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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

AND THE OSCAR GOES TO...



Estamos no mês dos Academy Awards, e é claro que uma cinéfila de plantão não poderia deixar de falar de alguns famosos ganhadores da estatueta mais cobiçada do cinema.

Vamos falar de filmes e atores que conquistaram o prêmio, e também dos que, embora merecessem – talvez mais que os próprios vencedores –, não chegaram lá.

  *OBS: As datas são referentes ao ano de lançamento do filme. Considere que a premiação acontece no início do ano seguinte.

E O OSCAR DE MELHOR FILME VAI PARA...


O ganhador mais merecido de todos os tempos, sem dúvida é ...E o Vento Levou, vencedor da estatueta em 1939. Além de uma história muito bem adaptada do romance de Margaret Mitchell, o filme contou com um elenco bastante audacioso, tendo no papel da protagonista Scarlett O’Hara a, até então, pouco conhecida Vivien Leigh, e no papel do galã Rhett Butler, o feio-porém-charmoso Clark Gable. O casal protagonizou a cena romântica mais famosa do cinema – não conheço muitas publicações onde a fotografia já não tenha figurado. E apesar das quase quatro horas de duração – três horas e cinquenta e três minutos para ser exata: o segundo filme mais longo da história do cinema, perdendo apenas para Cleópatra –, o filme cativa sem cansaço. Pena a nossa geração não ter grande interesse por esses diamantes cinematográficos...



Outro grande vencedor foi My Fair Lady (Minha Bela Dama), em 1964. Dispensa apresentações: a adaptação de Pigmalião, de George Bernard Shaw, estrelada por Audrey Hepburn e Rex Harrison. Uma curiosidade sobre o filme é que o papel de Eliza Doolitle foi oferecido primeiro para Julie Andrews, que o tinha interpretado com maestria na Broadway. Supostamente, Rex Harrison teria se recusado a atuar com ela, por medo de que ela o ofuscasse. Audrey acabou conquistando o papel, e francamente, fica difícil imaginar a personagem sendo interpretada por outra atriz senão ela. Para desespero de Mr. Harrison, que acabou ofuscado de qualquer forma...




Os doces musicais tiveram seus dias de glória na década de 60 com a indicação de Mary Poppins, em 1964, e a premiação de A Noviça Rebelde, em 1965. A dobradinha de Julie Andrews lhe rendeu um Oscar pelo primeiro filme, mas perdeu no ano seguinte para outra Julie [Christie], por Darling.


Em 1988, depois de muitos equívocos, o Oscar finalmente premiou um filme que realmente o merecia: Rain Man. É verdade que muitos filmes já utilizaram personagens com problemas mentais, como o autismo do protagonista, para emocionar o público e tentar forçar uma premiação, mas este, diferentemente dos outros que geraram comoção pela debilidade, mostrou a genialidade oculta por trás de alguns desses problemas. Sem mencionar o capricho especial de Dustin Hoffman ao interpretá-lo.


Shakespeare Apaixonado foi um dos mais brilhantes dos últimos vinte anos. Recontou a história do dramaturgo, fez uma pequena brincadeira com o fato de que a maioria dos grandes gênios antigos eram homossexuais, com a diferença de que neste caso, o homem por quem ele estava apaixonado era na verdade uma mulher disfarçada, e ainda criou uma teoria bastante significativa sobre o processo de criação de Romeu e Julieta. Dá gosto saber que esta estatueta não poderia estar em melhores mãos. Nem preciso dizer que também conquistou o prêmio de Melhor Roteiro Original naquele ano...




Em 2004, a Academia se deparou com um terrível dilema ao ter que escolher entre dois gigantes: de um lado do tatame, Menina de Ouro, a história de uma jovem e talentosa pugilista cercada de dramas familiares; do outro, Ray, a biografia do músico Ray Charles. Eu teria votado por um empate, mas alguém achou por bem premiar Menina de Ouro. Queria saber qual foi o critério escolhido para determinar o vencedor deste páreo duríssimo. Aposto no ritual do uni-duni-tê...


Por originalidade, identificação do público e desejo universal de todo ser-humano, Quem Quer Ser Um Milionário? tinha mesmo que levar a estatueta em 2008!


Nunca a premiação foi tão divertida quanto em 2009. Quem, depois de conferir os números da bilheteria de Avatar, poderia imaginar que ele perderia a estatueta para o humilde Guerra ao Terror? Honestamente, não achei o filme lá essas coisas – nenhum dos dois, para dizer a verdade –, mas que foi curioso ver os gigantes azuis serem passados para trás por um azarão, isso foi...



2010 repetiu o dilema de 2004: O Discurso do Rei contra Cisne Negro. Hollywood precisa estabelecer uma regra de não lançar dois filmes bons no mesmo ano, senão um dos dois acaba saindo prejudicado no Oscar. Desta vez a gagueira de Colin Firth ganhou mais aplausos que o sofrimento da bailarina de Natalie Portman.


PODERIA TER SIDO OSCAR...

Não adianta inventar moda! Nenhum homem na face da Terra seria capaz de interpretar Hamlet com o mínimo de dignidade, senão talvez o próprio Shakespeare. Apesar disso, em 1948, a tentativa de Laurence Olivier de dar vida ao príncipe dinamarquês lhe rendeu o Oscar de Melhor Filme. Provavelmente a Academia não notou a indicação de O Tesouro de Sierra Madre...


Especialistas, por favor, expliquem-me: como Sinfonia de Paris roubou o Oscar de Quo Vadis em 1951?


Olha só que coisa louca: em 1963, uma atriz muito audaciosa, pediu por brincadeira um milhão de dólares para interpretar Cleópatra, e o Estúdio achou por bem atender seu pedido e pagar o primeiro cachê milionário da história do cinema; afinal, não era qualquer atriz... Era Elizabeth Taylor! Agora vejam só o que aconteceu: o Oscar de Melhor Filme ficou com As Aventuras de Tom Jones!

Calma, mais adiante vocês verão outros motivos para o pessoal do Estúdio que produziu o filme mais caro da época querer tomar um drinque de cicuta por ter apostado tão alto na Sra. Taylor...


Não consigo imaginar como alguém pode ter roubado o Oscar de Romeu e Julieta em 1969, a única adaptação decente da história dos jovens amantes. Mas o tal do Oliver! conseguiu... Se bem que esse era um caso para dar empate.


Golpe de Mestre não foi um grande filme, mas GRAÇAS A DEUS roubou o Oscar de O Exorcista em 1973. UFA!


Novamente recorro aos especialistas para perguntar como A Cor Púrpura não levou o Oscar em 1985? O Ivo Holanda deve ter se infiltrado na Academia para fazer uma pegadinha, e dado todos os votos deste para Entre Dois Amores, só pode...


O único motivo para Ghost não ter sido premiado em 1990 chama-se Dança Com Lobos. Tudo bem, também foi um ótimo filme. Estabeleçam logo uma cláusula de empate!


Para quem não entendeu o Oscar de Melhor Filme para O Silêncio dos Inocentes em 1992, eu explico: não tinha ninguém concorrendo com ele!


CRISTO, perdoai esta blasfêmia! Se estavam concorrendo À Espera de Um Milagre e O Sexto Sentido, como foi que a estatueta de 1999 foi parar nas mãos de Beleza Americana? Dica para a próxima vez que dois filmes ótimos estiverem concorrendo contra uma mediocridade apelativa: coloquem uma mulher pelada no meio das cenas...


Como Os Infiltrados – apesar de ter sido um ótimo filme – tirou o Oscar de A Rainha em 2006, é um mistério...


Apenas uma observação: nem chegou a ser indicado, mas Ao Mestre Com Carinho merecia o Oscar em 1966.




E O OSCAR DE MELHOR ATOR VAI PARA...

Alguns vencedores dispensam comentários, como:

- José Ferrer, por Cyrano de Bergerac, em 1950;

- Charlton Heston, por Ben Hur, em 1959;

- Marlon Brando, por O Poderoso Chefão, em 1973;

- Dustin Hoffman, por Rain Man, em 1988;

- Roberto Benigni, por A Vida é Bela, em 1998;

- Jamie Foxx, por Ray, em 2004;

- Colin Firth, por O Discurso do Rei, em 2011.
Por outro lado, alguns vencedores nos deixam inconformados, e alguns perdedores deixam uma incrível dúvida...

Um Oscar duvidoso foi o de Laurence Olivier em 1948 por Hamlet, como já mencionei.

Em 1989, Tom Cruise deveria ter ganhado o Oscar por Nascido em 4 de Julho, mas alguém decidiu dar o prêmio ao Daniel Day-Lewis por Meu Pé Esquerdo, seja lá o que for isso. Jamais entenderemos...
Embora Denzel Washington tenha feito um bom trabalho em Dia de Treinamento, é imperdoável que a estatueta não tenha sido entregue a Sean Penn por Uma Lição de Amor, em 2002.
Em 2008 Daniel Day-Lewis se consagrou como o maior empata Oscar de todos os tempos, roubando-o de Johnny Depp desta vez, indicado por Sweeney Todd.




E O OSCAR DE MELHOR ATRIZ VAI PARA...

Mais uma vez, algumas dispensam comentários:

- Vivien Leigh, por ...E o Vento Levou, em 1939;

- Julie Andrews, por Mary Poppins, em 1964;

- Nicole Kidman, por As Horas, em 2002 – na falta de coisa melhor; não foi seu melhor personagem, mas a atriz merecia o Oscar por outras interpretações;

- Hilary Swank, por Menina de Ouro, em 2005;

- Helen Mirren, por A Rainha, em 2006 – embora só concorresse de fato contra Meryl Streep, por O Diabo Veste Prada;

- Natalie Portman, por Cisne Negro, em 2010 – um dos mais merecidos de todos os tempos;

- Meryl Streep, entre outros, por A Dama de Ferro, em 2011 – provando ser a melhor de todas, definitivamente.
Uma curiosidade nesta categoria aconteceu na premiação de 1969, quando duas atrizes levaram a estatueta (nos dando esperança de ter um dia uma cláusula de empate na categoria Master!): Katharine Hepburn, por O Leão No Inverno e Barbra Streisand, por Funny Girl.
Agora vamos comentar um pouquinho os deslizes da Academia:

É imperdoável que Gene Tierney não tenha sido sequer indicada por O Fantasma Apaixonado, em 1947, assim como Rex Harrison, que interpretou o fantasma, também não o foi.
Em 1948, a Academia cometeu a maior de todas as injustiças ao não conceder a estatueta a Ingrid Bergman por Joana D’Arc. A vencedora Jane Wyman, de Belinda não chegou aos pés de sua interpretação.
Audrey Hepburn até cantou em Bonequinha de Luxo, em 1961, mas o Oscar ficou com Sophia Loren. Acontece...
Lembra que eu prometi dizer outros motivos para o Estúdio se contorcer de raiva por ter pago um milhão de dólares para Elizabeth Taylor interpretar Cleópatra? Nem foi indicada!

Julie Andrews merecia a estatueta por Victor ou Victoria, mas foi ofuscada por Meryl Streep, por A Escolha de Sophia. Está perdoada!
Ainda bem que a Academia não cometeu o pecado de entregar a estatueta para Julia Roberts por interpretar uma prostituta de sorte em Uma Linda Mulher, em 1991. Deu Kathy Bates, por Louca Obsessão.
Eis as indicadas em 1998: Gwyneth Paltrow, por Shakespeare Apaixonado; Cate Blanchett, por Elizabeth; Fernanda Montenegro, por Central do Brasil; Meryl Streep, por Um Amor Verdadeiro; e Emily Watson, por Hilary e Jackie. Apesar de Fernanda Montenegro e de Meryl Streep, não entendi como Gwyneth Paltrow, embora ótima interpretando uma mulher se travestindo de homem para poder atuar nos palcos de Londres e viver seu romance proibido com o maior dramaturgo de todos os tempos, tirou o Oscar das mãos de Cate Blanchett!


VAMOS AGORA AO OSCAR DE MELHOR ATOR COADJUVANTE:

Esta é a categoria pela qual se inventa muitas indicações, se por falta de bons candidatos, ou por cansaço com os prêmios principais nunca saberemos, mas a verdade é que quase todos os anos os vencedores são óbvios. Antes que alguém me xingue por ter feito este comentário, reveja a indicação de Geoffrey Rush, em 1998, por sua atuação em Shakespeare Apaixonado, onde ele teve no máximo três cenas, perdendo o posto de personagem mais insignificante do elenco apenas para Ben Affleck, e vão entender do que eu estou falando.

Outrossim, este é o prêmio que deveria ter mais destaque, pois dá oportunidade para muitos atores secundários galgarem espaço de protagonistas em futuras produções, e revela grandes talentos.

Mas a verdade é que apenas dois atores realmente merecem menção por terem conquistado esse prêmio:

- Martin Landau, por Ed Wood, no qual interpretou Bela Lugosi, o ator húngaro que deu vida pela primeira vez ao personagem Drácula no cinema, em 1931 – desconsiderando, é claro, Max Schreck, que interpretou o Conde Orlok em Nosferatu, de 1922, uma versão alemã do vampiro, num filme mudo retirado do mercado sob acusação de plágio, que nós só conhecemos graças às cópias piratas. Uma grande ironia...
Aparte a interpretação de Landau, Ed Wood merece ressalvas, por ter feito uma biografia do pior diretor de todos os tempos, feita por um dos melhores (Tim Burton), interpretado por um dos melhores atores dessa geração (Johnny Depp), mesclando humor negro e drama. A escolha pela película em preto e branco foi um detalhe crucial para a visão artística do filme...

- E, é claro, não poderia deixar de mencionar Heath Ledger, por sua interpretação do Coringa em Batman – O Cavaleiro Das Trevas, que o tornou o vilão mais marcante da história do cinema. Eu só não entendi o porquê da indicação a Ator Coadjuvante, se ele praticamente protagonizou o filme!
O ano mais curioso nesta categoria foi 1975, quando Robert De Niro, Michael V. Gazzo e Lee Strasberg foram indicados por seus papéis em O Poderoso Chefão – Parte II, contra Fred Astaire e Jeff Bridges de outros filmes. Três em cinco não era possível que um não levasse... Robert De Niro foi o felizardo.
Halley Joel Osment teve sua chance de ser o mais jovem ator a receber um Oscar por O Sexto Sentido, em 1999. No mesmo ano, Jude Law recebeu uma indicação por O Talentoso Ripley. Mas os dois foram depreciados pela ideia estapafúrdia de premiar Michael Caine por interpretar coisa nenhuma em Regras da Vida.
Queridos especialistas, como foi que a Academia ainda não deu um Oscar a John Malkovich? Devia ter ganho, no mínimo, por Con Air, ou O Homem da Máscara de Ferro ou A Lenda de Beowulf...


E A MELHOR ATRIZ COADJUVANTE É...

O empate de 1975 deveria ter acontecido também em 1939. Hattie McDaniel levou a estatueta (merecidíssima!) por interpretar Mammy em E O Vento Levou, mas Olivia de Havilland, a Melanie Hamilton do mesmo filme, também merecia o prêmio.
São indiscutíveis os prêmios de Whoopi Goldberg, por Ghost em 1990, e de Judi Dench, por interpretar a Rainha Elizabeth I em Shakespeare Apaixonado, em 1998, onde mostrou que a enérgica filha de Henrique VIII e Ana Bolena tinha um lado espirituoso – ou algum tipo de humor negro, que definitivamente combinava com o perfil da soberana.
Cate Blanchett finalmente levou uma estatueta em 2004, por O Aviador, onde interpretou Katharine Hepburn – concorrendo com ninguém! Aí você se pergunta, de novo, como foi que ela não recebeu nada por Elizabeth, e por ter interpretado Bob Dylan na biografia dele, e eu nem vou falar do Senhor dos Anéis...
Ó as ideia: Renée Zellweger ganhou em 2003 por Cold Mountain... Só por fazer um sotaque caipira? E Penélope Cruz, em 2008, por Vicky Christina Barcelona... Estão precisando de candidatas?
Em 2009, Mo’nique venceu por Preciosa. Até aí, maravilha, uma interpretação que realmente merecia a estatueta. Aí você olha a lista das indicadas, e percebe que ela era realmente a única candidata... De quem foi a ideia de indicar Anna Kendrick por Amor Sem Escalas? Péra aí, vou postar um vídeo no YouTube e concorrer ao Oscar ano que vem...


MELHOR ROTEIRO ORIGINAL:

Concordo:

- Ghost, em 1990;

- Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, em 2004 – absolutamente impecável.

Agora desenha, porque eu não entendi:

1982 – Gandhi em vez de E.T. O Extraterrestre. Gandhi não é roteiro original, é biografia!

1991 – Thelma e Louise – história mais velha que o conto do vigário!

1999 – Beleza Americana – concorrendo contra O Sexto Sentido, Quero Ser John Malkovich e Magnólia (filmezinho besta onde chove até sapo, mas não peca no quesito originalidade!). Lembrei! Tinha uma mulher pelada...

2007 – O que tem de original em Juno? A Academia deveria conhecer algumas meninas de 14 anos do meu bairro...


E O ADMIRÁVEL MUNDO INVENTADO CONCEDE AGORA UM PRÊMIO HONORÁRIO AO MAIOR AZARÃO DA HISTÓRIA DA ACADEMIA:

Já que o filme mais longo da história, mais caro de sua época, primeiro a pagar um cachê milionário, e responsável pelo quinto casamento de Elizabeth Taylor, não ganhou porcaria nenhuma no Oscar, vamos pelo menos ressaltar que foi, até hoje, a adaptação mais bem feita da história da Rainha do Egito.

SALVE CLEÓPATRA!



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