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sábado, 14 de julho de 2018

A Estrela Mais Cobiçada do Reino Encantado

Este é um dos meus filmes favoritos – baseado num dos meus livros favoritos.
Pode-se dizer que Neil Gaiman é o Tim Burton da literatura, especialista em criar fábulas e histórias interessantes, recheadas com personagens estranhos e com um toque meio gótico.
Stardust – O Mistério da Estrela, conforme resenhei o livro em outra oportunidade, é uma espécie de conto de fadas, sem Bibit Bobit Bum, fadas-madrinhas ou príncipes encantados. Até tem príncipes, mas eles estão muito longe de transmitir algum encanto; quanto a fadas-madrinhas, é mais fácil você topar com uma bruxa lá do outro lado da Muralha, do que encontrar alguma alma caridosa com poderes mágicos. Exceto, talvez, um Unicórnio...


Muito tempo atrás – coloca aí primeira metade do século XIX, porque, de acordo com o livro, a Rainha Vitória ainda não tinha pedido o Príncipe Albert em casamento, e Charles Dickens ainda era um rapazote publicando Oliver Twist em folhetins –, no pacato vilarejo de Muralha, na Inglaterra, vivia o jovem Dunstan Thorn, que queria realizar o desejo de seu coração. E, embora a frase não seja exatamente original, o desejo do coração do rapaz não era nem a donzela de seus sonhos, nem a fortuna de um magnata do petróleo. Dunstan Thorn queria atravessar um muro. Não qualquer muro, é claro. Ele queria atravessar o muro que separava o lugarejo de Muralha do Mundo Encantado.
Embora só se veja um campo vazio do outro lado, o guarda do muro, que vigia constantemente a fenda, garante que ninguém atravessa aquela passagem há séculos, pois o muro protege o mundo mágico dos humanos.
Mas Dunstan argumenta sobre só haver um campo do outro lado, e fingindo desistir, para enganar o velho, e sendo mais rápido que ele, salta o muro e conhece a feira que há do outro lado. Ele tenta comprar uma lembrancinha numa das barracas, e a vendedora o convence a comprar uma flor de vidro, uma fura-neve, pois ela dá sorte, e só custa um beijo. Mas como simpatizou muito com a vendedora, o rapaz acaba lhe dando uma “gorjeta”. Meses depois, um cesto é deixado em sua porta, do outro lado do muro; dentro dele há um bebê, seu filho, fruto da compra daquela flor que lhe daria sorte. Aparentemente, a flor trouxe mais do que isso.
Dezoito anos mais tarde, Tristan Thorn, o bebê, agora crescido, trabalha como balconista – embora ele afirme que não é esta sua profissão; ele apenas trabalha numa loja por um tempo –, e tenta cortejar a bela Victoria, cujo amor é disputado pelo rico Humphrey, que lhe promete mundos e fundos, e, às vésperas de seu aniversário, promete ir a Ipswich e lhe comprar um anel com uma pedra enorme, com o qual pedirá sua mão em casamento. E como não consegue se decidir, nem recusar atenções, ela continua dando bola para Tristan, mesmo dizendo que se Humphrey trouxer o anel, ela não terá como recusar seu pedido de casamento. Então Tristan diz que por ela, ele cruzaria oceanos e continentes, iria até São Francisco – o lugar mais distante em que consegue pensar –, iria até a África para lhe trazer joias, ou até o Ártico para lhe trazer a cabeça de um urso polar...
Mas ela ainda prefere o anel caro de Humphrey a esperar pelos presentes fantasiosos do pobre Tristan.
Enquanto o rapaz é humilhado pelo suposto amor de sua vida, do outro lado do mundo mágico, o Rei de Stormhold encontra-se em seu leito de morte, divertindo-se ao dividir com os filhos a história sobre como herdou o trono de seu pai: ele tinha doze irmãos, e enquanto seu pai agonizava ele matou um por um, até só restar ele, então, voilà! A coroa era sua. E espera que seus sete filhos façam o mesmo. Bem, eram oito, mas sua única filha, Una desapareceu há muitos anos, e dos sete filhos homens, três já foram, e, a julgar pelo estado deplorável de seus fantasmas, a morte deles não foi nada bonita. Enquanto conta essa história, o Rei sugere que seu filho Secundus se aproxime da enorme janela do quarto e dê uma boa olhada na vista, admire as estrelas, e fique moscando enquanto seu irmão Septimus o empurra para cair no abismo. Porque deve ser muito divertido ver um de seus filhos empurrar o outro pela janela enquanto está em seu leito de morte. Pelo visto, esse Rei aí segue a cartilha dos Nardoni...
E como quer tornar as coisas ainda mais divertidas, o Rei propõe mais uma competição: além de seus filhos terem que matar uns aos outros para ficar com o trono, eles terão que encontrar o Rubi Real, que ele atira pela janela antes de morrer. Fora de seu pescoço ele parece um cristal comum, mas nas mãos de um herdeiro de Stormhold legítimo ele voltará a ser o rubi. Só que há um pequeno probleminha, porque esse Rei desastrado atirou a joia sem olhar para onde, e com tanta força, que acabou acertando uma pobre Estrela que vinha passando, fazendo-a cair do céu.
Sua queda foi assistida dentro e fora do mundo encantado, inclusive pelo nosso casal não tão apaixonado, Tristan e Victoria, e o rapaz viu nisso a oportunidade de superar o presente de Humphrey: ele promete trazer a estrela para Victoria em seu aniversário, que é dali a uma semana.
O grande problema neste plano está em atravessar a fenda do muro, pois o velho ainda está lá de guarda, e muito mais esperto que dezoito anos atrás, quando o pai do rapaz o ludibriou para passar. Aparentemente, o coroa teve bastante tempo para treinar karatê, kung-fu e o escambau para não ser passado para trás de novo por um moleque travesso, e dá uma coça no garoto.
Depois dessa pequena lição sobre não tentar enganar pela segunda vez o Matusalém, Tristan volta para casa, onde o pai lhe entrega um presente que sua mãe deixara em sua cesta – muito providencial, falando nisso: uma carta e uma Vela da Babilônia; e todo mundo sabe que o jeito mais rápido de viajar é pela luz da Vela. Como tem pouco tempo para encontrar a estrela de Victoria, Tristan não pensa duas vezes: acende a Vela e sai voando pela janela.
A princípio ele não sabe que a mulher que está à sua frente é a Estrela, e pergunta se a viu. Quando se toca que está falando com a própria, Tristan prende a mocinha com um fio mágico que só o autor sabe onde ele arrumou, e iniciam a viagem de volta para Victoria.
Yvaine, a Estrela, não está muito contente por ter que caminhar – com a perna machucada pela queda, diga-se de passagem – durante o dia, quando costuma estar dormindo, e sem ter conseguido dormir à noite, quando costuma estar brilhando, mas Tristan tem pressa de retornar à Muralha, por isso a obriga a prosseguir. No entanto, num momento em que o rapaz a deixa amarrada numa árvore, para procurar comida, um Unicórnio aparece, dá uma chifrada na corrente, e a liberta, permitindo que ela monte nele e fuja.
Enquanto isso, em Stormhold, o Bispo está prestes a coroar o Príncipe Primus, o que muito o alegra, pois está certo de que ele será um bom Rei; porém Septimus oferece um brinde antes da coroação, e acontece que o vinho do Bispo estava temperado com um veneninho porreta. Tertius começa a agonizar logo depois, enquanto os três irmãos se entreolham, desconfiados de quem pode ter envenenado o vinho. Por fim, Septimus também começa a agonizar. Primus chega a comemorar e pegar a coroa, mas é interrompido pela risada de Septimus, que apenas fingiu de morto.
Primus conclui que foi Septimus quem matou o Bispo, mas o irmão afirma que foi Primus quem o matou, bebendo da taça errada.
Longe dali, as três Bruxas Rainhas das Trevas, muito velhas e caindo aos pedaços, já estão sabendo que caiu uma Estrela há 160 km de Stormhold, e como isso para elas significa um bom jantar, e de sobremesa uma visitinha à Nossa Senhora da Plástica, elas tiram a sorte para decidir quem vai buscar essa delícia – porque, aparentemente, não dá para pedir esse prato pelo ifood –, e Lamia trapaceia para comer o resto do coração da última Estrela que caiu por lá e poder ir atrás da nova, revestida com toda a sua antiga beleza.
Aliás, é importante dizer o seguinte: Michelle Pfeifer tinha 50 anos quando fez esse filme, e creio que falo por todas as mulheres do planeta quando digo que quero chegar aos 50 com essa cútis!
Da versão bonita! Não a bruxa encarquilhada! Veja bem...
Resolvida a questão da aparência, Lamia agora só precisa de um transporte. Caminhando pela vizinhança, ela ouve quando uma mulher grita para seu filho ou marido não aceitar menos do que um florim pelo bode que está levando para vender no mercado. Mas como o bicho é pequeno demais para puxar seu coche sozinho, a Bruxa acaba tendo que transformar o dono dele em outro bode para reforçar sua guia.
E com isso, já perde um pouco de sua juventude, adquirindo manchas senis em uma das mãos.
Logo depois, ela cruza com Sal, “sua Bruxa Imunda”, e se convida para o jantar, identificando-se como a Majestade das Trevas que ela deve temer, pois pertencem à mesma Fraternidade de Bruxas, mas Lamia está acima dela e manda nessa bagaça toda; então Sal pede que ela escolha entre cabeça e rabo, e ela prefere ficar com a cabeça do que quer que seja que a bruxa tenha preparado para o jantar. O caso é que Sal pôs Grama do Limbo na comida de Lamia para forçá-la a contar porque andava por aquelas bandas. Daí, irritada por ter dado com a língua nos dentes sobre a Estrela, Lamia enfeitiça a bruxa para que não veja, não ouça, não toque, nem sinta o cheiro da Estrela, enchendo sua outra mão de manchas senis.
Distante dali, o Príncipe Septimus continua sua busca pelo rubi, com o auxílio de um consultor de runas. Ele é informado de que há outra caça ao tesouro rolando na região, pela Estrela que caiu do céu, cujo coração pode conceder a imortalidade. Rei para sempre soa como uma ideia interessante para o ambicioso Septimus. Também lhe interessa descobrir como as runas funcionam. Ele começa a fazer perguntas aleatórias para descobrir como as runas confirmam ou negam alguma coisa. Banalidades, como ele ser o sétimo filho e sua cor favorita ser azul – que as runas confirmam, caindo com os símbolos voltados para cima –, e se súplicas e protestos já o convenceram a poupar um traidor – desta vez as runas negam, caindo com o lado branco para cima. Agora que sabe como elas funcionam, Septimus põe fim à enrolação.
Lamia também anda confusa com a consulta das runas, e decide usar seu anel mágico para fazer um interurbano e perguntar às suas encarquilhadas irmãs bruxas se têm alguma notícia da Estrela.
Então, Lamia faz aparecer uma estalagem no meio do nada, à beira da estrada por onde suas irmãs garantiram que a Estrela vai passar, transforma o bode em seu marido Billy, dono da estalagem, e o dono dele em sua filha. E eu me recuso a comentar essa operação mágica de mudança de sexo...
E como estão de olho em toda essa tramoia, as Estrelas enviam uma mensagem para Tristan, alertando-o de que as Bruxas Más do Oeste estão atrás de Yvaine, pois elas têm o hábito de comer o nobre coração de estrelinhas indefesas que vão pelo bosque a recolher lenha – a última que caiu por aquelas bandas, foi enganada e bem alimentada pelas bruxas, e quando se sentia em paz, brilhando de novo em terra firme, elas a mataram e devoraram seu coração. Então, Tristan se apressa para impedir que Yvaine caia também nesta cilada, e pede carona para uma carruagem que vem passando. Coincidentemente, a carruagem em que viaja o Príncipe Primus, em busca do Rubi Real de Stormhold, levando os fantasmas dos cinco irmãos mortos na bagagem.
Conforme a visão das bruxas velhas, quando a Estrela para na estalagem para descansar um pouquinho, Lamia é toda receptiva; manda colocar o Unicórnio da moça no estábulo e a conduz até o quarto mais confortável da casa, onde lhe oferece um banho quente, cura seu pé com magia e faz uma massagem, já planejando terminá-la passando o caco de vidro amaldiçoado pela garganta da Estrela, mas são interrompidas pela providencial chegada de Primus e Tristan.
A suposta estalajadeira, contrariada, adia o jantar para atendê-los, e acomoda o Príncipe numa banheira no meio do salão da recepção, enquanto Tristan guarda os cavalos no estábulo. O rapaz parece não notar o Unicórnio na baia ao lado, até que o bicho começa a se agitar, dá uma chifrada no suposto marido da estalajadeira, quebrando o encanto de Lamia, fazendo-o recuperar a forma original de bode. Isso, embora esquisito, ainda dava para aturar – afinal, cada louco com sua mania, se a mulher quis casar com um bode... O problema é que o Unicórnio voltou a engatilhar o chifre, desta vez em direção à mão de Tristan – ou melhor, ao cálice que a bruxa oferecera ao Príncipe, e que este recusara, pois já aprendeu alguma coisa com o envenenamento do Bispo. Assim que a bebida é arrancada das mãos de Tristan pelo chifre encantado do Unicórnio, este revela o veneno, deixando o rapaz apavorado.
Tristan corre para avisar o Príncipe de que alguém ali está tentando matá-lo, mas chega um pouquinho atrasado. Enquanto Primus se banhava no meio da recepção, Yvaine descera para tomar ar fresco. Ninguém pareceu particularmente constrangido pela situação, até ele perceber que a moça – que ele não sabe que é a Estrela – está usando uma joia muito familiar – com e sem trocadilhos. Mas no exato momento em que ele pede que ela se aproxime para que ele possa ver melhor a joia, Tristan irrompe pela porta da estalagem avisando que aquele lugar é uma armadilha, e Lamia aproveita que todas as atenções estão concentradas no rapaz para cortar a garganta do Príncipe com a lâmina preparada para a Estrela.
Como não dá mais para fingir ser uma doce estalajadeira bem intencionada, Lamia decide mostrar suas verdadeiras intenções, partindo para cima da Estrela apesar da interferência do seu cavaleiro heroico.
Como era caso de vida ou morte, Tristan pega a metade que restou da Vela da Babilônia – que ele estava guardando para dar à Yvaine, para que ela pudesse voltar ao céu, depois de dá-la de presente a Victoria –, agarra a mão da Estrela, e pede que ela pense em casa. Acende o toco da Vela na fogueira que Lamia acendeu ao seu redor, e saem voando da estalagem da bruxa.
Tem só um probleminha: como ele não especificou qual era a casa em que ela deveria pensar, e a casa dela fica numa altitude bem diferente da casa dele, ele pensou na casa dele, e ela na sua, e agora estão no meio do caminho entre as duas, ou seja, flutuando numa nuvem de tempestade.
No meio dessa discussão, nossos heróis são apanhados por uma rede caída do céu, e levados a bordo do navio voador do temido Capitão Shakespeare. Os piratas pensam que eles são senhores do raio, e amarram o casal na despensa do navio até decidirem o que farão com eles.
Acontece que Yvaine também não consegue compreender a necessidade de Tristan de provar seu amor por Victoria presenteando-a com a Estrela, pois, pelo pouco que entende desse sentimento traiçoeiro, Yvaine acreditava que o amor deveria ser incondicional.
Enquanto isso, Septimus chega à estalagem da bruxa, e descobre que seu rubi está sendo transportado pelo reino por uma Estrela caída, e fica ainda mais tentado com a ideia de comer o coração dela e se tornar Rei para sempre.
Quanto à bruxa, depois de roubar a carruagem do finado Príncipe Primus – trombadinha! –, ela faz outro interurbano através do anel/espelho mágico, para pedir que suas irmãs deem uma arrumada na casa, pois ela levará a Estrela em breve, assim que recuperar seu rastro. As irmãs mais velhas então consultam as tripas de outro jacaré – que é o mais próximo de um GPS que se pode encontrar naquele reino encantado, além das runas – para saber a direção que a Estrela tomará depois que o navio pirata voador pousar.
Agora ela não está mais trancada na despensa. O Capitão mandou trazer os prisioneiros de volta ao convés para comunicar a Tristan que “sua mulher” é um despojo bom demais para ser apreciado por um único homem. E quando Tristan tenta defendê-la, acaba sendo arremessado para fora do navio. Yvaine é levada ao camarote do Capitão, e quem se atrever a interrompê-los receberá o mesmo tratamento.
Acontece que Tristan não caiu do navio coisíssima nenhuma. Não me perguntem como aconteceu, mas ele estava esperando dentro do camarote do Capitão. O que foi arremessado da amurada era um manequim, que o Capitão Shakespeare deve ter tirado do próprio... bolso.
Agora que estão em segurança, e longe de olhos curiosos, o Capitão já pode parar de falar grosso, mostrar seu lado afetado e pedir notícias de sua amada Inglaterra. Não que algum dia tenha estado lá, mas ele é apaixonado pela terra da Rainha. Quem nunca...
Acontece que o Capitão não é tão mau quanto as lendas apregoam, afinal. É tudo uma grande encenação: uma dose de barganha, uma pitada de trapaça, uma porção de intimidação, é o segredo para se manter uma reputação de malvado sem derramar nem uma gotinha de sangue.
Porque ele sabe que se não impuser respeito, virá um malandro e tentará se apossar de seu navio. E para garantir que Tristan não será reconhecido pela tripulação quando aparecer novamente a bordo, o Capitão dá um tapa no visual do rapaz, e deixa Yvaine à vontade para escolher um vestido, dentre os muitos modelitos que tem no closet.
Afinal, não é muito aconselhável que ela fique desfilando de roupão de banho diante da tripulação.
Acontece que o Capitão Shakespeare cresceu ouvindo histórias sobre a Inglaterra. Quando era criança, ele ia com seu pai, o Capitão Faz Fantasma vender mercadorias na feira, e sempre espiava a fenda do muro, desejando atravessá-lo e conhecer a terra da Rainha. Escolheu o nome de seu escritor favorito para ser sua alcunha, provando o quanto ele desejava ter sangue inglês. E apesar de toda a sua frescura, conseguiu construir uma reputação capaz de deixar seu velho pai orgulhoso.
Depois de devidamente disfarçado, Tristan fica escondido no navio, enquanto o Capitão Shakespeare, sua tripulação e a Estrela vão ao mercado mágico tentar negociar algumas de suas mercadorias, como uma caixa com os raios que capturaram em sua última viagem, dez mil descargas elétricas da melhor qualidade, mas Ferdy, o comerciante sabe que se os coletores de impostos farejarem isso, confiscarão tudo, por isso não está disposto a pagar tão caro pela mercadoria.
Uma aula de negociação com o Professor/Capitão Shakespeare.
E como não guarda rancor pela pechincha perdida, o comerciante compartilha com o pirata as últimas fofocas da região.
Shakespeare não demonstra o menor interesse na fofoca, mas fica intrigado. E não é porque comeu muito trigo. Ele deixa o comerciante conversando com Sal, a Bruxa Imunda – alguém que certamente correria atrás desses rumores –, e retorna ao navio, onde encontra seu sobrinho recém-reformado, Tristan Thorn – conhecem? – sentado muito confortavelmente sobre alguns caixotes no convés, esperando para ser apresentado à tripulação.
Por mais que o Tristan pareça tímido, ou que a tripulação ache sua cara familiar, ninguém ousa questionar a história do Capitão, e aceitam seu “sobrinho” a bordo, sem reclamações. E como aparentemente o Reino Encantado é grande, e a viagem, mesmo pelo céu, dura alguns dias, Tristan aproveita para tomar aulas de esgrima com o Capitão Shakespeare. Afinal, nunca se sabe quando será preciso saber manejar uma espada. E como é um bom anfitrião, Shakespeare também aproveita a companhia para ensinar piano e valsa a Yvaine.
Tipo a bruxa Lamia, que já chegou ao mercado, e está consultando Ferdy sobre a Estrela, mas ele garante que não a viu.
Mas ela estaria mais interessada numa Vela da Babilônia, que poderia levá-la diretamente à sua Estrela sem perda de tempo. O problema é que esse é um produto difícil de se obter, mesmo para um comerciante de bugigangas experiente como ele. E como ele começa a tagarelar fofocas de personagens que não tem qualquer relevância, e que nem mesmo foram convidados a aparecer no filme, ela se irrita e o deixa falando sozinho com sua nova voz de macaco.
O que acaba sendo muito prejudicial à saúde do comerciante, que teve a infelicidade de ser abordado por Septimus logo em seguida. Aparentemente, todo mundo naquelas bandas achou que Ferdy tinha cara de guichê de informações, e decidiu parar em sua barraca para perguntar se viu uma Estrela perdida passando por ali, e como agora ele não está falando a mesma língua que o Príncipe de Stormhold, este decide matá-lo para que aprenda a falar direito em outra vida.
Shakespeare deixa seus novos amigos à beira da estrada que leva ao lugarejo de Muralha, e antes que desembarquem, ele confidencia um conselho ao ouvido de Tristan, que deixa Yvaine com a pulga atrás da orelha.
Porque, afinal de contas, Shakespeare precisa manter sua reputação de machão. Que não durará muito tempo, pois tão logo desembarca nossos simpáticos viajantes, seu navio é invadido pelo Príncipe Septimus e seus homens, no exato momento em que o Capitão está em seu camarote, só de combinação e plumas, todo maquiado, dançando Cancã com um leque diante do espelho.
Difícil explicar essa cena bonita, não é mesmo, Capitão? E é claro que sua reputação vai pro vinagre, e depois de presenciar sua performance de dançarina do Moulin Rouge, Septimus não se sente nem um pouco intimidado em botar uma espada na garganta do Capitão e ameaçar matá-lo, caso não lhe diga para onde foi a Estrela.
Para sorte do Capitão, os piratas foram mais espertos e mais habilidosos que os homens do Príncipe, e depois de esquartejar todo mundo no convés, invadem o camarote para salvar a vida do Capitão e o surpreendem de saia curta. Na verdade, de anágua curta. Mas pelo menos o número elevado de bucaneiros serve para fazer o Príncipe Septimus fugir pela janela.
Porque amigo de verdade é isso: na alegria e na tristeza, na macheza e na boiolagem... E o Capitão Shakespeare pode ficar tranquilo, pois tem em sua tripulação homens extremamente leais.
Enquanto isso, Tristan e Yvaine estão a 96 quilômetros de Muralha; mais ou menos dois dias de caminhada e estarão lá.
Acontece que agora o casalzinho está se dando muito bem, obrigado.
Ao contrário de quase todo mundo naquela terra encantada, Tristan não vê nela a possibilidade de uma vida imortal, pois imagina que seja solitária e muito triste.
E nesse momento quem vem pela estrada?
Quem? Quem? Quem?
RAIMUNDO NONATO?!
Não! SAL, A BRUXA IMUNDA!
Tristan e Yvaine param a carroça dela para pedir carona, e Sal reconhece sua flor de vidro desaparecida na lapela dele. Tristan então, concluindo que é valiosa, propõe devolvê-la, se ela os levar em segurança até Muralha e lhes der uma Vela da Babilônia. No entanto, ela afirma que não mexe com esse tipo de magia negra, mas aceita lhes dar uma carona. Passagem segura, alojamento e comida. E garante que Tristan chegará em Muralha na mesma condição em que está agora. Um acordo no mínimo suspeito para se fazer com uma bruxa.
Tristan supunha que a flor que entregara à bruxa fosse um amuleto, mas não fazia ideia de para quê servia. E como preza pela educação dos mais humildes, Sal explica a ele que a fura-neve de vidro é um amuleto de proteção. Exatamente o tipo de coisa que não lhe permitiria transformá-lo em camundongo, como acaba de fazer.
Yvaine tenta defendê-lo quando a bruxa pega o camundongo na mão para levá-lo para dentro do carroção, mas uma força sobrenatural lhe impede de tocá-la. Yvaine fica gritando, mas a velha não está nem aí, como se ela nem existisse, comprovando ser eficiente o feitiço de Lamia, que impede que Sal veja, ouça, toque ou sinta o cheiro da Estrela.
E como é uma bruxa de palavra, Sal coloca Tristan numa gaiola e lhe dá um pedacinho de queijo. Afinal, ela prometeu lhe dar passagem segura, comida e alojamento até Muralha, mas não especificou as condições. Ou seja, Tristan não aprendeu a lição ensinada pelo Capitão Barbossa em Piratas do Caribe: se estiver negociando com piratas, patifes ou bruxas imundas, estabeleça TODOS – mas TODOS MESMO! – os termos do acordo! Porque senão você pode ter que desembarcar caminhando na prancha no meio do oceano, ou ser levado para um ritual macabro onde terá que sangrar sobre uma moeda de ouro para quebrar uma maldição, ou ser transformado num rato para ocupar a menor acomodação na carroça da bruxa e comer o mínimo possível durante a viagem.
E é por isso que Yvaine perde a linha, e aproveita que a velha não a está vendo nem ouvindo e solta o verbo:
Meu Tristan... Alerta de Spoiler atrasado, Tristan: a Estrela te ama! Tu vai ser imortal, moleque!
E como ele não dá o menor sinal de que está entendendo alguma coisa, Yvaine aproveita que estão viajando sozinhos na parte de trás do carroção para se declarar ao rapaz. Porque ela sempre achou bonita a forma como a humanidade é capaz de amar. É o que torna suportável para as Estrelas olharem para aquele mundo, cheio de ódio, guerras, dor e mentiras. Ele pode procurar até no canto mais distante do Universo, e não encontrará nada mais bonito que o amor. E nesse momento, ela parece ter dificuldade para encontrar a palavra certa para descrever esse sentimento, e começa a declamar vários adjetivos que significam mais ou menos a mesma coisa: intensidade.
Tudo isso, porque ela está hesitante em admitir o óbvio: que ela se apaixonou por Tristan. E que ela sente que seu peito mal pode conter seu coração agora.
E acrescenta que se ele correspondesse ao seu amor, ela não pediria nada, nem presentes, nem bens, nem demonstrações de devoção. Só a certeza de que ele a ama, e seu coração em troca do dela.
Ouviu, Tristan Thorn: essa, sim, é pra casar!
E ele está ligado!
Depois que Sal mais ou menos cumpre a promessa de desembarcá-lo na mesma forma em que o apanhou na estrada, só um pouco desorientado por causa da transformação, e de ele xingar sua Estrela de nome feio...
Eles se hospedam numa estalagem, pois o aniversário de Victoria é só amanhã, e Tristan precisa de uma boa noite de sono antes de entregar seu presente. Só que agora ele não está mais interessado em barganhar o coração da moça com o presente mais caro da freguesia, pois ele estava prestando atenção ao que a Estrela lhe dizia na carroça da Bruxa Imunda, e não é indiferente ao seu amor. Ele descobriu exatamente o que o Capitão Shakespeare lhe sussurrou antes de desembarcar, e que ele não quisera contar à Yvaine: que seu verdadeiro amor estava bem diante de seus olhos.
Então nosso herói demonstra todo o seu amor à mocinha, bem diante de uma plateia VIP, pois os Príncipes de Stormhold os estão acompanhando desde que perceberam que a Estrela estava carregando seu Rubi Real, e agora assistem de camarote à consumação do amor dela com seu não-balconista, como se estivessem assistindo ao BBB pelo pay-per-view.
Pena que o Príncipe Septimus deva chegar no dia seguinte, encontrar a moça, pegar o rubi e ser Rei. E se pá, ainda conseguirá a imortalidade, tudo num golpe só. Mas pelo menos, os fantasmas ficarão livres para partir assim que a coroa encontrar seu herdeiro.
Enquanto isso, as irmãs encarquilhadas da Michelle Pfeifer a informam que a Estrela está no mercado, a um quilômetro e meio da fenda do muro, e se ela atravessar o limite do mundo humano será um monte de pedra metálica, completamente inútil aos seus propósitos, portanto, é melhor a bruxa se apressar.
Até porque, o Tristan vai cometer uma gafe quase imperdoável naquela manhã. Depois da lua-de-mel antecipada, ele deixa sua Estrela dormindo e vai bem cedo à casa de Victoria, levar uma mecha do cabelo de Yvaine, só para cumprir tabela, e não se passar por caloteiro em pleno aniversário da moça. O problema é que o estalajadeiro se atrapalha ligeiramente com o recado que Tristan deixou para Yvaine, para o caso de ela acordar antes de ele voltar.
E tal como aconteceu com a Vela da Babilônia, como Tristan não especificou ao estalajadeiro quem era esse amor verdadeiro, Yvaine deduziu que estava sendo abandonada pelo jovem Don Juan. E saiu desorientada e deprimida em direção à fenda do muro.
E pensar que aquela foi a primeira vez que ela dormiu a noite... Se bem que, não tenho certeza de que tenham dormido tanto assim...
Bem, seja lá como for, Tristan bateu à porta da casa de Victoria para entregar o presente, e já ouviu reclamação porque a estrela que ele trouxe é pequena demais. Claro que é só um pedaço, uma lembrança de aniversário. E já que ele atravessou metade do mundo mágico só para agradá-la, Victoria finalmente toma sua decisão. Porém, tarde demais.
E bem nesse momento, Humphrey chega com uma caixa grande demais para conter um simples anel – a menos que ele tenha comprado o anel de Saturno para ela –, vê a cena, e deduzindo que estão enfeitando sua testa, saca a espada e chama Tristan para a briga. Em outros tempos, o rapaz poderia até ter se intimidado, mas agora, depois de ter aprendido a manejar a espada com o pirata mais afeminado do Reino, ele está pronto para mostrar suas habilidades e tirar aquele sorrisinho debochado do rosto de seu antigo rival.
E é nesse momento, quando os homens estão muito ocupados medindo espadas, que Victoria desenrola o lenço que Tristan lhe trouxe, e descobre que ele só contém um punhado de poeira de estrela.
Felizmente, a escrava de Sal, a Bruxa Imunda, que estava transformada em pássaro dentro do carroção quando Tristan era um camundongo, e portanto sabe quem eles são, vê a Estrela caminhando em direção à Muralha, e como ela está distraída demais para ouvi-la chamar, tranca a Bruxa que está dormindo dentro do carroção, e guia a carroça a todo galope atrás da moça, detendo-a junto à fenda, alertando-a de que não deve cruzar aquele limite.
Com o sacolejo da viagem apressada, Sal, a Bruxa Imunda caiu da cama, e agora que finalmente pararam, ela explode a porta do carroção com magia, e puxa sua escrava pela corrente prateada que está atada ao seu pé, sem a menor delicadeza. E bem nesse momento, quando está prestes a comer o toco de sua escrava pela travessura, Lamia aparece para capturar a Estrela que só as Bruxas Imundas não conseguem ver.
Então Lamia refaz a pergunta que Sal lhe fez antes do jantar, quando Michelle Pfeifer filou a boia da Bruxa Imunda lá no começo de sua aventura.
E imediatamente ateia fogo à cabeça da Bruxa, que ainda consegue correr por alguns segundos, que nem galinha degolada, até trombar com o muro e cair com o corpo em combustão espontânea na relva. Finalmente, depois de tantos anos, a escrava finalmente está livre, agora que a Bruxa que a aprisionava está morta. Infelizmente, sua liberdade não dura nem um minuto, pois quando Lamia ordena que Yvaine entre na carruagem roubada do Príncipe Primus para que ela possa aliviá-la do fardo da vida pessoalmente, a ex-escrava de Sal a defende, e acaba sendo acorrentada com ela.
Depois de toda essa jornada, finalmente Lamia consegue levar a Estrela para o Castelo das Bruxas, e de brinde, uma escrava para limpar a casa após a matança.
Tristan chega à fenda do muro logo após a partida da carruagem, e encontra o velho guardião assustado, reclamando que passou a vida inteira preocupado que as pessoas de fora entrassem, quando deveria ter se preocupado que as pessoas de dentro saíssem.
Vai por mim, Tristan, melhor cruzar a fenda e conferir com seus próprios olhos a mancha de terra queimada onde Sal, a Bruxa Imunda caiu depois de ter sido degolada, a marca de freada do carroção, e a trilha deixada pela carruagem da Michelle Pfeifer, porque se for esperar que o velho guarda do muro passe o relatório completo, pode ser tarde demais para ir atrás da Estrela.
Então ele rouba o cavalo que puxava o carroção de Sal, e que ficara abandonado ali depois de toda a confusão, e parte para resgatar Yvaine, chegando ao castelo das Rainhas das Trevas ao mesmo tempo que o Príncipe Septimus, que ameaça o rapaz com uma adaga na garganta, enquanto ele espia pela janela, para descobrir um modo de entrar sem ser visto.
Pelo visto o rapaz aprendeu bastante coisa em sua curta estadia a bordo do navio do Capitão Julieta... Digo, Shakespeare.
E como a necessidade faz os aliados, os dois bolam um plano para invadir o covil das bruxas e libertar a Estrela.
Então os dois invadem o castelo, cada um por um lado, e Septimus logo reconhece na escrava sua irmã perdida, Una – que não podia herdar o trono por ser mulher. Os fantasmas dos Príncipes de Stormhold também já a haviam reconhecido, mas como são fantasmas, não podiam fazer nada para interferir. E as revelações não param por aí. Enquanto Septimus luta com Empusa, a bruxa “menos velha”, Tristan também esbarra com a escrava, e descobre que ela é ninguém mais, ninguém menos que sua mãe.
Mais tarde vocês colocam o papo em dia, pois agora é hora da briga! Empusa tentou tacar fogo em Septimus, mas ele conseguiu atirar uma estaca nela, pregando-a à parede.
Mormo, a Bruxa gorda tenta revidar, mas Lamia a detém, e usa um boneco de vodu para quebrar o braço com que o Príncipe Septimus empunha a espada; depois a perna; e os fantasmas se divertem horrores vendo-o apanhar sem ser tocado.
Finalmente, Lamia joga o boneco na fonte ao pé da escada, para fazer o Príncipe esfriar a cabeça, e ele se afoga, flutuando pela sala, juntando-se aos irmãos como fantasma, completamente ensopado.
Agora que os sete Príncipes, herdeiros do trono de Stormhold estão mortos, vão ter que aprender a conviver juntos para sempre, porque não vão conseguir se livrar uns dos outros. O trato era que só descansassem em paz quando o próximo Rei de Stormhold fosse coroado. E como ninguém sobreviveu, está claro que não haverá outro Rei.
Tristan consegue tirar Una do castelo, e volta para resgatar Yvaine. E como a Bruxa gorda Mormo se adianta para atacá-lo, ele abre as gaiolas dos animais que elas costumam estripar para usar como GPS num canto do salão, soltando os bichos em cima dela.
Só sobrou a Michelle Pfeifer, bem velha e caquética a essa altura, depois de ter desperdiçado tanta magia com futilidades. E nesse momento suas bruxarias são inúteis contra Tristan, pois ele recuperou a flor de vidro que tinha devolvido à Bruxa Imunda. O que não impede a Bruxa Má do Oeste de tentar atingi-lo com um vaso tamanho família. Então ele usa o raio que capturara quando estava sendo treinado pelos piratas voadores contra a bruxa, e quando finalmente acerta a pontaria, ela cai perto da fonte, recuperando o boneco de vodu que usara para liquidar o sétimo herdeiro de Stormhold. Acontece que vivo ou morto, o corpo do Príncipe ainda está conectado ao boneco, e ainda obedece aos seus movimentos.
Assim, Tristan trava uma luta de espadas bizarra contra o cadáver do Príncipe. E como tem um olho no peixe outro no gato... Ou melhor, um olho no defunto e outro na bruxa, e ela está subindo de novo ao local do sacrifício onde Yvaine está amarrada à mesa, Tristan corta a corrente de um lustre, que erra a bruxa por um triz ao cair. Mas o segundo não falha, e enquanto esmaga o cadáver do Príncipe Septimus, a corrente iça Tristan até onde sua Estrela está amarrada.
Agora sua luta é contra o facão da Michelle Pfeifer, mas quando ela observa o que restou dos cadáveres de suas irmãs, Lamia lança o caco de vidro amaldiçoado sobre a mesa de sacrifício... cortando a tira de couro que prende Yvaine, e a liberta, chorando, pois de nada lhe adianta imortalidade, beleza e juventude agora que suas irmãs se foram.
Mas quando eles estão indo embora, felizes da vida, ela usa sua magia para trancar as portas e quebrar todos os vidros do salão sobre eles, dá aquela gargalhada típica das Bruxas, e revela seu ardil.
Mas ela esqueceu de um detalhe: o que as Estrelas fazem?
Ou viram purpurina... O que soar mais poético.
Ou seja: Yvaine poderia ter se libertado das garras das Bruxas sozinha, mas nenhuma Estrela brilha com o coração partido. E como ela pensava que Tristan a tinha abandonado...
Mas agora que tudo se esclareceu e se resolveu, o melhor a fazer é deixar aquele mausoléu o mais rápido possível, antes que apareça outra assombração querendo comer o coração dessa Estrela. Mas antes de partir, Tristan recolhe a pedra bonita dos caquinhos que restaram do colar espatifado de Yvaine – que provavelmente se quebrou quando ela expandiu seu brilho sobre a Bruxa – e ao tocá-la, o aparente cristal ou diamante se transforma novamente no Rubi Real.
Tristan é coroado Rei pelo novo Bispo de Stormhold. E convidaram todo mundo para assistir à coroação. E quando eu digo todo mundo, é todo mundo, mesmo! Até Victoria e Humphrey, que moram do outro lado da Muralha, estão na plateia: ela, aborrecida e recalcada por ter trocado o herdeiro de um trono por aquele Zé Ruela, que, além de tudo, está dando mole para o Capitão Shakespeare bem debaixo de seu nariz.
Um coroa simpático, e com bom gosto para escolher apelido! Acho que o Humphrey vai sair ganhando nessa, sua lambisgoia.
Una, aparentemente se reconciliou com o pai de seu filho – que, obviamente, já não tem mais o rosto bonito de Ben Barnes –, e dá um presente ao novo Rei e à Rainha Yvaine: uma Vela da Babilônia.
Tristan e Yvaine reinaram juntos por oitenta anos. Mas nenhum homem vive para sempre. Exceto aquele que possuir o coração de uma Estrela, e Yvaine havia dado o dela para Tristan incondicionalmente. Quando seus filhos e netos cresceram, finalmente chegou a hora de acender a Vela da Babilônia. E eles continuam juntos, brilhando com as Estrelas, vivendo felizes para sempre.

Curiosidades:
* Yvaine é um nome de origem escocesa que significa “estrela da noite”, e pode ter derivado do nome masculino Ivain (às vezes grafado Ywain), um dos Cavaleiros da Távola Redonda, nas lendas arturianas.
* Os nomes das três Bruxas mais velhas da história tiveram origem na mitologia grega, eram criaturas mais ou menos distintas (física e narrativamente), mas tinham um modus operandi similar: todas elas, Lamia, Empusa e Mormo eram espíritos femininos, famosos por se alimentar de sangue humano, principalmente jovens, crianças e viajantes. No filme, elas foram retratadas como bruxas, de certa forma, canibais, mas nas mitologias antigas elas podem ter servido como inspiração para a lenda dos vampiros. Os nomes só foram utilizados no filme.
* A Babilônia foi uma das primeiras, mais famosas e importantes civilizações do Mundo Antigo (e a segunda mais citada na Bíblia, atrás apenas de Israel). Foi lá que construíram a Torre de Babel, foi lá que Daniel foi jogado na cova dos leões – e fez o gatão de travesseiro, numa cena que, eu imagino, tenha sido igualmente fofa e assustadora –, e também era lá que se erguiam os míticos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. A figura da cidade, acabou associada a um sentimento de negatividade e transgressão, talvez por sua queda histórica, pelo abandono de suas ruínas, ou talvez por sua menção no livro de Apocalipse, nomeando a figura da Grande Prostituta. Seja lá como for, a imagem da Babilônia acabou enraizada na cultura popular como uma das mais grandiosas Civilizações do Oriente Antigo e tardiamente como o berço e a inspiração para diversas mitologias posteriores, que inclui deuses e símbolos mágicos e míticos. É curioso que a tenham escolhido para dar nome à Vela que os personagens de Stardust usam para viajar. Talvez uma simbologia do antigo mito – babilônico ou não – do renascimento do deus-sol durante a noite, ou em ambientes destituídos da luz solar.

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