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domingo, 19 de agosto de 2012

Uma Comédia Sobre Uma Comédia




Hoje faz precisamente um ano que foi ao ar um programa especial, feito pelos humoristas do SBT, interpretando um episódio do Chaves: BILHETES TROCADOS. O programa foi exibido como comemoração ao aniversário de 30 anos do SBT, que também foi comemorado nesta data.



Diferentemente dos outros posts, vou colocar o vídeo do episódio no começo, assim, quem quiser assistir antes de ler meus comentários sobre o episódio não vai se sentir perdido.




Eu admito que sou fã, não só do Chaves, mas de todos os personagens criados pelo “Chespirito” Roberto Gomez Bolaños – todos os que já foram exibidos no Brasil, quero dizer – desde que eu me entendo por gente. Fã incondicional e obcecada!

E este especial me chamou atenção por alguns fatos.

Não sei de quem foi a ideia de filmar uma versão brasileira do episódio “Bilhetes Trocados”, e confesso que quando eu li sobre isso no jornal fiquei meio na dúvida, porque eu acho que sei esse episódio de cor e salteado, até de trás pra frente. Neste episódio só estão presente os personagens: Chaves, Chiquinha, Kiko, Seu Madruga, Dona Florinda e Professor Girafales. Tecnicamente, o Seu Barriga e a Bruxa do 71 estavam de fora. Mas o jornal anunciava a participação do Ratinho e da Christina Rocha interpretando estes papéis.

Obviamente, foram feitas algumas alterações no episódio.

A primeira cena me lembrou muito o episódio “Ser Pintor é Uma Questão de Talento”, porque o Seu Madruga estava pintando um banquinho. Obviamente a cena foi criada para introduzir o Seu Barriga na história. E admito, foi bem sucedida.




Foi só na segunda cena, quando o Seu Madruga apareceu na cadeira de balanço no pátio que eu finalmente reconheci o episódio “Bilhetes Trocados”. Não que a Chiquinha pedindo dinheiro já não sugerisse isso.


Mas eu não podia deixar de reparar, afinal de contas, a ideia era fazer uma homenagem ao Chaves, tornando o episódio atual, sem perder a essência que transformou o programa num sucesso indiscutível que já atravessa quatro décadas. O mínimo que se espera é que seja bem feita!

Pois bem, não sei como os demais fãs da série receberam essa adaptação, mas posso dar aqui a opinião de uma fã que já se assumiu obcecada.

O episódio foi bem escrito, com piadas atuais, tiradas muito bem sacadas – adorei o comentário do Seu Barriga, quando o Seu Madruga disse que ia pagar o aluguel assim que o Corinthians terminasse o estádio pra Copa, e o Seu Barriga disse: “ele não vai pagar é nunca!” Não me xinguem, corintianos de plantão, eu também sou corintiana de coração, mas não tão roxa quanto a Lívia Andrade. Digamos que sou roxa pelo Chaves, e rosa pelo Corinthians.


Acho que fizeram um bom trabalho ao manter a essência do Chaves, e ainda incluíram sugestões dos programas da emissora ao qual os atores pertencem, e isso ficou bem legal.

Quanto ao elenco escolhido... Eu tenho minhas dúvidas.




Eu tenho que tirar o chapéu para o ator Felipe Levoto, que interpretou o Seu Madruga. Foi o personagem mais convincente nesta adaptação. Não à toa, ele praticamente protagonizou o episódio.



Não desmerecendo o choro perfeito da Marlei Cevada interpretando a Chiquinha. Incrível, a voz dela até ficou muito parecida com a da dubladora original quando ela chorou. Outra integrante do elenco acertada!



A Lívia Andrade como Dona Florinda estava impagável! Pelas tiradas dela no jogo dos pontinhos no “Programa Silvio Santos”, já dava para perceber que ela tem muito talento para comédia. Aliás, alguém no SBT já devia ter dado mais espaço para ela em algum humorístico da casa – e eu não estou falando dos esquetes da “Praça é Nossa”.



Eu realmente esperava mais do Zé Américo, me deixou um pouco decepcionada. Fez um Kiko muito chorão e com poucas expressões do personagem. Pelo menos a bochecha estava parecida (era uma imitação, ou ele está bochechudo mesmo?) No especial de Ano Novo, em que eles fizeram outro episódio do Chaves ele ficou um pouco mais engraçado, mas o Kiko interpretado pelo Carlos Villagrán é inigualável.



Outro personagem que me surpreendeu foi o Sr. Barriga. Tenho que reconhecer, apesar de o Ratinho não estar tão gordo quanto o personagem – o Zé Américo ficaria mais convincente, se pesar na balança –, o papel parece ter caído como uma luva.


A Bruxa do 71 estava engraçada. A Christina Rocha interpretou uma versão mais sexy da velha. Até o vestido estava mais curto. Alguém esqueceu de descer a bainha, hein? Ideia de quem, da atriz ou de quem fez o figurino? Eu só não entendi uma coisa: o que ela ia fazer com aquele bolo? Porque ele saiu de cena do mesmo jeito que entrou, sem explicação!



Primeira cena do Professor Girafales: deviam ter mudado o nome para Professor Anãofales (acabei de inventar essa palavra), porque o Seu Madruga estava quase vinte centímetros mais alto que ele – calculando acima do chapéu, porque se tirasse o chapéu... Engraçado, na “Praça” o Carlos Alberto de Nóbrega parece mais alto! Como foi que de uma tomada para a outra ele cresceu meio metro? Comeu um quilo de pó Royal? Gente, me dá essa receita porque eu conheço muita gente frustrada com a pequenez. Eu já superei esse problema. Estou muito feliz com o meu metro e cinquenta e nove e meio – mas se ninguém medir vamos arredondar um e sessenta!




Só um recadinho importante para a equipe de figurino do SBT: verifica se não falta uma peruca do Zé Bonitinho! Se faltar procura com o Carlos Alberto, estava na cabeça dele nesse episódio do Chaves.



Eu confesso que deixei o Chaves por último de propósito, pois, sendo ele o personagem mais importante do seriado, também seria o mais observado, e por consequência, o que criaria mais expectativas. Logicamente, eu não poderia deixar de comentar, e não vejo outro modo de fazer isso, senão perguntando aos criadores dessa homenagem de quem foi a ideia de contratar o René Loureiro para fazer o Chaves? Será que ele já assistiu algum episódio da série na vida? Ele mal conseguiu fazer os pulinhos do ZÁS! Gente! Quem nesse planeta não consegue fazer os pulinhos do ZÁS?!


Uma coisa eu tenho que admitir: a voz dele ficou meio parecida com a do dublador original. Mas a interpretação do Chaves, numa escala de zero a dez... Vou usar as sábias palavras de Arlete Salles em Toma lá Dá Cá: “Prefiro não comentar!”.

Acho que eu não fui a única a perceber isso, porque nos especiais de Natal e Ano Novo, o Chaves foi interpretado pelo hilário Alexandre Porpetone – este sim, uma escolha mais que acertada!



Obviamente, não se poderia esperar que alguém fosse conseguir se igualar ao genialíssimo Bolaños – em toda a extensão do superlativo –, muito menos superá-lo. Chespirito é o Einstein da comédia, imbatível – como os nossos saudosos Golias e Mazzaropi; não dá para não elogiar o talento dos nossos comediantes brasileiros.

Entretanto, não se pode elogiar aquela interpretação de Chaves do René Loureiro. O Seu Madruga literalmente roubou a cena. O único momento em que o René Loureiro se saiu bem, na minha opinião, foi na cena da leitura da carta. Foi uma boa ideia imitar o original. Se tivesse feito isso desde o começo teria se saído muito melhor.



E cá entre nós: é impressão minha, ou encerrar as piadas olhando para a câmera realmente deixou o programa com cara de “A Praça é Nossa”?

Moral da história: não dá para recriar o Chaves. Ele é perfeito do jeito que é.

Mas é possível fazer bonito para homenagear um personagem que é realmente digno desta e de muitas outras homenagens, pois tem feito a alegria de adultos e crianças há quarenta anos em vários países.

Apesar destes pequenos problemas, eu simplesmente adorei!

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