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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Uma Pitada De Assombro

  Como nós estamos no mês do Halloween – o único mês além de dezembro que a programação da TV realmente vale a pena – decidi falar sobre este tema.

Admito que sempre tive certo fascínio por histórias assombradas, e recentemente encontrei um conto que li pela primeira vez aos nove anos. Foi publicado na Revista Disney Explora, no primeiro ano, e acho que foi só o que guardei daquela revista.

Escrito por Franz Lupo, este conto não é adulto nem infantil. É apenas uma história assombrada, como tantas outras, mas para começar esta série de Halloween, me pareceu realmente bom.




A APOSTA


De Franz Lupo

A velha tinha fama de bruxa. Quando ela morreu, muita gente do povoado se sentiu aliviada e livre de suas feitiçarias. Mas também havia quem fizesse piada sobre o assunto e zombasse daqueles que por anos tremiam só de ouvir falar sobre a velha. Um desses gozadores era um rapaz que todos conheciam como Zé do Óleo, porque trabalhava no posto de gasolina. Valentão, Zé do Óleo apostou com dois colegas de trabalho: ele dizia ser capaz de visitar o túmulo da velha à noite, só para mostrar que não acreditava naquelas bobagens do povo.


_Vou levar tinta spray para pintar uma cruz no túmulo. Assim, no dia seguinte vocês terão uma prova de que estive lá – prometeu.

À meia-noite em ponto, ele se despediu dos amigos no posto de gasolina. E saiu de bicicleta levando uma lanterna e a lata de tinta. Nos arredores do cemitério, a escuridão era quase absoluta. Zé do Óleo deixou a bicicleta escondida no matagal e, decidido, escalou o muro. Quando começou a caminhar pela alameda principal do cemitério, sentiu-se inquieto. A uns 40 metros teve de seguir por um caminho estreito, que conduzia ao local onde estavam as sepulturas. Zé do Óleo avançava com cuidado, mas por mais que se empenhasse em não fazer barulho, seus passos ressoavam sobre o calçamento e ecoavam ao longe. Pensou então que, depois de pintar a lápide da velha, teria de voltar até o portão do cemitério: ou seja, teria de ficar de costas para a tumba.

Sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo, mas sabia que agora não poderia mais desistir. Continuou, com os olhos atentos a tudo em sua volta, pois pressentia algo deslizando atrás dele. Alguns metros adiante, ouviu um barulho. Prendeu a respiração e, apesar da vontade de sair correndo, apoiou as costas contra uma parede de tijolos. Tremendo, conseguiu tirar a lanterna do bolso, mas não a acendeu: algo estava roçando suavemente suas pernas, que ficaram imediatamente paralisadas de terror. Demorou uma eternidade até o rapaz perceber que se assustara com um simples gatinho. A tremedeira durou alguns minutos. Recuperado, ele acendeu a lanterna e retomou seu caminho. Com o fraco facho de luz que saía de sua mão, sentiu-se mais exposto do que protegido. Mas encontrou o túmulo da velha, cravado no setor mais pobre do cemitério.

Com as mãos trêmulas, começou a manchar a lápide com a tinta spray. Pensou que, se algo de sobrenatural fosse acontecer – como, por exemplo, a aparição da velha –, ocorreria agora, nesse instante. O tremor estendeu-se de suas mãos para todo o corpo e o restinho de calam que lhe sobrava esgotou-se.

Imediatamente deu por terminado o “trabalho” e voltou a caminhar até a saída. Ia passando como se algo o perseguisse. Começou a correr, desesperado. Nem mesmo ele saberia explicar como chegou tão rápido até a bicicleta. Depois de afastar-se seis ou sete quadras do cemitério, sentiu-se mais seguro. A dez quadras já se felicitava por sua valentia. Chegou ao posto de gasolina e foi direto para o local onde estavam seus companheiros. Empurrou a porta de vidro e parou na frente deles. Já ia abrindo a boca para dizer que tinha cumprido a aposta quando percebeu uma expressão estranha no rosto dos colegas de trabalho: estavam assustadíssimos. O terror expresso em seus olhares era tão claro que ele mesmo, apavorado, voltou-se devagar para a porta que acabara de ultrapassar. Mas não havia nada atrás dele que pudesse causar tanto medo. Mesmo assim, seus companheiros se precipitaram pela porta dos fundos, fugindo. Zé do Óleo foi atrás deles, perguntando o que havia de errado, mas a essa altura os rapazes já estavam correndo pela estrada. Desistiu de segui-los. De repente, um clarão invadiu sua mente. Atendendo a uma secreta e horrível intuição, aproximou-se do espelho que havia na parede. E soltou um berro por entender porque seus colegas gritavam “A velha! A velha!” enquanto fugiam.

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