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domingo, 19 de agosto de 2018

Desafio #31: Muito Barulho Por Nada

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A senhora de todas as polêmicas, sem sombra de dúvida!


O Código Da Vinci
Título Original: The Da Vinci Code
Autor: Dan Brown
Editora: Sextante
Páginas: 432
Gênero: Mistério e Suspense
Sinopse:
Um assassinato dentro do Museu do Louvre, em Paris, traz à tona uma sinistra conspiração para revelar um segredo que foi protegido por uma sociedade secreta desde os tempos de Jesus Cristo. A vítima é o respeitado curador do museu, Jacques Saunière, um dos líderes dessa antiga fraternidade, o Priorado de Sião, que já teve como membros Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isaac Newton. Momentos antes de morrer, Saunière consegue deixar uma mensagem cifrada na cena do crime que apenas sua neta, a criptógrafa francesa Sophie Neveu, e Robert Langdon, um famoso simbologista de Harvard, podem desvendar. Os dois transformam-se em suspeitos e em detetives enquanto percorrem as ruas de Paris e de Londres tentando decifrar um intrincado quebra-cabeças que pode lhes revelar um segredo milenar que envolve a Igreja Católica.
Apenas alguns passos à frente das autoridades e do perigoso assassino, Sophie e Robert vão à procura de pistas ocultas nas obras de Da Vinci e se debruçam sobre alguns dos maiores mistérios da cultura ocidental - da natureza do sorriso da Mona Lisa ao significado do Santo Graal. Mesclando com perfeição os ingredientes de uma envolvente história de suspense com informações sobre obras de arte, documentos e rituais secretos, Dan Brown consagrou-se como um dos autores mais brilhantes da atualidade. "O Código da Vinci" prende o leitor da primeira à última página.

Quando foi lançado em 2003, o Código Da Vinci dividiu opiniões: entre os que exaltavam a obra de Dan Brown, capaz de criar um suspense intrigante em torno do que seria – supostamente – o maior escândalo da História Humana, e os que condenavam veementemente a obra por zombar da religião.
E, sim, estou usando deliberadamente este termo: religião.
Não fé.
Ao contrário do que muito se falou, gritou e esbravejou em torno da obra, em momento nenhum Dan Brown zombou da fé propriamente. O tema abordado em O Código Da Vinci, foi alienação religiosa. Não tinha nada a ver com a fé de ninguém.
Correndo o risco de ser interpretada equivocadamente como defensora da obra, quero acrescentar que O Código Da Vinci foi um dos mais bem estruturados mistérios de ficção que já li.
E aqui ressalto outra palavra deliberadamente escolhida: ficção. Pois, embora tenha escrito logo na apresentação do livro que alguns fatos revelados em O Código Da Vinci eram verdadeiros, o tempo todo, Dan Brown deixa claro em sua obra que se trata de uma ficção.
Não é só seu personagem, Jacques Saunière, curador do Museu do Louvre e Grão-Mestre do Priorado de Sião que domina a arte da codificação e dos duplos sentidos. Dan Brown também o fez habilidosamente em sua trama. O caso é que a raiva incitada pela blasfêmia que o livro parecia representar cegou os primeiros leitores a essa questão. E afinal, cada um vê aquilo que quer ver.
Mas observando a história com calma, é possível perceber a novela por trás da suposta heresia.
O que é real em O Código Da Vinci: a Opus Dei, uma espécie de seita derivada da Igreja Católica, famosa pelos escândalos de lavagem cerebral e práticas de mortificação corporal realmente existe, e Dan Brown foi até bastante cauteloso em sua crítica à entidade. Apesar de o filme ter contado uma versão um pouco diferente, no livro o líder da Opus Dei, o Bispo Manuel Aringarosa não tinha pleno conhecimento da conspiração em que seu numerário fanático Silas estava envolvido. Tudo o que ele sabia – ou esperava – era que o prêmio ao final da jornada do monje seria a localização do Santo Graal. Mas fiquei com a impressão de que ele não sabia exatamente o que era esse Graal que procuravam.
O Priorado de Sião, por outro lado, já foi o nome de diversas sociedades secretas ao longo da história, ou talvez da estória, considerando que a mais famosa, fundada oficialmente em 1956 por Pierre Plantard, na França, era comprovadamente uma fraude. De acordo com Plantard, o Priorado de Sião foi fundado em 1099, para proteger o segredo do Graal. Chegaram a apresentar supostos documentos históricos que comprovariam a existência da sociedade secreta séculos atrás, e um suposto dossiê em que nomes como Leonardo Da Vinci, Isaac Newton, Botticcelli e Vitor Hugo apareciam como Grão-Mestres do Priorado. Alguns anos mais tarde, porém, pressionado pelas evidências, Plantard acabou confessando que a história era falsa. O objetivo da suposta sociedade secreta era tentar restaurar a monarquia francesa, através dos descendentes dos Merovíngios, que, supostamente, incluiria Plantard. O sobrenome chegou a ser mencionado em O Código Da Vinci como um dos últimos remanescentes da linhagem dos Merovíngios, que, de acordo com a lenda que vai além da obra de Dan Brown, descenderiam da Casa de David, rei de Israel na antiguidade, de quem Jesus também era descendente. E esta é, provavelmente, a única ligação sanguínea entre os Merovíngios e Jesus Cristo. Distante demais, se querem minha opinião.
Existe, de fato, a possibilidade de que Da Vinci tenha pintado símbolos escondidos em seus quadros, incluindo a Mona Lisa e A Última Ceia. Agora, se seus códigos tinham alguma coisa a ver com sua possível ligação com o Priorado de Sião ou qualquer outra sociedade secreta, ou se eram apenas uma maneira criativa de zombar e protestar contra a hipocrisia da Igreja Romana da época, que o relacionava entre os condenados ao inferno por ser assumidamente homossexual, e, a despeito disso, encomendava obras dele para decorar seus templos e capelas, são outros quinhentos...
Todo o resto da história é uma ficção baseada em outra ficção.
A lenda do Santo Graal remonta cerca de dois mil anos. A obra que mais abrangentemente fala sobre ele é a lenda do Rei Arthur. Embora a existência histórica de Arthur seja algo discutível, muitas versões de sua história contam sua suposta busca pelo Graal – que, neste contexto, seria simplesmente a taça que Cristo usou e partilhou com os discípulos na última Ceia; de acordo com a lenda, José de Arimatéia, tio de Jesus recolheu o sangue de Cristo na mesma taça após a crucificação, e por este motivo, acredita-se que o cálice pode conceder a vida eterna a quem nele beber.
A história é inverossímil sob muitas óticas, mas vou destacar apenas um detalhe: ainda que nenhum guarda tenha escorraçado o pobre José de Arimatéia da cena da crucificação ao tentar recolher o sangue de Cristo num cálice, qual a probabilidade de José ter em mãos justamente o mesmo cálice que foi usado na última Ceia? Principalmente porque Jesus e os seus discípulos estavam hospedados na casa de um cidadão de Jerusalém quando cearam. Para tornar essa história plausível, José de Arimatéia precisaria ter entrado na casa do sujeito e roubado a louça do jantar!
Seja lá como for, teorias da conspiração relacionadas à lenda do Santo Graal já foram criadas aos montes ao longo da história, mas poucas foram sustentadas numa base tão frágil quanto esta de Dan Brown.
E aqui esclareço uma das características que claramente dispõem O Código Da Vinci como ficção, e que aparentemente passou despercebido quando do primeiro susto causado pela obra: supondo que a teoria fosse, digamos, verdadeira, e que o Graal fosse o útero fecundado de Maria Madalena, e que uma sociedade secreta tivesse preservado seus ossos para que, num futuro distante, se pudesse realizar um teste de DNA dos descendentes dela – sugestão jamais mencionada no livro, mas apenas no filme, diga-se de passagem –, ainda existiria a impossibilidade de se provar quem era o pai da criança que ela gerou. O corpo de Jesus não está sepultado em lugar nenhum, desde a ressurreição ao terceiro dia, e mesmo que alguém identificasse os restos mortais de Maria, sua mãe, jamais conseguiriam provar que o DNA pertencia a ele ou a qualquer um de seus irmãos – se fazem questão dos nomes: José, Tiago (não o discípulo, outro Tiago) e Judas (de novo, não o Iscariotes, outro Judas; eram nomes muito comuns em Israel naqueles tempos). Se em dois mil anos de misturas genéticas já seria difícil comprovar o parentesco com Maria Madalena, imagine tentar provar quem era o pai da criança!
Do mesmo modo como se alega – no livro – que certos textos admitidos na Bíblia poderiam ser falsos, ou ter sido escolhidos para confirmar a história apregoada pela Igreja Católica, também não haveria meios de se provar com cem por cento de certeza a veracidade da história contada nos documentos sepultados com Madalena.
Sem mais, meritíssimo!
O Código Da Vinci, como mencionei no princípio, é um suspense muito bem elaborado, repleto de mistério e códigos escondidos – como todos que viram o filme estão carecas de saber –, e, tal como seu autor o escreveu, e deixou claro para quem quisesse ver – ou soubesse interpretar –, é uma obra de ficção, e jamais deve ser interpretado de outro modo.
É possível que Da Vinci tenha pintado uma expressão feminina de si mesmo na Mona Lisa – embora alguns especialistas discordem? Sim, é possível. É possível que ela seja uma figura andrógina, e que a ausência de uma definição de gênero seja a razão de seu sorriso debochado? Talvez.
Mas a história e os personagens mencionados em O Código Da Vinci – incluindo os personagens históricos e religiosos – são, dentro do contexto da obra, personagens de ficção. Qualquer semelhança com teorias da conspiração que atravessam séculos, é mera coincidência.
Ou um plano de marketing muito bem arquitetado e eficaz! Afinal, nada vende mais livros do que uma boa polêmica ou um bom escândalo!



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2 comentários:

  1. Jornal Informal

    Li a primeira vez o livro esse ano, depois de compra-lo a custo de $5 lulinhas, huahuahuahuahua (tinha que fazer isso um dia), e me apaixonei! Foi a trama mais bem escrita para mim, depois da minha amiga autora Agatha Christie (é incontestável a qualidade de seus mistérios e suspenses e tramas). Mas eu simplesmente amei do fundo do coração! Sobre alguns fatos contados, devo dizer que realmente existem alguns indícios históricos que constam no livro e que o autor acabou colocando no enredo para dar uma explicação a mais na trama. Mas, gostei de uma citação do livro, basicamente na última parte "Nós jamais pensamos em divulgar a verdade ao mundo. [...] O que move a fé é o mistério" (seria mais ou menos isso) e isso é verdade. O que move a fé é o mistério, sem isso não existiria fé.

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    1. Com certeza. Esse livro é muito bom, e é uma pena que tenham colocado tanta polêmica em cima dele, porque quando a gente lê, e conhece realmente a história, e todo o contexto histórico por trás, vê que não é nenhum bicho de sete cabeças. É como eu coloquei no título da resenha: muito barulho por nada. Mas, enfim, acho que deu certo para ele, e também para nós, que podemos ler as obras tão bem construídas do Dan Brown.

      Essa citação eu tinha até grifado, rs. Muito bem lembrado!

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