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sábado, 28 de julho de 2018

Coisas Que Você Provavelmente Nunca Notou No Programa do Chaves

Que Bonita Sua Roupa
O elenco de Chespirito reciclou muito figurino ao longo dos oito anos dos programas Chaves e Chapolin. Reza a lenda que muitas das roupas usadas na série pertenciam aos próprios atores.
Por exemplo:
O vestido que a Bruxa do 71 usou no episódio do Chapolin A Casa Dada Não Se Contam os Fantasmas”, depois de lavado foi secar lá no varal da vila do Chaves em “Gente Sim, Animal Não”, o segundo episódio da saga do Madruguinha.



A Dona Florinda também já tinha aquele vestido branco estampado com folhas grandes quando o pai do Quico era vivo – como mostra o flashback do episódio “Recordações” –, e ainda o usou para passar o “Natal Na Casa do Sr. Barriga” na última temporada do programa, e quando foi passar alguns dias naquele “Hotel Tão Limpo Que Limpa Até Carteira”, do Chapolin.
A camiseta amarela que o Seu Madruga usava nos primeiros episódios do programa – “Remédio Duro de Engolir”, “O Despejo”, “Quem Semeia Moeda”, entre outros – também foi figurino do personagem Peterete, parceiro de crimes do Chômpiras do esquete Os Ladrões, como mostram os esquetes “A Janela Aberta” e “Venda de Picolés”. A camiseta branca que ele usa no episódio “Os Campeões do Ioiô” e “Muito Azar Na Sorte Grande” também foi usada pelo Peterete em vários esquetes, como “O Cofre da Polícia”, e “Quem Será o Novo Chefe”.
No Chapolin, Florinda usou o mesmo vestido de losangos amarelos e marrons em dois episódios em 1974: “A Corneta Paralisadora” e “Não Me Amole, Mosquito!”. Ela também usou a mesma camiseta marrom de manga listrada em “Expedição Arqueológica” e “Não Confunda ‘a Casa Está Caindo de Velha’ Com ‘a Velha Está Caindo da Casa’”; E não vamos nem falar nos terninhos em tons pasteis e amarelos que Florinda vivia repetindo, e os uniformes de enfermeira que eram sempre os mesmos em todos os esquetes em que ela interpretou a personagem, mudando somente a peruca.
E se não era o mesmo, certamente estava na promoção: o mesmo vestido que Florinda Meza usara no duplo episódio “A Romântica História de Juleu & Romieta”, em 1975, à época dourado e caramelo, foi reutilizado na saga “O Alfaiatezinho Valente”, em 1978, mas desta vez ele estava dourado e verde. Pode ter sido efeito da luz que clareou o vestido da primeira vez; ele pode ter sido reformado; ou vai ver, a loja de fantasias estava fazendo liquidação, e a produção comprou logo duas cores diferentes, já imaginando que Bolaños saberia onde reutilizá-lo mais tarde.
E em caso mais raro, peças do cenário também apareceram em diferentes episódios do Chapolin, como o quadro da Tartaruga Ninja – pelo menos parece um deles – mostrando as mãos, que apareceu em “Os Documentos Confidenciais”, de 1976, em que Chapolin chegou a examinar suas mãos para ver se não havia anéis que pudessem esconder microfones ocultos, e também na versão anterior deste episódio, de 1973; e o mesmo quadro tentou passar a mão na bunda de Florinda Meza na representação do filme “A Bomba”, na segunda parte da saga “O Show Deve Continuar”, de 1978.


A Valentona do 14. E do 24, e do 42...
Qual era o número da casa da Dona Florinda? Aposto que todos responderam 14, não é mesmo? Bem, nem sempre. No episódio “Vamos Ao Cinema”, sabe-se lá por qual motivo, a valentona do 14 trocou o número de sua casa para 24. Só para constar, aquele foi o primeiro episódio gravado depois da saída oficial de Carlos Villagran, o Quico, da série – primeiro episódio da temporada de 1979 –, portanto, descartem a hipótese de ele ter feito carteirinha de sócio do São Paulo FC. A casa tem esse número também nos episódios “O Dia de São Valentim” e “O Dia dos Namorados”, todos de 1979. A casa ainda mudou de número mais uma vez naquele ano: no episódio “Nas Pontas dos Pés”, o número da casa passou a ser 42. E, talvez pensando em se aproximar do número da casa de seus vizinhos de pátio, no episódio semelhante “O Calo do Sr. Barriga”, de 1974, o número é 81. E algo curioso: na saga das Novas Vizinhas, de 1978 – a mais frequentemente exibida no Brasil –, no terceiro e no quarto capítulo da saga, a porta da casa da Dona Florinda não tem número nenhum.
E esta não foi a única casa a mudar de número. No episódio “A Troca de Chapéus”  o número da casa da Dona Clotilde era 77; e em “Remédio Duro de Engolir”, o número da casa da Bruxa do 71 era 5: foi pintado na parede acima da porta, que aliás era diferente da porta da casa do Seu Madruga – porque na época a emissora não liberava verba para o programa, forçando Bolaños a investir do próprio bolso e se virar nos trinta –, e Seu Madruga, a propósito, morava no n° 14, onde depois morou Dona Florinda. E o número 14 ainda o perseguiu no episódio “Animais Proibidos”.
Um caso curioso foi o do episódio semelhante “Discos-Voadores”, de 1974, em que alguém trocou as bolas legal: a casa da Dona Florinda ostentava o número 71, a da Bruxa era o 72 e a do Seu Madruga estava com o número 14. Sinal de que o contra-regra daquele episódio não assistia a série; ou vai ver ele pensou “vamos trocar os números de todo mundo e ver se alguém vai perceber...”.
Notem também que, na série, o número normal da casa do Seu Madruga era 72, mas no desenho é 10.

Somos Cafonas Chiques, Sim!


A música que toca quando Dona Florinda e o Professor Girafales se encontram é o Tema de Tara, trilha sonora original do filme E O Vento Levou. Quando os episódios foram dublados no início dos anos 1980, não dava para separar as vozes dos atores do resto da trilha sonora. Tudo precisou ser refeito. Para a trilha do casal, o diretor de dublagem Mário Lúcio de Freitas colocou o que tinha à mão, que, no caso, era o Tema de Tara.





Que Bruxaria é Essa?

Vários episódios mostraram o animalzinho de estimação de Dona Clotilde – que embora não goste de ser chamada de Bruxa, achou que não seria nada de mais chamar o pobrezinho de Satanás. Geralmente, nesses episódios, seu mascote é um cachorrinho. Mas no episódio “A Casa da Bruxa”, em que as crianças vão devolver um jornal na casa dela a pedido do Seu Madruga, e sonham que ela está preparando uma poção para fisgar o pai da Chiquinha, o animal que responde pelo mesmo nome é o quê, mesmo, Chaves?


Agora Também Vai Pôr a Culpa No Chaves Nas Panquecas, Né?!

A atriz Maria Antonieta de las Nieves, a Chiquinha, ficou grávida logo no início da série, e gravou vários episódios já com a barriga crescida. Para tentar dar uma disfarçada, ela passou a usar um figurino mais largo. Note como seu primeiro vestido era bem justinho na primeira temporada da programa, quando era branco e liso; já o segundo, amarelo claro listrado, era bem mais folgado. É possível notar o volume em sua barriga nos episódios semelhantes “Barquinhos de Papel”, “Sustos Na Vila”, “A Bandinha”, “As Festas de Independência” e no esquete de Chespirito “O Ensaio”, todos de 1973. Quando regressou ao programa, em 1975, após a licença maternidade, ela manteve o vestido listrado, mas era perceptível como ele assentava melhor em sua silhueta.


Tem Que Estudar, Chaves, Pra Não Ser Burro

No episódio “Matando Aula No Domingo”, de 1979, as crianças decidem faltar à escola, e passam o dia todo tentando não ser vistos pelo Professor Girafales, para só no final serem informados de que aquele dia é domingo. Mas no início do episódio, as crianças são vistas retornando da aula e reclamando que o Professor Girafales estava bravo demais, e o acordo de não ir à escola é feito para o dia seguinte. Ou seja, eles tiveram aula no sábado! Será que eram aulas de reforço?


Há Algo Maior Em Todo o País? Sim, Seu Nariz!

Florinda Meza tinha o nariz bem mais avantajado nos primeiros esquetes do programa. Em algum momento entre 1972 e o início de 1973 ela fez uma cirurgia plástica que lhe concedeu aquele nariz arrebitado que tanto combina com a índole de sua personagem.
A atriz revelou em entrevista a um programa de televisão no México que o formato diferente de seu nariz lá no início da série se deu por um fato triste de sua infância: sua mãe tinha problemas neurológicos, e um dia, durante uma crise, atirou um ferro de passar em seu rosto, quebrando o osso de seu nariz, o que mais tarde lhe causou problemas respiratórios.


Se o Nariz é a Espanha, Alguém Raspou Portugal do Mapa
Quem menos sofreu variações na aparência ao longo do programa – além do próprio Chaves – foi o Seu Madruga. Seu figurino foi mais ou menos o mesmo praticamente do início ao fim: as camisetas sofreram algumas variações de tonalidade do cinza escuro desbotado ao preto, e nos primeiros episódios, conforme já mencionei, ele chegou a usar camisetas brancas e amarelas; também chegou a usar uma boina e um chapéu panamá – “Remédio Duro de Engolir” e “A Troca de Chapéus”, respectivamente. Mas uma diferença mais significativa e difícil de notar são os raros episódios em que ele aparece sem bigode. Alguns deles são “Quem Semeia Moeda” e “O Despejo” (1972); “O Mistério dos Peixinhos” (1973); “Quem Baixa As Calças Fica Sem Elas” e “A Troca de Chapéus” (1974);  “Tocando Violão” (1975); “A Galinha da Vizinha é Mais Gorda do Que a Minha” (1976); e um caso curioso é o do episódio “O Castigo da Escola”, de 1978, em que Seu Madruga aparece sem bigode, mas na continuação “O Escorpião”, o bigode já está de volta, e bem crescido.



A Camiseta do Chapolin

Chaves mudou pouco o modelo e a cor do figurino ao longo do programa. Teve camisetas listradas mais brancas, mais amareladas, com listras de três cores, com mangas mais curtas que o normal; calça marrom, mostarda, algo próximo do bege encardido, e lá no comecinho da série ele usou uma calça azul. Mas houve também uma única vez, no episódio “Marteladas”, de 1972, em que ele usou uma camiseta branca, aparentemente de segunda-mão – parecia ter pertencido a um menino menor que ele –, com uma estampa do Chapolin. Muito provavelmente uma camiseta promocional. Bolaños adorava fazer propaganda do Chapolin no programa do Chaves, e vice-versa.


O Barril Que os Inteligentes Ainda Não Podiam Ver

O barril do Chaves não existia na vila nos primeiros esquetes do programa, como “Remédio Duro de Engolir” e “O Despejo”. Ele aparece pela primeira vez em “O Mistério dos Peixinhos”, de 1973.


O Segredo do Tapa-Olho do Chapolin

Estão lembrados do episódio de 1979 “A Troca de Cérebros”, em que Chapolin aparece usando um tapa-olho de pirata, e conta que um cara tentou acertá-lo e conseguiu? Bem, aquilo não era um mero acessório. Durante as gravações do episódio “Vinte Mil Beijinhos Para Não Morar Com a Sogra”, Roberto Gomez Bolaños tropeçou em uma parte do cenário da construção e cortou o supercílio. No final do episódio, ele aparece com vários curativos no rosto, sendo que o do supercílio, que quase cobria todo o seu olho esquerdo, era real. Por isso, nos dois episódios seguintes “A História de Cleópatra” (inédito no Brasil) e “A Troca de Cérebros” ele aparece usando um tapa-olho.
Diz a lenda que esse acidente foi o motivo de Bolaños ter decidido encerrar o programa Chapolin Colorado. Mas no ano seguinte ele voltou a interpretar o personagem em esquetes do Programa Chespirito – tendo encerrado também o programa individual de Chaves.

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