“Todas as famílias felizes se
parecem. Cada família infeliz é infeliz à sua maneira”.
E parafraseando Liev Tolstói: toda família normal tem sempre um maluco que
renderia uma boa história!
Este
livro não era um dos meus escolhidos para o Desafio Literário. Na verdade,
quando comecei a ler, tinha certeza de que eu sequer escreveria uma resenha
sobre ele. Sem preconceito; apenas que, depois de ter resenhado “Como Se Tornar
o Pior Aluno da Escola” no ano passado, tinha pensado em evitar livros insanos
na versão 2015 do #DLdoTigre.
Mas,
desta vez, vou abrir uma exceção.
Embora
eu tenha começado com uma citação de Anna Karenina, é óbvio que não estou resenhando
um romance russo.
Meu Pai Fala Cada MerdaTítulo Original: Shit My Dad SaysAutor: Justin HalpernEditora: SextantePáginas: 144Gênero: Humor/ Comédia/ BiografiaSinopse:
Aos 28 anos, depois de ser dispensado pela namorada, Justin Halpern volta a morar com o pai, Sam Halpern, de 73 anos. Na infância, Justin morria de medo dele, tão mal-humorado, direto e desbocado que beirava a grossura.
Já adulto, ele passa a admirar a mistura de franqueza e insanidade que caracteriza os comentários e a personalidade do pai, que considera ‘sábio como Sócrates e até mesmo profético’.
Disposto a registrar a sabedoria contida nas tiradas de Sam, Justin cria uma página no Twitter para reunir suas frases malucas e observações ridículas. Em pouco tempo, os devaneios filosóficos do médico aposentado conquistam mais de um milhão de seguidores.
O fenômeno da internet dá origem a um dos livros mais engraçados dos últimos tempos. Tomando como base as pérolas do pai, o filho recria suas memórias da infância e da juventude.
Extremamente divertido e inspirador, Meu Pai Fala Cada Uma traça um retrato profundo da relação pai e filho e aborda os grandes temas da vida: medo, amigos, estudo, namoro, esporte, família. Uma lição de integridade, amizade e amor. Sem papas na língua.
Meu Pai Fala Cada Uma,
de Justin Halpern (que por alguma razão que eu “nem imagino”, prefiro me
referir pelo título original: Shit My Dad
Says), foi um livro que li em questão de horas. Por um motivo ao mesmo
tempo complicado e ridículo demais para explicar aqui, abri mão do conforto e
da privacidade do meu quarto numa noite de meio de semana, levei o livro para a
sala de estar, e tive que suportar os olhares enviesados e os acenos de cabeça
com indicações de “ficou maluca” dos meus pais, enquanto eu tinha pequenas
crises de riso com os olhos grudados nas páginas. Claro que eu não tive coragem
de dizer a eles que estava rindo, principalmente, porque o livro me fazia
lembrar certas “histórias de família”.
O
livro é protagonizado por Sam Halpern, pai do autor, um sujeito que, como foi
enunciado na capa, é um homem sábio, desbocado e mal-humorado. Justin, o autor,
narra as memórias de sua família, desde sua infância, contando passagens
hilárias em que seu pai dava a ele e aos seus irmãos os conselhos mais
absurdos, e destilava pérolas de uma sabedoria politicamente incorreta (mas, na
maioria das vezes, filosoficamente correta), ou simplesmente dizia, sem nenhum
constrangimento, as maiores barbaridades.
Sam
Halpern é aquele cara extremamente sincero, que fala exatamente o que pensa, sem
filtro algum, e sem se importar com a opinião alheia. Justin admite que chegou
a ter medo dele na infância, pois seu jeito desbocado beirava a grosseria, mas
quando adulto, passou a admirá-lo justamente por sua honestidade, e, como ele
próprio descreveu, a mistura de franqueza e insanidade que caracteriza seus
comentários e a personalidade do pai. Pois, apesar de seu jeito torto de
abordar e comentar os assuntos, Sam Halpern é um pai extraordinário, que está
sempre disposto a apoiar os filhos, e ajudá-los a lidar com seus problemas e
acertarem a vida.
Sem
falar que a narrativa do próprio Justin Halpern evidencia que ele pode ter
herdado a veia cômica e o senso de humor do pai. Vou citar só uma tirada, para
servir de aperitivo:
“No
primeiro dia do nosso novo regime alimentar, abri na escola o saco de papel
marrom no qual minha mãe havia posto meu almoço. O que tirei lá de dentro era
uma combinação asquerosa de ingredientes que queriam se passar por um sanduíche
de peru. Segurei aquilo na minha frente. O pão parecia duas folhas de lixa
molhada e o peru era igual à cara do Larry King: um tipo de carne branca,
pegajosa e fibrosa”.
Já
deu para ter uma ideia, né? O livro é sobre as loucuras que o pai dele diz, as que
ele mesmo diz, as que os irmãos dele dizem, e provavelmente algumas delas farão
você lembrar coisas que você mesmo ou seus parentes dizem.
Esse
é um livro que fará você rir, não só porque está cheio de tiradas engraçadas,
mas também, e principalmente, porque você sempre irá identificar alguém da sua
família no mal-humorado, desbocado e hilário Sam Halpern. Eu, por exemplo, não
poderia criar uma página no Twitter para publicar todas as maluquices que ouço
aqui em casa, pois 140 caracteres jamais seriam suficientes! Se você ler, e não
achar que o pai do Justin se parece com a sua tia maluca, ou com o seu avô
ranzinza, ou com o seu irmão sem noção, CUIDADO! Vai ver, o Sam Halpern da sua
família é você...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada pela visita!
E já que chegou até aqui, deixe um comentário ♥
Se tiver um blog, deixe o link para que eu possa retribuir a visita.