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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Todo Amor Que Houver Nessas Férias!

Estava pensando como começaria oficialmente esse novo ano no blog, e decidi que um bom ponto de partida seriam bons sentimentos e uma boa história de amor. Afinal, ano novo é tempo de renovação, e que jeito melhor de começar um novo ciclo do que com um amor quentinho saindo do forno?
E quem não gosta de uma boa comédia romântica? Até os homens têm suas favoritas, mesmo que não admitam.
Assim, escolhi uma das minhas comédias românticas favoritas, protagonizadas por alguns dos meus atores favoritos: O Amor Não Tira Férias. E também é oportuno, porque a trama se passa durante as festas de fim de ano, pelas quais acabamos de passar.



Íris trabalha na redação de um jornal em Londres, e não está tão feliz quanto deveria nessa época de festas, porque Jasper, o homem que ela ama, e com quem está envolvida há três anos, esperando que ele tome uma atitude, pare de galinhar e se afirme com ela, acaba de anunciar que está noivo de outra funcionária do jornal, Sarah. E como desgraça pouca é bobagem, Íris, que escreve a coluna de casamentos do The Daily Telegraph, foi encarregada de anunciar as boas novas ao público.
Arrasada, Íris está prestes a cometer suicídio aspirando o gás do fogão, quando recebe algumas mensagens com uma ótima proposta da outra protagonista da nossa história, Amanda. Bem, na verdade, elas ainda não se conhecem, mas suas vidas estão prestes a se cruzar de forma definitiva através de mensagens num site de intercâmbio de casas em que Íris havia inscrito seu charmoso chalé em Surray, Inglaterra.
Acontece que Amanda, uma concorrida produtora de trailers de Los Angeles, acaba de botar o namorado, Ethan, para fora de casa, ao descobrir que ele dormira com uma recepcionista de 24 anos em seu trabalho, e ele acaba de jogar em sua cara alguns anos de frustrações e mágoas, e se queixar que ela é uma workaholic que nunca tem tempo para ele, e que sua vida íntima deixa muito a desejar, o que deixa Amanda profundamente furiosa e magoada.
Então, depois de terminar a edição de seu último trailer do ano – apesar de esta ser, geralmente, a época mais movimentada de sua firma –, ela decide tirar algumas semanas de férias para cuidar da pele.
E é nesse momento que as vidas das duas mocinhas, vivendo em lados praticamente opostos do globo terrestre se cruza.
Amanda começa a pesquisar na internet um bom lugar para passar as férias de fim de ano – pois ela aparentemente não tira férias há séculos, e não tem nenhum amigo na discagem rápida para pedir recomendações além do Google –, e acaba descobrindo um site de intercâmbio de casas. Nesse sistema, ela evita ter que procurar o melhor preço de hotel no Trivago, e não paga nadinha por sua hospedagem em outro país, simplesmente cedendo sua casa e seu carro para uma total desconhecida, enquanto se hospeda na casa dela. Simples assim! Nos dias atuais, eu consideraria essa ideia bastante perigosa, mas em se tratando de uma comédia romântica, tá valendo. E não é preciso usar muito a imaginação para entender que essas duas mulheres estão prestes a viver uma experiência extraordinária.
Amanda entra em contato com Íris no exato momento em que a mocinha inglesa está debruçada sobre o fogão, com o gás aberto, tentando se livrar de uma vez por todas de sua decepção amorosa. Mas ao ouvir o bip de mensagem no computador, ela desiste do suicídio para conferir quem está chamando.

Íris percebe que há alguém interessado em ficar em sua casa nas férias de fim de ano, e propõe o intercâmbio, contando que nunca fez isso antes, mas que alguns amigos fizeram e não se decepcionaram. Amanda, que está aberta a novas experiências para esquecer o pé na bunda, topa imediatamente, e então as duas decidem fazer a troca já no dia seguinte, ficando duas semanas hospedadas na casa uma da outra.
A única questão que preocupa Amanda sobre a localização da casa de sua nova amiga é se há homens solteiros na região, ao que Íris assegura que não. E como um lugar livre de tentações é tudo o que uma mulher desiludida poderia desejar para suas férias solitárias, Amanda topa a troca apressada, e cada uma parte para sua aventura.

Ao chegar em Los Angeles, Íris fica empolgada com a mansão de Amanda – que somente havia lhe dito que sua casa era um pouco maior que o chalé de Íris, um eufemismo simpático para quatro ou cinco vezes maior que o quarteirão onde Íris mora – e vai logo descobrindo os lindos aposentos da casa toda organizada.

Já a experiência de Amanda começa um pouco diferente. Primeiro, porque o taxista afirma não poder manobrar se a levar até a entrada do chalé, deixando-a ao pé da colina, em frente a um cemitério, e pedindo que ela termine de chegar à pé – arrastando uma mala enorme, e montada em saltos de cinco centímetros que certamente não foram feitos para andar na neve.

Mas, finalmente, com algum esforço, ela consegue chegar ao Chalé Rosehill e faz duas descobertas: primeiro que ele é tão charmoso e aconchegante quanto parecia no anúncio; e segundo que havia espaço de sobra para o desgramado do taxista manobrar em frente ao chalé. Filho da mãe.
Com um pouco menos de empolgação que Íris, Amanda também faz o reconhecimento de sua moradia temporária, constatando que o chalé parece mesmo ser um lugar bastante agradável para se passar as férias, e aproveita para desfazer as malas. Em seguida, fica chateada por não saber mais o que fazer. Assim, ela decide pegar o carro da nova amiga, tendo grande dificuldade de adaptação em dirigir do lado errado do carro e do lado errado da rua – afinal, ela está na Inglaterra –, e ir ao mercado fazer umas comprinhas.
Vamos dar um desconto para a moça, afinal, ela acabou se ser chutada, corneada e esculhambada pelo namorado babaca – não necessariamente nessa ordem –, está sozinha num país onde não conhece ninguém, e sem uma lágrima sequer para chorar... No lugar dela, qualquer uma de nós também estaria louquinha para afogar as mágoas numa garrafa de vinho.
Íris, ao contrário está curtindo o sistema que escurece as janelas do quarto de Amanda para tirar uma boa soneca, enquanto não se acostuma com o fuso-horário.
Mas Amanda não fica sozinha por muito tempo naquele lugar, pois, quando decide refazer as malas e voltar para Los Angeles no dia seguinte, convencida de que tomara uma decisão extremamente precipitada em viajar para tão longe completamente sozinha, ela ouve um estranho prestes a derrubar sua porta.
O bonitão em questão é Graham, o irmão quase responsável da Íris, e nas – ultimamente – não tão raras vezes em que ele passa da conta no PUB local, a irmã o hospeda em seu sofá para evitar que ele dirija naquele estado. Porque afinal, comédia romântica também é um serviço de utilidade pública, então, fica a dica: se for dirigir não beba! Se for beber, assegure-se de ter um lugar próximo onde possa dormir! Ainda que tenha que ameaçar a integridade física dos canteiros de flores nevados de um parente próximo.
E como quem está na chuva está sujeito a se molhar, Amanda decide ser uma boa-samaritana e abrigar o muitíssimo bem-apessoado irmão de sua anfitriã, afinal, não quer que ele sofra algum acidente dirigindo naquele estado. E como ele não estivesse bêbado o suficiente, ainda decidem dividir uma dose de conhaque, conversam um pouco no sofá, e... uma coisa vai levando a outra...


Pensa num povo prático!? Afinal, Amanda está de férias, soltinha na pista e o moço caiu de paraquedas em seu colo, tipo uma entrega especial de cortesia do ifood! Por que não tirar uma casquinha?
Claro que, na verdade, ele não estava tão bêbado a ponto de não se lembrar de nada pela manhã – exceto onde foram parar suas lentes de contato. E já que isso não foi um encontro, ele não tem a obrigação de telefonar para ela – algo que ele confessa não ter o hábito de fazer. Mas se ele quisesse ligar...
Acontece que Amanda já tinha contado a ele na noite anterior que voltaria para Los Angeles naquele dia, algo que fez Graham perceber a ótima impressão que seus conterrâneos causaram na moça –, mas caso ela mude de ideia, ele ficará muito feliz se ela quiser jantar com ele no PUB naquela noite.
Enquanto Amanda pensa no caso dele, Íris também vê o destino bater à sua porta. Bem, tecnicamente, ele toca o interfone da casa de Amanda, deixando Íris desesperada, sem saber como abrir o portão eletrônico.
Não é horrível quando você ainda não sabe mexer num aparelho? E o manual nem sempre tem uma explicação muito clara...
Enfim, Íris consegue abrir, depois de estrear alguns palavrões, e Miles desliza seu lindo Audi A4 conversível para a entrada do jardim, onde Íris aparece para lhe contar que Amanda viajou, e que ela vai passar algumas semanas ali em seu lugar. Acontece que Miles veio buscar o resto das coisas de Ethan, mas Íris pede que ele volte no dia seguinte, para que ela possa confirmar com a assistente da Amanda o que ele deve levar.
E embora o Jack Black não seja exatamente um típico mocinho de comédias românticas – que geralmente são aqueles galãs de um metro e oitenta no mínimo, com músculos bem definidos –, não exagerei quando disse que era o destino batendo à porta de Íris, pois o que lhe falta em beleza física, sobra em carisma. E ela tem sua primeira prova já naquele primeiro encontro, quando o vento de Santa Anna sopra um cisco em seu olho, e o rapaz o retira com toda delicadeza e galanteria.
Acho que isso explica muita coisa sobre ele ter uma namorada que parece uma estrela de cinema. Bem, isso, e o Audi...
Amanda chega a fazer o check-in no aeroporto, mas aí ela se lembra que há uma pessoa estranha hospedada em sua casa, e não parece provável que ela consiga um quarto disponível num hotel em Los Angeles naquela época do ano. Ela se lembra também que acabou de tomar um pé na bunda, e que não tem nenhum amigo, exceto seus colegas de trabalho, com quem desabafar ou tomar um porre. Então, que diabo ela vai fazer em Los Angeles pelo resto de suas férias? Assim, ela decide aceitar a proposta do irmão totoso de sua hóspede, e encontrá-lo no PUB, onde os dois enfiam o pé na jaca, ela bebe muito além da conta, e ele acaba tendo que carregá-la semiconsciente para casa, onde os dois acordam juntinhos. Mas relaxa, Amanda, não aconteceu nada! Graham é um cavalheiro e jamais se aproveitaria de uma mulher que não estivesse em condições de responder pelos seus atos.
E isso não abala o relacionamento dos dois. Até porque, desde o princípio ambos deixaram claro que não queriam se envolver, devido à distância e tudo mais. E Amanda já tinha prometido não se apaixonar por ele – até porque, ela não tem certeza se é capaz de se apaixonar como as outras pessoas se apaixonam, embora Graham tivesse confessado que ela era a garota mais interessante que ele já conhecera. E nada disso os impediu de saírem para um... vou chamar de terceiro encontro, embora o primeiro tecnicamente não conte, já que estava mais para uma invasão de domicílio.
Tudo bem que esse novo jantar também estava mais para uma entrevista de emprego muito intimidadora por parte de Amanda, que começou a interrogar impiedosamente o moço sobre sua vida profissional.

Quando Amanda finalmente consegue relaxar e..., ela e Graham conseguem se conhecer melhor, compartilhar suas histórias familiares, o divórcio dos pais de Amanda que teve grande influência em sua perspectiva de vida, e que é basicamente o motivo de ela não conseguir chorar jamais. Graham, por outro lado, confessa que chora o tempo todo.
Nesse caso, várias mulheres do planeta acabam de virar lésbicas, bonitão.
Enquanto Amanda janta com Graham, Íris janta com um cara muito interessante que conheceu naquela tarde, quando passeava de carro pelas ruas de Los Angeles. Trata-se do vizinho de Amanda, Arthur Abbott, uma lenda entre os roteiristas da Era de Ouro de Hollywood, que tem noventa anos de idade, e ficou meio perdido ao tentar dar uma volta no quarteirão sem sua cuidadora. Íris lhe deu uma carona e foi quando ficou sabendo de seu passado glorioso no cinema – o cara tem até uma estatueta do Oscar enfeitando o aparador da janela!
Ao perceber que ele também era solitário, e ela ainda não conhece ninguém em Los Angeles, decidiu convidá-lo para jantar. Esta, aliás, é uma das minhas cenas favoritas deste filme, por fugir do clichê. Uma mulher jovem e bonita, jantando com um homem em idade avançada, sem que haja qualquer interesse de lado nenhum: não há romance, não há golpe do baú, não tem dinheiro envolvido. São simplesmente duas pessoas tendo uma conversa estimulante sobre cinema, e se divertindo sem se preocupar com o que as outras pessoas no restaurante podem estar pensando. É uma lição de amizade pura, que não faz distinção de idade, nacionalidade, não tem preconceito. E uma das muitas razões que me fazem amar esse filme.
E essa amizade floresce e ganha contornos muito interessantes, quando Arthur decide apresentar Íris aos seus amigos da terceira idade, e o jantar de Natal acaba se transformando numa festinha de Hanukkah, que fica mais interessante ainda quando Miles resolve aparecer, e demonstrar ser tão legal, descolado, e gostar tanto das histórias de vida daqueles senhores simpáticos quanto Íris.
Acontece que Miles ia passar o Natal sozinho porque sua namorada, que é atriz, estava numa locação no Novo México. A propósito, ele também não faz ideia do que foi que ela viu nele, mas aqui entre nós, acho que eu sei. E dessa vez, não vou mencionar o carro.
Miles é um dos melhores mocinhos de comédias românticas da história do cinema, porque ele é capaz de seduzir por um motivo que não tem nada a ver com a aparência. Pegue uma comédia romântica aleatória. O Melhor Amigo da Noiva, por exemplo: Patrick Dempsey não chega a ser “oh, meu Deus, que homem lindo!”, mas ele tem charme. Juntos Pelo Acaso: quem não adoraria dividir uma casa e um bebê com Josh Duhamel? Vamos usar como exemplo inclusive o filme que estamos resenhando, O Amor Não Tira Férias: quem não gostaria de ter Jude Law na ceia de Natal? E, sim, o comentário foi deliberadamente ambíguo!
Agora olha pro Jack Black: opinião geral, não é o tipo de homem que causaria atração à primeira vista. Mas o carisma do personagem, sua descontração, sua simpatia são capazes de fazer qualquer mulher olhá-lo mais atentamente. Esse é o grande diferencial, e acho que diz muito sobre o conceito de amor que o filme se propôs a mostrar, aquele que se pode encontrar nos lugares mais inesperados.
No fim do jantar, depois que todos os “adultos” se vão, Íris faz uma quentinha para Miles levar para casa, enquanto ele comenta o quanto se divertiu com seus amigos mais velhos, e aproveita para mencionar que sempre foi fã de carteirinha de Arthur.

Sim, o amor está no ar... Quer dizer, quase. Mas olha só a encrenca que estão prestes a arrumar. Graham aproveita uns minutinhos em que está no metrô para ver como sua irmã está se saindo na terra do Tio Sam, e Íris conta que está vivendo uma experiência extraordinária com a galera mais velha, e sugere que Graham dê uma passada em sua casa para conhecer Amanda.
Lembram qual era a única preocupação da Amanda sobre se hospedar na casa de Íris? Se havia homens solteiros na vizinhança? E que Íris garantiu que não havia nenhum? Pois é... Acho que o censo esqueceu de contabilizar o Graham...
Depois de dar uma comida de rabo no irmão por ter pulado na cama de Amanda na primeira oportunidade – na verdade, na cama da Íris, que estava sendo ocupada por Amanda; e na verdade tentado dar um esporro em Graham, já que a ligação dele caiu e só restou Amanda na outra linha para ouvir a bronca –, Íris vai encontrar Miles na locadora para pegar o próximo filme clássico da lista de recomendações que Arthur lhe fez, e os dois se divertem muito rememorando trilhas sonoras famosas – acho que não comentei que Miles compõe trilhas de filmes em Hollywood.

Esse cara é maluquinho...
O problema é que, bem nesse momento, em que os dois estão lá curtindo sua nova amizade, ele vê sua namorada, que ele pensava estar trabalhando no Novo México, passeando na rua, e muito bem acompanhada.
Aí azedou o peru de Natal, né, gente... Íris leva Miles para a casa de Amanda e tenta consolá-lo com seu ombro amigo e um copo de vodca. Ele chora as pitangas porque pensou que a namorada estivesse trabalhando no filme, e que quando se falaram mais cedo ela disse que estava nevando pela janela, sendo que esse tempo todo ela esteve em Santa Mônica, curtindo, digamos, o sol com seu novo cacho. E Miles tinha até enfrentado fila no correio para enviar o presente de Natal da vagaba para Santa Fé.
Então Íris tenta consolá-lo, contando sua tragédia sentimental, com o cara que a cozinhou em banho-maria durante anos, galinhando sem parar, para de repente ficar noivo da queridinha da redação.
E o pior é o seguinte: o babaca ainda lhe enviou páginas do livro que está escrevendo para ela revisar nas férias, só para garantir que ela continuaria pensando nele. E ainda vai para piorar mais um pouquinho, daqui a pouco, mas não vamos adiantar os fatos.
Porque enquanto Íris e Miles compartilham sua dor de cotovelo, Amanda está decidida a marcar território com Graham. Ela compra coisas gostosas para comer, uma garrafa de vinho, se produz inteira e vai à casa dele, lhe desejar feliz Natal pessoalmente. Mas quem acaba tendo uma surpresa reveladora é ela.



Felizmente para Amanda, Graham não é casado, como ela pensou ao ser convidada para entrar, por livre e espontânea falta de opção. Então ela curte o jantar, meio constrangida, mas cheia de simpatia com as filhas dele, que parecem empolgadas porque o pai trouxe uma amiguinha para casa. Quer dizer, trouxe é maneira de falar...
Depois de tomar chocolate quente com marshmallows com a família Simpkins, de ver Olívia derramar chocolate quente nas joias da família do pai, de conhecer o Sr. Cabeça de Guardanapo e a tenda onde as meninas gostam de dormir, Graham finalmente conta à Amanda porque não disse a ela que tinha filhas. Desde que a esposa morreu ele tem se desdobrado para cuidar das meninas e de seu trabalho, sempre administrando o tempo para fazer tudo caber no esquema. Por isso ele não consegue se imaginar namorando, e não queria apresentar às filhas uma pessoa que talvez elas não vejam de novo; afinal, Amanda mora em Los Angeles e ele em Londres. Teriam que atravessar o mundo para se encontrar, e por mais que o envolvimento dos dois seja lindo e mágico, sabem que seria muito complicado manter a relação.
Mas desde quando o amor liga para complicações?
Aliás, amor e amizade são dois sentimentos que não escolhem sujeitos. E, para sorte de Arthur, ele conseguiu uma amiga muito leal em Íris. Tanto que, ao saber que os executivos da indústria do cinema estão há tempos tentando convencer Arthur a aceitar uma homenagem por sua carreira gloriosa, ela decide ajudá-lo a se colocar em forma para poder receber suas honrarias sem precisar do andador.
Com uma rotina de exercícios que inclui caminhadas na piscina e fisioterapia, Íris consegue preparar o amigo para sua grande noite, enquanto Miles compõe uma trilha sonora especial para o evento. E aproveita para flertar com a Íris, claro.

Não que em algum momento Íris e Miles tenham discutido o fato de morarem em países distantes, mas agora que o amor começa a florescer, é hora de começarem a pensar em sua escala de voo, crianças!
Amanda e Graham já estão pensando e sofrendo antecipadamente pela separação iminente. No caso deles é mais complicado do que para Íris e Miles, afinal, ela é jornalista e ele já tem uma bagagem em Hollywood; caso ela concorde em se mudar para Los Angeles, não deve ser tão difícil conseguir um emprego num jornal por lá. E antes que alguém pergunte, não estou considerando a possibilidade de Miles se mudar para Londres porque, embora ele possa escrever trilhas sonoras para filmes ingleses e até para o teatro inglês, Hollywood é o auge para qualquer profissional do ramo; seria muito mais fácil para Íris fazer essa mudança, pois, como jornalista, a não ser que ela sonhe com um jornal específico, ela pode escrever praticamente em qualquer lugar.
Para Graham e Amanda a coisa é bem mais complicada, porque, embora o trabalho de Graham como editor de livros pudesse ser feito também na América, ele precisa pensar nas filhas: não pode separá-las dos avós, e se já é difícil mudar de escola dentro da mesma cidade, imagine em outro país! E a firma produtora de trailers de Amanda não teria tanta procura na Inglaterra quanto em Los Angeles, no coração do cinema mundial.
Eles até cogitam se encontrar eventualmente em Nova York, embora nenhum dos dois visite a cidade com frequência. E Amanda ainda está insegura porque normalmente não consegue manter seus relacionamentos nem quando divide a mesma casa com a pessoa, mas Graham sugere que essa pode ser a solução: talvez ela precise de certa distância para manter a chama acesa.
Além do mais, ele está completamente apaixonado por ela, e não quer desperdiçar esse sentimento, por mais estranho ou complicado que isso possa ser.
Então eles acabam decidindo deixar as coisas rolarem naturalmente. Não prometem trocar telefonemas nem e-mails, nem marcam uma data para se reencontrar.
Mas quando se despedem no dia seguinte – alguém aparentemente comeu o rabo do taxista e o obrigou a buscá-la na porta do chalé desta vez –, Amanda leva só um quilômetro e meio mais ou menos para se dar conta de que é, sim, capaz de se apaixonar; que ela está de quatro pelo bonitão, e fica feliz como uma criança que encontra seu pedido de Natal embaixo da árvore de manhã ao perceber que está chorando.
Lembram que ela contou para o Graham que não chorava desde a separação dos pais quando tinha quinze anos, por mais que tentasse e forçasse – e este provavelmente era o motivo daquela gastrite que a fazia se entupir de remédios em Los Angeles?

E como o motorista demora uma eternidade para manobrar e subir a ladeira forrada de neve, Amanda decide descer do carro e correr de volta ao chalé, enquanto o táxi leva calmamente sua mala. E nem dá a mínima porque ainda está usando sapatos que não foram feitos para andar na neve. Que dirá para correr...
E ao entrar correndo no chalé, ela flagra Graham chorando.

O amor é lindo, não acham?

Não foi bem isso que eu quis dizer...
Esse aí é o Jasper, o babaca que cozinhou e iludiu a Íris durante anos, para depois ficar noivo de uma conta bancária recheada e de uma escada profissional. Como percebeu que Íris não enviava os comentários sobre as páginas do livro que ele mandara para ela ler nas férias, ele decidiu ir pessoalmente à Los Angeles para garantir que ela não conseguiria esquecê-lo, porque ele precisa ter a sobremesa garantida cada vez que ficar enjoado da canja de sua noiva. Só que agora, depois de conhecer o Miles e de assistir a todos os filmes inspiradores que Arthur recomendara, protagonizados por mulheres fortes e decididas, cheias de garra, Íris está vacinada, e já percebeu que Jasper está tentando enrolá-la como sempre, e mantê-la ao seu lado, sem abrir mão da noiva que o levará ao topo na carreira.

É isso aí, garota! Bota esse folgado para correr!
Em seguida ela corre para os braços do seu verdadeiro am... Ah, não, peraí... Antes de ir de encontro ao seu príncipe encantado, Íris tem um encontro com Arthur. É o grande dia. Ou melhor, a grande noite: Uma Noite Com Arthur Abbott. Ao buscá-lo em casa, Íris ganha um corsage – uma tradição dos encontros românticos quando Arthur era jovem, e que se mantém nas formaturas nos Estados Unidos até hoje.

E o acompanha, desfilando pelo tapete vermelho no grande evento que reúne os maiores nomes nos bastidores de Hollywood. Conhecendo a imprensa safada como conhecemos, quantos tabloides terão chamado Arthur de papa-anjo e a Íris de golpista? É só especulação... No filme, ninguém pareceu surpreso ao ver o velho chegar acompanhado de uma bela moça, nem fizeram questão de perguntar se era sua filha, esposa ou a babá do cachorro...

Miles chega durante o discurso bem-humorado de Arthur sobre sua carreira e suas realizações, e propõe a Íris que passem juntos o Réveillon.
Como eu disse lá em cima, o amor é lindo!
E, como diz o título do filme, não tira férias; mas para os nossos queridos personagens, precisou que eles saíssem de férias para que esse sentimento adorável, traiçoeiro e inconsequente pudesse agir.
Assim, nossos quatro protagonistas finalmente se encontram todos juntos na casa de Graham, para uma festinha de ano novo familiar, onde Íris e Amanda finalmente se conhecem pessoalmente, e dão indícios de se tornarem grandes amigas, curtindo seus amores e a companhia das duas filhas fofas do bonitão.




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