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sábado, 30 de junho de 2018

Desafio #30: Ele Se Chama Poesia

De todos os gêneros literários, o único que me dá certa preguiça é poesia. Nada contra o gênero, propriamente. Eu gosto de poesia, mas isso para mim é como cerveja: tenho que consumir com moderação. Ler um livro inteiro só com poemas nunca fez a minha cabeça.
Tudo bem que poesia não precisa necessariamente ser romântica. Já até mencionei aqui que meus poemas favoritos são A Árvore Envenenada, de William Blake – que está muito longe de falar de amor – e O Corvo, de Edgar Allan Poe – que é meio triste, na verdade. Ok, vamos incluir aí na conta Soneto de Fidelidade, de Vinícius de Moraes, uma lírica de Camões que teve um trecho citado por Selton Mello no filme Lisbela e o Prisioneiro – e que não tem título, exatamente –, outra de Camões que traz uma bonita definição sobre o amor (“Amor é fogo que arde sem se ver | É ferida que dói, e não se sente...”), e O Amor, de Fernando Pessoa. Para citar alguns poemas de amor que eu realmente gosto. Mas ler um livro inteiro recheado de versos melosos de uma vez só, são outros quinhentos.
Pelo menos, até eu esbarrar totalmente por acaso com Eu Me Chamo Antonio, de Pedro Gabriel.


Eu Me Chamo Antonio
Autor: Pedro Gabriel
Editora: Intrínseca
Páginas: 192
Gênero: Poesia


Sinopse:
Antônio é o personagem de um romance que está sendo escrito e vivido. Frequentador assíduo de bares, ele despeja comentários sobre a vida — suas alegrias e tristezas — em desenhos e frases escritas em guardanapos, com grandes doses de irreverência e pitadas de poesia. Antônio é perito nas artes do amor, está sempre atento aos detalhes dos encontros e desencontros do coração. Quando está apaixonado, se sente nas nuvens e nada parece ter maior importância, e, quando as coisas não saem como esperado, é capaz de enxergar nas decepções um aprendizado para seguir adiante. Do balcão do bar, onde Antônio se apoia para escrever e desenhar, ele vê tudo acontecer, observa os passantes, aceita conversas despretensiosas por aí e atrai olhares de curiosos. Caso falte alguém especial a seu lado (situação bastante comum), Antônio sempre se acomoda na companhia dos muitos chopes pela madrugada.
A mente por trás de Antônio é Pedro Gabriel. Em outubro de 2012, ele inaugurou a página Eu Me Chamo Antônio no Facebook para compartilhar o que rabiscava com caneta hidrográfica em guardanapos nas noites em que batia ponto no Café Lamas, um dos mais tradicionais bares do Rio de Janeiro. Em seu primeiro livro, Pedro apresenta histórias vividas por seu alter ego, desde a cuidadosa aproximação da pessoa desejada, o encantamento e a paixão, até o sofrimento provocado pela ausência e a dor da perda. Os guardanapos que inspiram milhares de pessoas na internet agora estão reunidos numa caprichada edição.

Tinha visto algumas publicações no Facebook, com fotos das páginas desse livro, com as frases poéticas escritas em guardanapos de papel, e fiquei encantada. Lembrei-me de como conheci Faça Amor, Não Faça Jogo, de Ique Carvalho. Tinha acabado de fechar parceria com o blog Pensamentos Valem Ouro, da Vanessa Vieira, e li a resenha dela sobre esse livro. Foi amor à primeira vista. Tive que comprá-lo na mesma semana, e acabou sendo uma das mais gratas leituras de 2015: um livro leve, que fala sobre a vida e o amor de uma maneira extremamente delicada. E com Eu Me Chamo Antonio, senti que a história poderia se repetir. Eu sei o que devem estar pensando: “qual a probabilidade de que o raio caia duas vezes no mesmo lugar?”. Bem, pela minha experiência, na literatura essa probabilidade é infinita.
E estava certa. Eu Me Chamo Antonio é um livro leve, de leitura extremamente rápida – depois que você pega o jeito para entender a letra do cara de primeira nos guardanapos –, recheado de frases que vão te fazer pensar, refletir, suspirar, se encantar, e recordar suas próprias experiências – não necessariamente nessa ordem.
Naturalmente, todas as frases dos guardanapos foram impressas no final do livro, para o caso de alguém não ter conseguido decifrar a letra do autor, o que facilita bastante a leitura, mas particularmente, gostei de ler nos guardanapos originais; é mais trabalhoso, leva mais tempo, mas conserva uma magia a mais.
Não são poemas convencionais, com versos e rimas – bem, em vários deles, há rimas, mas sem versos. O livro inteiro é uma coleção de frases poéticas; algumas, como vão perceber, inspiradas em frases comuns, que usamos cotidianamente, bordões e ditados populares, e a licença poética empregada pelo autor dá novo significado, novo sentido a essas frases comuns. É o óbvio que nos encanta, a simplicidade que apaixona; uma poesia despretensiosa, que de tão pequena torna-se imensa; e em poucas palavras consegue dizer tudo.


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2 comentários:

  1. Ah! Eu gosto de poesia, no entanto também não sou fã de poemas de "amor". Já consegui ler dois livros de poemas: Espumas Flutuantes, de Castro Alves, e Bar do Escritor, uma coletânea com vários autores. Sobre o Eu Me Chamo Antônio, está na minha lista de livros que preciso adquirir, mas ainda nada. :(
    Falta-me a graça da riqueza huahuahuahuahuahua

    https://j-informal.blogspot.com/

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    Respostas
    1. Rsrsrs Essa graça está faltando a todas nós, amiga, rsrs
      Eu peguei o Espumas Flutuantes uns anos atrás, mas não consegui ler até o fim. Depois de algumas poesias eu começo a ficar com sono das rimas. Ainda tenho fé que um dia conseguirei terminar, nem que seja parcelado em 200 vezes, que nem crediário, rs.

      Mas Eu Me Chamo Antônio, esse é tranquilo, é uma leitura que não cansa. Super recomendo ;)

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