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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Desafio #27: Procura-se Uma Princesa



Gente, onde é que eu encontro um príncipe assim?
Eu confesso que, no passado, eu torcia o nariz à menção da palavra distopia. O problema era que eu não torcia o nariz com o mesmo conhecimento de causa com que torço o nariz para o jiló, que eu provei e detestei. Torcia o nariz sem nunca ter experimentado; torcia o nariz para a definição do gênero – uma sociedade totalitária, geralmente dividida em castas, e onde o governo exerce total controle sobre o povo, e ninguém tem o direito de opinar ou discordar. Creio não ter exagerado muito os detalhes. Mas a verdade é que eu me sentia pouco inclinada a dar uma chance a livros desse gênero. Assisti Jogos Vorazes – não amei, nem detestei, só achei abrupto demais –; assisti Divergente – confesso que sem prestar atenção suficiente para formular uma opinião. E não conseguia coragem para abrir um livro do gênero. Pode ser que parte do motivo fosse minhas tentativas frustradas de ler 1984, de George Orwell – um livro que me pareceu enfadonho nos primeiros capítulos, e me fez desistir todas as duas ou três vezes que tentei lê-lo. Mas é aquela história: assim como nem todas as frutas são iguais, nem todos os livros do mesmo gênero são iguais também.
E um dos tópicos daquele desafio literário que já se tornou patético mencionar – porque estou arrastando desde 2015, e continuo marcando só para não deixar a lista incompleta – era precisamente distopia. Então fui pesquisar e procurar algo desse gênero que pudesse me empolgar. Não é que eu estivesse descartando completamente Jogos Vorazes ou Divergente, só não me animava a passá-los à frente de todos os outros títulos da minha cada vez mais quilométrica lista de leitura.
E foi aí, que eu decidi olhar com carinho para A Seleção.



A Seleção
Título Original: The Selection
Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 368
Gênero: Distopia
Sinopse:
Nem todas as garotas querem ser princesas. America Singer, por exemplo, tem uma vida perfeitamente razoável, e se pudesse mudar alguma coisa nela desejaria ter um pouquinho mais de dinheiro e poder revelar seu namoro secreto.
Um dia, America topa se inscrever na Seleção só para agradar a mãe, certa de que não será sorteada para participar da competição em que o príncipe escolherá sua futura esposa.
Mas é claro que seu nome aparece na lista das Selecionadas, e depois disso sua vida nunca mais será a mesma...



O livro já estava na minha lista de leitura, só que numa posição bem afastada do topo – tinha talvez uns 40 livros à frente dessa saga. Mas, desafio é desafio; e está ficando ridículo demais procrastinar. Então, com a licencinha dos amiguinhos, dei uma senha preferencial para a saga de Kiera Cass.
E qual não foi minha surpresa ao me descobrir apaixonada pela história já no capítulo 10? Querida America, se não quiser o Príncipe Maxon, eu aceito!
Ok, vou confessar, America Singer é uma das poucas protagonistas com quem eu realmente simpatizei nos últimos tempos. Sério, posso fazer uma lista de livros lidos nos últimos três anos, com protagonistas que não me empolgaram nem um pouco. E você pode me perguntar: porque leu o livro, então? Alguns porque a história em si é muito boa; alguns porque algum personagem secundário me cativou; alguns você pode colocar na conta da curiosidade mórbida; e alguns porque eu sinceramente detesto deixar um livro inacabado. Já que me dei o trabalho de começar, o mínimo que posso fazer, é ler até o fim, para poder formular uma opinião concreta a respeito, não? Foi mal, George Orwell, mas nesse ponto vou continuar te devendo. E reformular a frase: detesto deixar os livros inacabados, desde que os considere, ao menos, toleráveis. Provavelmente vou continuar implicando com 1984 por mais algum tempo...
Mas, voltando à Seleção, e ao fato de ter simpatizado com a protagonista, isso tem uma explicação: não é todo dia que você vê uma garota dando bronca num príncipe. Principalmente quando a dita garota é pobre. E o agravante: tendo a possibilidade de se tornar a esposa dele!
America Singer não pode ser desse planeta! Acho que ninguém em sã consciência, apaixonada por outro homem ou não, tendo possibilidade de se casar com um príncipe, gritaria com ele em seu primeiro encontro “não oficial”. Ok, pode ser que uma mulher apaixonada por outro homem tenha lá seus escrúpulos, mas o cara é um príncipe! E um príncipe legal, gente boa, cheio de charme e simpatia.
Mas talvez tenha sido justamente essa reação inesperada que atraiu a atenção do Príncipe Maxon para uma de suas pretendentes mais improváveis.
O rei já tinha feito sua própria seleção das candidatas, e, obviamente, tinha suas favoritas, mas ele não sabia de um detalhezinho extremamente importante sobre a paternidade. Atenção, papais leitores do blog, compartilharei com vocês uma dica preciosa agora: se quer que seu filho(a) leve sua opinião em consideração, ou siga pelo caminho que você escolheu para ele, nunca, jamais, em hipótese alguma, os irrite! Pais super controladores, ou com a mente fechada, que nunca estão dispostos a ouvir e/ou considerar outro ponto de vista que não seja o seu, ou que têm certo prazer em aborrecer seus filhos – e acreditem, eles existem aos montes –, geralmente conseguem a reação exatamente oposta de suas proles: eles vão ouvir sua opinião e fazer justamente o contrário. Vão torcer para o rival do seu time, escolher a faculdade de Jornalismo, só porque você quer que ele faça Direito, e casar com a plebeia que você considera a mais inútil das candidatas.
Claro que o fato de Maxon ter se interessado por America foi mais uma coincidência, resultado da personalidade inesperada da moça e de sua honestidade inabalável, do que uma provocação direta ao rei – muito embora esse detalhe tenha sido um bônus a favor dela.
E o que se espera de uma moça pobre, que foi levada ao palácio para concorrer ao coração de um príncipe? Que ela diga na lata que não está nem um pouquinho interessada nele; ela só está ali pela comida. E ainda confesse para ele, na maior cara de pau, que ama outro homem, muito embora ela esteja profundamente magoada com ele no momento – uma briga que não teve praticamente nada a ver com o fato de ela se tornar uma possível candidata a se casar com o Príncipe.
Sério, é impossível não se encantar com a espontaneidade, a sinceridade e a personalidade incrivelmente inadequada de America Singer, provável futura princesa de Illéa.
Ah, e o Príncipe... Maxon é a síntese do príncipe encantado dos contos de fadas, mas sem se limitar ao clichê, nem cair no marasmo de ser perfeito o tempo todo. É um cara normal, que você pode encontrar aí mesmo onde você mora, talvez na casa ao lado, com defeitos e qualidades, porém com a desventura de ter seus erros e acertos constantemente registrados pela mídia. Maxon está tentando se tornar o monarca que o pai espera que ele se torne; está tentando compreender todos os problemas de seu país, e descobrir uma maneira de solucioná-los; tentando desvendar as mentiras por trás das informações que recebe; tentando ser o rei que seu povo deseja e merece. Ele se importa com o povo, e está disposto a ouvir opiniões de classes mais baixas, e tentar melhorar a qualidade de vida de todas elas, mas nem sempre conta com o apoio necessário para isso. E ainda precisa lidar com a pressão de ter um monte de garotas histéricas em seu palácio, disputando sua atenção – carinhosamente quando em sua presença; e quase a tapa pelas suas costas.
Pois é, não é fácil ser um Príncipe. E se apaixonar por uma garota que já admitiu não ter grandes possibilidades de correspondê-lo, torna as coisas ainda mais difíceis.
Mas nenhuma situação é tão ruim que não possa piorar. Pode ser que o próximo recrutamento de soldados acabe trazendo para dentro do palácio o homem por quem o coração dela bate mais forte, e, inadvertidamente, você o tenha deslocado para a guarda pessoal da moça.
A Seleção é uma obra linda, uma espécie de conto de fadas futurista, cruzado com reality show – tipo um Big Brother, mas sem todo o lixo que polui o programa, com exceção das intrigas –, Miss Simpatia, e chick-lit.
Nunca pensei que ficaria tão encantada com uma distopia. Definitivamente rasguei meus preconceitos com o gênero.
P.S.: Querido soldado charmoso, está atrasado! Melhor tomar cuidado para não ser flagrado assediando uma das namoradas do Príncipe.
P.S.2: Ao que tudo indica, desta vez não será Colombo quem conquistará America...
P.S.3: Alguém que defende os mais fracos sem dúvida merece a coroa. Não deixe essa garota escapar, Alteza!
P.S.4: Querida America, só para você saber, também adoro tortas de morango. Quer que eu chore?



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