atrasar os caras, e todos acabaram capturados e presos por traição.
Afonso chegou à cabana onde Virgílio mantinha Amália e Levi presos, exatamente na noite que Catarina escolheu para incendiá-la.
A Rainha de Montemor mandou seu capanga Delano investigar Virgílio, para reaver a carta que ele surrupiou em seu quarto, e que provava que ela estava mantendo o Rei Augusto preso na Torre de Zéria, e quando finalmente conseguiu, decidiu romper sua aliança e seu caso de uma maneira extrema: matando o sujeito queimado, junto com a plebeia ruiva dos infernos e o filho adotivo.
Felizmente, Afonso chegou a tempo para salvá-los.
Só Amália e Levi! Virgílio, não.
Uma vez libertados, nossos heróis tentaram recrutar os camponeses que viviam na área rural de Montemor para marchar até o castelo, e exigir a renúncia de Rodolfo. Afinal, aquele povo já estava sem água, logo ficaria sem comida, e sabe-se mais o quê poderia ser cortado.
Ninguém queria arriscar o pescoço nesse plano, mas quando Afonso decidiu arriscar o seu para salvar uma criança que caíra num poço vazio, todo mundo mudou de ideia.
E como naqueles dias Rodolfo havia decidido, como última medida para adiar a falência do Reino, cortar o salário dos soldados que o protegiam, agora o Capitão Romero estava disposto a ouvir o ponto de vista dos rebeldes Selena e Ulisses, e assim que Afonso marchou, seguido pelo povo, para o castelo de Montemor, para exigir a renúncia do irmão, Romero liderou os soldados a se curvarem e oferecerem suas espadas a serviço de Afonso de Monferrato.
Mas essa história ainda estava muito longe de acabar. Rodolfo deixou o Reino à beira de um colapso. Como Afonso resolverá os problemas de Montemor, é algo que vamos conferir no próximo capítulo, nessa mesma hora, nesse mesmo blogspot.

2 comentários:

  1. Jornal Informal

    Cara! Falar que detestei essa novela, tanto que nem vi. Coisa mais sem noção, huahuahuahua, mas, sem problemas respeito que goste. Sinceramente, nem as duas atrizes que são maravilhosas (e digamos extremamente lindas) me fizeram querer ver essa novela. Antigamente, quando minha avó ainda era viva nós assistíamos muitas novelas, ela gostava, e o horário da novela era sagrado em casa. hoje em dia depois do advento da internet, netflix e TV a Cabo, eu que não assisto mais novela.

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    1. Rsrsrs Já eu gostei bastante. Eu normalmente não tenho paciência para acompanhar novela, todos os capítulos certinho, mas essa foi bem divertida.

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